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O ABOMINÁVEL DR. PHIBES / A CÂMARA DE HORRORES DO DR. PHIBES

Where can we find two better hemispheres, without sharp north, without declining west? My face in thine eye, thine in mine appears, and true plain hearts do in thee faces rest. Within twenty-four hours, my work will be finished, and then, my precious jewel, I will join you in your setting. We shall be reunited forever in a secluded corner of the great elysian field of the beautiful beyond!


Em O Abominável Dr. Phibes, Anton Phibes, outrora músico, médico e teólogo, jura vingança contra os nove integrantes da equipe médica que, segundo ele, mataram sua amada esposa Victoria. Desfigurado por um acidente de carro e dado como morto, ele planeja as mais ardilosas mortes para cada um dos envolvidos baseadas nas 10 pragas do Egito. Satisfeito em sua sede de vingança, “hiberna” durante três anos e, em A Câmara de Horrores do Dr. Phibes, acorda no momento ideal para levar sua amada para o Egito, onde a ressuscitará ao atravessar um rio oculto sob as pirâmides que surgirá naquele exato momento.


NOITE DE ESTRÉIA

Myrtle Gordon, atriz, alcóolatra e atormentada pela morte de uma fã na noite de estréia de sua mais nova peça.



Definitivamente eu não sou cinéfilo, pois somente depois de assistir a esse filme que eu pude compreender o frisson em torno do curta de Gena Rowlands e Ben Gazarra em Paris, te Amo (06). Como não sou totalmente iletrado na sétima arte, eu sei que John Cassavetes dirigiu alguns filmes (apesar desse ser o primeiro que vejo) e foi o papai do Bebê de Rosemary (68), mas só. Como gosto de experimentar filmes de fora doa mainstream e já tinha perdido Uma Mulher sob Influência (74) no Cinema da Fundação, esse eu não poderia deixa de lado de forma alguma.

Precisei de algum tempo para me acostumar com o ritmo "diferente" desse filme, que conta a história da atriz Myrtle Gordon entre a noite de estréia de sua mais nova peça, quando uma fã ardorosa morre atropelada até a sua estréia em Nova York. Nesse meio tempo, ela enlouquece, primeiro porque sua personagem na peça lida com a crise de idade (uma crise que batia à sua porta na "vida real") e segundo porque na estréia de sua peça, uma jovem fã morre atropelada ao correr atrás de seu carro.

Assustada pelo fantasma da fã e com a possibilidade de ficar marcada por seu papel de "mulher que está envelhecendo", Myrtle se refugia na bebida e tenta, a todo custo, mudar o rumo de sua personagem, até que, na noite de estréia da peça em Nova York, ela "surta" e some, aparecendo "trêbada" na hora do espetáculo. Muito café preto depois, ela sobe ao palco e brilha.

Igualmente brilhantes são a trilha sonora, com um "solo" de piano arrepiante nos momentos de tensão (ou de "loucura" da protagonista, se preferir) e o diretor, com alguns planos magníficos, como aquele onde ele filma uma discussão que ocorre na frente do teatro com uma câmera no interior de uma limousine. Não sou um grande entusiasta pelo teatro, mas as cenas de ensaio e de encenação da peça também são muito bem enquadradas.


B
Opening Night (John Cassavetes, EUA, 1977)
Quando: Agosto/07 (Cinema da Fundação)
Site Oficial: ficha imdb

THE ROCKY HORROR PICTURE SHOW

Don't dream it, be it!


Susan Sarandon em seus vinte e poucos anos é Janet, que no início do filme pega o buquê da noiva num casamento, o que encoraja Brad a pedí-la em casamento. Numa noite chuvosa, os noivos estão em direção à casa de seu tutor, o Dr. Scott, mas pegam um caminho errado e têm um pneu furado. Na chuva, chegam ao castelo do Dr. Frank-N-Furter, o sweet tranvestite, irmão de Magenta e patrão do corcunda Riff-Raff e de Columbia, no meio de um encontro de gente estranha e esquisita (para Brad e Janet, claro). Eles só querem usar o telefone para pedir ajuda, mas são dissuadidos a ficarem mais um pouco para conhecerem a grande invenção do Dr. Furter, Rocky Horror, um loirão sarado e bronzeado. Após a apresentação, Brad e Janet são colocados em quartos separados, somente para que o Dr. Furter possa seduzí-los. Ele consegue com Brad, mas Janet foge e acaba ficando com Rocky, para desgosto de seu criador.

A história continua, mas ela não é o mais importante do filme. O que importa são os números musicais, bem coreografados e muito bem enquadrados que são essenciais para o desenvolvimento da história, originalmente um musical, que debuntou nos palcos em 1973, dois anos antes de ser filmado. Eles não quebram o ritmo da história e vão crescendo em tom até o final, melancólico. O filme acaba, mas não sem antes tirar Brad e Janet de seu "caretismo" e jogá-los em um outro mundo, na minha humilde opinião, muito mais colorido e vibrante.

Há de tudo um pouco nessa deliciosa salada subversiva: de filme de horror B à ficção científica. Há um mordomo corcunda, há extra-terrestres, há groopies, há transvestismo, há bissexualidade, há canibalismo, há xenofobia e há Meat Loaf!

O filme inicia-se com uma bocarra vermelha che-gay tomando a tela e cantando Science Fiction Double Fiction, passando pelo casamento onde Brad se declara à Janet com Dammit Janet. Já no castelo, todos passam pelo Time Warp, pela apresentação do Sweet Transvestide e pela promessa do Dr. Frank-N-Furter à Rocky Horror de que (ele) Can Make you (Rocky) a Man em apenas sete dias. A música é interrompiada por Meat Loaf (Eddie) perguntando a todos What Ever Happened to the Saturday Nigh? Um bom tempo depois, Susan Sarandon de sutiã e saia rasgada pede para Rocky Touch-a, Touch-a, Touch-a,Touch-me, pois ela que ser dirty. Depois que ela é pega "no flagra" com Rocky, Dr. Scott chega no castelo e há um banquete cujo prato principal é Eddie Teddy. Perto do final, há a apresentação teatral ao som de Rose Tint My World e Super-Heroes, quando o Dr. Frank-N-Furter percebe que está na hora de voltar para casa. Então, ele canta, melancolicamente, I'm Going Home pouco antes do seu trágico final.


A
(#100) The Rocky Horror Picture Show
(Jim Sharman, EUA, 1975)
Quando: Maio/07 (DivX)
Site Oficial: ficha imdb

ROMA DE FELLINI

A Cidade Eterna, sob as lentes de seu maior diretor.


Depois de três semanas, finalmente consegui ver esse filme antes que ele saísse de cartaz. Meu objetivo principal era rever alguns dos locais da Cidade Eterna nos quais eu tinha caminhado há pouco mais de um ano, mas esqueci que era um filme de Fellini. Nesses filmes, pode-se esperar o desfile de seres bizarros que falam alto e que mandam as pessoas tomarem no culo sem a menor cerimônia. Sim, nesse filme também há uma homenagem carinhosa às putas. Tem puta de beira de estrada, puta de parques afastados, puta de puteiro popular, puta de puteiro "Classe A", puta com duas melancias no lugar das tetas (dá M.E.D.O da moça que ilustra essa resenha e que aparece num parque isolado da capital italiana).

A história começa numa pequena vila a 340km ao norte de Roma, aonde um moleque tem aula com um professor fanático pelo Il Duce. Há alguns comentários de alguns cidadãos sobre a capital do país, coisa de gente que nunca conheceu a antiga capital do Império Romano. Depois de uma sessão de cinema, há um corte para um jovem de uns 25 anos que chega a Roma durante a II Guerra Mundial. Olhar de espanto e de alegria por chegar à Cidade Eterna. Corte para a Roma da época, no início dos anos 70, aonde há uma belíssima cena numa estrada. Novo corte, de volta aos anos 40, com o jovem num teatro. No meio do espetáculo, todos são obrigados a passar a noite num abrigo anti-aéreo. Novamente nos anos 70, hippies pregam o amor livre nas escadarias da Piazza de Spagna. E assim, sucessivamente, os cortes alternam os anos 40 e 70.

Deve-se frisar também a aula de história sobre a construção do metrô de Roma, aonde os engenheiros foram obrigados a parar as obras e a desviar o traçado original das duas únicas linhas todas as vezes que eles se deparavam com um sítio histórico. Também recomendo bastante atenção quando uma mulher corre sob um viaduto durante o bombardeio da IIGM. O jogo de luzes e sombras é fantástico.

E já que estamos falando de Roma, então, a Igreja Católica tinha que se fazer presente. Ela se mostrou de forma espetacular no bizarro (eufemismo) desfile de moda eclesiástica que mais parecia aqueles desfiles de alegorias aonde Clóvis Bornay era o rei. Teve até uma beata que quase ficou toda babada como a tia da novela ao falar dos mantos vermelhos dos cardeais. No ápice do desfile, eu já estava me sentindo como numa orgia de Caligola (80).

Ah, sim, já tinha me esquecido do objetivo principal que me fez ir ao cinema. Quando eu menos espero elas estão lá: Piazza Nuovona, Piazza de Spagna, Forti Santo Antonio, Il Tèvere, Via Venetto, Piazza Venezia, La Chiesa de la Boca de la Verittà (que eu esqueci o nome), Acqueduto de Tiberius, Villa Borguese etc etc etc. Só faltou a Fontana di Trèvi.

A forma que ele escolheu para mostrar tudo isso? Um passeio noturno a bordo de uma horda de motociclistas. Algo tipo Juventude Transviada mesmo. Minha vez de quase ficar todo babado como a tia da novela.

Não se fazem mais Fellinis como antigamente...


A
Roma (Frederico Fellini, ITA, 1972)
Quando: setembro/06 (Cinema da Fundação)
Site Oficial: ficha imdb
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