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MIDNIGHT MEAT TRAIN

Slash movie overload.


Se você gosta de gore, esse é o seu filme. Há olhos saltantes, intestinos, víceras e sangue, muito sangue.

Um fotógrafo freelance é aconselhado por uma marchant a se aprofundar no lado negro da cidade caso queira ter alguma de suas fotografias expostas. De madrugada, como não consegue dormir, resolve sair pela cidade e consegue sua foto, ao presenciar uma gangue quase estuprando uma modelo. Ela foi salva da gangue, mas pega o mesmo trem desse senhor aí encima.

No dia seguinte, ao ler a notícia do desaparecimento da modelo, começa a obsessão do fotógrafo em desvendar o mistério. Ele acaba descobrindo que pessoas desaparecem há mais de um século no metrô de Nova York e há toda uma "rede de apoio" (na falta de um adjetivo melhor) para encobrir os rastros dos desaparecimentos.

O que me chamou a atenção foi a chancela "by Clive Barker", autor do conto que deu origem ao roteiro e produtor do filme. Porém, assistí-lo foi uma sessão de tortura, pois para se tornar um filme, precisou-se criar todo um elenco de apoio e motivá-los durante os 100 minutos de sua duração. Enquanto não está "desenvolvendo personagens" de forma rasa, há abuso de gore. Inclusive uma "bala em primeira pessoa" que é vista desde o cano do revólver, passando pela cabeça da pessoa até sair por seu globo ocular, com o olho direito saltando, claro.

Aí, incorremos na minha maior crítica aos filmes de terror atuais, que deixam de criar um clima de tensão para se concentrarem em cenas de gore explícito. Esse aqui não é diferente.


D
Midnight Meat Train (Ryuhei Kitamura, EUA, 2008)
Quando: Agosto/2010 (Divx)

O LUTADOR

Até o limite



Impossível dissociar Mickey Rourke de O Lutador. O filme é ele e o resto. Marisa Tomei e a filha de Randy “The Ham” Robinson existem apenas como escada. A primeira, como uma certa esperança de um futuro melhor ao lado de alguém e a última, a tentativa de reparar os erros do passado.

Apesar de populares tanto nos EUA como no Brasil (“Os Gigantes do Ringue” não me deixa mentir), as lutas livres não têm hoje o apelo que tinham nas duas últimas décadas do século passado. Como consequência, Randy está no ostracismo. Ainda consegue alguns trocados nos finais de semana fazendo o que mais gosta, mas também é obrigado a trabalhar como carregador em um supermercado durante a semana e a gastar regularmente uma quantia considerável com anabolizantes. Sobra pouco para o aluguel de seu trailer e ele vive sempre sob o fio da navalha.

Após anos maltratando o corpo, um dia a conta chega e Randy tem um ataque cardíaco. O diagnóstico: ou ele para de lutar e de tomar seus anabolizantes, ou morre.

O filme é devastador sobre os efeitos da decadência de ídolos de uma época que acabou. Como bem disse Randy num diálogo com Marisa Tomei: bom mesmo eram os 80’s... mas aí veio o Nirvana para acabar com tudo e tornar o mundo mais depressivo.

Malditos anos 1990's.


B+
The Wrestler (Daren Aronofsky, EUA, 2008)
Quando: Março/09 (Cinema da Fundação)
Sítio Oficial: thewrestlermovie.com

MILK

Documento verdade



O mais perturbador em Milk é saber que, apesar de estarmos 30 anos “a frente” de seu tempo, quase nada mudou em relação ao modo como a sociedade encara os homossexuais. No tempo do politicamente correto (e o medo de ser “incorreto”), o mantra é ”temos que respeitá-los”, sem se dar conta que a frase em si já diz tudo com a parte implícita do “apesar deles serem homossexuais”.

Harvey Milk era um simples contador quando chegou aos 40 e se deu conta que não tinha realizado nada até então. Pediu demissão, virou hippie e viajou o país com o seu namorado até se estabelecer na Rua Castro, em São Francisco. De repente, ele se viu como uma espécie de líder entre os homossexuais da região e, naturalmente, acabou se candidatando a uma vaga de conselheiro da cidade (acho que deve ser uma espécie de vereador). Perdeu 3 ou 4 eleições até que, em 1978, ele conseguiu se eleger. Antes do ano terminar, foi morto a tiros por um de seus colegas conselheiros.

É uma cine-biografia clássica, sem muitos sobressaldos, com o tempo praticamente linear dos fatos, exceção feita ao “testamento” gravado que é intercalado nos momentos de elipses. Está longe de ser um estupendo Gus Van Sant, mas o seu tom panfletário é no ponto certo, te instando a tirar a bunda da cadeira para tentar fazer alguma coisa para mudar a mentalidade tacanha do mundo.

Outro fato interessante são as imagens reais da época, principalmente daquela Miss-cantora-evangélica-etc do EUA e sua campanha contra os homossexuais. Na década de 1970 eles queriam que os professores homossexuais fossem demitidos. Felizmente, essa proposta não foi aprovada, porém, ano passado, os mesmos californianos disseram não ao casamento de homossexuais.


A
Milk (Gus Van Saint, EUA, 2008)
Quando: Fevereiro/09 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: ficha imdb

BABY LOVE

Como ser gay e tentar ser pai em Paris.


Manu quer ser pai. Phelippe, não. Quando Manu insiste na questão, chega ao fim a relação estável entre os dois. O plano inicial de Manu era adotar uma criança como um heterossexual solteiro, mas uma foto põe tudo a perder. Fina entra na história após um acidente de carro entre os três. Como Fina é uma argentina ilegal na França, depois que a estratégia da adoção dá errado, Manu propõe se casar com ela em troca de sua barriga para gerar seu filho. Leva um copo de vinho na cara. Mais tarde, Fina acaba cedendo, mas por outros motivos e não em troca do visto.

Claro que haverá muitas confusões até o nascimento da pequena Zélie nessa comédia "bobinha", típica de uma Sessão da Tarde e que me fez sair do cinema pensativo e emocionado em certos momentos. De certa forma, a história da adoção/criação de uma criança por homossexuais é apenas o pano de fundo da história, que é centrada no mais batido dos argumentos: o amor em suas mais diversas formas.


B+
Comme les Autres (Vincent Garenq, FRA, 2008)
Quando: Fevereiro/09 (Cine Rosa e Silva)
Sítio Oficial: marsdistribution.com/film/comme_les_autres

OPERAÇÃO VALQUÍRIA

Um filme “competente”.



Saí da sessão com uma sensação agri-doce. O filme foi bem feito, há um nítido cuidado em se retratar fielmente a época em que ele se desenrola, mas fora isso, ele não me passou nada além de um documentário com grande orçamento, bons atores e um diretor “competente”.


Depois do fiasco de Superman, O Retorno (05) -- onde se preocupou mais em render homenagens do que trabalhar numa renovação do super-herói -- Bryan Singer resolveu filmar uma das 15 tentativas de assassinar Hitler, a que ficou conhecida como “Operação Valkíria”, e, novamente, ficou “preso”, desta vez a uma narrativa linear e, em vários momentos, enfadonha. Há muitos personagens e muitos detalhes que fazem com que os mais desatentos (eu, por exemplo) se percam facilmente. Talvez se eu tivesse prestado mais atenção, minha impressão final do filme tivesse sido diferente.

Para não dizer que o filme é inútil, sua “razão de existir” pode ser explicada pelo novo ângulo sobre Hitler, a Segunda Guerra Mundial e as conspirações internas na própria Alemanha contra o Füher. Se esse último ponto tivesse sido mais bem explorado, talvez ele tivesse até um valor histórico.


C
Valkyre (Bryan Singer, EUA/ALE, 2008)
Quando: Fevereiro/09 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: operacaovalquiria.com.br

O DIA EM QUE A TERRA PAROU

Mais um remake onde o original é vilipendiado sem dó nem piedade.


A década de 1950 foi um celeiro fértil para filmes de ficção científica onde o perigo era representado não pelos comunistas, mas por aqueles que moravam lá fora. Dessa safra, o primeiro O Dia em que a Terra Parou (51) indicava que havia uma patrulha estrelar que cuidava do bem-estar interplanetário e que estava preocupada com a crescente corrida armamentista terrestre.

Seis décadas depois, a URSS não existe mais, mas o perigo continua “real” e imediato. Desta vez, Klaatu e G.O.R.T. não vêm à Terra para dar um puxão de orelhas, mas sim como arautos da morte. A humanidade maltratou demais o planeta que não é dela e por causa disso será exterminada sumariamente (mas antes, os aliens, como uma verdadeira Arca de Noé, atraem um casal de cada animal para posterior repovoamento).

Até aí, tudo bem. Só esqueceram de encomendar um roteiro decente e sem clichês-padrões. A mocinha tem um filho. Ou melhor, “ficou” com o filho do seu grande amor que morreu no Iraque. Claro que a criança não gosta dela e claro que ela queria que o pai estivesse vivo para chutar o traseiro dos Ets. Ah, esqueci um pequeno detalhe: o menino é negro. Melhor que isso, só a nova versão de “Barrados no Baile” onde o “Brandon” da vez também é negro e adotado. Há ainda tantas outras bobagens que nem vale a pena enumerá-las. O final é digno daqueles filmes perdidos que não sabem mais para onde ir e terminam de forma abrupta, com uma pseudomensagem filosófica para enganar os trouxas, na tentativa de salvar alguma coisa.

Se tivessem feito tipo uma continuação -- nós te avisamos, vocês não se endireitaram, agora sofram as conseqüências -- talvez o resultado não seria tão desastroso assim.


D
The Day The Earth Stood Still (Scott Derrickson, EUA, 2008)
Quando: Janeiro/09 (UCI Ribeirão Preto)
Sítio Oficial: ficha imdb

MAMMA MIA!

Recomendável para fãs do Abba.


Bastou ver o trailer desse filme para decidir não vê-lo. Muita pressão depois, lá vou eu, emburrado, torcendo para não ser a porcaria que tinha certeza que ele era.

Me enganei.

Lá pelos 15 minutos do filme, Merryl Streep começou a cantar Dancing Queen e eu me entreguei e admiti para mim mesmo que eu realmente estava gostando do filme que, em essência, conta a história da garotinha, filha de Merryl, que vai se casar e quer conhecer o seu pai. O problema é que naquele verão de 20 anos atrás, sua mãe se "enamorou" de três rapazes diferentes: um aventureiro, um ex-metaleiro que trabalha num banco e um ex-hyppie que virou arquiteto. Ela convida os três crente que vai reconhecer o pai assim que o ver, mas... se isso acontecesse, o filme não teria história. Como ela não o reconhece, a confusão está armada, salpicada com inúmeras músicas do conjunto sueco Abba.

Me esqueci da luz artificial de estúdio (apesar das belas paisagens gregas) e sublimei a falta de talento musical de alguns atores (a única que salva é a protagonista, Amanda Seyfried). Merryl está fabulosa como a ex-riponga que cuida de uma pousada numa ilha grega, mas não convence muito como cantora.

Perto do final, o filme fica maçante, tedioso, mas após o último número musical, Fernando, tem mais um "bis" com Meryl e suas duas amigas, que foram cantoras lá nos anos 70....


B

Mamma Mia! (Phyllida Lloyd, EUA, 2008)
Quando: Setembro/08 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: mammamiamovie.com

ARQUIVO X: EU QUERO ACREDITAR

Mulder e Scully, 6 anos depois.



É complicado fazer uma crítica imparcial de um filme derivado de uma das melhores séries que eu acompanhei na TV. Mas como essa imparcialidade está longe de ser o objetivo desse blogue, vou em frente, já deixando qualquer desavisado devidamente informado do que está por vir.

Apesar de ser fã da série, não sou desses xiitas que querem ver algo novo exatamente como era antes. Eu acompanhei quase que religiosamente toda a série até sua “morte morrida” com a saída de David Duchovny. Depois de dois anos desfigurada, onde não passava de uma série policial qualquer, ela finalmente sofreu sua "morte matada" em 2002, ao final de sua 9ª temporada.

No filme, ambos saíram do FBI e, enquanto Dana Scully tem uma vida aparentemente normal voltando à pratica da medicina, Fox Mulder continua preso ao passado, passando a vida praticamente trancado dentro de um quarto, barbudo e recortando reportagens de fenômenos “não-identificados”. Ermitão completo, sua única ligação com o mundo exterior é Scully.

Tudo muda quando uma agente do FBI é raptada e, sem pistas, o escritório apela a um padre “ex-pedófilo” e vidente. Apela sem acreditar muito, tanto que depois procuram Mulder para que ele possa, de alguma forma, explicar o que está acontecendo, sem dar muito crédito a ele também.

Mulder, então, tira a barba e parte do ceticismo inicial à fé cega. Interessante vê-lo “feliz como pinto no lixo” com o caso. Scully, ao contrário, resiste o quanto pode aos apelos do parceiro e tem os seus próprios problemas com um paciente que possui uma doença sem cura e que precisa de um milagre. Um milagre que  a católica Dana Scully não pede, pois ela perdeu a sua fé.

Não é um filme do qual se pode esperar muito. Sua razão de existir é apenas mostrar um possível futuro para os dois, agora, ex-agentes do FBI, no que ele é muito bem sucedido. O roteiro é previsível e alguns diálogos são forçados (inclusive o grande spoiler do parágrafo abaixo), mas para quem é fã não-xiita da série, foi uma ótima diversão.

Agora vem o grande spoiler do filme. Não diga que eu não avisei. Ei-lo: Mulder e Scully são amantes. Chegam até a compartilhar a cama e dar selinho um no outro.


B+
The X-Files: I Want To Believe (Chris Carter, EUA, 2008)
Quando: Agosto/08 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: arquivox2.com.br

A MÚMIA - A TUMBA DO IMPERADOR DRAGÃO

Havia necessidade?



Nunca fui um entusiasta dos dois primeiros filmes dessa trilogia, mas além de bons efeitos especiais (a cena da tempestade de areia do primeiro é antológica), eles até que eram divertidos.

Nesse aqui, até que há boas cenas em CGI, principalmente aquelas com o Imperador Dragão ainda em terracota. Já com relação ao divertimento, não posso dizer a mesma coisa. Brendan Fraser e Rachel Weisz tinham uma certa química. Aqui, não só Fraser parece cansado como Maria Bello, apesar do esforço, está claramente deslocada. Pra piorar, colocaram um filho de 20 e poucos anos que não convence nem um pouco pela pouca diferença de idade entre o trio principal. Michelle Yeoh está longe do seu pontencial e a filha dela no filme, Lin, também não se salva. John Hannah é o único que consegue reprisar seu papel com competência e o melhor de todos é Jet Li, a “cara” do imperador dragão por não mais do que 15 minutos.

Enfim, haja barulho, explosões, ritmo frenético, correria, barulho, explosões, sentimentalismo mongolóide, barulho, explosões, furos de roteiro, ritmo frenético, contradições, barulho, explosões. Quando eu já tinha jogado a toalha e sublimado o dinheiro do ingresso que joguei no lixo, ainda conseguem piorar com aquela nuvem reproduzindo as caras dos amantes separados.

A história (se é que você se interessa por isso): Ricky e Evelyn O'Connor estão aposentados e entediados. Ela está com bloqueio pois escreveu dois livros baseados em suas aventuras passadas (ou nos dois filmes anteriores, se preferir) e não consegue escrever a primeira linha do prometido terceiro livro. Ele... faz... sei lá o quê. O filho, que deveria estar na faculdade, acha a tumba do tal imperador dragão, que havia se apaixonado por uma bruxa, que por sua vez tinha se apaixonado pelo seu general, que foi morto pelo imperador e como vingança, foi amaldiçoado e transformado em terracota pela bruxa. Ele é reavivado e bla, bla, bla.


D
The Mummy: Tomb of the Dragon Emperor (Rob Cohen, EUA, 2008) Quando: Agosto/08 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: amumia.com.br

AS RUÍNAS

Sangue com tequila



Eu realmente não consigo entender a fissura de uma certa parcela de cinéfilos pelo gore puro e simples. A história até pode ser interessante, com a maldição de uma pirâmide perdida nas selvas mexicanas que possuí plantas “inteligentes” e “carnívoras” (pelo menos, foi isso que eu acho que entendi).

Um grupo feliz formado por dois casais estadunidenses está de férias nas playas mexicanas até que conhecem um alemão que estava por lá acompanhado da irmã, arqueóloga, que havia feito uma expedição à tal pirâmide e não havia voltado. Eles, então, combinam de ir visitar o tal sítio com a desculpa de ver o que aconteceu com a alemã.

Nas redondezas, eles ainda são avisado pelos moradores locais a não entrarem, mas como nenhum deles fala espanhol, eles entram mesmo assim. Pronto. Estão fudidos e vão morrer um a um das formas mais bizarras possíveis com direito até mesmo à uma amputação com pedras e canivete. Simplesmente passável.


E
The Ruins
(Carter Smith, EUA, 2008)
Quando:
Agosto/08 (DivX)
Sítio Oficial: ruinsmovie.com

AGENTE 86

Smart, Maxwell Smart



Nunca fui fã incondicional da série da qual esse filme é derivado. Para falar a verdade, nunca fui muito fã de Mel Brooks, mas aí, é bem provável que eu nunca o tenha entendido. Sei lá. No entanto, como tenho mais de 30 anos, eu já brinquei que tinha um sapato-fone.

Tenho em mente que dificilmente se adapta um programa de uma mídia para outra sem que haja algumas modificações. Aqui, a principal modificação é a inexistência da Guerra Fria. Dessa foma, esse filme não se trata de um simples remake e sim uma espécie de continuação. Com direito a Chefe, 99, Sigfried e alguns novos elementos, como a dupla de nerds (Hiro Nakamura de Heroes entre eles), dois agentes idiotas que desprezam Max e, a principal modificação, a participação do “Agente Gostosão”, que faz tudo e é ótimo em tudo. Um verdadeiro James Bond.

A Guerra Fria não existe mais, mas a rivalidade entre (oficialmente) desmantelada a agência de espionagem estadunidense C.O.N.T.R.O.L.E. e os remanescentes russos da K.A.O.S. está em pleno vapor, tanto que essa última consegue uma lista de todos os agentes da primeira. Dessa forma, Maxwell Smart consegue finalmente a promoção a agente de campo e tem como parceira uma Agente 99 “remodelada” e rejuvenescida pela cirurgia plástica.

Há cenas escatológicas, há cenas de ação dignas de um blockbuster e o elenco, de forma geral, está muito bem entrosado. Alan Arkin como O Chefe está impagável e "The Rock" como o "Agente Gostosão" convence... O porém é o roteiro. Algumas pontas soltas realmente não dão “liga” e algumas soluções são pueris demais, mas nada que estrague a diversão.


B
Get Smart (Peter Segal, EUA, 2008)
Quando: Julho/08 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: getsmartmovie.warnerbros.com

HOMEM DE FERRO

O despertar do herói


Quando era adolescente, eu até que gostava das histórias em quadrinhos do Homem de Ferro, mas infelizmente elas não eram publicadas com tanta freqüência. Tempos depois, fiquei sabendo que, na verdade, elas não eram publicadas porque a imensa maioria delas era de uma qualidade sofrível, salvando-se apenas um ou outro arco.

Por esse motivo, Tony Stark nunca foi tão popular no Universo Marvel, apesar de contar com a característica básica de todos os super-heróis da editora: um homem comum como eu e você que possui os seus defeitos. No caso dele, o defeito é o alcoolismo, o cinismo e um problema no coração causado por estilhaços de bombas. Ele não foi mordido por uma aranha radioativa e muito menos foi exposto a raios gama ou estelares, ele apenas usou o intelecto privilegiado para criar um brinquedinho: uma armadura.

É um filme sobre a construção do “herói”, no sentido torto mesmo da palavra, pois ele tanto ajuda a libertar uma vila de seus opressores, como entrega o chefe dos vilões para a turba poder fazer sua própria justiça. A passagem do alcoólatra sem consciência no poder de destruição de suas armas para o guerreiro enlatado é feita pausadamente e toma praticamente o filme todo. O que poderia ser enfadonho, pois só há 3 cenas de ação ao longo do filme todo (sendo que a última, o suposto clímax, é a pior de todas), é bem trabalhado e conta sobretudo com a empatia de Robert Downey Jr. e Gwynith Paltrow, que estão ótimos em cena.

De repente, as mais de duas horas de filme acabam e você fica com aquele gostinho de quero mais na cabeça, o que comprova que esse é um ótimo entretenimento.


A
Iron Man (Jon Favreau, EUA, 2008)
Quando: Maio/08 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: ironmanmovie.com

UMA CHAMADA PERDIDA

Mais uma refilmagem sem sal de um terror oriental


Confesso que os motivos que me fizeram assistir a esse filme não eram nem um pouco nobres. Embuído de coragem, lá fui eu tentar chegar até o final do filme que conta a história de misteriosos telefonemas que as pessoas recebem indicando como, o dia e a hora (futura) de suas mortes. Logo no começo, o que seria padrão até o final do filme: uma mulher sozinha, no quintal de sua casa, com um laguinho japonês e um gato que, de repente, some. Sons estranhos. Ela saí da varanda e vai à procura do seu gatinho. O gatinho aparece de repente num susto-clichê. Novos sons estranhos, agora vindos do laguinho. Ela se aproxima. Pronto, uma mão branca surge e a puxa para o lago.

Ah, como todo filme de terror oriental ultimamente, há também a menina de longos cabelos pretos sobre o rosto, o culpado que não é culpado e o final que não é o final.

E
One Missed Call (Eric Valette, EUA/ALE/JAP, 2008)
Quando: Maio/08(DivX)
Sítio Oficial: umachamadaperdida.com.br

LIGA DA JUSTIÇA: A NOVA FRONTEIRA

Os super-herois da DC Comics salvando a Terra, para variar


Eu gosto de super-heróis. Já gostei mais de gibis, mas apesar de não mais colecioná-los, ainda possuo uma quantidade considerável de histórias memoráveis. Uma delas é A Nova Fronteira, uma minissérie que aqui no Brasil saiu encardernada em dois volumes de luxo. Ambientada na "Era de Prata" dos quadrinhos, a história é sobre a paranóia estadunidense dos anos 50 contra os comunistas e os "vigilantes mascarados", que são perseguidos e desaparecem. Porém, um ser conhecido como "O Centro", cansou de ver o homem destruir o planeta Terra e agora quer exterminá-lo. Cabe aos antigos/novos "fora-da-lei" voltarem às ruas para salvar o dia (e a Terra).

Um filme ágil, envolvente, que foca nas diferentes personalidades dos diferentes super-heróis, especialmente Hal Jordan/Lanterna Verde, Barry Allen/Flash e o Caçador de Marte (Ajax para os mais antigos). A "Santíssima Trindade" (Super-Homem, Batman e Mulher-Maravilha) e suas similaridades e contradições estão presentes, mas eles são meros coadjuvantes.

Tirando a derrapada final que é de uma patriotada pró-EUA irritante ("hoje não há democratas e republicanos, somo todos América, blah, blah, blah"), o filme proporciona um ótimo entretenimento (e o desejo de um "A Nova Fronteira 2" o mais breve possível).


B+
Justice League: The New Frontier (Dave Bullock, EUA, 2008)
Quando: Março/08 (DivX)
Site Oficial: warnervideo.com/jlnewfrontier

CLOVERFIELD

Quando Godzilla se encontra com A Bruxa de Blair e tem Tropas Estelares como filhotinhos.


O marketing viral de Cloverfield foi competente. Atiçou-se a curiosidade do pessoal ao vender um filme de monstro sem mostrar o astro principal. Fiquei sabendo de sua existência no final do ano passado e bastou ver o trailer uma única vez para me deixar louco da bixiga para sair correndo atrás de mais informações. Infelizmente, na época, eu não encontrei nada a respeito. Felizmente, já vi o filme e posso atestar: ele funciona muito melhor quanto menos você souber dele. Por isso, um aviso: pare por aqui, pois até o final dessa resenha, vou ter estragado a sua surpresa caso você ainda não o tenha visto.

Lembre-se: a partir de agora, é por sua conta e risco, certo? Depois não diga que eu não avisei.

Como disse lá em cima, o trailer do filme o vendia sem o seu astro principal que todos pensam ser o monstro. Bom, estávamos todos errados, pois o astro principal do filme é Rob e sua turma, que estavam festejando sua despedida rumo ao Japão até que um estrondo e um blecaute interrompe a festa. "É um outro ataque terrorista?" Todos pensam. Eles procuram por notícias na TV e nada. Resolvem subir no telhado do prédio e é aí que a aventura começa. A partir de então, você não terá descanso até os créditos finais.

Você realmente se sente um dos protagonistas. É claro que você sabe que existe um monstro, mas você nunca o vê por completo (nunca). Você vê a cauda, você vê a pata, você vê uma parte do dorso com uma coisas caindo dele... Mas em nenhum momento do filme há um a tomada dele por inteiro. Você nunca é capaz de formá-lo completamente.

A parte dramática do filme está na missão de resgate de Rob e mais três amigos de uma amiga deles, amiga desde sempre do astro principal, mas que há menos de um mês se tornou "alguém muito especial". Para piorar, ela mora no epicentro da crise. No local onde "a coisa" está detonando NY e dando um banho nos militares. Não importa o que eles façam, o monstro continua de pé.

Na dúvida, Rob e sua turma corria, corria e corria. De repente se viam no meio de um campo de batalha com os militares disparando sem parar contra o monstro (e nem o arranhando), se escondiam no metrô, eram capturados pelos militares, subiam mais de 50 andares pelas escadas e quando você pensava (como eles) que finalmente estavam salvos pois estavam dentro do helicóptero, eis que levam uma "mordida" do monstro, sobrevivem à queda, se vêem embaixo do "dito cujo" e terminam se refugiando debaixo de uma ponte do "local anteriormente denominado como Central Park", onde os militares encontraram a câmera.


Os únicos pontos fracos do filme são os "filhotinhos dos bugs de Tropas Estelares (97)", que vêm junto com o monstrego e não dizem a que vieram, e o final, que não podia ser diferente, mas que me deixou com um gosto amargo na boca com a sensação de que algo estava faltando, de que tudo aquilo tinha sido gratuito. Mesmo assim, rememoro o filme e continuo com vontade de revê-lo, mesmo depois de 3 dias, com vontade especial para rever a cena da cabeça da Estátua da Liberdade, infinitamente melhor do que a mostrada no trailer.


B+
Cloverfield (Matt Reeves, EUA, 2008)
Quando: Fevereiro/08 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: cloverfieldmonstro.com.br
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