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UMA VERDADE INCONVENIENTE

Uma verdade necessária.



Demorou, mas finalmente tive tempo para conferir esse ótimo documentário sobre o aquecimento global feito a partir de uma das inúmeras palestras que o ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore, fez ao redor do mundo.

O documentário às vezes peca pelo tecnicismo, vomitando números e mais números, mas ele não fica apenas no alarmismo, mostra as causas e as conseqüências possíveis caso a causa não seja eliminada e o faz de forma bem consciente, sem o alarmismo por vezes exagerado dos eco-terroristas.

Suponha que você coloque um sapo numa água fervente, ela pulará na hora. Agora, suponha que o mesmo sapo seja colocada na água numa temperatura amena e que essa água vá se esquentando aos poucos. O que o sapo faz? Nada, fica lá até que alguém apareça para salvá-lo.

Foi necessário milhões de anos para que a população atingisse 2 bilhões de humanos no início do século passado. Numa única geração, esse número triplicou para 6 bilhões e chegará a 9 bilhões antes da metade do século atual.

A parte "piegas" é reservada à humanização do palestrante, dizendo que ele resolver partir para essa "obsessão verde" após a quase morte de seu filho. Também tem a parte do câncer de pulmão que vitimou sua irmã, o que fez com que seu pai deixasse de plantar tabaco na fazenda da família. Como Al Gore é, acima de tudo, um político, ele não poderia deixar de fazer suas críticas à atual administração estadunidense. Críticas que foram feitas com luvas de pelica que eu adorei. Entretanto, aquela "pausa dramática" entre "os trágicos acontecimentos do 11/9" e "prometemos que isso nunca se repetiria" soou falsa. No caso, ele falava que, caso metade do gelo da Groenlândia e metade do gelo da península antártica derretessem, o nível do mar subiria a ponto de inundar áreas como Xangai, Pequim, os Países Baixos, Bangladesh e o memorial erguido em homenagem aos mortos do 11/9.

Se eu fosse estadunidense, eu votaria no Al, nem tanto por ele ser democrata, mas porque ele não só tem "aura" de estadista, como provou que o é, ao querer um mundo melhor, global e estar com o mesmo discurso desde o tempo da faculdade, nos idos dos anos 70.

Uma das críticas que eu li a respeito do filme é sobre o fato de que ele, supostamente, apresenta a catástrofe, mas não apresenta soluções. Esse pessoal, provavelmente, não viu os créditos finais, aonde se tem todas as dicas que você tem a seu alcance. Principalmente escrever para o congresso de seu reclamando medidas corretivas. Se não for ouvido, candidate-se.

E, principalmente, recicle o seu lixo.


B
An Inconvenient Truth (Davis Guggenhein, EUA, 2006)
Quando: Março/07 (Cine-Teatro Apolo)
Site Oficial: climatecrisis.net

A MARCHA DOS PINGÜINS

A natureza dizendo o quanto nós, homo sapiens, somos insignificantes.


Basta dar uma olhada para esse filme para que possamos perceber o quanto as famigeradas "conveções burguesas" tiraram de nossa natureza. Muito antes de criarem a máxima "casai-vos e multiplicai-vos", os pingüins imperadores viajam de todos os cantos do mundo para um certo ponto na Antártica para praticá-la. Eles não fazem isso porque a "sociedade" assim o disse. Eles fazem isso porque os seus antepassados fizeram isso, há séculos e porque seus instintos dizem que é isso que deve ser feito.

Todos os anos, eles enfrentam uma viagem marítima para um determinado local, numa época específica. Não entendi direito o que acontece com os retardatários, se eles morrem ou se voltam para o local de onde vieram, mas se eles tivessem sido pontuais, ainda enfrentariam 20 dias de marcha, um atrás do outro, até um outro ponto específico, aonde ainda teriam que enfrentar um inverno rigorosíssimo, a fome, outra(s) caminhada(s) em busca de alimento, outra(s) caminhada(s) de volta e assim sucessivamente até que os filhotes se fortalecessem, para poderem participar da mesma marcha três anos depois.

Eu só tenho a lamentar não poder ter visto esse filme num cinema, pois a fotografia parece ser espetacular. Tivesse ido ao cinema assistí-lo, talvez eu não teria ficado "constrangido" com a qualidade das falas, que são de uma pieguice ímpar. Achei brilhante a idéia de narrar a saga através de um macho, de uma fêmea e de um filhote ao invés daqueles offs comuns em documentários do gênero, mas ao fazer isso, me lembrei que o diretor é um humano, sujeito às mesmas convenções burguesas do tipo "macho fecunda a fêmea e assim nasce um filhote, que se for macho, vai fecundar uma fêmea e se for fêmea, vai ser fecundada por um macho no futuro". Bem, os pingüins "se casaram" e houve "a multiplicação da espécie", mesmo sem terem noção de céu, inferno, pecado, adultério, divórcio & etc.

B
La Marche de l'Empereur (Luc Jaquet, FRA, 2005)
Quando: Janeiro/07 (DVD)
Site Oficial: www.marchofthepenguins.com
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