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Mostrando postagens com marcador Kirsten Dunst. Mostrar todas as postagens
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HOMEM-ARANHA 3

A chegada à maioridade.


No primeiro filme, há o descobrimento, aquele aonde "grandes poderes trazem grandes responsabilidades". A infância. Na seqüência, os limites desses grandes poderes são testados e várias dúvidas e dificuldades atormentam o pobre (financeiramente falando) Peter Parker. A adolescência. Nesse terceiro filme, Peter já conhece seus poderes e seus limites e o Homem-Aranha, apesar da campanha contrária de J.J. Jameson, é o "amiguinho da vizinhança" adorado por todos (exceto, claro, J.J. Jameson, que, inexplicavelmente, protagoniza apenas duas míseras cenas). O deslumbramento.

Quando veste a máscara, o Homem-Aranha esbanja auto-confiança, mas em sua "vida comum", Peter Parker continua o mesmo nerd abobalhado, cantando sozinho no teatro enquanto a sua amada desafina no palco. A diferença é que agora esse nerd está namorando a mulher de sua vida, Mary Jane, que sabe sobre a sua vida dupla.

A primeira seqüência de ação entre o Aranha e o Duende Macabro é espetacular. A seqüência de "criação" do Homem-Areia é fenomenal. Dá até para engolir o Peter Parker emo e se você esquecer aquela babaquice toda do "lado negro do mal", você consegue ver que, na mesma situação, você deixaria que aquela gosma negra nojenta tomasse conta de você, para poder dar uma de gostosão(ona), ter todas(os) aos seus pés e poder dançar à la John Travolta back to the 70's. Ainda na parte "Peter Parker emo", ele foi um completo escroto com Mary Jane. Gwen Stacy saiu com uma lady ao pedir desculpas quando notou que havia sido usada para uma vingancinha idiota (e o seu papel no filme foi justamente essa ponta figurativa).

Vingança. Esta é a palavra-chave do filme. Vingança é um sentimento que corrói, mas que assim que você consegue atingir o seu objetivo, você fica oco. Sem propósito.

Perdão. Todos temos escolhas, mas às vezes fazemos coisas terríveis com as melhores intensões possíveis. Saber perdoar essas falhas te traz um sentimento bem mais nobre e intenso do que a concretização de uma vingança.

Redenção. Você pode ter feito coisas horríveis, mas basta se arrepender verdadeiramente para conseguir a sua redenção.

Há outras inúmera metáforas espalhadas pelo filme, muitas delas difíceis de serem captadas. Fique tranqüilo, não serei eu que as contará, pois assim como toda metáfora, ela pode ter inúmeros significados, dependendo das crenças pessoas de que a interpreta.

Nunca fui muito chegado ao Homem-Aranha, mas admito que todos os filmes de sua franquia são bons entretenimentos. Nos dois primeiros, havia paciência para o desenvolvimento das ações e motivações. Nesse último, como há três vilões (quatro se considerarmos o Peter emo), as brigas se suscedem sem uma conclusão plausível (com um período de hibernação entre um vilão e outro) e apesar de haver uma motivação clara para cada um dos vilões, elas não são profundamente detalhadas (Harry está magoado, Flint quer pagar o tratamento médico da filha, Eddie se sente humilhado e Peter-emo quer vingança). Há uma visível preguiça, nem tanto quanto no horrendo X-Men 3, mas há. Tem a idiotice da bandeira estaduninense, mas você só a critica quando ela aparece, pois logo em seguida começa a torcida para tentar adivinhar quando Harry aparecerá para ajudar o seu amigo Peter a salvar Mary Jane.

Não sou crítico de cinema, então, não sou chato a ponto de ficar pegando detalhes técnicos. No momento da projeção, as falhas do roteiro me incomodavam profundamente, mas os efeitos especiais cumpriam o seu papel e me anestesiavam completamente. Se até eu que critico esse gênero de "super-heróis tão humanos e propensos a falhas como eu ou você" saí da sala de cinema extasiado, é bem capaz de você nem ligar para esses detalhes e ficar apenas babando pelos efeitos especiais do filme mais caro da história do cinema.


B-
Spiderman 3 (Sam Raimi, EUA, 2007)
Quando: Maio/07 (Multiplex Boa Vista)
Site Oficial: spiderman.sonypictures.com

MARIA ANTONIETA

Uma Maria Antonieta cool, humana e simpática.


Sim, esse foi o filme que foi vaiado no último Festival de Cannes e sim, Sofia Coppola tinha uma baita duma responsabilidade nas costas após o estupendo Lost in Translation (03). Eu, particularmente, não estava muito empolgado em conferí-lo...

... até que eu vi um de seus trailers no Youtube com "Ceremony" do New Order de trilha sonora. Pronto! A obsessão se entranhou no meu ser e fiquei louco de vontade de vê-lo. O medo de uma possível decepção (ora, ele foi vaiado em Cannes e a imensa maioria das críticas foi negativa) não me dominou e eu saí do cinema realizado.

Primeiro, por rever Versailles. Segundo, por ter a oportunidade de novamente ficar encantado pela interpretação da gracinha da Kirsten Dunst. Terceiro porque, afinal de contas, era um filme da mesma diretora de Lost in Translation (03)!

Há pontas soltas, claro, mas compreensíveis, pois o filme resume aproximadamente vinte anos da última rainha francesa antes da Revolução. Achei estranho, a mudança "repentina" do comportamento de Maria e seu marido, Luis XVI. De distantes no dia do casamento aos 7 anos sem a "consumação" do enlace matrimonial, "de repente" eles eram pombinhos apaixonados. No começo, essas elipses narrativas eram legais, mas no final, você fica um pouco perdido (se bem que a forma dela contar o nascimento de dois dos quatro filhos da rainha é fabulosa, mas só entendi aquele enterro quando li a respeito e soube que dois dos seus filhos morreram ainda crianças).

Não espere uma olhar crítico e impessoal de um historiador. Esse é um filme autoral e, acima de tudo, humanizador da rainha que contribuiu efetivamente para a Revolução Francesa. Também achei isso estranho, pois os livros de história pintam a dupla Luis XVI e Maria Antoineta como os demônios na Terra de Danton e Robespierre (tanto que eles perderam a cabeça, bem como seus algozes), mas eles são tão humanos no filme, tão... gente como a gente... Ele gosta de fechaduras e de caçadas, enquanto que ela gosta de colecionar sapatos, vestidos e, depois de virar rainha, passa a ter como hobbie dar festas de arromba até o amanhecer.

A trilha sonora é um deleite à parte e vem se tornando uma marca registrada de Sofia. O que muitos criticaram como sacrilégio, eu achei fantástico um baile de máscaras na Paris do século XVIII ao som de Siouxsie and The Banshees e várias festas da nobreza tendo como trilha sonora o punk-rock inglês da década de 80. Vamos deixar aquelas músicas "da época" para aqueles filmes "caretas", certo?

E falando sobre música, eu não poderia deixar de comentar sobre aquela voz rouca e inconfundível da D.E.U.S.A. alcunhada de Marianne Faithfull. Ela é Maria Tereza, mãe de Antonieta. É com essa voz rouca que a projeção se inicia e, de tempos em tempos, reaparece lendo as cartas que ela enviava à sua filha, se mostrando preocupada com a não consumação de seu casamento, pois de acordo com o código de conduta da época, até ela parir um herdeiro, ela não seria ninguém.

As críticas são compreensíveis, pois o roteiro não proporciona nenhum clímax, seguindo a mesma cadência do começo, quando ela viaja da Áustria para a França (sob a narração da D.E.U.S.A.) até o momento final, quando ela vê Versailles pela última vez, expulsa pelos revolucionários. Entretanto, Kirsten Dunst e A D.E.U.S.A. estão presentes e é impossível não se apaixonar por um filme que conta com suas presenças, assim como é impossível não se apaixonar por um filme de Sofia Coppola.


A
Marie Antoinette (Sofia Coppola, EUA/JAP/FRA, 2005)
Quando: Março/07 (UCI Recife)
Site Oficial: www.marieantoinette-movie.com

ELIZABETHTOWN

A impressionante constatação de como um ator é capaz de arruinar um filme.


Na Trilogia do Anel (01-03), até que ele estava competente (forma carinhosa de se dizer passável) na pele alva e com orelhas pontudas do elfo Legolas. Mas até aí, ele era apenas mais um na superpovoada trilogia. Depois que alcançou o posto de protagonista, em Piratas do Caribe (03) e Tróia (04), ele foi apenas o mesmo insípido e inodoro que é aqui. [nota: me dei ao luxo de não assistir a Cruzada (05)]

Estava atrasado, a seção já tinha começado e, para piorar, fui inventar de comprar pipoca. Resultado: cheguei quando Drew recebe o telefonema da irmã, dizendo que seu pai havia falecido e que ele deveria ir para Elizabethtown cuidar dos preparativos do funeral. Talvez não tenha perdido muita coisa, pois o filme só começou (forma carinhosa de se dizer só se sustentou) quando a aeromoça Claire entrou em cena.

Mesmo assim eu ainda estava com uma palavra na cabeça para esse filme: decepção. Como Cameron Crowe, depois de me embasbacar com Vida de Solteiro (92), [nota: não vi Jerry McGuire (96)], Quase Famosos (00) e Vanilla Sky (01), pôde fazer uma escolha tão infeliz para o papel principal de seu filme? Nenhuma cena onde Orlando Bloom "lidera" se salva. Mas como errar é humano e Cameron é Cameron, ele acertou no ponto: quando Drew e Claire estão em cena... você simplesmente se deixa contagiar por ela e esquece que ele existe. Ou melhor, ele é perfeito para se contrapor à ela.

Quando Drew chega em Elizabethtown, tudo se transforma. Eu nasci numa pequena cidade, perdida no interior de São Paulo, para onde volto uma única vez no ano (na melhor das hipóteses, duas). À medida em que ele passava pelas ruas e todo mundo apontava o caminho, eu me senti como se fosse eu que estivesse andando, depois de muito tempo, pelas alamedas arborizadas de Orlândia, apreciando a arquitetura das casas (que é bem diferente daqui do NE) e o belo conjunto que se forma [nota: nesses povoados, você não é você, é rebaixado à categoria de neto, filho, sobrinho, primo ou irmão de alguém]. Logo quando ele estaciona, damos de cara com o primo Jessie. A melhor (e infelizmente subaproveitada) descoberta do filme.

Aí temos a parte em que todos os tios, tias, primos, agregados & todo o resto aparecem. Quem é que não fica suspirando por alguma guloseima de uma tia? O bolo de chocolate da Tia Olga... vou te contar!

Quando assisti a Denise Está Chamando (95), achei "bizarro" que nenhum ator contracenava com o outro. Eles se falavam pelo telefone. Tempos modernos, o casal de protagonistas desse filme, se fala por telefone também, mas por celular! E até que a coisa dá certo, pois eles acabam se reencontrando e temos a cena que ilustra essa resenha, lá encima.

Depois de algum tempo, chega um momento onde o filme pára. Infelizmente, não me lembro da seqüência (provavelmente é por isso que ela é dispensável), mas readquire ritmo quando Susan Sarandon chega em Elizabethtown e enfrenta a família que a despreza. E ela, óbvio, rouba o filme sapateando Moon River, em homenagem ao marido, que ela conheceu num elevador em Tóquio, numa época em que ambos estavam noivos de outros. [close para a eterna ex-noiva, chorando]

No tempo em que eu era pequeno, eu compartilhava um sonho com meu irmão, de que meu avô paterno se casasse com minha avó materna, já que ambos eram viúvos, mas isso não vem ao caso agora. O que importa é que ambos idolatravam.... Moon River. Eu fui à glória na vez em que toquei para os dois, num natal qualquer, em meu (então) novíssimo órgão, que acabara de ganhar. Talvez eu tenha me sentido o mesmo que Jessie ao tocar Free Bird.

A pomba pega fogo, o funeral termina em grande estilo e no dia seguinte, é a vez do enterro do terno azul. Logo após, chega o momento em que Claire entrega a Drew um mapa para ajudá-lo na viagem de volta, que seria de carro.

E temos a frase do filme:


I leave you, to get into the deep, beautiful melancoly of everything that has happened. That's a great memo.

Eu teria parado o filme logo após esse ponto, com Drew se despendindo de Claire e fazendo o que ele faz antes de chegar na Segunda Maior Feira do Mundo, se bem que o joguinho que Claire armou na feira, fazendo-o correr atrás do gorro vermelho, deu um gostinho alegre ao final.


B+
Elizabethtown (Cameron Crowe, EUA, 2005)
Quando: 03/01 (Multiplex Mag Shopping, João Pessoa)
Site Oficial: www.elizabethtown.com
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