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As Bem Amadas

É possível escolher quem amar?


Madeleine é vendedora numa loja de sapatos durante o dia e puta à noite até que encontra Jaromil, um médico tcheco que estava em Paris para uma especialização. Apaixonada, muda-se com ele para a (então) Tchecoslováquia, onde nasce Véra. Após a traição do marido, Madeleine retorna a Paris com Véra e se casa novamente. Jaromil, nunca a deixará em paz, apesar de se encontrarem apenas duas vezes, 12 e 19 anos após o divórcio para "reviver os bons tempos". Véra, por sua vez, se apaixona por Handerson, músico estadunidense e gay. Clément, não consegue tirar Véra de sua cabeça, que não lhe dá a menor bola, pois também não consegue tirar alguém da cabeça... Handerson... que não só continua gay como acaba contraindo o vírus da Aids... o que não o impede de não conseguir tirar Véra de sua cabeça... mesmo sendo gay.

Deneuve e Chiara, mãe e filha na vida real, interpretam duas mulheres que amam e são amadas, cada uma ao seu jeito. Da década de 1960 aos dias atuais, apesar das mudanças sociais, alguns padrões comportamentais independem do tempo.

Alex Beaupain já esteve mais inspirado numa trilha sonora, mas mesmo com algumas canções mornas, há duas que me pegaram de surpresa e fizeram com que minha atenção ficasse presa até o final do filme (fora a tragédia que tem lugar nos últimos 20 minutos e te deixa boquiaberto pensando até que ponto alguém pode ir por amor/paixão/obsessão). A primeira, Les Chiens ne font pas des Chats resume a relação Madeleine-Jaromil. A segunda, Qui aimes-tu? É a tônica da não-relação entre Véra de Handerson.

Às vezes, quando se tem personagens tão complexos, é melhor não querer encaixotá-los, procurando uma lógica por trás de suas ações. Melhor apenas senti-los, pois certamente haverá um aspecto seu neles.


B+
Les Bien-Aimés (Christophe Honoré, FRA, 2011)
Quando: Janeiro/13 (BRrip)
Sítio Oficial: ficha imdb

SEM LIMITES

Moral da história: drogue-se e se torne uma pessoa melhor


Eddie Mora é um aspirante a escritor fodido da vida e deprimido. Um dia, encontra um ex-colega de escola, bem sucedido, que confessa que o segredo do seu sucesso é uma droga experimental que faz com que você use os 80% do seu cérebro que uma pessoa "normal" não usa.

X-MEN: PRIMEIRA CLASSE

Mutantes no tempo do ie-ie-ie.


A época: década de 1960. Contexto histórico: crise dos mísseis entre os EUA e a (então) URSS. Paralelamente, Eric Lehnsherr busca vingança contra o assassino de sua mãe e Charles Xavier procura uma forma de convivência pacífica entre mutantes e humanos “normais”.

Nos gibis, os X-Men foram publicados pela primeira em setembro de 1963. Era uma época de grande efervescência cultural com a luta por igualdade de direitos civis da minoria negra nos EUA. O surgimento destes super-humanos, que não pediram para serem assim, apenas nasceram “diferentes” da maioria, era a metáfora perfeita da discriminação sofrida por qualquer minoria por não representar a “normalidade” da maioria. A editora concorrente, a DC Comics, também tinha a sua super-equipe de “aberrações”, a Patrulha do Destino, nascida antes, em junho do mesmo ano, mas não foi tão bem sucedida.

Na época, o debate sobre a forma com que a minoria negra deveria buscar sua integração à sociedade estadounidense estava dividido entre as manifestações pacíficas, capitaneada por Martin Luther King, e atos violentos de afirmação, sob a liderança de Malcolm X. Nos Universo Mutante, essas duas vertentes eram representadas, respectivamente, pelo Professor X (Charles Xavier), que criou uma escola para que os mutantes pudessem aprender a melhor manipular seus poderes, e Magneto (Eric Lehnsherr), um judeu polonês sobrevivente do holocausto que se torna “vilão” por querer dizimar os “seres inferiores” (nós) para que os mutantes, o próximo passo da evolução humana, possam reinar soberanamente, sem precisar se esconderem em guetos ou fingirem serem “normais”.

A grande sacada de X-Men: Primeira Classe está justamente em focar o roteiro no desenvolvimento destes dois personagens, ressaltando o porquê e como o antagonismo de suas ideias colocarão Erik e Charles em lados opostos no futuro. Outra grande sacada é focarem a época em que os dois se conheceram: os anos 1960, quando a “ameaça mutante” era apenas sussurrada em alguns corredores, longe do grande público. Não bastasse, há ainda espaço para um grande vilão megalomaníaco, Sebastian Shaw, que quer simplesmente criar um conflito nuclear entre as duas super-potências para governar o que restar do mundo e Raven, que mais tarde viria a ser conhecida como Mística, uma mutante com a “vantagem” de poder parecer “normal” ao esconder sua verdadeira aparência.

Há o confronto final entre mocinhos e bandidos, mas o que fica são os questionamentos daquelas pessoas “cinzas”. Erik tem todo o direito de ser amargo em relação àqueles que o desprezam (ele sobreviveu ao holocausto!) e Charles, por ter sido criado com muito dinheiro, pode se dar ao luxo de viver sob a égide da paz e do amor. Shaw é o mais caricato, mas é daqueles super-vilões que você ama odiar. Mística, por sua vez, encara bem o drama do que é ser mutante. Ela pode se esconder ao se transformar em alguém “normal”, mas dessa forma ela nunca será ela mesma. E como alcançar todo o seu potencial como ser humano se você precisa fingir ser o que você não é, se atendo às “convenções sociais”?

Inicialmente, em função dos trailers e os materiais promocionais, pensava que seria um típico blockbuster acéfalo, voltado para a audiência desprovida de cérebro que temos hoje em dia, mas o resultado final superou -- e muito! -- minhas expectativas. Há um pouco de tudo nesse reboot da franquia mutante: ação, aventura, drama e humor. Todos bem comedidos e entrelaçados, fortalecendo a base para uma nova e bem-vinda franquia mutante (desde que esqueçam os erros que foram X-Men: O Confronto Final, 07 e X-Men Origens: Wolverine, 09). Bryan Singer, o diretor dos dois primeiros X-Men, volta à franquia como produtor. Assim, se recupera do fiasco que foi Superman, o Retorno (05).


A+
X-Men: First Class (Matthew Vaughn, EUA, 2011)
Quando: Junho/11 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: x-menfirstclassmovie.com

RIO

Muitas cores.


Blu é uma arara azul sequestrada ainda "bebê" nas matas do Rio de Janeiro que vai parar em Minnesota, nos EUA. Resgatado por Linda, é criado como se fosse um membro da família. Um certo dia, Túlio, um especialista em aves, aparece por lá para convencer Linda a levar Blu de volta ao Rio para acasalar com Jade, pois eles são as únicas araras azuis do planeta. Linda aceita, mas é óbvio que nem tudo sairá como previsto.

No Brasil, Blu e Jade são sequestrados pela quadrilha da cacatua Nigel, mas conseguem fugir. O porém é que eles estão acorrentados um ao outro e Blu não sabe voar (nunca precisou, oras). Jade quer fugir para viver em liberdade e Blu quer encontrar Linda. Para sorte deles, cruzam o caminho do tucano Rafael, que conhece o buldogue Luiz que poderá tirar a corrente que os prende. No meio do percurso, ainda topam com o canário Nico e o cardeal Pedro.

Rio é um filme para gringo ver, infelizmente. Acredito na boa intenção do diretor, que é carioca, o que justifica a perfeita caracterização da cidade e o clima nostálgico que lembra as grandes chanchadas em algumas cenas. Porém, apesar de fidelíssima (às vezes, você tem a impressão de que é um live-action de tão perfeita), a visão tipo exportação do Rio está mais do que presente ao reproduzir e potencializar todos os estereótipos que eles têm de nós nas mulatas, no futebol e no carnaval.

Outra falha ocorre em um aspecto básico: não há um personagem fixo responsável pelo alívio cômico. O roteiro privilegia a ação à comédia e coloca umas piadinhas aqui e ali, como manda a cartilha, mas que te fazem soltar um riso amarelo. Tive a comprovação na sessão em que estava, lotada com o público alvo do filme que pouco se manifestou. Luiz (e sua baba que não para de escorrer) seria um ótimo candidato, mas ele aparece apenas aos 44 minutos do segundo tempo. Os micos poderiam ser como os pinguins de Madagascar (05), mas eles participam de apenas três cenas.

Por mais que os estúdios de animação tenham adquirido capacidade técnica para se equiparem à Pixar, nenhum deles ainda conseguiu chegar aos pés dela no desenvolvimento de personagens. Confesso que não estava muito empolgado para o filme, pois cheguei ao meu limite de bichinhos imitando comportamentos humanos, mas devo me resignar, pois não só a cartilha exige como ainda há um longo caminho até desenvolverem homens e mulheres com características físicas diferentes. Lembram do gordinho contrabandista? E do segurança do aviário? Também notou que ele apareceu de relance na praia, na favela e no sambódromo?


C-
Rio (Carlos Saldanha, EUA, 2011)
Quando: Abril/11 (Cine Rosa e Silva)
Sítio Oficial: rio-ofilme.com.br

AS MÃES DE CHICO XAVIER

"Siga as mães"



Três mães e seus dramas pessoais. Via Negromonte e seu filho viciado em drogas; Vanessa Gerbelli e a morte repentina de seu único filho às vésperas do seu 5º aniversário; e Tainá Müller e uma gravidez indesejada. Em comum, a procura por consolo nas palavras de Chico Xavier.

Parece que o cinema brasileiro abraçou de vez o "filão espírita", pois antes da projeção do filme, foram exibidos o teaser de "O Filme dos Espíritos" (baseado em "O Livro dos Espíritos" e que tem uma premissa bem interessante) e o trailer de "Área Q" (se bem que acho que ele está mais ligado a abduções alienígenas do que a ideias espiritualistas).

Logo no início, As Mães de Chico Xavier mostra a que veio, ao dedicar o filme à vida e condenar o aborto. O médium, figura central em Chico Xavier (10), se torna apenas um coadjuvante. Para Chico, ele é apenas o intermediário. "Siga as mães", diz ao repórter que quer entrevistá-lo sobre as cartas que psicografa.

Enquanto o repórter segue algumas mães (infelizmente, só umas duas ou três), nós seguimos as três protagonistas e o filme não tem a menor pressa em construí-las. Sentimos a angústia de Ruth, que perdeu a vontade de viver por se punir pelo caminho tomado pelo filho; a solidão de Elisa, que, mesmo após a morte do filho, todo dia se senta na praça em frente à escola que ele estudava na hora da saída das crianças na esperança de poder reencontrá-lo; e as dúvidas de Lara frente a um futuro incerto e a difícil decisão sobre ter ou não o filho que carrega.

Diferentemente de Nosso Lar (10) e sua direção horrenda, os diretores sabem muito bem o que estão fazendo aqui. Confesso que me incomodei com alguns truques desnecessários (como a cena em slow motion totalmente exagerada na enfermaria, mas prefiro culpar Joelson Medeiros, que em nenhum momento encontrou o tom certo para o seu personagem), mas já estava embarcado na do filme faz tempo. Cada uma daquelas mães poderia perfeitamente ser a minha ou a sua. Mesmo que não estivesse embarcado, aquele diálogo entre Vanessa Gerbelli (que me surpreendeu por estar perfeita) e Tainá Müller na praça, sobre dar a própria vida pela do filho, a própria definição do que é o amor de uma mãe pelo seu filho, é para destruir o coração mais insensível.

E olha... como eu chorei! Chorei como há muito tempo não chorava no cinema.

Não me considero espírita, mas acredito na comunicação entre os vivos e os espíritos e que estamos aqui apenas de passagem. Portanto, sou o público-alvo perfeito para esse novo "filão". Infelizmente, muitos "espíritas" procurarão indicar esse filme como doutrinação. Com essa crença fervorosa e irracional, eles só se esquecem do básico: cada espírito é único. Você não tem o direito de generalizar sobre nada. A única certeza universal é que para cada ação há uma reação e a única "pessoa" a quem você deve prestar contas é com o juiz universal: a sua consciência.

E daqui a seis meses, estreará "O Filme dos Espíritos". Baseado no livro que vem mudando minha vida há 3 anos.


B
As Mães de Chico Xavier (Glauber Filho e Halder Gomes, BRA, 2011)
Quando: Abril/11 (Cine Rosa e Silva)
Sítio Oficial: asmaesdechicoxavier.com.br

INVASÃO DO MUNDO: BATALHA DE LOS ANGELES

Cara de pau tem limite


Nesta nova invasão alienígena, os ETs querem a nossa água. No caminho deles, os marines estadunidenses e o seu lema: nunca recuar.


Tudo o que você precisa saber do roteiro está resumido aí em cima. Num filme sobre invasão alienígena, no mínimo, você espera algo inovador sobre os invasores, mas em nenhum momento você verá um alien para saber como eles são. Não bastasse você ver apenas fumaça e explosões, a maldita câmera tremida não permite que você possa focalizar nada por mais de 2 segundos.

Os efeitos especiais nem são tão fabulosos assim. A cidade destruída impressiona, mas só. Pelo pouco que te permitem visualizar dos aliens, você perceberá de cara que é um CGI nada sutil. E dos piores possíveis.

Há apenas dois rostos conhecidos, Aaron Eckhart, no papel do marine prestes a se aposentar (sim, essa era para ser sua última missão) e Michele Rodriguez, que reprisa seu papel de sempre. Os demais, nem se preocupe. Eles morrerão em prol dos clímaces "dramáticos" (eu diria vergonhosos) para mostrar ad nauseum que a vida do grupo é mais importante que a sua.

Pronto para a lista de clichês? Vamos lá: soldado veterano que falhou e perdeu seu batalhão vai para uma última missão; chefe engomadinho e um dos mais brilhantes da academia militar bota banca para cima do soldado veterano para mostrar quem manda; chefe engomadinho e brilhante se mija nas calças no campo de batalha; soldado veterano mostra o que um verdadeiro líder precisa fazer; num momento de tensão, garotinha amedrontada segura a mão do marine; marine se sacrifica com uma granada para que seu grupo sobreviva; marine parte para o suicídio ao se colocar num lugar alto e descampado apenas para usar o rádio. Há também o último desejo do marine, que antes de se sacrificar, deixou uma carta para que o seu companheiro entregasse à sua mulher.

Como é que um estúdio que patrocina uma patriotada estúpida dessas que agradará apenas aos estadunidenses tem a coragem de distribuí-lo mundialmente? O "título original" do filme diz claramente que é a batalha por uma das maiores cidades dos EUA. No "título mundial", fizeram a gambiarra de colocar um "invasão do mundo" na frente. Pior: como é que um filme idiota desses pode ter tido uma bilheteria considerável aqui no Brasil? Mais pior de tudo: há a brecha para um segundo filme.


E
Battle Los Angeles (Jonathan Liebesman, EUA, 2011)
Quando: Abril/11 (divx)
Sítio Oficial: batalhadelosangeles.com.br
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