.
.
Mostrando postagens com marcador Keanu Reeves. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Keanu Reeves. Mostrar todas as postagens

O DIA EM QUE A TERRA PAROU

Mais um remake onde o original é vilipendiado sem dó nem piedade.


A década de 1950 foi um celeiro fértil para filmes de ficção científica onde o perigo era representado não pelos comunistas, mas por aqueles que moravam lá fora. Dessa safra, o primeiro O Dia em que a Terra Parou (51) indicava que havia uma patrulha estrelar que cuidava do bem-estar interplanetário e que estava preocupada com a crescente corrida armamentista terrestre.

Seis décadas depois, a URSS não existe mais, mas o perigo continua “real” e imediato. Desta vez, Klaatu e G.O.R.T. não vêm à Terra para dar um puxão de orelhas, mas sim como arautos da morte. A humanidade maltratou demais o planeta que não é dela e por causa disso será exterminada sumariamente (mas antes, os aliens, como uma verdadeira Arca de Noé, atraem um casal de cada animal para posterior repovoamento).

Até aí, tudo bem. Só esqueceram de encomendar um roteiro decente e sem clichês-padrões. A mocinha tem um filho. Ou melhor, “ficou” com o filho do seu grande amor que morreu no Iraque. Claro que a criança não gosta dela e claro que ela queria que o pai estivesse vivo para chutar o traseiro dos Ets. Ah, esqueci um pequeno detalhe: o menino é negro. Melhor que isso, só a nova versão de “Barrados no Baile” onde o “Brandon” da vez também é negro e adotado. Há ainda tantas outras bobagens que nem vale a pena enumerá-las. O final é digno daqueles filmes perdidos que não sabem mais para onde ir e terminam de forma abrupta, com uma pseudomensagem filosófica para enganar os trouxas, na tentativa de salvar alguma coisa.

Se tivessem feito tipo uma continuação -- nós te avisamos, vocês não se endireitaram, agora sofram as conseqüências -- talvez o resultado não seria tão desastroso assim.


D
The Day The Earth Stood Still (Scott Derrickson, EUA, 2008)
Quando: Janeiro/09 (UCI Ribeirão Preto)
Sítio Oficial: ficha imdb

O HOMEM DUPLO

Drogas? Tô fora!


O homem duplo do título é Bob Arctor, um agente especial infiltrado num grupo de traficantes da "Substância D" com o objetivo de prender os grandes traficantes numa história que se passa "daqui a sete anos".

Gostaria de ter ido ao cinema mais preparado para ver esse filme, pois fui completamente às cegas, de olho apenas no nome do diretor, e já estava de saco cheio lá pela metade do filme. "Como é que Richard Linklater pôde fazer um filme tão ruim como esse?", eu pensava, enquanto olhava incansantemente para o relógio e via as pessoas não tão corajosas quanto eu saindo da sala, uma a uma.

Minha capacidade de concentração já era nula e piorou ainda mais com a minha incapacidade de detectar um objetivo para o filme, nada que pudesse ser resumido em uma frase, como eu normalmente inicio minhas resenhas. Então, eu passei a prestar atenção quase que exclusivamente na "animação" (na verdade, na "pintura" que fizeram em cima da filmagem real), voltando para a história de tempos em tempos.

Quando o tormento finalmente terminou, a primeira frase que apareceu nos letreiros finais é "este filme é dedicado a todos aqueles que pagaram mais do que deviam por seus atos". Em seguida, uma lista de pessoas que só quiseram "se divertir" e acabaram morrendo, tendo AVCs e coisas ainda piores.

Foi aí que eu finalmente entendi o objetivo do filme e através de um método que em economês é chamado de "backward induction" (depois que o resultado final do sistema ocorre, você volta no tempo para descobrir como ele chegou a esse ponto), comecei a rebobinar a fita e vi os pontos chaves.

Bob é um policial infiltrado, mas os dois hemisférios do seu cérebro entram em conflito em função do uso excessivo da "Substância D", sua "namorada" tem aversão ao toque humano, um efeito colateral da droga, um de seus amigos junkies morre de overdose numa alucinação aonde seus pecados serão lidos incessantemente por toda a eternidade e os outros já estão com os seus cérebros fritados há tempos, não sendo capazes de elaborar sentenças que tenham algum sentido. Bob também acaba com o seu cérebro fritado e num estado no qual é "recrutado" para trabalhar numa fazenda aonde se planta as flores de onde se extraem a "Substância D". The End.

Há certos diretores que colocam suas impressões digitais em seus filmes e eu não estou falando de algo tão explícito como um Hitchcock cruzando uma faixa de pedestres, estou me referindo à uma "aura" que envolve todos os seus filmes, toda uma pessoalidade que faz você ser capaz de "sentir" que o filme é desse ou daquele diretor. Richard Linklater é um desses diretores e apesar de A Escola do Rock, Antes do Entardecer e O Homem Duplo serem filmes tão dispares entre si, você "vê" o seu dedo em cada um deles.


B+
A Scanner Darkly (Richard Linklater, EUA, 2006)
Quando: Abril/07 (Cinema da Fundação)
Site Oficial: wip.warnerbros.com/ascannerdarkly

A CASA DO LAGO

Recomendável para todos que acreditam no destino e no amor, sem medo de ser piegas.


Comédias românticas para adolescentes acéfalos têm sempre o mesmo roteiro: os protagonistas se conhecem e desenvolvem um ódio mútuo para depois descobrirem que se amam, mas nesse momento, "algo" não deixa. Eles lutarão contra essa barreira até o final do filme, quando serão felizes para sempre.

Acontece que esse filme não é uma comédia romântica para adolescentes acéfalos.

Tudo começa quando Kate se muda de sua antiga casa, que ficava sobre um lago, e deixa uma carta na caixa de correio para o novo inquilino. Acontece que quem recebe a carta é Alex, o antigo inquilino, que morou naquela casa dois anos antes.

A barreira, nesse caso, não é física. Eles não moram em costas opostas dos EUA como Tom Hanks e Meg Ryan em Sintonia do Amor (93), que eu considero um filme legal, mesmo sendo piegas. Dois anos os separam. Como transpor essa barreira?

A troca de correspondência continua e a caixa de correios da casa do lago é o elo de ligação. Outra "coisa" em comum aos dois é a cadela "Jack", que mora atualmente com Kate e que também morou... ou morava.... ou morará... (ah, deixa para lá) com Alex. Ele faz um roteiro turístico para ela. Ela deseja que ele estivesse lá. Ele escreve um recado para ela num muro.

Eles acabam se tornando íntimos, começam a ter uma espécie de relacionamento e num dado momento, Kate pede para Alex pegar um livro que era muito importante para ela e que tinha esquecido numa estação de trem. O livro era "Persuasion", de Jane Austin. Se eu me lembro bem da história, é sobre um casal que vive se desencontrando ao longo dos anos, algo sempre os impede de ficarem juntos e não consigo me lembrar se no final eles acabam "felizes para sempre". Está aí a essência do filme.

Essa história é contada pela própria Kate ao próprio Alex, no terraço da casa do namorado dela, na foto que ilustra essa resenha. Ele sabe quem ela é, mas ela não. Para ela, foi nesse dia que ela dançou e beijou "um estranho" em sua festa de aniversário.

O "diálogo" entre os dois ao longo do tempo é sempre afiado e a "química" é sempre ótima, sobrevive até mesmo à uma pequena discussão, quando ela diz que ele deveria ter dito à ela quem ele era no aniversário dela. Confuso? Idas e vindas se suscedem, você fica um pouco desesperado tentando linearizar a história, tentanto entender, mas da mesma forma que eu consegui abstrair uma mancha enorme no canto da tela provocada por uma sujeira no projetor, eu já tinha me esquecido do "pequeno detalhe" deles moram em anos diferentes. Inês já era morta: já tinha embarcado na onda do filme.

Destaque também para Christopher Plummer, pai de Alex, e Shohreh Aghdashloo, supervisora de Kate no hospital, que já foi esposa de Ben Kingsley em A Casa de Areia e Névoa (03) e também esposa, mas dessa vez de um terrorista, na quarta temporada de 24 Horas. Infelizmente, eles aparecem pouco e estão sempre ótimos, mas afinal de contas, o filme não é sobre eles.

A partir de agora, vou comentar algumas cenas-chaves que talvez possam estragar a sua surpresa caso decida assistir ao filme. Até aqui, acredito que você já tem elementos suficientes para decidir ir vê-lo ou não. Continue por sua própria conta e risco.

Perto do final, Kate pisa em falso no quarto de seu apartamento, descobre uma tábua solta no piso e lá dentro encontra o livro "Persuasion". Ainda não descobri se é o mesmo livro que Alex pegou ou se é um outro (provavelmente é o mesmo livro), mas o que importa é que isso é mais uma pista que o destino dá a Kate para dizer como ele quer que as coisas sejam, não adianta ela lutar contra ele.

Eu acredito que em algum lugar há alguém que está passando pelos mesmos perrengues que eu, sem saber quem eu sou. Talvez eu saiba quem ele é, provavelmente a gente já deve ter se encontrado por aí anonimamente. Um dia, a gente vai se (re)encontrar. Não acredito em contos de fadas do tipo "e viveram felizes para sempre", mas eu acredito em destino. Acredito em duas pessoas que têm os mesmos objetivos em comum e que estão predestinadas a perseguí-los juntos a partir de um dia qualquer. A "química", então, surge "naturalmente".

E o que o destino reservou para os dois? Bem... ele dá outra pista de suas inteções à Kate quando ela vai justamente à uma firma de arquitetos do irmão de Alex. Depois dessa cena, forte, ela vai para a casa do lago. Ao pé da caixa de correio, ela começa a rezar por um milagre. Ela finalmente entendeu!

Vai... você já sabe o que acontece, porque o final não é nada original. Chega a ser piegas, admito, mas eu já estava me afogando em lágrimas e como poeta e a cantora já escreveram e cantaram que não há cartas de amor ridículas, então, não há finais ridículos em filmes de amor. Mesmo depois de um dia, eu ainda estou remoendo as idéias desse filme (e se eu bem me conheço, ainda vou ficar assim por um boooom tempo).


AThe Lake House (Alejandro Agresti, EUA, 2006)
Quando: setembro/06 (UCI Recife)
Site Oficial: www.acasadolago.com.br
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...