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SEM LIMITES

Moral da história: drogue-se e se torne uma pessoa melhor


Eddie Mora é um aspirante a escritor fodido da vida e deprimido. Um dia, encontra um ex-colega de escola, bem sucedido, que confessa que o segredo do seu sucesso é uma droga experimental que faz com que você use os 80% do seu cérebro que uma pessoa "normal" não usa.

X-MEN: PRIMEIRA CLASSE

Mutantes no tempo do ie-ie-ie.


A época: década de 1960. Contexto histórico: crise dos mísseis entre os EUA e a (então) URSS. Paralelamente, Eric Lehnsherr busca vingança contra o assassino de sua mãe e Charles Xavier procura uma forma de convivência pacífica entre mutantes e humanos “normais”.

Nos gibis, os X-Men foram publicados pela primeira em setembro de 1963. Era uma época de grande efervescência cultural com a luta por igualdade de direitos civis da minoria negra nos EUA. O surgimento destes super-humanos, que não pediram para serem assim, apenas nasceram “diferentes” da maioria, era a metáfora perfeita da discriminação sofrida por qualquer minoria por não representar a “normalidade” da maioria. A editora concorrente, a DC Comics, também tinha a sua super-equipe de “aberrações”, a Patrulha do Destino, nascida antes, em junho do mesmo ano, mas não foi tão bem sucedida.

Na época, o debate sobre a forma com que a minoria negra deveria buscar sua integração à sociedade estadounidense estava dividido entre as manifestações pacíficas, capitaneada por Martin Luther King, e atos violentos de afirmação, sob a liderança de Malcolm X. Nos Universo Mutante, essas duas vertentes eram representadas, respectivamente, pelo Professor X (Charles Xavier), que criou uma escola para que os mutantes pudessem aprender a melhor manipular seus poderes, e Magneto (Eric Lehnsherr), um judeu polonês sobrevivente do holocausto que se torna “vilão” por querer dizimar os “seres inferiores” (nós) para que os mutantes, o próximo passo da evolução humana, possam reinar soberanamente, sem precisar se esconderem em guetos ou fingirem serem “normais”.

A grande sacada de X-Men: Primeira Classe está justamente em focar o roteiro no desenvolvimento destes dois personagens, ressaltando o porquê e como o antagonismo de suas ideias colocarão Erik e Charles em lados opostos no futuro. Outra grande sacada é focarem a época em que os dois se conheceram: os anos 1960, quando a “ameaça mutante” era apenas sussurrada em alguns corredores, longe do grande público. Não bastasse, há ainda espaço para um grande vilão megalomaníaco, Sebastian Shaw, que quer simplesmente criar um conflito nuclear entre as duas super-potências para governar o que restar do mundo e Raven, que mais tarde viria a ser conhecida como Mística, uma mutante com a “vantagem” de poder parecer “normal” ao esconder sua verdadeira aparência.

Há o confronto final entre mocinhos e bandidos, mas o que fica são os questionamentos daquelas pessoas “cinzas”. Erik tem todo o direito de ser amargo em relação àqueles que o desprezam (ele sobreviveu ao holocausto!) e Charles, por ter sido criado com muito dinheiro, pode se dar ao luxo de viver sob a égide da paz e do amor. Shaw é o mais caricato, mas é daqueles super-vilões que você ama odiar. Mística, por sua vez, encara bem o drama do que é ser mutante. Ela pode se esconder ao se transformar em alguém “normal”, mas dessa forma ela nunca será ela mesma. E como alcançar todo o seu potencial como ser humano se você precisa fingir ser o que você não é, se atendo às “convenções sociais”?

Inicialmente, em função dos trailers e os materiais promocionais, pensava que seria um típico blockbuster acéfalo, voltado para a audiência desprovida de cérebro que temos hoje em dia, mas o resultado final superou -- e muito! -- minhas expectativas. Há um pouco de tudo nesse reboot da franquia mutante: ação, aventura, drama e humor. Todos bem comedidos e entrelaçados, fortalecendo a base para uma nova e bem-vinda franquia mutante (desde que esqueçam os erros que foram X-Men: O Confronto Final, 07 e X-Men Origens: Wolverine, 09). Bryan Singer, o diretor dos dois primeiros X-Men, volta à franquia como produtor. Assim, se recupera do fiasco que foi Superman, o Retorno (05).


A+
X-Men: First Class (Matthew Vaughn, EUA, 2011)
Quando: Junho/11 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: x-menfirstclassmovie.com

INVASÃO DO MUNDO: BATALHA DE LOS ANGELES

Cara de pau tem limite


Nesta nova invasão alienígena, os ETs querem a nossa água. No caminho deles, os marines estadunidenses e o seu lema: nunca recuar.


Tudo o que você precisa saber do roteiro está resumido aí em cima. Num filme sobre invasão alienígena, no mínimo, você espera algo inovador sobre os invasores, mas em nenhum momento você verá um alien para saber como eles são. Não bastasse você ver apenas fumaça e explosões, a maldita câmera tremida não permite que você possa focalizar nada por mais de 2 segundos.

Os efeitos especiais nem são tão fabulosos assim. A cidade destruída impressiona, mas só. Pelo pouco que te permitem visualizar dos aliens, você perceberá de cara que é um CGI nada sutil. E dos piores possíveis.

Há apenas dois rostos conhecidos, Aaron Eckhart, no papel do marine prestes a se aposentar (sim, essa era para ser sua última missão) e Michele Rodriguez, que reprisa seu papel de sempre. Os demais, nem se preocupe. Eles morrerão em prol dos clímaces "dramáticos" (eu diria vergonhosos) para mostrar ad nauseum que a vida do grupo é mais importante que a sua.

Pronto para a lista de clichês? Vamos lá: soldado veterano que falhou e perdeu seu batalhão vai para uma última missão; chefe engomadinho e um dos mais brilhantes da academia militar bota banca para cima do soldado veterano para mostrar quem manda; chefe engomadinho e brilhante se mija nas calças no campo de batalha; soldado veterano mostra o que um verdadeiro líder precisa fazer; num momento de tensão, garotinha amedrontada segura a mão do marine; marine se sacrifica com uma granada para que seu grupo sobreviva; marine parte para o suicídio ao se colocar num lugar alto e descampado apenas para usar o rádio. Há também o último desejo do marine, que antes de se sacrificar, deixou uma carta para que o seu companheiro entregasse à sua mulher.

Como é que um estúdio que patrocina uma patriotada estúpida dessas que agradará apenas aos estadunidenses tem a coragem de distribuí-lo mundialmente? O "título original" do filme diz claramente que é a batalha por uma das maiores cidades dos EUA. No "título mundial", fizeram a gambiarra de colocar um "invasão do mundo" na frente. Pior: como é que um filme idiota desses pode ter tido uma bilheteria considerável aqui no Brasil? Mais pior de tudo: há a brecha para um segundo filme.


E
Battle Los Angeles (Jonathan Liebesman, EUA, 2011)
Quando: Abril/11 (divx)
Sítio Oficial: batalhadelosangeles.com.br

INCONTROLÁVEL

Luzes, câmeras nervosas e ação, muita ação.


"Baseado em fatos reais" (um trem desgovernado que atravessou 4 estados nos EUA), Incontrolável narra a história de uma locomotiva sem maquinista que carrega uma carga altamente tóxica e ameaça despejá-la numa área altamente populosa. Entre a máquina e a tragédia há um maquinista veterano (e metódico), um novato em seu primeiro dia de trabalho e a controladora de tráfego que chega ao trabalho e encontra esse "pepino" em sua mesa.

Tony Scott faz o que mais gosta: câmera nervosa e edição picotada. A câmera nervosa chega a incomodar em alguns momentos com closes desnecessários, mas a edição merece aplausos. A história é mínima, o oposto da ação, exponeciada pelo picote.

Porém, a ação não é contínua. Há picos de adrenalina e picos de sonolência. Nesses momentos, somos obrigados a uma visão superficial dos dramas pessoais (e clichês) dos dois heróis que a circunstância criará. Frank, viúvo e com uma relação conturbada com as filhas, trabalha há 28 anos como maquinista e vê em Will a resposta da empresa a empregados veteranos como ele. Will, por sua vez, é um perdido que já teve diversos empregos e carrega uma ordem judicial que o impede de ver a esposa (que ele ainda ama) e o filho.

Agora é a hora de gritar Spoiler! e você decidir se quer continuar a ler ou não. Não direi nada demais, pois o final é previsível. É óbvio que o trem será parado e é óbvio que todos os envolvidos ganharão medalhas de honra ao mérito, assim como o executivo que impediu a ordem para o descarrilamento do trem será demitido e a controladora de tráfego que teve a atitude pró-ativa tomará o seu lugar. A esposa de Will verá que o seu marido é um herói e perdoará o momento de ciúme que a fez entrar na justiça para impedí-lo de chegar perto dela e do filho dos dois. As filhas de Frank verão que o pai ausente não é tão "mal" assim.

Colocando na balança os prós e os contras, Incontrolável é um filme correto, para ser visto sem grandes expectativas e que, certamente, não ficará muito tempo na sua memória.


B-
Unstoppable (Tony Scott, EUA, 2010)
Quando: Fevereiro/11 (Divx)
Sítio Oficial: incontrolavelfilme.com.br.

FÚRIA DE TITÃS (2010)

O remake que confirma a máxima: muito barulho para nada.


O Fúria de Titãs (81) original pode estar com seus efeitos especiais datados para os dias de hoje, mas pelo menos tinha uma história decente e direta: os homens haviam deixado de adorar os deuses e como Zeus é arrogante e vaidoso, dá um ultimato à humanidade: se não sacrificarem a filha do rei como prova de adoração, eles serão varridos do mapa pelo temido Kraken. Já no remake, a negação à adoração dos deuses continua, mas Perseu dessa vez matará o Kraken por pura vingança pessoal e antes de fazê-lo, não cansará de reafirmar suas motivações ad nauseum, pois, apesar de semi-deus (é filho de Zeus com uma humana), ele o faria porque era humano (entendeu? nem eu).

As inovações não terminam por aí e a acochambrada mais risível é a reprodução, em plena Grécia Antiga, da sociedade atual de comercial de margarina: o rei, que ama a rainha, que amam sua filha e que vivem em uma harmonia irritante. Há ainda uma "guerra política" entre os deuses, pois Hades (o "dono" do Kraken) quer o lugar de Zeus, que na antiguidade havia se juntado com seu outro irmão, Poseidon para confinar o irmão "malvado" no reino inferior. Calibos, que no original era o filho de uma deusa que caiu em desgraça perante Zeus é o corno que era casado com a mãe de Perseus e que, agora, recebe poderes especiais de Hades para matar Perseu: do seu sangue nascem escorpiões gigantes.

A única ideia inteligente do filme são as Oráculos, onde Perseu descobre como matar o Kraken. A Medusa guerreira e com uma cauda de 300 metros é uma tragédia, assim como o Kraken, que só mostra a que veio depois de uma infinidade de tentáculos e um grito feito única e exclusivamente para abalar as paredes dos multiplex. Logo depois disso, ele vira pedra, depois de menos de 5 minutos na tela.

Pensa que acabou? Nããããão. Já não bastava o desenrolar idiota da história, eles a fecham com uma cagada monumental que ninguém poderia imaginar (olha o Spoiler!): Perseu não fica com a filha do rei que ele acabou de salvar. Ele está cagando para ela, pois, mais uma vez, faz questão de lembrar que ele fez tudo o que fez, como um humano, apenas para se vingar. Mas ele não é gay, o roteiro ainda inventa um prêmio de consolação: uma feiticeira que o ajudou a encontrar a medusa (até ser morta por Calibos) é revivida. E está pronto o gancho para a segunda parte (que, parece, já tem o sinal verde do estúdio).


E
Clash of the Titans (Louis Leterrier, EUA, 2010)
Quando: Setembro/2010 (DVD)

A ORIGEM

"Por que tão rocambolesco?"


Em O Cavaleiro das Trevas (08), a pergunta que se fazia para Christopher Nolan é: "por que tão sério?" Por que um filme sobre um homem que se veste de morcego e sai à noite para combater o crime tinha que ser tão verossímil?

Agora, a pergunta que eu faço é: por que você teve que fazer um roteiro tão grandioso? Porque o sonho é um labirinto? Me poupe. Isso para mim tem outra explicação. Aquela que é senso comum: se algo é pequeno, deve-se contrabalanceá-lo com algo "grandioso".


O visual é estupendo, reconheço. A originalidade da história sobre um crime perfeito também é muito boa (sim, essa é uma história sobre um crime perfeito!). Mas... para quê tudo isso? Sonho no sonho no sonho no sonho de alguém? O roteiro tem começo meio e fim, reconheço isso também. Mas é impossível filmá-lo no tempo proposto (e olha que são intermináveis 2h30). Solução: acelerador lá embaixo. Se piscar, fudeu.

Não pisquei. E mesmo que o tivesse feito, os grilos falantes estavam lá de tempos em tempos para nos situar na história e nos preparar para o próximo passo. Se mesmo assim, Morpheus me chamasse, a trilha sonora onipresente, onisciente e onipotente fazia questão de me preparar para o próximo clímax (um atrás do outro e do outro e do outro e ..... ). 

Mas saí do cinema decepcionado. Havia potencial na premissa. Muito, eu diria. O ego do diretor/roteirista não a deixou fluir. Sobre a cena final? Não se preocupe, não há nenhum spoiler. Há duas possibilidades, ambas igualmente possíveis. Há argumentos para corroborá-las e para desacreditá-las, depende de cada um e no seu sistema individual de crenças. Isso eu achei genial: a ideia foi plantada com sucesso.

Estou falando da discussão pós-filme e da vontade de muito em retornar às salas para "esclarecimentos".


B-
Inception (Christopher Nolan, EUA, 2010)
Quando: Agosto/2010 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: br.warnerbros.com/inception

À PROVA DE MORTE

Um Tarantino que não desceu


Finalmente o Projeto Grindhouse foi finalizado, após a primeira parte da double feature, Planeta Terror (07), ter estreado há mais de 3 anos no Brasil.

Não que eu estivesse ansioso a ponto de fazer um julgamento viesado do filme. A expectativa não era grande e fui relaxado à sala de cinema. No entanto, saí intrigado. É um típico filme de Tarantino. O DNA dele está em cada cena, mas não desceu bem. Achei uma verdadeira m.e.r.d.a. aquela girlie talk infinita. Sim, há as referências pop, há toda a atmosfera de tributo aos filmes grindhouses (apesar de ter visto poucos), mas é muita baboseira junta para pouca ação. E muitos closes em pés femininos.


A história é claramente dividida em duas. O Lado A é sobre um grupo de garotas texanas que saem para farrear e o Lado B foca em garotas que estão afim de soltar adrenalina acumulada (e tome acúmulo de adrenalina). A unir as duas histórias, temos  Stuntman Mike, outrora dublê e que se tornou o psicopata de plantão. O tesão dele é... bem... veja o filme e descubra. Não é tão difícil assim de adivinhar.

Os dois clímax do filmes são catárticos, principalmente o segundo, uma bela perseguição de carros com final totalmente inusitado. É a liberação da catarse acumulada ao longo da sessão que todos dentro da sala de cinema não puderam resistir e torceram por ele.

Mas aqueles diálogos pareciam que não iam mais ter fim. Não desceu. Infelizmente.


B-
Death Proof (Quentin Tarantino, EUA, 2007)
Quando: Agosto/2010 (Cinema da Fundação)
Sítio Oficial: grindhousemovie.net

SALT

Quem é Evelyn Salt?


Essa é a pergunta que você se faz durante boa parte do filme. Salt é realmente uma espiã russa infiltrada ou é uma agente da CIA injustamente acusada? O roteiro é dúbio na medida certa e por isso é tão interessante, pois mesmo quando a resposta para a pergunta se torna evidente, você não tem plena certeza que é a resposta correta.

A trilogia Bourne trouxe consigo um novo estilo para os filmes de espionagem, o do "realismo real" de superespiões que, apesar de fazerem coisas aparentemente impossíveis, elas são, ao menos, factíveis. Os novos filmes do James Bond que o digam.

Salt, fica no meio termo. Às vezes, flerta com o "realismo real", mas tem uma queda mesmo é com o James Bond à la Roger Moore ou Pierce Brosnan. Dá para relevar e pensar que alguém supertreinado realmente conseguiria pular de caminhão em caminhão numa autoestrada, mas ou você acha factível alguém descer de um metrô em alta velocidade e não sofrer um único arranhão?

No mais, é um filme que sumirá da sua cabeça no dia seguinte, mas que cumprirá com competência aquilo para o qual foi feito: diversão despretensiosa.


B-
Salt (Phillip Noyce, EUA, 2010)
Quando: Agosto/2010 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: sonypictures.com/movies/salt

OPERAÇÃO VALQUÍRIA

Um filme “competente”.



Saí da sessão com uma sensação agri-doce. O filme foi bem feito, há um nítido cuidado em se retratar fielmente a época em que ele se desenrola, mas fora isso, ele não me passou nada além de um documentário com grande orçamento, bons atores e um diretor “competente”.


Depois do fiasco de Superman, O Retorno (05) -- onde se preocupou mais em render homenagens do que trabalhar numa renovação do super-herói -- Bryan Singer resolveu filmar uma das 15 tentativas de assassinar Hitler, a que ficou conhecida como “Operação Valkíria”, e, novamente, ficou “preso”, desta vez a uma narrativa linear e, em vários momentos, enfadonha. Há muitos personagens e muitos detalhes que fazem com que os mais desatentos (eu, por exemplo) se percam facilmente. Talvez se eu tivesse prestado mais atenção, minha impressão final do filme tivesse sido diferente.

Para não dizer que o filme é inútil, sua “razão de existir” pode ser explicada pelo novo ângulo sobre Hitler, a Segunda Guerra Mundial e as conspirações internas na própria Alemanha contra o Füher. Se esse último ponto tivesse sido mais bem explorado, talvez ele tivesse até um valor histórico.


C
Valkyre (Bryan Singer, EUA/ALE, 2008)
Quando: Fevereiro/09 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: operacaovalquiria.com.br

A MÚMIA - A TUMBA DO IMPERADOR DRAGÃO

Havia necessidade?



Nunca fui um entusiasta dos dois primeiros filmes dessa trilogia, mas além de bons efeitos especiais (a cena da tempestade de areia do primeiro é antológica), eles até que eram divertidos.

Nesse aqui, até que há boas cenas em CGI, principalmente aquelas com o Imperador Dragão ainda em terracota. Já com relação ao divertimento, não posso dizer a mesma coisa. Brendan Fraser e Rachel Weisz tinham uma certa química. Aqui, não só Fraser parece cansado como Maria Bello, apesar do esforço, está claramente deslocada. Pra piorar, colocaram um filho de 20 e poucos anos que não convence nem um pouco pela pouca diferença de idade entre o trio principal. Michelle Yeoh está longe do seu pontencial e a filha dela no filme, Lin, também não se salva. John Hannah é o único que consegue reprisar seu papel com competência e o melhor de todos é Jet Li, a “cara” do imperador dragão por não mais do que 15 minutos.

Enfim, haja barulho, explosões, ritmo frenético, correria, barulho, explosões, sentimentalismo mongolóide, barulho, explosões, furos de roteiro, ritmo frenético, contradições, barulho, explosões. Quando eu já tinha jogado a toalha e sublimado o dinheiro do ingresso que joguei no lixo, ainda conseguem piorar com aquela nuvem reproduzindo as caras dos amantes separados.

A história (se é que você se interessa por isso): Ricky e Evelyn O'Connor estão aposentados e entediados. Ela está com bloqueio pois escreveu dois livros baseados em suas aventuras passadas (ou nos dois filmes anteriores, se preferir) e não consegue escrever a primeira linha do prometido terceiro livro. Ele... faz... sei lá o quê. O filho, que deveria estar na faculdade, acha a tumba do tal imperador dragão, que havia se apaixonado por uma bruxa, que por sua vez tinha se apaixonado pelo seu general, que foi morto pelo imperador e como vingança, foi amaldiçoado e transformado em terracota pela bruxa. Ele é reavivado e bla, bla, bla.


D
The Mummy: Tomb of the Dragon Emperor (Rob Cohen, EUA, 2008) Quando: Agosto/08 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: amumia.com.br

RESIDENT EVIL 3: A EXTINÇÃO

Mad Max transgênico.



O primeiro Resident Evil (02) foi legalzinho. Nada de espetacular, mas divertido e até tinha o subtexto interessante contra as grandes corporações sem qualquer ética que, na busca pelo lucro, eram capazes de fazer lavagem cerebral em pessoas sem a menor cerimônia.

A continuação, Resident Evil: Apocalipse (04) já não tinha razão de existir a não ser a única que mantém vivas franquias com a densidade de uma folha de papel: $$$. A infecção do primeiro filme, confinada ao laboratório subterrâneo da Umbrella Corp., agora se espalhou por uma cidade inteira. Sai a originalidade do primeiro para entrar uma cópia chupada de Fuga de Nova York (81) com a heroína passando a possuir poderes mutantes (por que será?).

Nessa terceira e (atualmente) última etapa, dá vergonha de pensar como é que tem gente com coragem de investir numa produção uerro como essa. Agora a infecção é generalizada no mundo inteiro (isto é, os EUA e o resto), o aquecimento global é uma realidade (tanto que a Terra é tomada por desertos gigantescos) e há apenas alguns grupos de “viajantes”, que buscam “a esperança” e alguns postos de gasolina no meio do caminho para poderem chegar lá. Onde será que eu vi isso antes? Dica: um filme da fase australiana de Mel Gibson.


E
Resident Evil: Extintion (Russell Mulcahy, EUA/ALE/FRA/ING/AUS, 2007)
Quando:
Agosto/08 (DVD)
Sítio Oficial:
residentevilaextincao.com.br

HOMEM DE FERRO

O despertar do herói


Quando era adolescente, eu até que gostava das histórias em quadrinhos do Homem de Ferro, mas infelizmente elas não eram publicadas com tanta freqüência. Tempos depois, fiquei sabendo que, na verdade, elas não eram publicadas porque a imensa maioria delas era de uma qualidade sofrível, salvando-se apenas um ou outro arco.

Por esse motivo, Tony Stark nunca foi tão popular no Universo Marvel, apesar de contar com a característica básica de todos os super-heróis da editora: um homem comum como eu e você que possui os seus defeitos. No caso dele, o defeito é o alcoolismo, o cinismo e um problema no coração causado por estilhaços de bombas. Ele não foi mordido por uma aranha radioativa e muito menos foi exposto a raios gama ou estelares, ele apenas usou o intelecto privilegiado para criar um brinquedinho: uma armadura.

É um filme sobre a construção do “herói”, no sentido torto mesmo da palavra, pois ele tanto ajuda a libertar uma vila de seus opressores, como entrega o chefe dos vilões para a turba poder fazer sua própria justiça. A passagem do alcoólatra sem consciência no poder de destruição de suas armas para o guerreiro enlatado é feita pausadamente e toma praticamente o filme todo. O que poderia ser enfadonho, pois só há 3 cenas de ação ao longo do filme todo (sendo que a última, o suposto clímax, é a pior de todas), é bem trabalhado e conta sobretudo com a empatia de Robert Downey Jr. e Gwynith Paltrow, que estão ótimos em cena.

De repente, as mais de duas horas de filme acabam e você fica com aquele gostinho de quero mais na cabeça, o que comprova que esse é um ótimo entretenimento.


A
Iron Man (Jon Favreau, EUA, 2008)
Quando: Maio/08 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: ironmanmovie.com

A LENDA DO TESOURO PERDIDO 2

Até que não é tão ruim assim... chega a ser divertido, mas também chega a ser muito irritante por causa da pieguice ufanista.


Sabe que eu não estou com a menor vontade de escrever sobre esse filme? Algumas partes são legais e ele seria melhor se não ufanizasse tanto os EUA. O trio acima deu uma aula de história aos franceses, entrou na sala de despacho da rainha Elizabeth como quem entra numa loja de doces e o pior, deu o maior baile no sistema de segurança britânico. Como contraponto, houve toda uma celeuma sobre "entrar na sala oval da Casa Branca", mas claro que conseguiram sem a menor cerimônia. Assim como simplesmente decidiram seqüestrar o presidente dos EUA e, no dia seguinte, o seqüestram. Simples assim.

E não é tudo não. Ainda há um "cidade" perdida de um tribo pré-colombiana "escondida" em pleno solo estadunidense, encontrada depois dos "heróis" molharem o Monte Rushmore com simples garrafinhas de meio litro. Faça-me o favor...

Pelo menos, fora essas merdas, eu gostei da diversão. Que é dispensável, mas que me rendeu alguns bons momentos no cinema (sublimando a pieguice ufanista, diga-se de passagem).


D
National Treasure 2: The Book of the Secrets (John Turteltaub, EUA, 2007)
Quando: Janeiro/08 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: disney.go.com/disneypictures/nationaltreasure

O ULTIMATO BOURNE

E Jason Bourne finalmente descobre quem ele é/foi.



Eu não gosto de Matt Damon. Por esse único motivo, eu simplesmente sublimei a existência de Identidade Bourne (02) e Supremacia Bourne (04) tanto no cinema como em DVD. Não resolvi capitular, apenas estava mais interessado na companhia do que em acompanhar a última parte da trilogia do agente secreto e sem memória que ia atrás do seu passado (e isso era tudo o que eu sabia) quando decidi ir vê-lo no cinema.

Saí da sessão embasbacado. Tudo bem que no começo eu me senti como se tivesse entrado de penetra numa festa que já tinha começado, todo mundo já tinha se enturmado e eu lá, parado, totalmente deslocado, mas com o desenrolar da trama, consegui "me enturmar" e deu para entender perfeitamente o que se passava.

O interessante da série foi o fato de que Jason Bourne, apesar de contar com o fator de cura de Wolverine, é "gente como a gente". Ele faz de uma caneta bic uma arma mortal, não precisa de um óculos com raios-x e de um chiclete explosivo como James Bond. Ele também não é infalível como Jack Bauer e, melhor de tudo na minha opinião, a "contagem de corpos" se resume ao "mínimo necessário".

Não há tempo disponível para respirar. Começa na Rússia (onde me disseram que terminou o filme anterior). Logo em seguida ele está em Paris para um encontro nada fácil, só para seguir pouco tempo depois para Londres. Aí, a ação começa e não pára. Após a cena na estação de trem, ele já está em Madri, para rumar logo em seguida para o Marrocos e, de lá, voltar aonde tudo começou: Nova York.


B+
The Bourne Ultimatum (Paul Greengrass, EUA, 2007)
Quando: Setembro/07 (Box Guararapes)
Site Oficial: thebourneultimatum.com

007 - CASSINO ROYALE

O nome dele não é Bond, James Bond.


Eu estava no coro dos descontentes quando foi anunciado o novo intérprete de Bond, James Bond. O cara tem o corpo, mas não tem a beleza e muito menos o "charme" que um aspirante a James Bond demanda. Sean Connery era o charmoso-sacana; George Lazemby não conta; Roger Moore era o adepto do humor negro (e até acredito que tivesse algum charme); Timothy Dalton até hoje não disse a que veio e Pierce Brosnam, apesar de exalar seus ferormônios a quilômetros de distância, se refugiada nessa característica peculiar e no humor sarcástico.

A Guerra Fria acabou, como nos lembra a saudosista M. O mundo não pede mais machos infalíveis no cinema (apesar de Jack Bauer existir na tela pequena) e então, tiveram que reinventar o sr. Bond. Um Bond feio, porém, eficiente. Um Bond que não mede escrúpulos para conseguir o que quer, seja invadindo a embaixada de um outro país ou entrando no computador de sua própria chefe ou até mesmo fechando um acordo moralmente questionável com um espião de uma agência "concorrente". Apesar de não hesitar nesses momentos, ele é humano para duvidar de seus atos. Ele mata, mas se sente desconfortável ao limpar suas mãos cheias de sangue numa pia.

Nesse novo mundo, há novo James Bond, há novo embate. Agora não é o capitalismo contra o comunismo. É o mundo civilizado contra o terrorismo global. James Bond não poderá vencê-lo usando apenas os músculos, é preciso a cabeça. James Bond não é mais infalível. James Bond se apaixona, James Bond cai no blefe de seu oponente. James Bond sofre arranhões, tem uma parada cardíaca, carrega essas chagas ao longo do filme, mas sempre se recupera.... até que se corte novamente numa briga.

James Bond não se apresenta mais como Bond, James Bond. E sim, Daniel Craig é um bom ator.


B
Casino Royale (Martin Campbel, 2006, EUA/ING/TCH )
Quando: Agosto/07 (DVD)
Site Oficial: 007cassinoroyale.com.br

TRANSFORMERS

O "live-action" dos tradicionais carrinhos que viram robôs.


Mulher gostosa, teenager "atrapalhado" que quer apenas ser popular na escola (ou seja, ter um carro), os dois formando um casal que não tem nada a ver mas que obviamente vai ficar junto no final, luta entre robôs de outro planeta (por coincidência) na Terra, militares, explosões, litros e mais litros de testosterona na tela grande.

E isso é tudo que pode ser dito desse filme, um típico filme de Michael Bay, mas com "algo" diferente de sua filmografia anterior. O dedo de Spielberg na produção pode até ser o responsável por um certo ar de "família", mas a densidade dos personagens continua rasa e estereotipada.

No mais, efeitos especiais legais, lenga-lenga típica para "encher lingüiça" entre uma explosão e outra e o destino do universo é providencialmente colocado nas mãos do teenager "atrapalhado" que foi reprovado no time de futebol americano da escola, mas que no final consegue fazer um "home run" (ou será que aquilo que ele fez tem outro nome?) em cima de robôs gigantescos vindos do espaço. Mas essa não é a seqüência mais risível, que foi protagonizada pelo soldado que só queria conhecer a filha que nasceu enquanto ele servia ao seu país no Kwait (ou Qatar?) cuja base foi atacada por um Transformer do mal e que sobreviveu ao robô-escorpião caçando-o no deserto. Não, eu não me refiro àquela em que ele precisa ligar para os seus superiores e precisa, antes, achar um cartão de crédito para completar a chamada. É aquela em que ele fica de saco cheio daquela brigalhada toda, sai numa moto, dá um cavalo de pau e vai deslizando pela rua com as costas no chão como se ela estivesse coberta de sabão, só para atirar no robô malvado por baixo. Detalhe: a rouba dele saiu intacta.

Tá, confesso... gostei das cenas em que os robôs se transformam, daquelas em que eles brigam e do robô-escorpião no deserto. Pena que tive que agüentar toda a xaropada sobre o nada entre uma dessas cenas e outra.


C-Transformers (Michael Bay, EUA, 2007)
Quando: Agosto/07 (UCI Recife)
Site Oficial: transformersmovie.com

13 HOMENS E UM NOVO SEGREDO

Vingança é um prato que deve ser servido em grande estilo.


Não é o tipo de filme que eu costumo ver no cinema, já que o primeiro da trilogia, 11 Homens e um Segredo (01), eu vi de relance em DVD e nem me dei ao trabalho de procurar por 12 Homens e um Novo Segredo (04). Uma chuva inesperada, a perda da sessão de Amantes Constantes, um shopping lotado por conta de uma liqüidação e minha obsessão em ir ao cinema naquele sábado não me deram alternativas.

Um dos amigos de Danny Ocean, Reuben, resolve entrar numa sociedade para a construção de um hotel/cassimo com Willen Banks (Al Pacino) e é traído. Sofre um ataque cardíaco e seus amigos vêm ao seu socorro. Eles tentam entrar em um acordo com Al para que ele devolva a parte de Reuben na sociedade. Como ele recusa a "oferta", é preparada a vingança: levá-lo à falência na noite de abertura.


Al Pacino está brilhante com seu óculos, sua peruca (?) e a arrogância de seu personagem. George Clooney está charmoso como sempre e é estranho ver Brad Pitt em um papel "sério/maduro" (sempre me lembrarei dele como o cawboy de Telma & Louise, 92). Infelizmente, Andy Garcia aparece pouco, pois conseguiram resgatar todo o seu charme, perdido em algum ponto em suas "encarnações" cinematográficas passadas. A "papa-anjo" de Ellen Barkin também está ótima e as tomadas aéreas do hotel/cassino de Banks são perfeitas (li que foram feitas por computação gráfica).

O ponto negativo fica por conta do total de informações que são despejadas na hora da montagem do plano, pois eu consegui me perder em várias delas e só me achei quando à medida que elas iam sendo postas em andamento (apesar de que algumas ainda ficaram sem resposta para mim).

Nove em cada dez "nascidos na década de 1970" têm saudades da década de 80. No meu caso, eu gostaria é de ter vivido justamente os anos 70's, seja pela discoteca, pelas cores fortes do technicolor® ou pelo "clima" mesmo, que permeia esse filme do início ao fim. Talvez seja por isso que Jackie Brown (97) é um dos melhores Tarantinos, na minha opinião, claro..


B
Ocean's 13 (Steven Soderbergh, EUA, 2007)
Quando: Julho/07 (UCI Recife)
Site Oficial: 13homenseumnovosegredo.com.br

O ILUSIONISTA

A arte do espetáculo.


Na Viena do século XIX (talvez começo do século XX, agora estou em dúvida), um jovem fica encantado com um mágico que, segundo ele, transformou uma flor numa flauta, depois a fez levitar e, no final, desapareceu, levando consigo uma árvore inteira. Esse jovem era um pobre camponês e quis o destino que a filha dos duques da região se encantasse com seus truques. Depois de uma mal sucedida tentativa de fuga, ele vai para o extremo oriente aprender a arte do ilusionismo com os maiores mestres. Quinze anos depois, ele volta para a mesma Viena e quis o destino pregar-lhe uma peça ao chamar para o palco uma espectadora para um número de seu espetáculo. Claro que essa espectadora era a duqueza, agora, prometida ao príncipe herdeiro do trono.

A trilha sonora de Philip Glass é primorosa e captura bem o "clima" da época, uma época em que o mundo passava por grandes transformações, inclusive com a recente descoberta do cinematógrafo (que é utilizado num dos truques do ilusionista). A fotografia também colabora, com aquele efeito que se tinha nos primeiros filmes (o centro iluminado e as bordas mais escuras). Entretanto, a parte técnica não esconde as falhas do roteiro, que é cansativo até o finalzinho, quando uma série de "reviravoltas" nos faz ficar com a mesma cara de paisagem que os espectadores do ilusionista, ao descobrirmos que muito do que tínhamos visto até então não passava de... ilusão (se bem que eu descofiava da maioria dessas ilusões).


CThe Illusionist (Neil Burger, EUA, 2006)
Quando: Abri/07 (DivX)
Site Oficial:

300

Muito barulho (muito mesmo) por muito pouco.


Há méritos em 300, a graphic novel. A graphic novel original tem um visual apuradíssimo. E só. O filme também tem visuais bem elaborados. E só. 300, o filme, é "simplesmente" um filme exagerado. Exagerado no hype em torno dele e exagerado no não desenvolvimento dos personagens (eles são assim e pronto, aceite-os). O exagero dos grunhidos de Leonidas no campo de batalha é acompanhado pela exagero da trilha sonora bizonha e ruidosa. Na falta de um roteiro, exagere-se na utilização de "frases-feitas de efeito": This is not madness. This is.... Spartaaaaaaaaaa!. Exagere-se também no recurso da câmera lenta, nas coreografias e na "macheza" dos soldados espartanos. "Ele não disse adeus, porque isso significaria um sinal de fraqueza". Cadê o meu saco de vômito?

300, o filme, é também um filme contraditório. Homoerótico ao extremo, é igualmente homofóbico ao extreno. Se os "pederastas filósofos de Atenas", "ousaram" não se curvarem diante de persas, é óbvio que os "machos" de Esparta não poderia fazer diferente. Os espartanos lutam contra a "tirania" do persa Xerxes, mas eles não são nem um pouco tirânicos ao se dizerem melhores do que todos os demais povos, ao descartarem os "defeituosos", ao serem aversos a tudo o que não é "espartano" e ao terem um rei, ao invés dos pederastas atenieneses que tinham uma democracia na época.

Claro que eu não poderia deixar de falar sobre Rodrigo Santoro. Ele não apenas encarna uma drag queen num carro alegórico como ele também está exagerado no papel "passivona lôka para dar o edi". Eu já estava me segurando para não rir quando ele apareceu pela primeira vez e não agüentei quando chegou a hora em que ele coloca as mãos atrás de Leônidas e diz que não era o seu chicote que seus súditos temiam. Como eu disse anteriormente, homoerótico e homofóbico ao extremo. Verdade seja dita, sua atuação é a melhor do filme, "fechando" todas as cenas em que aparece (acho que são apenas 4 ou 5). Pena que o roteiro que lhe foi entregue é tão tosco e limitado.

Como 300, a graphic novel, é do mesmo autor de Sin City, Frank Miller, acho que posso comparar as duas adaptações cinematográficas. Só há uma coisa a dizer: Jack Snyder vai ter que comer muito feijão com arroz para chegar a ser comparado ao dedo mindinho de Robert Rodriguez.

O que foi aquela cena final do rei Leônidas à la Jesus Cristo? É muita merda num filme só. Como diria Shakespeare, much ado about nothing.


C
300
(Jack Snyder, EUA, 2007)
Quando: Março/07 (UCI Recife)
Site Oficial: 300themovie.warnerbros.com

APOCALYPTO

Pode-se amá-lo, ou odiá-lo, mas uma coisa é certa: Mel Gibson é coerente com a sua história. Eu diria que ele também é sádico, mas será que o homem, de uma forma geral, também não o é?


Com exceção de A Paixão de Cristo que eu só assisti a alguns pedaços, os blockbusters anteriores de Mel Gibson por trás das câmeras têm uma linha narrativa comum: o "homem pacato", que vive a sua vida em família tranqüilamente até que "os bárbaros" chegam para atrapalhá-la. A partir de então, tudo o que esse "homem pacato" busca é vingança contra o(s) seu(s) opressor(es) para poder voltar à sua vida anterior. Assim como escocês Willian Wallace de Coração Valente durante a ocupação inglesa e o estadunidense Benjamin Martin de O Patriota durante a guerra da independência dos EUA, o nosso "homem pacato" é Pata de Jaguar, integrante de uma pequena e isolada tribo maia que tem a sua vida mudada quando mercenários invadem a sua aldeia em busca escravos e de corpos para sacrifícios humanos na sede do império. Um outro típico personagem gibsoniano é o "bárbaro sádico". Aquele que já matou a namorada escocesa e o filho estadunidense, agora mata o pai do nosso "homem comum". Para esse personagem, matar é um prazer, enquanto que para o heróí gibsoniano, a vingança nada mais é do que legítima.

Corte para a "civilização", aonde cabeças rolam escadaria abaixo e corações são levantados para a patuléia em êxtase abaixo e para o deus sol Kulkulkan. No momento em que Pata de Jaguar é levado para o altar do sacrifício ele diz que ainda não chegou a sua hora, pois tem que resgatar sua mulher grávida e o seu filho pequeno que ele havia conseguido esconder num buraco dos "bárbaros" antes da devastação de sua aldeia.

Graças a um eclipse, um povo altamente desenvolvido - porém supersticioso - como os maias acredita que o deus do sol havia se baqueteado de sangue suficiente. A partir de então, começa a história do nosso "homem pacato" que não pensa duas vezes em sobreviver e resgatar a sua família. Num certo momento, mais precisamente após uma bela cena num poço de piche, o instinto de sobrevivência desencadeado pelo medo dá lugar à sede de vingança. É a transformação do "homem pacato" no "homem primal", que usa o seu habitat contra os invasores. Abelhas, dardos envenanos, armadilhas para antas... um a um, os inimigos vão tombando.

*

Atenção: a partir de agora, eu comento a cena final do filme, que pode estragar a surpresa que ela representa caso você ainda não o tenha visto.

*

É um blockbuster, mas ao mesmo tempo, é um filme cheio de metáforas (acho que estou me especializando nesse assunto) e nesse sentido, a cena final, com a chegada daqueles que dizimariam não apenas os maias, como também os astecas e os incas é mais do que providencial para dizer que todo império chega ao seu apogeu, mas a partir de então, entra em decadência até que um outro império toma o seu lugar. A Pata de Jaguar e sua família, resta se embrenhar na floresta e rezarem para nunca serem encontrados.

A violência explícita do filme me incomodou demasiadamente, mas o paralelismo com o mundo atual, para um economista, é imediato. Não há mais jugulares laceradas por machadinhas de pedra lascada ou buchos perfurados por balas atiradas graças à pólvora, criada pelos chineses, mas utilizada com fins bélicos pelos fascistas europeus. Agora, é a sociedade do consumo quem dita as regras.

Cuidado com a China, gringos...


A
Apocalypto (Mel Gibson, EUA, 2006)
Quando: janeiro/07 (UCI Recife)
Site Oficial: www.apocalypto.com
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