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UM DIA, UM GATO

Realidade real


Certo dia, a rotina de um vilarejo da (então) Tchecoslováquia é quebrada pela chegada de um circo mágico cuja atração principal era um gato de óculos escuros. Ao retirá-los, seu olhar era capaz de revelar a verdadeira natureza das pessoas que ousassem fitá-lo. Amarelo para os infiéis; vermelho para os apaixonados; cinza para os ladrões; e roxo para os egoístas e mentirosos.

Um Dia, Um Gato é uma fábula atemporal que, é bom ter isso em mente, foi produzida num país sob o julgo comunista no ápice da Guerra Fria. O desenrolar da narrativa é interessante. Logo no início, nosso narrador observa a vila do alto. Um a um, descreve seus principais habitantes, explicitando tanto a imagem que passam para a sociedade como suas reais naturezas, algo que apenas um bom observador notaria.

Numa atividade escolar, o narrador conta às crianças sobre sua as aventuras, particularmente, sobre aquela em que se apaixonou por uma bela dançarina de um circo que tinha um gato mágico. Logo em seguida, um circo chega ao vilarejo e, entre seus integrantes, temos o narrador, uma dançarina e um misterioso gato de óculos. Naquela mesma noite, tem início o espetáculo sob uma belíssima trilha sonora (como você pode conferir aqui).

As crianças, ingênuas, adotam o animal de imediato. Já os adultos, capitaneados pelo diretor da escola, depois de terem suas mazelas expostas, o veem como ameaça e querem silenciá-lo de qualquer forma para que o status quo, tão conveniente a eles, seja restabelecido.

Uma metáfora da sociedade tcheca da época? Imagina... Só sei que, 50 anos depois, pense no estrago que um gato desse faria, por exemplo, hoje em dia na sua cidade.


B+
Až přijde kocour (Vojtech Jasný, TCH, 1963)
Quando: Abril/11 (Divx)
Sítio Oficial: ficha imdb

BARBARELLA

Love and Peace ao ritmo do iê-iê-iê.



Barbarella é uma astronauta terrestre do futuro longínquo. Um futuro aonde não há mais guerras em todo o universo, apenas paz e amor. Homens e mulheres têm direitos iguais e esse equilíbrio é ameaçado com o desaparecimento do Dr. Duran Duran, que acabara de inventar o raio positrônico que, em mãos erradas, poderia ser utilizado para o mal e acabar com a paz reinante no universo.

Um problema na hora da entrada na atmosfera ocorre e a sua nave cai no 16o planeta do sistema Tau Ceti, aonde o Dr. Duran Duran foi visto pela última vez. Na sua busca, ela vai cruzando com vários tipos exóticos: crianças banidas e seus brinquedos malévolos, um caçador dessas crianças (que a ensina a fazer amor "à moda antiga"), um anjo cego, a tirana local [oh, pretty, pretty! Do you wanna play? Pretty, pretty, pretty...], um grupo de subversivos dispostos a destroná-la e finalmente o Dr. Duran Duran, que enlouqueceu e quer dominar o universo.

O que cativa no filme é o sucesso em transpor para as telas toda a ebulição hippie e, sobretudo, política que estavam acontecendo no mundo no final dos anos 60 com os temas de paz e amor no universo. Outro ponto positivo é Jane Fonda, belíssima, que apesar de sua ingenuidade (afinal de contas, ela só sabe o que é paz e amor), vai passando por vários obstáculos impostos pelo "mundo cruel" ao ritmo do iê-iê-iê como trilha sonora e conservando essa ingenuidade até o final. É mais ou menos algo do tipo "por mais que os adeptos da guerra tentem destruir a paz e o amor, eles nunca serão bem sucedidos". Uma mensagem bem positiva para ser passada adiante.

Dino deLaurentis é o produtor do filme, que pode ser considerado como "irmão mais velho" de Flash Gordon (80), dirigido por ele, com quem compartilha a fotografia, os figurinos e os "efeitos especiais". Por incrível que possa parecer, Barbarella foi criada originalmente para as histórias em quadrinhos. Infelizmente, eu não as conheço.


A
Barbarella (Roger Vadim, EUA, 1968)
Quando: Abril/07 (DVD)
Site Oficial: ficha imdb
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