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SENHORES DO CRIME

Mesmo um Cronemberg mediano está acima da média do resto.


O maior "pecado" de Senhores do Crime foi ter sido lançado depois de Marcas da Violência (05). O fato dos dois filmes terem o mesmo protagonista não ajuda, mas enquanto que naquele filme, Viggo Mortensen era o lobo se esforçando para ser um cordeiro, nesse aqui ele encarna com perfeição um dos personagens mais dúbios do cinema. Dúbio no sentido de que você só pensa ter chegado à uma conclusão sobre o verdadeiro caráter dele perto do final do filme, mas mesmo assim você não colocaria a sua mão no fogo por ele. Ou colocaria?

Esqueça o bebê, esqueça Naomi Watts totalmente apagada e se você acha que esse filme é apenas "aquele da luta na sauna", então você não entendeu nada mesmo. Reveja e comprove: o filme é Nikolai e o resto.


AEastern Promises (David Cronemberg, EUA/UK/CAN, 2007)
Quando: Fevereiro/07 (UCI Recife)
Sítio Oficial: focusfeatures.com/easternpromises

A PASSAGEM

"Os budistas sempre tiveram razão. O mundo é uma ilusão."


Impressionante como a bagagem humanista adquirida pode mudar completamente a leitura que a mesma pessoa faz da mesma obra cultural. O texto abaixo foi escrito há seis anos. Decidi mantê-lo intacto para poder contrapô-lo às conclusões nas quais cheguei após essa primeira revisão de A Passagem.

Dessa vez, a edição me incomodou um pouco, assim como alguns diálogos, mas a mensagem final é a que vale. Ela está lá em cima: é tudo uma grande ilusão. Você já sabe intuitivamente da verdade, mas você pode, conscientemente, decidir permanecer na ilusão. Porém, num determinado (e único) momento, a verdade é jogada na sua cara e aí é dado a você o livre arbítrio para aceitá-la ou continuar na ilusão. Caso você decida pela segunda alternativa, pode acontecer o que aconteceu com Henry, que recriou sua "realidade" a partir dos fragmentos daqueles últimos 5 minutos. Pode acontecer, pois quem disse que eu sou o dono da verdade? Para mim, o mundo é, realmente, uma grande ilusão e a vida de cada um é moldada de acordo com suas crenças. A minha, é essa. A sua, depende de suas experiências..

*

O que é real?

Já escutamos essa pergunta antes, em filmes como Matrix (99), Cidade dos Sonhos (01) e Vanilla Sky (01), por exemplo. Neste filme, ela é feita pelo perturbado Henry a seu novo psquiatra, Sam, que o aceita após o colapso nervoso de sua colega. Logo após, Henry confidencia que vai tentar se matar ao completar 21 anos, três dias depois. Isso pertuba Sam, pois seu caso é bem próximo ao de uma ex-paciente sua, Lila, que agora vive com ele.

Essa é a sinopse básica do filme e juntamente com o desejo de ver Naomi Watts e a esperança de que Ewan McGregor tivesse se recuperado como ator após seus últimos fiascos [A Vingança dos Sith (04) e A Ilha (05)] era tudo o que eu sabia antes de entrar na sala de cinema... atrasado de novo (deve ser alguma mandiga de alguém comigo e com o Multiplex do Mag Shopping).

Depois do realista A Última Ceia (02) e do fofinho Em Busca da Terra do Nunca (03), Marc Forster engrenou um caminho ultra-perigoso: um filme cabeça. Ou melhor, um filme quebra-cabeça, pois as peças estão todas lá para quem se dispuser a pescá-las e montá-las.

Infelizmente, como Marc Forster não é nenhum David Lynch, há uma sucessão de eventos surreais, "premonições" certeiras, confusão entre sonho/realidade & etc que vão se sucedendo até que na metade do filme você começa a se perguntar onde foi que você viu algo assim (algo do tipo "mamãe, eu falo com fantasmas"). Felizmente, a edição, a fotografia, o roteiro e a trilha sonora são excelentes e você se recusa a acreditar que está vendo a mesma história de O Sexto Sentido (99).

Num dado momento, você já está notando as pistas espalhadas pelo filme e elas começam a se juntar. Infelizmente, eu percebi tarde demais e mais da metade delas se perderam, mas eu consegui chegar à uma conclusão, que ficou mais clara na medida em que eu pesquisava na internet para escrever essa resenha.

Bem, essa é a hora em que eu previno que vou contar a minha impressão sobre o filme e que ela pode estragar a "viagem" de quem ainda não foi vê-lo. Eu avisei...

Henry realmente morreu naquele acidente, mas, quando estava sendo ajudado pelo médico (Sam) e a enfermeira (Lila), "viajou" toda a história do filme, montando-a com as pessoas que estavam presentes à sua volta. Ele recebeu os primeiro socorros de Jeanine Garofalo (que eu amo de paixão) e depois, a ajuda é transferida ao casal Sam/Lila. Ele estava confuso, pensando que ia morrer, por isso pediu ajuda ao psicólogo, de quem tinha como referência, as calças arriadas. Ele também se identifica com a enfermeira que tenta ajudá-lo, moldando para ela um passado e um presente próximo ao seu. A mãe, eu acredito que estava lá pois ele "pensava" que tinha matado todos no acidente, mas não tinha certeza. Quando teve, ela começou a sangrar, bem como a cegueira do pai, que passou a ver tempos depois. Quando ele começa a sangrar, depois que a cidade inteira para e começa a encará-lo, ele tomou consciência de que a hora dele tinha chegado. (P.S. de 2012: A mãe e a noiva de Henry estavam em suas próprias ilusões, assim como o pai, mas este último só até ser "curado" de sua cegueira).

O mais engraçado foi, saindo do cinema, escutar "rapaz, o cara fumou um beck pra fazer esse filme, eu não entendi foi nada".


B+
(mesma nota)
Stay (Marc Forster, EUA, 2005)
Quando: Janeiro/06 (Multiplex Mag Shopping) // (Revisão: Fevereiro/12)
Sítio Oficial: staythemovie.com

TENTAÇÃO

Filme sobre dois casais de amigos, sobre traição e sobre "discussão da relação".


Em primeiro lugar, acho melhor abstrair a abominável tradução do título do filme. Não há tentação no filme. Há traição e o esfacelamento de dois casamentos. Mark Ruffalo, que é casado com Laura Dern, tem um caso com Naomi Watts, casada com seu melhor amigo, Peter Krause. Enquanto está tudo, aparentemente, bem para Hank e Edith, com o primeiro ocupado na publicação de seu livro e nos casos extra-conjugais e a última tento um caso com o marido de sua melhor amiga, para Jack e Terry, a vida não está boa. Jack a está traindo, Terry sabe disso e não sabe o que fazer, pois ainda ama o marido.

Diferentemente de Closer (04), que se passa na cosmopolita Londres e não conta com a presença de filhos, nesse filme, enquanto o expectador também é convidado a refletir sobre relacionamentos, há como cenário uma pequena e bucólica cidade em torno de uma universidade estadunidense. Há também filhos, o que entorna um pouco mais o caldo.

Em alguns momentos, eu me lembrei bastante de Tempestade de Gelo (97), principalmente nos momentos finais, quando fica aquela tensão de "será que alguém morre?".


B
We don't Live Here Anymore (John Curran, EUA, 2004)
Quando: Jan/06 (DivX)
Site Oficial: wip.arnerbros.com/wedontlive

KING KONG

Um gorila, uma atriz e uma história de amor diferente.


Acho melhor começar pelo ponto negativo do filme, sua desnecessária duração de intermináveis três horas e sete minutos.

O início do filme é de babar com a reconstituição da Nova York dos anos 30, sob o reinado da art déco, que dá as suas caras já nos créditos iniciais. Jack Black, o vilão da história, começa engraçadinho, mas até o final você optará por odiá-lo por todos os atos politicamente incorretos que ele empreenderá. Sobre Naomi Watts, o que posso dizer? Estou ainda mais apaixonado pela moça e esse sentimento me impede de tecer um comentário racional (mas acho que é proposital do diretor, pois ela está estupidamente deslumbrante, roubando toda cena que participa, principalmente aquela do camarim, quando King Kong já está em NY). A grata surpresa foi a aparição de Kyle Chandler como Bruce Baxter, o protagonista do filme dentro do filme. O ex-Gary Hobson da antiga série Early Edition (96-00).

Pelo que pude pesquisar na internet, essa refilmagem é bastante fiel ao original de 1933 e só por esse motivo ele recebeu uma melhor conceituação, pois aquele remendo de Jurassic Park no meio do filme é de amargar. Somente lá seria possível cortar uns 30 minutos desnecessários.

O que salva essa cena toda foi o processo da bela se apaixonar pela fera, pois essa última salva a primeira de três tiranossauros ao mesmo tempo e com apenas uma mão! Agora me diga: que mulé não se apaixonaria por um macho assim?

Como ponto positivo há a paixão entre eles, retratada de forma tão verossível que você começa a torcer pelos dois! Depois, o de praxe: ela é resgatada e ele é aprisionado e trazido para ser atração principal da cidade grande. (nesse momento você já se transveste no velhido das bengaladas de José Dirceu e tem ganas de fazer o mesmo com o personagem de Jack Black)

Há furos no roteiro, como o sumiço dos habitantes da ilha e, depois de levar dentadas e mais dentadas de três T-Rex, um simples arpão na pata derruba o Kong. Há também o fato de ser inverno e Ann Darrow fechar (literalmente) a rua "deserta" num vestido de gala, com os ombros à mostra (licença poética?). Mas há o passeio e a dança dos pombinhos pelo lago congelado que me contagiou e me fez esquecer tudo isso. Infelizmente, os militares aparecem, estragam a festa dos dois e chegamos à cena final no Empire State Building, o símbolo máximo da art déco.

Aí vem a pior parte, pois você sabe que o mocinho morre no final, que o casal será separado. A agonia de sentir o fim trágico se aproximar toma conta. É angustiante a expressão de impotência de Naomi quando os dois estão no topo do edifício, sem conseguir pensar numa saída, totalmente sem esperança de um final feliz. Enfim, chega a hora dela se despedir dele. (agora eu contaria a cena mais forte do filme, mas não estragarei a surpresa de quem ainda não assistiu. São 5 ou 10 segundos que abalam)

Fim.



Oh no, it wasn't the airplanes. It was beauty that killed the beast

Quando era pequeno, a primeira refilmagem de King Kong me abalou. É a lembrança mais antiga que tenho da cidade de Nova York e das torres gêmeas. Também me lembro que saí do cinema aos prantos. Mas eu era uma criança e agora eu tenho quase 32. Dessa vez... bem... abafemos esse caso também.


B
King Kong (Peter Jackson, EUA, 2005)
Quando: Dezembro/05 (Box Manaíra)
Site Oficial: www.kingkong.com
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