.
.
Mostrando postagens com marcador Cine Europa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cine Europa. Mostrar todas as postagens

As Bem Amadas

É possível escolher quem amar?


Madeleine é vendedora numa loja de sapatos durante o dia e puta à noite até que encontra Jaromil, um médico tcheco que estava em Paris para uma especialização. Apaixonada, muda-se com ele para a (então) Tchecoslováquia, onde nasce Véra. Após a traição do marido, Madeleine retorna a Paris com Véra e se casa novamente. Jaromil, nunca a deixará em paz, apesar de se encontrarem apenas duas vezes, 12 e 19 anos após o divórcio para "reviver os bons tempos". Véra, por sua vez, se apaixona por Handerson, músico estadunidense e gay. Clément, não consegue tirar Véra de sua cabeça, que não lhe dá a menor bola, pois também não consegue tirar alguém da cabeça... Handerson... que não só continua gay como acaba contraindo o vírus da Aids... o que não o impede de não conseguir tirar Véra de sua cabeça... mesmo sendo gay.

Deneuve e Chiara, mãe e filha na vida real, interpretam duas mulheres que amam e são amadas, cada uma ao seu jeito. Da década de 1960 aos dias atuais, apesar das mudanças sociais, alguns padrões comportamentais independem do tempo.

Alex Beaupain já esteve mais inspirado numa trilha sonora, mas mesmo com algumas canções mornas, há duas que me pegaram de surpresa e fizeram com que minha atenção ficasse presa até o final do filme (fora a tragédia que tem lugar nos últimos 20 minutos e te deixa boquiaberto pensando até que ponto alguém pode ir por amor/paixão/obsessão). A primeira, Les Chiens ne font pas des Chats resume a relação Madeleine-Jaromil. A segunda, Qui aimes-tu? É a tônica da não-relação entre Véra de Handerson.

Às vezes, quando se tem personagens tão complexos, é melhor não querer encaixotá-los, procurando uma lógica por trás de suas ações. Melhor apenas senti-los, pois certamente haverá um aspecto seu neles.


B+
Les Bien-Aimés (Christophe Honoré, FRA, 2011)
Quando: Janeiro/13 (BRrip)
Sítio Oficial: ficha imdb

CÓPIA FIEL

A cópia pode ser tão boa quanto o original?


James Miller é um famoso escritor inglês que está na Itália para o lançamento de seu novo livro sobre originalidade e cópia em obras de arte onde ele aconselha que, na falta do original, fique com a cópia mesmo. Elle, por sua vez, é uma francesa dona de uma galeria de arte que há anos mora na Itália com seu filho “aborrecente”.

Antes de voltar para seu país de origem, James aceita o convite de Elle para conversarem sobre seu livro durante um café. No café, os dois são confundidos como marido e mulher pela garçonete. Elle entra na “brincadeira”, não corrigindo-a e seguindo sua conversa como se realmente fossem casados. Ao saírem do café, eles encarnam a brincadeira e viram “de verdade” um casal em crise. Ora a crise é causada por ela, ora causada por ele. Às vezes, a discussão se dá em inglês, às vezes, em francês. Numa cena, ele fala em inglês e ela responde em francês (!?).

É realmente complicado fazer uma interpretação "única" de Cópia Fiel, isso dependerá da bagagem individual de cada um. Reduzi-lo a uma espécie de Antes do Amanhecer (95) e Antes do Entardecer (04) da meia-idade é uma burrice sem tamanho. O que está em jogo não é a crise daquele casal e sim a discussão do que é original e do que é cópia. Do que é real e do que é ficção. Do meio para o fim, você já esqueceu que aqueles dois são estranhos que acabaram de se conhecer e passa a acreditar fielmente que eles são um casal em crise. Na verdade, você começa a duvidar da veracidade da primeira parte do filme. Eles são realmente dois estranhos que nunca se encontraram antes?

Cópia Fiel é um filme que te convida para uma revisão, depois de saber o ponto final para poder interpretar melhor as nuances, mas é algo que até agora não fiz, mas que espero poder fazer em breve.


A+
Copie Conforme (Abbas Kiorastami, FRA/BEL/ITA, 2010)
Quando: Agosto/11 (Cinema da Fundação)
Sítio Oficial: ficha imdb

HOMENS E DEUSES

Vós sois deuses / Todavia morrereis como homens (salmo 82: 6-8)



Os fatos que antecederam a execução de oito monges católicos franceses de um mosteiro na Argélia por rebeldes argelinos em 1996.

A Argélia é a eterna vergonha francesa. Volta e meia há a produção de um novo filme que, se não trata diretamente da guerra civil que culminou no sangrento processo de independência argelina, trata indiretamente desse processo, como a tentativa de integração à “França Livre” dos habitantes da ex-colônia.

Em Homens e Deuses, o tema é a execução de monges franceses por rebeldes fundamentalistas muçulmanos após a recusa do governo de Argel em libertar líderes rebeldes aprisionados, mas não é sobre como se deu a execução, é sobre aqueles oito seres humanos abnegados que abriram mão da própria vida para não quebrarem os votos que fizeram ao aceitarem a missão de servir a Deus naquela região. Para tanto, grande parte do filme trata de humanizar aqueles “deuses” que trazem conforto a um região desolada. Antes de serem padres, eles são pessoas de carne e osso e como tais têm as suas limitações e, volta e meia, têm sua fé (seja ela qual for) testada.

Inicialmente, é mostrada a rotina do mosteiro. A aragem da pequena horta, o atendimento médico precário, as orações, as refeições. Quando o conflito surge, o governo oferece proteção armada ao mosteiro, que é negada pelo líder não declarado, Christian. Os demais monges não concordam com essa decisão e, quando lhes é dada a escolha de ficar ou serem transferidos, uns querem ficar, outros querem sair. Os que desejam ficar fazem suas escolhas pelos mais diversos motivos. Os que querem sair, não têm a certeza de estarem tomando a decisão correta.

Agora vem o aviso de Spoiler! que pode estragar (ou não) sua visão posterior do filme (caso ainda não o tenha visto). Siga por sua conta e risco.

O clímax se dá numa cena montada para emular A Última Ceia (é a foto acima). Com a trilha sonora de “O Lago dos Cisnes” de Tchaikovsky, os monges são mostrados individualmente. A aura de deuses não existe mais. São apenas homens que transparecem a paz interna pela certeza de terem tomado a decisão correta. Nessa madrugada, o mosteiro é invadido. O que se segue é apenas história.


B+
Des Hommes et des Dieux (Xavier Beauvois, FRA, 2010)
Quando: Junho/11 (Cinema da Fundação)
Sítio Oficial: sonyclassics.com/ofgodsandmen

REC²

Não é só nos EUA que a ganância faz com que se cague numa ideia originalíssima.


[rec] (2008) foi um dos melhores filmes de suspense que eu vi. A ideia, originalíssima, confinava os personagens num prédio isolado na companhia de "zumbis" raivosos. [rec²] traz a mesma ideia. Novos personagens são isolados no mesmo prédio pouquíssimos minutos antes do final do primeiro filme e é dada uma explicação para a origem da "doença".



E a explicação é bem tosca: não é um vírus. É uma possessão demoníaca transmitida (acredite) pela saliva!  Não grite Spoiler!, pois a explicação ocorre antes dos 15 minutos além de ser explicitada no título em português (Rec - Os Possuídos). Só não é uma completa perda de tempo pois há mais de uma câmera desta vez e outro ponto de vista, pois além do padre e sua equipe, há um grupo de adolescentes que fazem o que adolescentes mais fazem ao tentar afirmar suas masculinidades: merda. Eles entram para "ver o que acontece" (lógico que com uma câmera na mão) e acabam presos lá.

É um filme dispensável. Enquanto o via, não conseguia parar de pensar que eu já tinha visto aquilo tudo antes. Na dúvida entre os dois, assista só ao primeiro e esqueça a existência desse, apesar dele conter o gancho para o terceiro filme.


D
[rec²] (Jaume Balagueró & Paco Plaza, ESP, 2009)
Quando: Setembro/2010 Multiplex Boa Vista
Sítio Oficial: rec2lapelicula.com

O ESCAFANDRO E A BORBOLETA

A liberdade, apesar da clausura.


O filme conta a história (verídica) de Jean-Dominique Bauby, editor da revista Elle francesa que tem um AVC e entra em coma. Quando acorda, consegue entender perfeitamente o mundo externo, mas só tem controle dos movimentos de um único olho.

O mais interessante é a forma como o filme se desenvolve, a partir da perspectiva de Jean-Do (como seu médico carinhosamente o chama, para o seu desgosto). Inicialmente, a imagem é desfocada, trêmula, errática, torta. Somente depois de meia hora é que começaremos a ter noção da imagem de Jean-Do, a partir do reflexo dos vidros de um corredor do hospital. Daí até finalmente darmos de “cara” com o seu rosto refletido pelo espelho acima também se levará um bom tempo.

Inicialmente, Jean-Do deseja morrer a continuar nessa situação, mas com o tempo ele decide não se entregar e, a partir de um método inusitado, escreverá um livro auto-biográfico ditando as palavras apenas com o piscar dos olhos. Esse filme é resultado desse livro. Uma história poderosa contada de uma forma consistente, longe de ser choroso como normalmente são os filmes sobre doenças baseados em fatos reais.

O filme/o livro/Jean-Dominique Bouby também podem ser encarados como uma mensagem para a humanidade. Foi preciso que Jean-Dominique passasse por tudo isso para poder transmitir sua mensagem de que não se pode desistir nunca. Uma vez cumprida a sua missão, Jean-Do pôde descansar.


B
Le Scaphandre et le Papillon (Julian Schnabel, EUA/FRA, 2007)
Quando: Julho/08 (Cinema da Fundação)
Sítio Oficial: lescaphandre-lefilm.com

REC

Uma câmera na mão, um prédio em quarentena, “zumbis”...


Era para ser uma noite tranqüila, uma reportagem burocrática sobre a rotina de trabalho do corpo de bombeiros de Madri até que a repórter e seu cinegrafista seguem dois bombeiros em um chamado sobre ruídos estranhos saindo de um apartamento num prédio no centro da cidade.

No apartamento, os repórteres, os bombeiros e dois policiais perceberem que há algo de errado no comportamento da dona do apartamento. Eles tentam sair do prédio, mas ele foi isolado e posto em quarentena sem que eles saibam o motivo.

Daí é um pulo para descobrirmos que o prédio foi isolado porque as autoridades sanitárias desconfiam que ele é o foco de um vírus que causa um comportamento raivoso em seu portador e, um a um, os moradores acabam sendo expostos ao vírus e viram “zumbis” (na verdade, eles adquirem um tipo de raiva que os tornam agressivos e assassinos e não mortos-vivos).

Um filme com sustos eficazes que alia a claustrofobia do confinamento num único ambiente (o prédio) com o medo do desconhecido (que diabos está acontecendo com todo mundo?). Eu tenho minhas restrições com o final (assustador), mas nada que desabone esse suspense com S maiúsculo.


B
Rec (Jaume Balagueró e Paco Plaza, ESP, 2007)
Quando: Abril/08 (DivX)
Sítio Oficial: ficha imdb

A LESTE DE BUCARESTE

Uma comédia, mas que serve para o diretor passar a sua mensagem.



Fui ver esse filme com uma única recomendação: prestar atenção na hora da "entrevista". A tal entrevista é um programa de televisão de uma rede de tv meio mambembe de uma cidadezinha ao leste da capital romena, Bucareste, que discute os 16 anos da derrubada do ditador Nicalae Ceausescu.

O mote do programa é: houve ou não houve uma revolução. Nesse caso, a hora de 12h08 é a hora-chave. Foi nesse momento que a TV estatal parou de transmitir um pronunciamento oficial em razão dos protestos que tomavam a praça em frente à sede do governo.

Inicialmente, o filme nos mostra seus três personagens principais: o produtor do programa, que se inspira num dicionário de filosofia grega para os seus pronunciamentos -- ditos -- filosóficos, o professor alcólatra que deve para meio mundo para poder continuar o seu vício e o velhinho simpático da esquerda, que foi escalado de última hora porque o outro entrevistado faltou.

No programa propriamente dito, podemos notar que o idioma romeno não só é parecido com o italiano como os costumes do povo romeno em nada diferem de um típico elenco felliniano. Com direito a xingamentos ao vivo pelo telefone, intromissão na vida alheia (nada mais... "latino") e xenofobia.

Nesse último ítem, interessante a participação do chinês, que foi o único a defender o professor (já que ele foi escorraçado por todos os demais). Quando ele se meteu a falar dos romenos, que deveriam prestar mais atenção às suas próprias vidas do que às vidas alheias, foi uníssona a saraivada de críticas que ele levou (inclusive do próprio professor que ele havia defendido).

No fim, a mensagem. Não foi uma revolução instantânea a que aconteceu naquele dia. Foi como o ascender das luzes de uma cidade. Uma de cada vez, pouco a pouco, até que toda a população foi chamada às ruas para pedir o fim do regime.


B
A Fost Sau N-a Fost? (Corneliu Porumboiu, Romênia, 2006)
Quando: Janeiro/08 (Cinema da Fundação)
Sítio Oficial: ficha imdb

IRINA PALM

Marianne Faithfull rulez!


Num certo país, sua mais alta autoridade se auto-intitula como uma "metamorfose ambulante". Definitivamente, ele não conhece Marianne Faithfull. A mesma Marianne que teve um caso com Mick Jagger, quase morreu de overdose nos anos 70, fez dueto com David Bowie e interpretou "Deus" (ou algo parecido) em duas ocasiões na série Absolute Fabulous, entre tantas outras. Perto dela, Madonna é "dente-de-leite".

Nesse filme, a porraloka da Marianne é uma avó (!) que faz de tudo para salvar a vida do neto, que tem uma doença rara e cuja última esperança está num tratamento na Austrália. O problema: ela já vendeu a casa em que morava e está atolada de dívidas em função dos custos do tratamento do neto, que já dura 5 anos. Num belo dia, ela está caminhando pelas ruas de Londres e vê um cartaz de um nightclub sobre um emprego de "hostess". Nesse dia, ela aprende o que é eufemismo. No caso, "hostess" é um eufemismo para "profissional do sexo".

Relutante no princípio, ela esquece a castração religiosa que sofreu e passa a trabalhar como masturbadora de homens no nigtclub. Com o passar do tempo, ela acaba se tornando a melhor em seu ramo de atividade e consegue o seu intento: o dinheiro para o tratamento do neto.

Não há melodrama exacerbado no filme, sendo primorosa a mudança no comportamento de Maggie, uma simples dona de casa suburbana insegura e avó zelosa, em Irina Palm, a melhor em seu ramo de atividade, que ainda descola um novo amor já na terceira idade.


B+
Irina Palm (Sam Garbarski, FRA/BEL/LUX/ING/ALE, 2007)
Quando: Dezembro/07 (Cinema da Fundação)
Sítio Oficial: irinapalm-themovie.com

MORTE NO FUNERAL

Laços de família.


Trata-se de uma comédia de humor negro que se passa no dia do funeral do patriarca da família, sendo que a mera reunião familiar é o mote para o afloramento das excentricidades de cada um. Do famoso filho caçula que é escritos, do ofuscado primogênito que sonha em escrever, do sobrinho que colocou alucinógenos num frasco de lexotan, da prima que vai apresentar o futuro noivo à família, e que por sua vez tomou os comprimidos de "lexotan". Há também o tio velho e esquecido num asilo que vive reclamando de tudo e de todos, de um sobrinho meio lerdo que vira babá forçado desse tio, do ex da prima que vai apresentar o noivo para a família e que só quer saber de reconquistá-la. Será que esqueci de alguém? Provavelmente...

Ah, tem também "o anão", sua mera presença já é sinônimo de risada, mas o "segredo" que ele está disposto a revelar sobre o patriarca é ainda mais cômico, assim como a forma que os irmãos decidem "resolver" a questão.

No mais, uma comédia "ok", que fica efadonha em alguns momentos, mas que é garantia certa de risos de tempos em tempos, o que assegura o bom divertimento.

B
Death at a Funeral (Frank Oz, ING, 2007)
Quando: Outubro/07 (Box Guararapes)
Site Oficial: deathatafuneral-themovie.com

TRANSYLVANIA

Perder... e se reencontrar.


Em Exílios (04), Tony Gatlif mostrou a viagem de um jovem argelino, mas que vivia na França desde muito pequeno, de volta ao seu país de origem em busca de suas raízes. Aqui, o diretor volta ao expediente do road movie e à busca interna de um personagem, mas num contexto bem diferente. Zingarina mora no sul da França e parte para a Tansilvânia com uma amiga atrás de seu "grande amor" que era imigrante ilegal e tinha sido deportado de volta ao seu país antes de descobrir que seria pai.

Por um motivo que não cabe a mim revelar antes que você veja o filme, Zingarina endoidece o cabeção e, na viagem de volta, foge de sua amiga. Ela se recusa a voltar para casa. Começa, então, sua viagem interna em busca de um propósito para o seu futuro. Externamente, tem-se um pouco dos costumes e, sobretudo, das belíssimas paisagens da "terra do Conde Drácula", enquanto Zingarina tenta voltar à sanidade.


B+
Transylvania (Tony Gatlif, FRA, 2006)
Quando: Outubro/07 (Cine Rosa e Silva)
Site Oficial: ficha imdb

O PRAZER É TODO MEU

Somente para as mulheres.


Louise é a típica mulher moderna surgida após a queima dos sutiãs em praça pública: independente, colunista numa rádio, sexy e realizada sexualmente. Um belo dia, sai com a irmã mais velha para fazer compras e descobre que ela finge seus orgasmos para o marido. Depois desse "belo dia", ela perde o seu "mojo": não sente mais prazer. Briga com o namorado, procura especialistas, perde o emprego, tenta desesperadamente recuperá-lo com mulheres etc. Nada adianta até o final, claro, quando se reconcilia com o namorado, leva a sobrinha para passear num carrocel e, não mais do que de repente, recupera o seu mojo montada no cavalinho.

Se a diretora quis passar outra mensagem além da óbvia "mulheres merecem gozar e não deveria fingir seus orgasmos", eu não captei.


D
Tout Le Plaisir Est Pour Moi (Isabelle Broué , FRA, 2004)
Quando: Setembro/07 (DVD)
Site Oficial: ficha imdb

ORGULHO E PRECONCEITO

Elas só querem, só pensam em se casarem.



Apesar de ser homem, eu gosto dos romances de Jane Austin. Nesse, que pode ser considerado o "pai" das comédias românticas (pois foi escrito no final do século XVIII), temos o caso clássico de um homem (Sr. Darcy) e uma mulher (Elizabeth) que as circunstâncias farão de tudo para separá-los até o final, quando eles finalmente descobrirão que foram feitos um para o outro, trocarão juras de amor eterno e prometerão viverem felizes para sempre.

O filme começa bobinho, com a sra. Bennet fazendo de tudo para que as suas cinco filhas se casem o mais rápido possível. Elizabeth, a segunda mais velha, não parece muito empolgada com a história, ao contrário, principalmente, de suas irmãs mais novas, que não pensam em outra coisa.

O primeiro baile acontece e a srta. Bennet mais velha, Jane, consegue se enamorar com o rico e meio atrapalhado Sr. Bigley. Elizabeth tenta puxar conversa com o melhor amigo dele, o Sr. Darcy, mas o esnobe aristocrata nem faz o esforço de tentar ser amável. O ódio ainda não está pronto, ele crescerá ao longo do filme.

Num dado momento, o Sr. Darcy finalmente consegue descer do pedestal, mas o ódio de Elizabeth por ele o arrasa. O tempo passa e, aos poucos, todos descobrimos porque numa recente pesquisa entre as súditas de Sua Majestade, ele ficou com o primeiro lugar como o homem ideal para se casar. Tanto que ele consegue até mesmo domar a "rebelde" Elizabeth Bennet.


A
Pride and Prejudice (Joe Wright, ING, 2005)
Quando: setembro/07 (DVD)
Site Oficial: prideandprejudicemovie.net

UM LUGAR NA PLATÉIA

Várias histórias. E Paris.


Não tem jeito. Paris sempre será Paris e eu sempre ficarei embasbacado com todo e qualquer filme em que ela figurar como cenário. Nem precisa ser o cenário principal, eu me contento até mesmo que a ação se desenrole em apenas uma de suas avenidas.

Justine foi criada pela avó na pequena cidade de Mâcon. A anciã sempre gostou do luxo, mas como não tinha condições de viver nele, se contentou com um trabalho como faxineira do Ritz. Ela lavava bidês e privadas, mas pelo menos vivia rodeada pelo luxo.

A neta vai para Paris e inicialmente tenta trabalhar no mesmo hotel, mas só consegue um emprego de garçonete. Nesse trabalho, com sua ingenuidade, seu carisma e sua simpatia, ela vai interligar as demais histórias do filme: a de um colecionador de arte que se casou com uma mulher arrogante bem mais jovem do que ele e que foi amante de seu filho, com o qual não tem uma boa relação; a de uma famosa estrela da televisão que ensaia uma peça, mas que quer mesmo é protagonizar um filme sobre Simone de Beauvoir; e a de um famoso pianista, que já não agüenta mais o seu ritmo de vida e que quer viver numa pequena casa no campo, ao lado da mulher, que abdicou de sua carreira como violonista para administrar a do marido e que não concorda com essa idéia.


Filme simpático, despretensioso, surpreendente e que me capturou, principalmente a história do pianista. Ele queria apenas tocar para crianças em hospitais e dar aulas de piano ao lado da mulher que ele ainda ama. A cena do concerto, com ele a encarando é de cortar. E é claro que eu chorei nesse momento.


B+
Fauteuils d'Orchestre (Danièle Thompson, FRA, 2006)
Quando: Setembro/07 (Cinema da Fundação)
Site Oficial: ficha imdb

ABISMO DO MEDO

Não apenas um filme de terror, mas um dos melhores filmes de terror já feitos.


O filme parte de uma premissa bem simples: seis amigas vão explorar uma caverna para animar uma delas, que tinha perdido o marido e a filha num terrível acidente havia seis meses. Nessa caverna, um desmoronamento as prende e faz com que elas precisem achar uma saída.

A partir de então, a simplicidade do roteiro e a "camaradagem" entre as mulheres vão pro espaço. Nesse segundo ato, as "mulheres-macho-que-não-precisam-de-homens" começam a lutar contra a insanidade que toma conta de algumas delas por estarem metros abaixo da superfície e sem qualquer luz natural. No terceiro e último ato, o encontro com as criaturas que habitam a caverna faz com que as seis despiroquem de vez o cabeção com umas lutando sozinhas pela sobrevivência e outras ainda preservando alguma noção de "grupo".

Traições, amizades não tão fortes assim, loucura, tensão. Há tudo isso e um pouco mais, pois o filme toca num ponto nevrálgico: o medo pelo desconhecido, pelo que não se pode ver, pelo que não se pode compreender. Metros abaixo do solo, no escuro, com criaturas estranhas e com tomadas claustrofóbicas. Se eu consegui ficar desesperado mesmo assistindo a um DVD, nem gosto de imaginar o que perdi ao não vê-lo no cinema (já que, se não me falha a memória, só ficou em cartaz uma única semana aqui no Recife).


B+
The Descent (Neil Marshal, ING, 2005)
Quando: Setembro/07 (DVD)
Site Oficial: thedescentfilm.com

PERFUME - A HISTÓRIA DE UM ASSASSINO

Cheiros, odores e obsessões.


Logo no início, o filme nos mostra que ele não será de fácil digestão, mostrando o nascimento de seu anti-herói, Jean-Baptiste Grenouille, num fétido mercado de peixes parisiense no início do século passado.

Ao nascer, como ele não chorava, sua mãe pensou que ele teria o mesmo destino de seus outros filhos, ou seja, a morte. Ela, então, o deixou junto ao resto dos animais, mas como começou a chorar logo depois, ela foi acusada de assassinato e foi enforcada. O recém-nascido Jean-Baptiste foi levado a um orfanato e lá desenvolveu um extraordinário olfato. Adolescente, foi vendido a um curtume e, contrariando a expectativa de vida entre os demais "funcionários", ele sobreviveu.

Um dia, é levado à cidade por seu "patrão" e uma infinidade de odores toma conta de suas narinas até se deter num determinado cheiro, que exalava de uma moça que vendia limões. Ele a mata acidentalmente, mas nem assim ele a deixa e começa a cheirá-la até que seu odor se dissipe. Tem início sua obsessão de aprender a todo custo a conservar o odor de seres vivos.

Ele acaba fazendo uma entrega a um decadente perfumista parisiense (interpretado por Dustin Hoffman) e esse acaba comprando-o do curtume. Jean-Baptiste aprende que para se fabricar um perfume são necessárias 13 essências. Serão, a partir de então, 13 assassinatos até que Jean-Baptiste possa finalmente "descansar" de sua obsessão de criar o perfume "perfeito".


B+
Perfume: The Story of a Murder (Tom Tykwer, ALE/ESP/FRA, 2006)
Quando: Agosto/07 (DVD)
Site Oficial: perfumefilme.com.br

EXTERMÍNIO 2

A Inglaterra é infectada novamente.


Eu sempre torci o nariz para esse filme. Era preciso uma continuação do excelente Extermínio (03)? O que essa seqüência traria de novo?

A resposta é óbvia: nada. Os "infectados" estão lá, a tensão é boa, o aumento da trilha incidental no momento do ataque (um recurso que eu amei no primeiro) também marca presença, assim como as metáforas políticas. Londres vazia? Um "sobrevivente" matando um "infectado" ao furar-lhe os olhos com os dedos? A lista continua, mas paro para não ficar efadonho. Entretanto... e a motivação? Cadê os seres movidos a odio puro fazendo com que os sobreviventes voltassem aos tempos da caverna e aos seus instintos animais com o único propósito de sobreviver?

A primeira cena, que está descrita em tudo o que é lugar, é boa, mas repleta de clichês. A "carolice" do atirador, que desiste de suas ordens quando uma criança está na sua mira, idem. Militares estadunidenses mandando abrir fogo contra tudo o que se mexesse.... aonde será que eu vi isso? A cena no metrô é espetacular. Lá sim, em meio a ossos humanos na escadaria, temos o "espírito" do primeiro Extermínio, com a menina fazendo de tudo para proteger o irmão mais novo. Dizendo que fará de tudo para que eles não se separem.

A história? Bem... a primeira cena, num chalé isolado, se passa na mesma época dos "28 dias depois" da primeira infecção e para quem, como eu, chegar atrasado, vai duvidar que tenha entrado na sala certa. Há um único sobrevivente desse ataque e depois há um pequeno informativo para nos situarmos, iniciando a narração do que aconteceu "28 semanas depois". Um sobrevivente é encontrado, mas não é um sobrevivente qualquer. É um sobrevivente infectado, mas que tem uma imunidade natural e não desenvolveu os sintomas. Ele é imune, mas pode transmitir o vírus e é isso que acontece, pois o deixaram isolado numa sala sem nenhum tipo de proteção.

Uma última dica: esse filme é contra-indicado para aqueles que sofrem de labirintite. Há muitas cenas de "câmeras nervosas", nos "momentos de tensão". Entretanto, para os amantes do gore, esse filme é mais do que recomendado. Recomendo, particularmente, a cena do helicóptero no parque.


B
28 Weeks Later (Juan Carlos Fresnadillo, ING, 2007)
Quando: Julho/07 (Multiplex Campina Grande)
Site Oficial: exterminio2.com.br

NOTAS SOBRE UM ESCÂNDALO

Medo e obsessão.


Barbara tem medo. Uma solitária e rígida professora de história de uma escola pública inglesa tem medo de morrer sozinha. A chegada de uma nova professora de artes em sua escola, a carismática Sheba, rende um novo alvo para os comentários ácidos e azedos que Barbara faz em seu diário.

Entretanto, com o passar do tempo, Barbara se aproxima de Sheba e elas se tornam amigas. A partir daí, os comentários ácidos terminam e a inveja dá lugar a um outro sentimento, a obsessão. Barbara escolheu Sheba para ser aquela que a fará deixar de ser só. O seu "futuro perfeito" desmorona quando ela descobre que Sheba está tendo um caso com um de seus alunos, de 15 anos. Tomada pela ira, ela a encosta na parede até que Sheba confessa. Durante a inquisição, a ira de Barbara se esvai e ela se dá conta que essa era uma ótima oportunidade de lucrar no futuro. Um trunfo para ter Sheba em suas mãos.

Sheba promete terminar com o romance, mas não cumpre o prometido. Então, num momento "banal", onde o egoísmo de Barbara a faz exigir que Sheba a acompanhe ao veterinário para buscar seu gato que havia sido sacrificado. Sheba escolhe assistir à peça de seu filho.

Duplamente traída, Barbara insinua a um outro professor que Sheba gosta de pessoas mais novas... muito mais novas. Aí se dá o "escândalo" do título, com todos descobrindo do caso e com Sheba sendo condenada a 10 meses de prisão.

A trilha sonora de Philip Glass é um caso à parte e essencial ao "subir o tom" nos momentos de maior tensão, potencializando-os.


B+
Notes on a Scandal (Richard Eyre, ING, 2006)
Quando: junho/07 (DVD)
Site Oficial: foxsearchlight.com/noas

A FESTA NUNCA TERMINA

A cena musical de Manchester do final dos ano 70 a início dos anos 90.


O filme começa com o primeiro show dos Sex Pistols em Manchester. A esse evento histórico, compareceram apenas 40 testemunhas e, entre esses poucos privilegiados, havia os que tempos depois formaria o Joy Division, o Simply Red e o Duritti Collum. Havia também Tony Wilson, um apresentador da TV britânica que montaria um selo musical juntamente com seus amigos, a Factory Records.

O Joy Division se torna a primeira e mais rentável aquisição da Factory Records. O sucesso é tão grande que o seu vocalista e líder, Ian Curtis, se suicida. Os integrantes formam um novo grupo, o New Order. Surge Blue Monday. Novos grupos são lançados: Happy Mondays e James. Tony Wilson abre a Hacienda, o primeiro nightclub onde se toca a música eletrônica. Infelizmente, as pessoas se drogam tanto na Hacienda que não consomem, o que a leva à falência.

Mas a vida continua e a festa nunca termina. ;-)

Um dos melhores filmes (senão for "o" filme) sobre o Punk e Britpop. Altamente recomendado.


A
24 Hour Party People (Michael Winterbottom, ING/FRA, 2002)
Quando: Junho/07
Site Oficial: partypeoplemovie.com

AS BONECAS RUSSAS

Não é "O Albergue Espanhol 2".



Saí decepcionado na primeira vez que vi esse filme, no 14 Juillet de 2005, em plena Champs Elysées. Esperava algo do tipo "Albergue Espanhol 2" e veio um filme completamente diferente.

Cinco anos após conhecer aqueles personagens peculiares de todos os cantos da Europa em Barcelona, Xavier não é mais um estudante de economia, desistiu de trabalhar na sua área de formação e luta para se firmar na carreira que sempre sonhou, a de escritor. Paralelamente, ele busca uma relação estável, pois ele não tem nada além de casos fortuitos e passageiros desde que se separou de sua namoradinha do primeiro filme (Audrey Tatou, que também está nesse filme, com um filho de outra pessoa e igualmente perdida no campo amoroso).

Wendy, que era a certinha metódica e C.D.F. no "moquifo" espanhol, agora também é escritora, mora em Londres e é designada para trabalhar com Xavier no desenvolvimento de um programa de televisão. Até o final do filme, eles terão um relacionamento cheio de idas e vindas e é dela a frase do filme (que esqueci agora), ao admitir que tem plena consciência de que sempre se apaixona pelas pessoas erradas, ela sabe que o cara não presta, mas mesmo assim, sempre acaba se apaixonando. A belga Cécile (a lésbica) mora em Paris, trabalha com artes plásticas, tem um relacionamento estável e aceita se colocar no papel de noiva de Xavier para que esse pudesse apresentá-la ao seu avô (para que ele pudesse morrer em paz sabendo que o neto estava prestes a se casar). O que une todos os demais ex-residentes numa curtíssima participação é o casamento de Willian, irmão de Wendy, que era contra-regra num teatro londrino quando se apaixonou por uma bailarina russa. Depois de passar um ano aprendendo russo para que pudesse se declarar ao seu amor, ele vai se casar em São Petersburgo e estão todos convidados.

Se em O Albergue Espanhol (02) a identificação está no fato de haver estudantes de vinte e poucos anos se conhecendo e tomando consciência de culturas diferentes num país estranho, a seqüência procura seu público-alvo entre aqueles quase ou já balzaquianos que ainda não se encontraram. Aqueles que tiveram vários sonhos na juventude, mas que descobriram a duras penas que ir atrás do sonho não é fácil. A porralouquice e a falta de preocupação com o futuro em terras hispânicas dá lugar ao comedimento e ao amadurecimento de todos na gelada São Petersburgo, além da "luta contra o relógio" para conseguir um relacionamento estável.


B
Les Poupées Russes (Cédric Klapisch, FRA/ING, 2005)
Quando: Maio/07 (DVD)
Site Oficial: ficha imdb

CANNIBAL HOLOCAUST

Chocante! Depravado! Genial(?)! Criativo! Degradante!


Um grupo de quatro documentaristas resolve filmar uma tribo indígena que pratica o canibalismo no que eles chamam de "inferno verde". Uma vez na Floresta Amazônica, eles nunca retornam. Um ano depois, uma universidade decide financiar uma expedição, encabeçada por um antropólogo, com o objetivo de descobrir o que aconteceu com o grupo.

Cannibal Holocaust, o filme, o meta-documentário, o meta-filme etc, pode ser dividido em dois atos. O primeiro corresponde à expedição encabeçada pelo antropólogo na busca pelo destino dos quatro documentaristas desaparecidos e tem lugar no "inferno verde", terminando logo após a descoberta dos restos mortais dos documentaristas e as latas com os rolos filmados por eles. O segundo, situado na "civilização" estadunidense, é aonde o antropólogo começa a assistir ao que os documentaristas filmaram e à medida que ele vai assistindo, a violência vai crescendo, culminando com o destino fatídico deles, mortos um a um diante de suas próprias câmeras. Estupro, genocídio, empalamento, aborto, decepação de pernas e de genitálias e tortura. Há tudo isso e muitos outros atos "chocantes".

Eu ainda estou no bê-a-bá do gênero exploitation, apesar de já ter assistido a muitos de seus filmes sem saber, prefiro não escrever sobre o assunto. Há lugares muito mais apropriados, ou seja, a Wikipédia.

Posso louvar a criatividade do diretor, o roteiro interessante, a trilha sonora perfeita nos momentos de "tensão", as metáforas (sim, elas existem), a idéia muito bem bolada do filme dentro do filme que "inspirou" vários outros (A Bruxa de Blair, por exemplo), a desconstrução da realidade (de heróis, os documentaristas se tornaram vilões por suas próprias ações) e o "realismo" (considerando-se, é claro, que era o início dos anos 80s). Entretanto, eu não posso concordar com a matança de animais apenas para testar o estômago de quem assiste ao filme. Pode-se criticar os programas sensacionalistas da tevê, mas eles "apenas" se aproveitam da desgraça alheia, não as cria. Nesse filme, há a morte de diversos animais. E isso é degradante.


D
Cannibal Holocaust (Ruggero Deodato, ITA, 1980)
Quando: Abril/07 (DivX)
Site Oficial: cannibalholocaust.net
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...