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HOMEM DE FERRO

O despertar do herói


Quando era adolescente, eu até que gostava das histórias em quadrinhos do Homem de Ferro, mas infelizmente elas não eram publicadas com tanta freqüência. Tempos depois, fiquei sabendo que, na verdade, elas não eram publicadas porque a imensa maioria delas era de uma qualidade sofrível, salvando-se apenas um ou outro arco.

Por esse motivo, Tony Stark nunca foi tão popular no Universo Marvel, apesar de contar com a característica básica de todos os super-heróis da editora: um homem comum como eu e você que possui os seus defeitos. No caso dele, o defeito é o alcoolismo, o cinismo e um problema no coração causado por estilhaços de bombas. Ele não foi mordido por uma aranha radioativa e muito menos foi exposto a raios gama ou estelares, ele apenas usou o intelecto privilegiado para criar um brinquedinho: uma armadura.

É um filme sobre a construção do “herói”, no sentido torto mesmo da palavra, pois ele tanto ajuda a libertar uma vila de seus opressores, como entrega o chefe dos vilões para a turba poder fazer sua própria justiça. A passagem do alcoólatra sem consciência no poder de destruição de suas armas para o guerreiro enlatado é feita pausadamente e toma praticamente o filme todo. O que poderia ser enfadonho, pois só há 3 cenas de ação ao longo do filme todo (sendo que a última, o suposto clímax, é a pior de todas), é bem trabalhado e conta sobretudo com a empatia de Robert Downey Jr. e Gwynith Paltrow, que estão ótimos em cena.

De repente, as mais de duas horas de filme acabam e você fica com aquele gostinho de quero mais na cabeça, o que comprova que esse é um ótimo entretenimento.


A
Iron Man (Jon Favreau, EUA, 2008)
Quando: Maio/08 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: ironmanmovie.com

O HOMEM DUPLO

Drogas? Tô fora!


O homem duplo do título é Bob Arctor, um agente especial infiltrado num grupo de traficantes da "Substância D" com o objetivo de prender os grandes traficantes numa história que se passa "daqui a sete anos".

Gostaria de ter ido ao cinema mais preparado para ver esse filme, pois fui completamente às cegas, de olho apenas no nome do diretor, e já estava de saco cheio lá pela metade do filme. "Como é que Richard Linklater pôde fazer um filme tão ruim como esse?", eu pensava, enquanto olhava incansantemente para o relógio e via as pessoas não tão corajosas quanto eu saindo da sala, uma a uma.

Minha capacidade de concentração já era nula e piorou ainda mais com a minha incapacidade de detectar um objetivo para o filme, nada que pudesse ser resumido em uma frase, como eu normalmente inicio minhas resenhas. Então, eu passei a prestar atenção quase que exclusivamente na "animação" (na verdade, na "pintura" que fizeram em cima da filmagem real), voltando para a história de tempos em tempos.

Quando o tormento finalmente terminou, a primeira frase que apareceu nos letreiros finais é "este filme é dedicado a todos aqueles que pagaram mais do que deviam por seus atos". Em seguida, uma lista de pessoas que só quiseram "se divertir" e acabaram morrendo, tendo AVCs e coisas ainda piores.

Foi aí que eu finalmente entendi o objetivo do filme e através de um método que em economês é chamado de "backward induction" (depois que o resultado final do sistema ocorre, você volta no tempo para descobrir como ele chegou a esse ponto), comecei a rebobinar a fita e vi os pontos chaves.

Bob é um policial infiltrado, mas os dois hemisférios do seu cérebro entram em conflito em função do uso excessivo da "Substância D", sua "namorada" tem aversão ao toque humano, um efeito colateral da droga, um de seus amigos junkies morre de overdose numa alucinação aonde seus pecados serão lidos incessantemente por toda a eternidade e os outros já estão com os seus cérebros fritados há tempos, não sendo capazes de elaborar sentenças que tenham algum sentido. Bob também acaba com o seu cérebro fritado e num estado no qual é "recrutado" para trabalhar numa fazenda aonde se planta as flores de onde se extraem a "Substância D". The End.

Há certos diretores que colocam suas impressões digitais em seus filmes e eu não estou falando de algo tão explícito como um Hitchcock cruzando uma faixa de pedestres, estou me referindo à uma "aura" que envolve todos os seus filmes, toda uma pessoalidade que faz você ser capaz de "sentir" que o filme é desse ou daquele diretor. Richard Linklater é um desses diretores e apesar de A Escola do Rock, Antes do Entardecer e O Homem Duplo serem filmes tão dispares entre si, você "vê" o seu dedo em cada um deles.


B+
A Scanner Darkly (Richard Linklater, EUA, 2006)
Quando: Abril/07 (Cinema da Fundação)
Site Oficial: wip.warnerbros.com/ascannerdarkly

BOA NOITE E BOA SORTE

Nos dias da paranóia anti-terror, um filme sobre a paranóia anti-comunista.


Numa época em que um presidente de um importante país disse "ou estão do nosso lado, ou estão do lado deles", esse filme resgata uma outra época, do mesmo país, onde "ou você delatava um comunista, ou você era um deles".

Nos anos 50s, no auge da paranóia anti-comunista nos EUA, um jovem senador de um pequeno Estado, Joseph McCarthy, começou uma verdadeira caça às bruxas contra todos que tivessem o mínimo vínculo com práticas comunistas, instigando o medo na nação (pois é, Bush Jr. não foi o primeiro). Edward Morrow, que encerrava o seu programa com o Boa Noite e Boa Sorte do título começou uma verdadeira guerra pública contra o senador e contra a censura na impressa. Ele acabou vencendo o senador, mas não  sem sofrer algumas baixas.

O roteiro é muito bem feito e a fotografia, também. O filme consegue passar bem a mensagem de liberdade de expressão que o jornalismo deveria ter, sem pressões dos patrocinadores e dos donos dos canais, que são concessões públicas e, portanto, passíveis de serem cassadas pelos políticos, quando "interesses" são contrariados.


B+
Good Night and Good Luck (George Clooney, EUA, 2005)
Quando: Mar/06 (Cinema da Fundação)
Site Oficial: www.goodnightandgoodluck.com
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