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REC²

Não é só nos EUA que a ganância faz com que se cague numa ideia originalíssima.


[rec] (2008) foi um dos melhores filmes de suspense que eu vi. A ideia, originalíssima, confinava os personagens num prédio isolado na companhia de "zumbis" raivosos. [rec²] traz a mesma ideia. Novos personagens são isolados no mesmo prédio pouquíssimos minutos antes do final do primeiro filme e é dada uma explicação para a origem da "doença".



E a explicação é bem tosca: não é um vírus. É uma possessão demoníaca transmitida (acredite) pela saliva!  Não grite Spoiler!, pois a explicação ocorre antes dos 15 minutos além de ser explicitada no título em português (Rec - Os Possuídos). Só não é uma completa perda de tempo pois há mais de uma câmera desta vez e outro ponto de vista, pois além do padre e sua equipe, há um grupo de adolescentes que fazem o que adolescentes mais fazem ao tentar afirmar suas masculinidades: merda. Eles entram para "ver o que acontece" (lógico que com uma câmera na mão) e acabam presos lá.

É um filme dispensável. Enquanto o via, não conseguia parar de pensar que eu já tinha visto aquilo tudo antes. Na dúvida entre os dois, assista só ao primeiro e esqueça a existência desse, apesar dele conter o gancho para o terceiro filme.


D
[rec²] (Jaume Balagueró & Paco Plaza, ESP, 2009)
Quando: Setembro/2010 Multiplex Boa Vista
Sítio Oficial: rec2lapelicula.com

RESIDENT EVIL 3: A EXTINÇÃO

Mad Max transgênico.



O primeiro Resident Evil (02) foi legalzinho. Nada de espetacular, mas divertido e até tinha o subtexto interessante contra as grandes corporações sem qualquer ética que, na busca pelo lucro, eram capazes de fazer lavagem cerebral em pessoas sem a menor cerimônia.

A continuação, Resident Evil: Apocalipse (04) já não tinha razão de existir a não ser a única que mantém vivas franquias com a densidade de uma folha de papel: $$$. A infecção do primeiro filme, confinada ao laboratório subterrâneo da Umbrella Corp., agora se espalhou por uma cidade inteira. Sai a originalidade do primeiro para entrar uma cópia chupada de Fuga de Nova York (81) com a heroína passando a possuir poderes mutantes (por que será?).

Nessa terceira e (atualmente) última etapa, dá vergonha de pensar como é que tem gente com coragem de investir numa produção uerro como essa. Agora a infecção é generalizada no mundo inteiro (isto é, os EUA e o resto), o aquecimento global é uma realidade (tanto que a Terra é tomada por desertos gigantescos) e há apenas alguns grupos de “viajantes”, que buscam “a esperança” e alguns postos de gasolina no meio do caminho para poderem chegar lá. Onde será que eu vi isso antes? Dica: um filme da fase australiana de Mel Gibson.


E
Resident Evil: Extintion (Russell Mulcahy, EUA/ALE/FRA/ING/AUS, 2007)
Quando:
Agosto/08 (DVD)
Sítio Oficial:
residentevilaextincao.com.br

DIÁRIO DOS MORTOS

Zumbis, ao estilo [Rec], Cloverfield, A Bruxa de Blair....


George A. Romero é uma lenda. Ele é o pai dos zumbis, criados no final dos anos 60 com A Noite dos Mortos Vivos (68).

A despeito das inúmeras refilmagens, Romero voltou ao tema em outras oportunidades, onde havia uma lógica de disseminação constante do caos: no primeiro [Madrugada dos Mortos (78)], os zumbis tinham saído de um cemitério e atormentavam um grupo de estranhos que tinham que sobreviver em uma casa, no campo e no último [Terra dos Mortos (05)], a história se passava num mundo apocalíptico, onde havia uma clara distinção entre os ricos, que viviam numa torre envidraçada e, aparentemente, “bem”, e a ralé, devidamente esquecida nas ruas imundas. Os zumbis estavam devidamente “confinados” para além das cercas dessa ilha da fantasia.

Agora, Romero retoma ao conceito de zumbis, mas num mundo “real”, onde um grupo de cineastas rodava um filme sobre... zumbis, quando escutam pela TV que “havia algo de estranho” acontecendo. Com duas câmeras nas mãos, eles vão cruzando os EUA e “documentando” o que acontecia no trajeto. O filme que nós assistimos, então, é um documentário editado e com trilha sonora feito por uma das sobreviventes e posto na internet para que o mundo saiba o que realmente estava acontecendo naqueles dias.

O grande problema desse filme é o aparente estilo não-Romero de ser. Na sua filmografia anterior, as críticas sócio-políticas estavam espalhadas em cada cena de forma dicreta, bastava ter senso crítico para descobri-las. Agora, não. Filmado ao estilo MTV de ser, para um novo público sem qualquer senso crítico, deve-se martelar nas mesmas idéias para ver se elas entram a fórceps. A principal: não acredite em tudo que a mídia transmite. A secundária: estamos vivendo na era onde é mais importante filmar, novamente sem qualquer senso crítico, do que entender o que está acontecendo.

É triste ver um mestre perder a mão tão feio assim.


B-
Diary Of The Dead (George Romero, EUA, 2007)
Quando: Maio/08 (DivX)
Sítio Oficial: myspace.com/diaryofthedead

REC

Uma câmera na mão, um prédio em quarentena, “zumbis”...


Era para ser uma noite tranqüila, uma reportagem burocrática sobre a rotina de trabalho do corpo de bombeiros de Madri até que a repórter e seu cinegrafista seguem dois bombeiros em um chamado sobre ruídos estranhos saindo de um apartamento num prédio no centro da cidade.

No apartamento, os repórteres, os bombeiros e dois policiais perceberem que há algo de errado no comportamento da dona do apartamento. Eles tentam sair do prédio, mas ele foi isolado e posto em quarentena sem que eles saibam o motivo.

Daí é um pulo para descobrirmos que o prédio foi isolado porque as autoridades sanitárias desconfiam que ele é o foco de um vírus que causa um comportamento raivoso em seu portador e, um a um, os moradores acabam sendo expostos ao vírus e viram “zumbis” (na verdade, eles adquirem um tipo de raiva que os tornam agressivos e assassinos e não mortos-vivos).

Um filme com sustos eficazes que alia a claustrofobia do confinamento num único ambiente (o prédio) com o medo do desconhecido (que diabos está acontecendo com todo mundo?). Eu tenho minhas restrições com o final (assustador), mas nada que desabone esse suspense com S maiúsculo.


B
Rec (Jaume Balagueró e Paco Plaza, ESP, 2007)
Quando: Abril/08 (DivX)
Sítio Oficial: ficha imdb

EU SOU A LENDA

O fim da humanidade e a "involução" do homem à uma nova "era das trevas".


Num futuro não tão distante, a cura do câncer foi descoberta. Infelizmente, essa descoberta significou o fim da humanidade de acordo com o doutor Robert Neville, que se auto-intitula "o último homem da Terra". A manipulação genética resultou em um vírus que matou quase toda a população terrestre. Outra boa parte foi infectada e virou uma espécie de zumbi/vampiro, que desenvolveu super-força, sensibilidade à luz solar e se alimentou da pequena parte da população que era naturalmente imune ao vírus.

As idéias contidas no filme são interessantíssimas (derivadas de um livro, escrito em pleno apogeu armamentista da guerra fria, na década de 50), mas que, como sempre em um blockbuster, são esmagadas, trituradas e depois, esquecidas. A dramaticidade de botequim exige que o cara esteja confinado em Manhatan (originalmente, era Los Angeles). A explicação é que como ali foi o início da epidemia, então eles explodiram as pontes e os túneis para confinar a população em "quarentena". Will Smith permaneceu porque era dever dele estar no "marco zero". Ok, faz de conta que eu acredito. Assim como faz de conta que eu acredito que, depois de três anos confinado na ilha, ele ainda tenha bacon e ovos frescos para poder comer no café da manhã e consiga legumes sei lá como.

Há outras merdas ao longo do filme difíceis de engolir, como por exemplo os mesmos três anos em que ele ficou sitiado e nunca cruzou com a personagem de Alice Braga, que de simples missionária da cruz vermelha vira uma espécie de "ramba" e o salva da morte certa pelos zumbis. Ela disse que estava num navio que veio de São Paulo (é... agora São Paulo tem porto...) e que parneceu por lá... por três ano!

O final fica ainda pior -- mais piegas para ser exato -- quando misturam Deus (ou a sua não-existência segundo o Dr. Neville) e misticismo ("eu precisava estar lá, para renovar a sua fé e você me dar algo"). Dizem que há um outro final gravado, mais "filosófico". Resta esperar para uma reedição à la Blade Runner (82, relançado da forma "correta" em 93).

Verdade seja dita, com todo o preconceito que eu tenho com relação a Will Smith, ele "segura o rojão" surpreendentemente bem, contracenando apenas com uma cadela em 80% do filme. Pena que no 20% restante, o roteiro tenha descarrilhado. E não só pela péssima interpretação de Alice Braga.


C
I am Legend (Francis Lawrence, EUA, 2007)
Quando: Janeiro/08 (UCI Recife)
Sítio Oficial: br.warnerbros.com/iamlegend

EXTERMÍNIO 2

A Inglaterra é infectada novamente.


Eu sempre torci o nariz para esse filme. Era preciso uma continuação do excelente Extermínio (03)? O que essa seqüência traria de novo?

A resposta é óbvia: nada. Os "infectados" estão lá, a tensão é boa, o aumento da trilha incidental no momento do ataque (um recurso que eu amei no primeiro) também marca presença, assim como as metáforas políticas. Londres vazia? Um "sobrevivente" matando um "infectado" ao furar-lhe os olhos com os dedos? A lista continua, mas paro para não ficar efadonho. Entretanto... e a motivação? Cadê os seres movidos a odio puro fazendo com que os sobreviventes voltassem aos tempos da caverna e aos seus instintos animais com o único propósito de sobreviver?

A primeira cena, que está descrita em tudo o que é lugar, é boa, mas repleta de clichês. A "carolice" do atirador, que desiste de suas ordens quando uma criança está na sua mira, idem. Militares estadunidenses mandando abrir fogo contra tudo o que se mexesse.... aonde será que eu vi isso? A cena no metrô é espetacular. Lá sim, em meio a ossos humanos na escadaria, temos o "espírito" do primeiro Extermínio, com a menina fazendo de tudo para proteger o irmão mais novo. Dizendo que fará de tudo para que eles não se separem.

A história? Bem... a primeira cena, num chalé isolado, se passa na mesma época dos "28 dias depois" da primeira infecção e para quem, como eu, chegar atrasado, vai duvidar que tenha entrado na sala certa. Há um único sobrevivente desse ataque e depois há um pequeno informativo para nos situarmos, iniciando a narração do que aconteceu "28 semanas depois". Um sobrevivente é encontrado, mas não é um sobrevivente qualquer. É um sobrevivente infectado, mas que tem uma imunidade natural e não desenvolveu os sintomas. Ele é imune, mas pode transmitir o vírus e é isso que acontece, pois o deixaram isolado numa sala sem nenhum tipo de proteção.

Uma última dica: esse filme é contra-indicado para aqueles que sofrem de labirintite. Há muitas cenas de "câmeras nervosas", nos "momentos de tensão". Entretanto, para os amantes do gore, esse filme é mais do que recomendado. Recomendo, particularmente, a cena do helicóptero no parque.


B
28 Weeks Later (Juan Carlos Fresnadillo, ING, 2007)
Quando: Julho/07 (Multiplex Campina Grande)
Site Oficial: exterminio2.com.br
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