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FÚRIA DE TITÃS (2010)

O remake que confirma a máxima: muito barulho para nada.


O Fúria de Titãs (81) original pode estar com seus efeitos especiais datados para os dias de hoje, mas pelo menos tinha uma história decente e direta: os homens haviam deixado de adorar os deuses e como Zeus é arrogante e vaidoso, dá um ultimato à humanidade: se não sacrificarem a filha do rei como prova de adoração, eles serão varridos do mapa pelo temido Kraken. Já no remake, a negação à adoração dos deuses continua, mas Perseu dessa vez matará o Kraken por pura vingança pessoal e antes de fazê-lo, não cansará de reafirmar suas motivações ad nauseum, pois, apesar de semi-deus (é filho de Zeus com uma humana), ele o faria porque era humano (entendeu? nem eu).

As inovações não terminam por aí e a acochambrada mais risível é a reprodução, em plena Grécia Antiga, da sociedade atual de comercial de margarina: o rei, que ama a rainha, que amam sua filha e que vivem em uma harmonia irritante. Há ainda uma "guerra política" entre os deuses, pois Hades (o "dono" do Kraken) quer o lugar de Zeus, que na antiguidade havia se juntado com seu outro irmão, Poseidon para confinar o irmão "malvado" no reino inferior. Calibos, que no original era o filho de uma deusa que caiu em desgraça perante Zeus é o corno que era casado com a mãe de Perseus e que, agora, recebe poderes especiais de Hades para matar Perseu: do seu sangue nascem escorpiões gigantes.

A única ideia inteligente do filme são as Oráculos, onde Perseu descobre como matar o Kraken. A Medusa guerreira e com uma cauda de 300 metros é uma tragédia, assim como o Kraken, que só mostra a que veio depois de uma infinidade de tentáculos e um grito feito única e exclusivamente para abalar as paredes dos multiplex. Logo depois disso, ele vira pedra, depois de menos de 5 minutos na tela.

Pensa que acabou? Nããããão. Já não bastava o desenrolar idiota da história, eles a fecham com uma cagada monumental que ninguém poderia imaginar (olha o Spoiler!): Perseu não fica com a filha do rei que ele acabou de salvar. Ele está cagando para ela, pois, mais uma vez, faz questão de lembrar que ele fez tudo o que fez, como um humano, apenas para se vingar. Mas ele não é gay, o roteiro ainda inventa um prêmio de consolação: uma feiticeira que o ajudou a encontrar a medusa (até ser morta por Calibos) é revivida. E está pronto o gancho para a segunda parte (que, parece, já tem o sinal verde do estúdio).


E
Clash of the Titans (Louis Leterrier, EUA, 2010)
Quando: Setembro/2010 (DVD)

A ÚLTIMA CASA

A vingança é um prato que se serve com sangue


Mary vai passar o final de semana com os pais na casa do lago da família, mas pede para ir à cidade para se encontrar com a amiga. As duas acabam nas mãos de uma família de degenerados e sofrem horrores até a morte. Anoitece, eles se veem presos no meio do nada e, ironia do destino, encontram refúgio junto onde? Na casa dos pais da jovem que eles tinham acabado de estuprar. Eventualmente, a mãe descobre o que aconteceu e aí parte para a vingança com a ajuda do marido.


A Última Casa é mais uma refilmagem do século XXI de um clássico do horror dos anos 1970/80, no caso em questão, de Aniversário Macabro (72), originalmente escrito e dirigido por Wes Craven, que aqui atua na produção. A notícia boa é que esse é um dos poucos casos em que a refilmagem suplanta o original. Com tensão nos momentos certos e gore não gratuito e em doses comedidas, o ponto forte do filme está na ironia do roteiro e não no choque de ver cabeças explodindo espirrando sangue e miolos pela tela. Bem... há uma cabeça que explode -- de uma forma até original, devo dizer --, mas está "dentro do contexto".

O filme peca exclusivamente por não desenvolver bem as personalidades do casal protagonista, pois achei meio forçado esses típicos pais-classe-média-burguesa de repente virarem assassinos vingativos, mas nada disso desabona essa boa diversão. O filme original é facilmente encontrado no youtube caso haja algum interessado na comparação.


B
The Last House on the Left (Dennis Iliadis, EUA, 2009)
Quando: Agosto/2010 (Divx)
Sítio Oficial: universalstudiosentertainment.com/last-house-on-the-left

A EPIDEMIA

Não é impressão sua, você já viu esse filme antes.


A ideia original é de George Romero (The Crazies, 1973) e foi reclicada várias e várias vezes: numa pacata cidade perdida no tempo e do tamanho de um ovo, de repente, os habitantes começam a enlouquecer e a matar uns aos outros. Dias depois, chega o exército e você fica na dúvida entre quem são os mais loucos: os habitantes infectados ou o exército truculento.


A premissa é interessantíssima: do nada, a vida daquelas 1.200 e poucas pessoas é virada pelo avesso sem motivo aparente. Depois, que o primeiro habitante aparece ensandencido com uma arma na mão no meio de um jogo de basebol, descobrimos que um avião com um vírus de laboratório cai no rio que abastece a cidade com água potável. A cidade é isolada do mundo e chegam o exército, truculento, e um time de pessoas (cientistas? médicos?) com roupas antirradiação para separar os que têm febre (infectados) dos saudáveis. Os infectados são isolados e os saudáveis são transportados em caminhões como gado. Tudo sem a menor explicação.

O filme não é de todo ruim, há boas cenas, como a do lava-jato (claustrofóbica) e a que a doutora volta à sua casa e "surta", recolhendo as toalhas do varal e visitando o quarto do futuro bebê (sempre tem que ter um futuro bebê). Também é interessante a cena onde o grilo falante (aquele que vai explicar tu-di-nho para quem ainda não entendeu as inúmeras pistas que já tinham sido expostas) é introduzido e descartado.

Mas esse é um típico filme com foco no "público médio" que não está lá para discutir políticas não ortodoxas do governo. Você não está lá para refletir e sim para ver partes de corpos, corpos empilhados, "zumbis", sangue jorrando e ser assustado (mesmo que da forma mais previsível possível com os sustos-relâmpagos e o "suspense" de que tudo vai dar errado até serem salvos no último segundo). Nesse sentido, eu garanto: você não vai ter do que se queixar.

Só não é a minha praia.


D
The Crazies (Breck Eisner, EUA, 2010)
Quando: Agosto/2010 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: thecrazies-movie.com

O DIA EM QUE A TERRA PAROU

Mais um remake onde o original é vilipendiado sem dó nem piedade.


A década de 1950 foi um celeiro fértil para filmes de ficção científica onde o perigo era representado não pelos comunistas, mas por aqueles que moravam lá fora. Dessa safra, o primeiro O Dia em que a Terra Parou (51) indicava que havia uma patrulha estrelar que cuidava do bem-estar interplanetário e que estava preocupada com a crescente corrida armamentista terrestre.

Seis décadas depois, a URSS não existe mais, mas o perigo continua “real” e imediato. Desta vez, Klaatu e G.O.R.T. não vêm à Terra para dar um puxão de orelhas, mas sim como arautos da morte. A humanidade maltratou demais o planeta que não é dela e por causa disso será exterminada sumariamente (mas antes, os aliens, como uma verdadeira Arca de Noé, atraem um casal de cada animal para posterior repovoamento).

Até aí, tudo bem. Só esqueceram de encomendar um roteiro decente e sem clichês-padrões. A mocinha tem um filho. Ou melhor, “ficou” com o filho do seu grande amor que morreu no Iraque. Claro que a criança não gosta dela e claro que ela queria que o pai estivesse vivo para chutar o traseiro dos Ets. Ah, esqueci um pequeno detalhe: o menino é negro. Melhor que isso, só a nova versão de “Barrados no Baile” onde o “Brandon” da vez também é negro e adotado. Há ainda tantas outras bobagens que nem vale a pena enumerá-las. O final é digno daqueles filmes perdidos que não sabem mais para onde ir e terminam de forma abrupta, com uma pseudomensagem filosófica para enganar os trouxas, na tentativa de salvar alguma coisa.

Se tivessem feito tipo uma continuação -- nós te avisamos, vocês não se endireitaram, agora sofram as conseqüências -- talvez o resultado não seria tão desastroso assim.


D
The Day The Earth Stood Still (Scott Derrickson, EUA, 2008)
Quando: Janeiro/09 (UCI Ribeirão Preto)
Sítio Oficial: ficha imdb

UMA CHAMADA PERDIDA

Mais uma refilmagem sem sal de um terror oriental


Confesso que os motivos que me fizeram assistir a esse filme não eram nem um pouco nobres. Embuído de coragem, lá fui eu tentar chegar até o final do filme que conta a história de misteriosos telefonemas que as pessoas recebem indicando como, o dia e a hora (futura) de suas mortes. Logo no começo, o que seria padrão até o final do filme: uma mulher sozinha, no quintal de sua casa, com um laguinho japonês e um gato que, de repente, some. Sons estranhos. Ela saí da varanda e vai à procura do seu gatinho. O gatinho aparece de repente num susto-clichê. Novos sons estranhos, agora vindos do laguinho. Ela se aproxima. Pronto, uma mão branca surge e a puxa para o lago.

Ah, como todo filme de terror oriental ultimamente, há também a menina de longos cabelos pretos sobre o rosto, o culpado que não é culpado e o final que não é o final.

E
One Missed Call (Eric Valette, EUA/ALE/JAP, 2008)
Quando: Maio/08(DivX)
Sítio Oficial: umachamadaperdida.com.br

EU SOU A LENDA

O fim da humanidade e a "involução" do homem à uma nova "era das trevas".


Num futuro não tão distante, a cura do câncer foi descoberta. Infelizmente, essa descoberta significou o fim da humanidade de acordo com o doutor Robert Neville, que se auto-intitula "o último homem da Terra". A manipulação genética resultou em um vírus que matou quase toda a população terrestre. Outra boa parte foi infectada e virou uma espécie de zumbi/vampiro, que desenvolveu super-força, sensibilidade à luz solar e se alimentou da pequena parte da população que era naturalmente imune ao vírus.

As idéias contidas no filme são interessantíssimas (derivadas de um livro, escrito em pleno apogeu armamentista da guerra fria, na década de 50), mas que, como sempre em um blockbuster, são esmagadas, trituradas e depois, esquecidas. A dramaticidade de botequim exige que o cara esteja confinado em Manhatan (originalmente, era Los Angeles). A explicação é que como ali foi o início da epidemia, então eles explodiram as pontes e os túneis para confinar a população em "quarentena". Will Smith permaneceu porque era dever dele estar no "marco zero". Ok, faz de conta que eu acredito. Assim como faz de conta que eu acredito que, depois de três anos confinado na ilha, ele ainda tenha bacon e ovos frescos para poder comer no café da manhã e consiga legumes sei lá como.

Há outras merdas ao longo do filme difíceis de engolir, como por exemplo os mesmos três anos em que ele ficou sitiado e nunca cruzou com a personagem de Alice Braga, que de simples missionária da cruz vermelha vira uma espécie de "ramba" e o salva da morte certa pelos zumbis. Ela disse que estava num navio que veio de São Paulo (é... agora São Paulo tem porto...) e que parneceu por lá... por três ano!

O final fica ainda pior -- mais piegas para ser exato -- quando misturam Deus (ou a sua não-existência segundo o Dr. Neville) e misticismo ("eu precisava estar lá, para renovar a sua fé e você me dar algo"). Dizem que há um outro final gravado, mais "filosófico". Resta esperar para uma reedição à la Blade Runner (82, relançado da forma "correta" em 93).

Verdade seja dita, com todo o preconceito que eu tenho com relação a Will Smith, ele "segura o rojão" surpreendentemente bem, contracenando apenas com uma cadela em 80% do filme. Pena que no 20% restante, o roteiro tenha descarrilhado. E não só pela péssima interpretação de Alice Braga.


C
I am Legend (Francis Lawrence, EUA, 2007)
Quando: Janeiro/08 (UCI Recife)
Sítio Oficial: br.warnerbros.com/iamlegend

HAIRSPRAY

A velha história de trazer um filme "obscuro/independente" ao mainstream hollywoodiano através de uma (bem-sucedida) refilmagem.


Vencido meu preconceito interno (mas muito bem fundamentado) aos embustes que essas refilmagens geralmente se tornam, fui conferir o filme que ficou marcado principalmente pela transformação (convincente) de John Travolta na obesa Edna Turnblad, mãe da protagonista. Ele está à vontade no papel, apesar de não ser nenhuma Divine, a travesti do filme original. O elenco está afinado, coeso e quem realmente surpreende, além da protagonista (Nikki Blonsky), é James Marsten. O apático Ciclope da trilogia dos X-Men já mostrou uma certa evolução em Superman - O Retorno (06) e parece ter se consolidado nesse filme.

Apesar de não ser a crítica ácida que John Waters transformou numa comédia e se parecer com aqueles comerciais pasteurizados de shampoos "voltados para todas as audiências", é uma comediazinha musical esforçada. Entre um número musical e outro, você consegue captar o subtexto do preconceito ao "diferente". Isso sem falar nas músicas que grudam na sua cabeça (nesse exato momento, estou cantarolando "The New Girl in Town", que gosto tanto quanto "The Nicest Kid in Town" e "Welcome to the 60s").


B+
Hairspray (Adam Shankman, EUA, 2007)
Quando: Novembro/07 (UCI Recife)
Site Oficial: hairspraymovie.com
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