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OPERAÇÃO VALQUÍRIA

Um filme “competente”.



Saí da sessão com uma sensação agri-doce. O filme foi bem feito, há um nítido cuidado em se retratar fielmente a época em que ele se desenrola, mas fora isso, ele não me passou nada além de um documentário com grande orçamento, bons atores e um diretor “competente”.


Depois do fiasco de Superman, O Retorno (05) -- onde se preocupou mais em render homenagens do que trabalhar numa renovação do super-herói -- Bryan Singer resolveu filmar uma das 15 tentativas de assassinar Hitler, a que ficou conhecida como “Operação Valkíria”, e, novamente, ficou “preso”, desta vez a uma narrativa linear e, em vários momentos, enfadonha. Há muitos personagens e muitos detalhes que fazem com que os mais desatentos (eu, por exemplo) se percam facilmente. Talvez se eu tivesse prestado mais atenção, minha impressão final do filme tivesse sido diferente.

Para não dizer que o filme é inútil, sua “razão de existir” pode ser explicada pelo novo ângulo sobre Hitler, a Segunda Guerra Mundial e as conspirações internas na própria Alemanha contra o Füher. Se esse último ponto tivesse sido mais bem explorado, talvez ele tivesse até um valor histórico.


C
Valkyre (Bryan Singer, EUA/ALE, 2008)
Quando: Fevereiro/09 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: operacaovalquiria.com.br

CONTATOS IMEDIATOS DE 4º GRAU

Quando se peca pelo excesso.


Só consegui ter minha atenção capturada no meio do filme, quando aquela irritante câmera trêmula deu um tempo, assim como aquela janela dupla “realidade”/ficção.

Antes de mais nada, saiba (e eu não estarei estragando nada, apenas te avisando): a história “real” do filme é mentira. Uma mentira que tentam te enfiar goela abaixo de forma tão forçada que estraga o filme, que tem uma premissa interessante. Numa cidade do Alasca, várias pessoas com problemas de insônia se queixam a uma psiquiatra de que são acordados por uma “coruja”. Através de hipnose, descobre-se que não é uma coruja que os acordam.


Tivessem se concentrado apenas em contar a história do ocorrido, o filme seria melhor, mas a atual onda dos filmes de terror estadunidenses ou é fazer um remake de filmes estrangeiros ou forçar uma história como sendo baseada em fatos reais. Esse filme se encaixa na segunda categoria. Assim, há uma infinidade de janelas duplas entre a “realidade” (com a “real” Dra. Abigail Tyler sendo entrevistada num programa de TV e filmando as sessões com seus pacientes) e a ficção (a “recriação” da história “real”, com Milla Jovovich no papel da Dra. e outros personagens com “nomes fictícios”).

Claro que há furos no roteiro. O maior deles é o fato de “esconder” porque o xerife tem tanta “raiva” da Dra. Abigail. Ele que, teoricamente, deveria ser equilibrado a ponto de manter a lei e a ordem, mesmo com o relato de um guarda, não acredita na versão da Dra. para um fato que, por si só, já é um furo. O que ele faz? Começa a gritar com ela e quebra uma cadeira na casa dela. Sutil, não? Aí recomeça a forçação de barra para tornar a história real e o roteiro descarrilha de vez. Até onde eu sei, hipnose serve para você se lembrar de algo que esteja escondido dentro do seu cérebro e não para contactar alienígenas.

Eu acredito em discos voadores e, de certa forma, acredito em abduções alienígenas e repito: a história é interessante. Mas toda história interessante nas mãos de produtores, roteiristas e diretores medíocres acabam se perdendo e não deixam uma única marca.











C
The Fourth Kind (Olatunde Osunsanmi, EUA, 2009)
Quando: Janeiro/2010 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: thefourthkind.net




JUNO

Nada como ser teen, indie e cool


Juno é uma teenager ultra-cool. Praticamente estupra seu colega de classe para ter sua primeira vez e, como shit happens, ela engravida. Mas não é só Juno que é ultra-cool. Sua família também, que aceita o "fato" tão bem que até fazem piada a respeito. Não bastasse a família de Juno ser ultra-cool, Juno decide dar seu filho para a adoção e procura o casal de pretendentes através de um anúncio de jornal. Über-cool, não?

Ah, mas a coolice do filme não termina por aí. A parte masculina dos futuros pais do futuro filho de Juno é tão cool, mas tão cool que tem até os mesmos gostos que a protagonista com relação à música e aos filmes de gore (divergindo apenas em quem é mais cool que quem). Awesome, don't you think?

Eu não acho. Apesar de ser um filme diferente, que aborda o tema da gravidez na adolescência de forma escrachada e sem grandes dramas, eu não o comprei. Detestei as piadas prontas da protagonista e ficava cada vez com mais raiva quando ela soltava uma daquelas merdas só para ser ter algo cool para dizer.

Meu koo pra isso.


C
Juno (Jason Reitman, EUA, 2007)
Quando: Fevereiro/08 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: foxsearchlight.com/juno

EU SOU A LENDA

O fim da humanidade e a "involução" do homem à uma nova "era das trevas".


Num futuro não tão distante, a cura do câncer foi descoberta. Infelizmente, essa descoberta significou o fim da humanidade de acordo com o doutor Robert Neville, que se auto-intitula "o último homem da Terra". A manipulação genética resultou em um vírus que matou quase toda a população terrestre. Outra boa parte foi infectada e virou uma espécie de zumbi/vampiro, que desenvolveu super-força, sensibilidade à luz solar e se alimentou da pequena parte da população que era naturalmente imune ao vírus.

As idéias contidas no filme são interessantíssimas (derivadas de um livro, escrito em pleno apogeu armamentista da guerra fria, na década de 50), mas que, como sempre em um blockbuster, são esmagadas, trituradas e depois, esquecidas. A dramaticidade de botequim exige que o cara esteja confinado em Manhatan (originalmente, era Los Angeles). A explicação é que como ali foi o início da epidemia, então eles explodiram as pontes e os túneis para confinar a população em "quarentena". Will Smith permaneceu porque era dever dele estar no "marco zero". Ok, faz de conta que eu acredito. Assim como faz de conta que eu acredito que, depois de três anos confinado na ilha, ele ainda tenha bacon e ovos frescos para poder comer no café da manhã e consiga legumes sei lá como.

Há outras merdas ao longo do filme difíceis de engolir, como por exemplo os mesmos três anos em que ele ficou sitiado e nunca cruzou com a personagem de Alice Braga, que de simples missionária da cruz vermelha vira uma espécie de "ramba" e o salva da morte certa pelos zumbis. Ela disse que estava num navio que veio de São Paulo (é... agora São Paulo tem porto...) e que parneceu por lá... por três ano!

O final fica ainda pior -- mais piegas para ser exato -- quando misturam Deus (ou a sua não-existência segundo o Dr. Neville) e misticismo ("eu precisava estar lá, para renovar a sua fé e você me dar algo"). Dizem que há um outro final gravado, mais "filosófico". Resta esperar para uma reedição à la Blade Runner (82, relançado da forma "correta" em 93).

Verdade seja dita, com todo o preconceito que eu tenho com relação a Will Smith, ele "segura o rojão" surpreendentemente bem, contracenando apenas com uma cadela em 80% do filme. Pena que no 20% restante, o roteiro tenha descarrilhado. E não só pela péssima interpretação de Alice Braga.


C
I am Legend (Francis Lawrence, EUA, 2007)
Quando: Janeiro/08 (UCI Recife)
Sítio Oficial: br.warnerbros.com/iamlegend

A LENDA DE BEOWULF

Uma aventura épica animada.


Adaptado de uma canção medieval dinarmaquesa que narra a história de um intrépido guerreiro contra um monstro, houve enxertos para que esse longa metragem fosse gerado. Com isso, criou-se a "história para boi dormir" de Beowulf e os monstros marinhos, a história do rei Hothgarth e sua luta contra o dragão, a coroação de Beowulf, sua luta nu em pêlo contra o Grendell, a bruxa das águas que seduz guerreiros em busca de espermatozóides e a segunda luta dele contra um outro monstro, dessa vez, seu próprio filho.

Dois motivos me chamaram a atenção para me aventurar no cinema: os autores do roteiro e a época retratada, uma época em que monstros e deuses faziam parte da crendice popular antes da chegada da igreja católica. Apesar de ser escrito por Neil Gaiman (autor da über-aclamada série de quadrinhos Sandman) e Roger Avary, a história é coesa, mas é simplória e machista ao extremo. A animação é "competente", mas há falhas, como na luta entre Beowulf e Grendell e em algumas outras cenas isoladas que pediam movimentos elásticos e rápidos.

O subtexto do filme é interessantíssimo: Beowulf veio para salvar a todos, mas "na hora do vamos ver" ele só pensou nele mesmo, em sua sede de poder e sucumbiu aos encantos da bruxa/cobra. Será que tem algo a ver com a maçã, Eva e o fim do paraíso? Infelizmente não sei, pois o filme não discute isso pelo simples fato de que não era o seu objetivo. Com uma tecnologia inferior, Robert Zemeckis já teve seus dias de glória com Roger Rabbit (88). Agora, com computadores e CGI poderosíssimos, deu uma bola fora.


C
The Legend of Beowulf (Robert Zemeckis, EUA, 2007)
Quando: Dezembro/07 (UCI Tacaruna)
Site Oficial: br.warnerbros.com/beowulf

ANOTHER GAY MOVIE

American Pie ao estilo GLS.



Quatro jovens se formam e decidem fazer um pacto: todos perderão a virgindade até o final do verão. Esse é o mesmo enredo de American Pie? Sim, é. A diferença é que nesse caso, os quatro rapazes querem perder a virgindade com outros rapazes. Especificamente, os jovens em questão são: um nerd, um esportista, um bobalhão e uma bichinha-escândalo.

Situações cômica para lá, situações nem tão cômicas para cá, praticamente todas são chupadas diretamente de American Pie. Portanto, o balanço final da cria é o mesmo da criatura: situações de riso fácil e mecânico, com a imbecilidade sendo a única coisa palpável.

Só se salvam duas coisas: o professor que veio fazer intercâmbio, que é adepto de práticas sexuais nada ortodoxas (e que é objeto de desejo do bobalhão) e a sapatona-caminhoneira-machaprácaralho que "come" todas as minininhas e acho que é a única coisa original do filme.


C
Another Gay Movie (Todd Stephens, EUA, 2006)
Quando: Maio/07 (Divx)
Site Oficial: anothergaymovie.com

O ILUSIONISTA

A arte do espetáculo.


Na Viena do século XIX (talvez começo do século XX, agora estou em dúvida), um jovem fica encantado com um mágico que, segundo ele, transformou uma flor numa flauta, depois a fez levitar e, no final, desapareceu, levando consigo uma árvore inteira. Esse jovem era um pobre camponês e quis o destino que a filha dos duques da região se encantasse com seus truques. Depois de uma mal sucedida tentativa de fuga, ele vai para o extremo oriente aprender a arte do ilusionismo com os maiores mestres. Quinze anos depois, ele volta para a mesma Viena e quis o destino pregar-lhe uma peça ao chamar para o palco uma espectadora para um número de seu espetáculo. Claro que essa espectadora era a duqueza, agora, prometida ao príncipe herdeiro do trono.

A trilha sonora de Philip Glass é primorosa e captura bem o "clima" da época, uma época em que o mundo passava por grandes transformações, inclusive com a recente descoberta do cinematógrafo (que é utilizado num dos truques do ilusionista). A fotografia também colabora, com aquele efeito que se tinha nos primeiros filmes (o centro iluminado e as bordas mais escuras). Entretanto, a parte técnica não esconde as falhas do roteiro, que é cansativo até o finalzinho, quando uma série de "reviravoltas" nos faz ficar com a mesma cara de paisagem que os espectadores do ilusionista, ao descobrirmos que muito do que tínhamos visto até então não passava de... ilusão (se bem que eu descofiava da maioria dessas ilusões).


CThe Illusionist (Neil Burger, EUA, 2006)
Quando: Abri/07 (DivX)
Site Oficial:

300

Muito barulho (muito mesmo) por muito pouco.


Há méritos em 300, a graphic novel. A graphic novel original tem um visual apuradíssimo. E só. O filme também tem visuais bem elaborados. E só. 300, o filme, é "simplesmente" um filme exagerado. Exagerado no hype em torno dele e exagerado no não desenvolvimento dos personagens (eles são assim e pronto, aceite-os). O exagero dos grunhidos de Leonidas no campo de batalha é acompanhado pela exagero da trilha sonora bizonha e ruidosa. Na falta de um roteiro, exagere-se na utilização de "frases-feitas de efeito": This is not madness. This is.... Spartaaaaaaaaaa!. Exagere-se também no recurso da câmera lenta, nas coreografias e na "macheza" dos soldados espartanos. "Ele não disse adeus, porque isso significaria um sinal de fraqueza". Cadê o meu saco de vômito?

300, o filme, é também um filme contraditório. Homoerótico ao extremo, é igualmente homofóbico ao extreno. Se os "pederastas filósofos de Atenas", "ousaram" não se curvarem diante de persas, é óbvio que os "machos" de Esparta não poderia fazer diferente. Os espartanos lutam contra a "tirania" do persa Xerxes, mas eles não são nem um pouco tirânicos ao se dizerem melhores do que todos os demais povos, ao descartarem os "defeituosos", ao serem aversos a tudo o que não é "espartano" e ao terem um rei, ao invés dos pederastas atenieneses que tinham uma democracia na época.

Claro que eu não poderia deixar de falar sobre Rodrigo Santoro. Ele não apenas encarna uma drag queen num carro alegórico como ele também está exagerado no papel "passivona lôka para dar o edi". Eu já estava me segurando para não rir quando ele apareceu pela primeira vez e não agüentei quando chegou a hora em que ele coloca as mãos atrás de Leônidas e diz que não era o seu chicote que seus súditos temiam. Como eu disse anteriormente, homoerótico e homofóbico ao extremo. Verdade seja dita, sua atuação é a melhor do filme, "fechando" todas as cenas em que aparece (acho que são apenas 4 ou 5). Pena que o roteiro que lhe foi entregue é tão tosco e limitado.

Como 300, a graphic novel, é do mesmo autor de Sin City, Frank Miller, acho que posso comparar as duas adaptações cinematográficas. Só há uma coisa a dizer: Jack Snyder vai ter que comer muito feijão com arroz para chegar a ser comparado ao dedo mindinho de Robert Rodriguez.

O que foi aquela cena final do rei Leônidas à la Jesus Cristo? É muita merda num filme só. Como diria Shakespeare, much ado about nothing.


C
300
(Jack Snyder, EUA, 2007)
Quando: Março/07 (UCI Recife)
Site Oficial: 300themovie.warnerbros.com

PINTAR OU FAZER AMOR

Swing à la mode française.


Eu tenho minhas obsessões e uma delas é assistir a todos os filmes de Daniel Auteil entre 2005 e 2006. Explico: durante minha época parisiense, ao lado de casa, um belo dia, acordo com um verdadeiro exército de contra-regras, cabos, refletores, geradores & etc. Eles levaram a manhã inteira para armarem o circo e a cena durou menos de 5 minutos. Não consigo me lembrar do nome do filme, mas a cena em questão era ambientada em Londres, pois ela tinha uma cabine telefônica vermelha e um típico taxi preto londrino.

Cheio de esperanças, fui ao cinema inicialmente assistir a Caché (05) esperando que fosse esse o filme em questão, mas não era. Essa era a minha segunda tentativa e novamente errei de filme. O personagem de Daniel Auteil é um meteorologista aposentado, casado com uma pintora e cuja filha vai estudar na Itália. Num belo dia, sua esposa vai para o campo pintar uma paisagem e acaba conhecendo o prefeito do vilarejo, um cego, que acaba convencendo-a a conhecer uma casa que estava à venda lá perto. Ela se encanta pela casa, convence seu marido a comprá-la e ambos se mudam para o campo. Conversa vai, conversa vem, o prefeito e sua esposa acabam se tornando amigos do casal. Mais conversa que vai e mais conversa que vem, eles acabam fazendo um swing entre si.

O roteiro básico é esse, porém não é nenhum típico filme francês existencialista repleto de diálogos reflexivos e pausas intermináveis. É um filme sobre o que fazer quando se está aposentado e sobre a mudança de rumo de um casal já "acostumado" com a rotina que está apenas esperando a época dos netos chegarem.

Bem, um roteiro assim pode até empolgar alguém que deseja ver os simbolismos (Adão e Eva soltos na natureza para apenas fazer amor, por exemplo), os conflitos (sim, o título do filme não é por acaso) e a transição do casal da "caretisse monogâmica" para o "modernidade" que agora gosta de fazer swing com outros, mas para mim, que já estava frustrado por não ser esse o filme que eu estava procurando, fiquei ainda mais aborrecido com a história que se desenrolava sem um único clímax.


C
Peindre ou Faire l'Amour (Arnaud Larrieu e Jean-Marie Larrieu, FRA, 2005)
Quando: Fevereiro/07 (Cinema da Fundação)
Site Oficial: ficha imdb

JOGOS MORTAIS 3

O terceiro filme do serial killer que não gosta de assassinos. Sem nada de novo.


Jigsaw não gosta de assassinos. Ele diz isso quase no finalzinho do filme. Ele não se considera um assassino porque sempre dá às suas "vítimas", a opção de viver ou morrer. Então tá.

Essa e outras contradições saltam aos olhos mais atentos de quem se dispõe a ver a terceira parte da franquia que se vende como "redenção" do gênero terror psicológico. Eu também acredito em Papai Noel e tive que fazer um grande esforço para tentar processar alguma imagem ou informação relevante das 10.000.000/segundo que a edição "inteligente" de cortes rápidos e videoclíptica joga nos momentos de "tensão". Perdi muitas. Devo estar ficando velho mesmo.

Inicialmente, pensei em analisá-lo sozinho, mas é impossível. Ele começa com a cena (não mostrada?) do primeiro filme do doutor serrando o próprio pé. Fora essa referência explícita, há inúmeras outras aos filmes anteriores em infinitos flashbacks. Em muitos casos é pura encheção de lingüiça, em outros, apenas contradições ao que se viu antes (ou talvez, "um outro ângulo" sobre os mesmos acontecimentos, mas isso é uma especulação minha).

Nem tudo é merda nesse filme (se bem que tem aquela cena com os porcos...). Ele consegue ser melhor do que o segundo (o que não é um grande elogio) e consegue ser equiparável ao primeiro, mas não traz nada de novo, apenas uma quantidade maior de sangue e mortes mais escatológicas. A edição é a mesma, a forma de filmagem é a mesma, a repulsa (ou admiração) é a mesma.

Ah, claro. Não poderiam faltar as inúmeras reviravoltas finais, mas abstraindo uma contradição gritante a tudo o que se viu durante o filme, elas têm, pelo menos, alguma lógica (isso é um elogio).

E para não dizer que eu não falei da história: Jigsaw está morrendo em conseqüência de um tumor inoperável (assim como foi visto no segundo filme) e rapta uma médica para mantê-lo vivo durante mais uma de suas "experiências". Mas a médica não foi escolhida aleatoriamente, ela também está sendo testada pelos seus "erros" passados e também é peça importante para dois outros "experimentos" (ou três, eu acho). Para finalizar, há o gancho para o quarto filme da série.


C
Saw III (Darren Lynn Bousman, EUA, 2006)
Quando: Dezembro/06 (DiVX)
Site Oficial: www.saw3.com

MEU AMOR DE VERÃO

Duas meninas, um verão.



Eu gosto de filmes com temática GLBT, mas raramente dou atenção ao "L" da sigla. Resolvi deixar minha série histórica de lado e fui conferir esse filme depois de um domingo de trottoir pelas ruas do Recife Antigo (local do Cine-Teatro Apolo, que assim como o Teatro do Parque, também é do século XIX e, da mesma forma, às vezes é teatro, às vezes é cinema).

Tamsin é rica. Mona é pobre e irmã de Phil, um ex-presidiário que tinha um pub e fechou-o para transformá-lo numa igreja após ter encontrado Jesus. Quando Tamsin, que tem uma vida típica de adolescente rica, mimada e carente de amor paterno, vai para a casa de veraneio da família em Yorkshire, ela conhece Mona, que tem uma vida típica da classe operária e sofre nas mãos de um cara casado que só quer saber de transar com ela.

Uma das críticas que eu tenho com relação a Beijando Jessica Stein (03) é a idéia de que lésbicas só se tornam lésbicas porque não deram certo em tentar entender o "bicho-homem". Aqui é mais ou menos a mesma coisa. Em contraponto à biologia do Norman que muge ao invés de latir, Mona acaba se aproximando de Tamsin (e vice-versa) porque as duas não conseguem entender e muito menos se dar bem com os homens. A biologia não responde a tudo, mas "optar" viver como homossexual porque não deu certo com o sexo oposto não entra na minha cabeça. (Para registrar, eu gostei de Beijando Jéssica Stein pelo estilo gay friendly da mãe da protagonista)

O filme até que é legalzinho (ao menos, não é horrível), mas não chega a empolgar. Como eu não fiquei de pau duro com as cenas de lesbianismo com duas ninfetinhas e nem comprei a tese defendida pelo filme, ele não me acrescentou muita coisa.

C
My Summer of Love (Pawel Pawlikowski, ING, 2004)
Quando: setembro/06 (Cine-Teatro Apolo)
Site Oficial: www.mysummeroflovemovie.com

CRIME FERPEITO

Nem todos são perfeitos.


O cartaz do filme dizia "do mesmo diretor de A Comunidade (00)". Bem, então, pensei comigo que, talvez, esse fosse um filme interessante, pois tinha adorado o humor negro e os personagens "pitorescos" do filme anterior do diretor, Alex de la Iglésia, que depois descobri, tem a alcunha de "influenciado por Almodóvar".

É... até que a influência de Almodóvar está presente no filme, nas cores berrantes, nos personagens bizarros e sobretudo na cena do "crime". Bem kitsch, eu diria, mas infelizmente, muito abaixo do diretor da cena de estupro de Kika (93), por exemplo.

Rafael Gonzáles é o "vendedor perfeito": boa pinta, come todas as colegas de trabalho, vende horrores só com a sua lábia e tinha tudo para ser promovido para uma recém aberta vaga na gerência. Entretanto, Don Antonio provavelmente ganhará a gerência por ser o vendedor mais antigo. Numa discussão, Rafael mata Don Antonio "acidentalmente" à la Almodóvar e o "crime" tem uma testemunha: Lourdes, a "Betty, a Feia" da história.

Desprezada por todos no seu trabalho, Lourdes nutre uma paixão platônica por Rafael e vai ao paraíso quando o garboso vendedor a seduz com o propósito de comprar seu silêncio. Bem, na verdade ela começa a chantageá-lo, mas Rafael pensa que enganará mais uma com a sua conversa para boi dormir, mas mal ele sabe que Lourdes guarda um vulcão dentro de si. Uma libido de dar inveja às demais vendedoras e uma possessividade que sugará todas as suas energias.

No final, o patinho feio vira um cisne e o príncipe encatado, apesar de comer o pão que o diabo amassou, também dá a volta por cima, mas você sai da sessão com uma sensação de que levou gato por lebre.

CCrimen Ferpecto (Alex de la Iglésia, ESP/ITA, 2005)
Quando: Agosto/06 (Cinema da Fundação)
Site Oficial: http://www.crimenferpecto.com

WOLF CREEK

Mais um filme de terror escatológico


Porém, é um filme interessante. Ele conta a história de três turistas que partem em busca da cratera de Wolf Creek, na Austrália, aonde um meteoro colidiu com a superfície terrestre. O carro deles quebra, parecem que vão ficar presos lá por muito tempo, mas eis que surge um caipira salvador. Mas esse caipira não é tão salvador assim, eles são dopados, torturados e, eventualmente, mortos... pelo caipira salvador, que até então tinha sido ultra-simpático.


C
Wolf Creek (Greg McLean, Austrália, 2005)
Onde: Multiplex Tambiá (mar/06)
Site Oficial: www.wolfcreekmovie.com/

E SE FOSSE VERDADE?

Apenas mais uma comédia romântica.


A única diferença entre esse filme e os demais é um pequeno detalhe no casal-protagonista: ela está morta. No mais, vemos os mesmo clichês de sempre: no início, a antipatia entre os dois é mútua; depois há o entendimento; a paixão começa a tomar conta do coração dos dois; o vilão quer separá-los. A força do amor é mais forte, os dois vencem todas as batalhas e terminam felizes para sempre no final.


C
Just Like Heaven (Mark Waters, EUA, 2005)
Onde: Multiplex Mag Shopping (Fev/06)
Site Oficial: www.justlikeheaven-themovie.com

TUDO EM FAMÍLIA

Uma comédia-clichê. E só.


Eu já sabia o que me esperava quando fui ao cinema assistir a Tudo em Família. Tudo o que eu queria era ver um filme light, para não pensar.

Logo no começo, ele já se mostra a que veio. Meredith (Sarah Jessica Parker), uma executiva super estressada, está com o noivo, Everett (Dermot Mulroney) numa loja comprando presentes para o natal e não larga o celular. Aparecem os créditos e eles já estão na estrada. Agora, ela está estressada com a possibilidade cada vez mais próxima de conhecer a família dele, capitaneada por Diane Keaton e Craig T. Nelson (de Poltergeist).

É ódio de todos por ela à primeira vista, principalmente da "cunhada", que é desalojada de seu quarto e dorme no sofá. A implicância é gratuita e desmedida, com exceção do irmão cool interpretado por Luke Wilson.

A irmã de Meredith é convocada, há a cena "hilária" da saída do ônibus (e que fez rir boa parte da platéia), blah, blah, blah. A sucessão de clichês chega a dar raiva. Nem mesmo a troca dos casais que ocorre é imprevisível, muito menos quando a travessa de Meredith cai no chão. Óbvio que alguém iria escorregar e se estatelar no chão. Duhhhh!

O ponto alto do filme é a famosa cena do jantar, onde Meredith destila o seu preconceito e que me fez ficar desconfortável até Diane Keaton fazer a mais bela declaração de amor ao filho gay. O segundo ponto alto já é próximo do final, quando uma foto conseguiu me fazer chorar horrorez. Tá, confesso: eu chorei pela terceira vez quando a doença é revelada.

E o filme acaba, com a passagem de Meredith pela família não sendo incólume. No começo você pensa que é ela que deve ser consertada pela família mó-legal do mundo.


C
Family Stone (Thomas Bezuca, EUA, 2005)
Onde: Multiplex Mag Shopping (Fev/06)
Site Oficial: www.thefamilystonemovie.com
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