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X-MEN: PRIMEIRA CLASSE

Mutantes no tempo do ie-ie-ie.


A época: década de 1960. Contexto histórico: crise dos mísseis entre os EUA e a (então) URSS. Paralelamente, Eric Lehnsherr busca vingança contra o assassino de sua mãe e Charles Xavier procura uma forma de convivência pacífica entre mutantes e humanos “normais”.

Nos gibis, os X-Men foram publicados pela primeira em setembro de 1963. Era uma época de grande efervescência cultural com a luta por igualdade de direitos civis da minoria negra nos EUA. O surgimento destes super-humanos, que não pediram para serem assim, apenas nasceram “diferentes” da maioria, era a metáfora perfeita da discriminação sofrida por qualquer minoria por não representar a “normalidade” da maioria. A editora concorrente, a DC Comics, também tinha a sua super-equipe de “aberrações”, a Patrulha do Destino, nascida antes, em junho do mesmo ano, mas não foi tão bem sucedida.

Na época, o debate sobre a forma com que a minoria negra deveria buscar sua integração à sociedade estadounidense estava dividido entre as manifestações pacíficas, capitaneada por Martin Luther King, e atos violentos de afirmação, sob a liderança de Malcolm X. Nos Universo Mutante, essas duas vertentes eram representadas, respectivamente, pelo Professor X (Charles Xavier), que criou uma escola para que os mutantes pudessem aprender a melhor manipular seus poderes, e Magneto (Eric Lehnsherr), um judeu polonês sobrevivente do holocausto que se torna “vilão” por querer dizimar os “seres inferiores” (nós) para que os mutantes, o próximo passo da evolução humana, possam reinar soberanamente, sem precisar se esconderem em guetos ou fingirem serem “normais”.

A grande sacada de X-Men: Primeira Classe está justamente em focar o roteiro no desenvolvimento destes dois personagens, ressaltando o porquê e como o antagonismo de suas ideias colocarão Erik e Charles em lados opostos no futuro. Outra grande sacada é focarem a época em que os dois se conheceram: os anos 1960, quando a “ameaça mutante” era apenas sussurrada em alguns corredores, longe do grande público. Não bastasse, há ainda espaço para um grande vilão megalomaníaco, Sebastian Shaw, que quer simplesmente criar um conflito nuclear entre as duas super-potências para governar o que restar do mundo e Raven, que mais tarde viria a ser conhecida como Mística, uma mutante com a “vantagem” de poder parecer “normal” ao esconder sua verdadeira aparência.

Há o confronto final entre mocinhos e bandidos, mas o que fica são os questionamentos daquelas pessoas “cinzas”. Erik tem todo o direito de ser amargo em relação àqueles que o desprezam (ele sobreviveu ao holocausto!) e Charles, por ter sido criado com muito dinheiro, pode se dar ao luxo de viver sob a égide da paz e do amor. Shaw é o mais caricato, mas é daqueles super-vilões que você ama odiar. Mística, por sua vez, encara bem o drama do que é ser mutante. Ela pode se esconder ao se transformar em alguém “normal”, mas dessa forma ela nunca será ela mesma. E como alcançar todo o seu potencial como ser humano se você precisa fingir ser o que você não é, se atendo às “convenções sociais”?

Inicialmente, em função dos trailers e os materiais promocionais, pensava que seria um típico blockbuster acéfalo, voltado para a audiência desprovida de cérebro que temos hoje em dia, mas o resultado final superou -- e muito! -- minhas expectativas. Há um pouco de tudo nesse reboot da franquia mutante: ação, aventura, drama e humor. Todos bem comedidos e entrelaçados, fortalecendo a base para uma nova e bem-vinda franquia mutante (desde que esqueçam os erros que foram X-Men: O Confronto Final, 07 e X-Men Origens: Wolverine, 09). Bryan Singer, o diretor dos dois primeiros X-Men, volta à franquia como produtor. Assim, se recupera do fiasco que foi Superman, o Retorno (05).


A+
X-Men: First Class (Matthew Vaughn, EUA, 2011)
Quando: Junho/11 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: x-menfirstclassmovie.com

HOMEM DE FERRO

O despertar do herói


Quando era adolescente, eu até que gostava das histórias em quadrinhos do Homem de Ferro, mas infelizmente elas não eram publicadas com tanta freqüência. Tempos depois, fiquei sabendo que, na verdade, elas não eram publicadas porque a imensa maioria delas era de uma qualidade sofrível, salvando-se apenas um ou outro arco.

Por esse motivo, Tony Stark nunca foi tão popular no Universo Marvel, apesar de contar com a característica básica de todos os super-heróis da editora: um homem comum como eu e você que possui os seus defeitos. No caso dele, o defeito é o alcoolismo, o cinismo e um problema no coração causado por estilhaços de bombas. Ele não foi mordido por uma aranha radioativa e muito menos foi exposto a raios gama ou estelares, ele apenas usou o intelecto privilegiado para criar um brinquedinho: uma armadura.

É um filme sobre a construção do “herói”, no sentido torto mesmo da palavra, pois ele tanto ajuda a libertar uma vila de seus opressores, como entrega o chefe dos vilões para a turba poder fazer sua própria justiça. A passagem do alcoólatra sem consciência no poder de destruição de suas armas para o guerreiro enlatado é feita pausadamente e toma praticamente o filme todo. O que poderia ser enfadonho, pois só há 3 cenas de ação ao longo do filme todo (sendo que a última, o suposto clímax, é a pior de todas), é bem trabalhado e conta sobretudo com a empatia de Robert Downey Jr. e Gwynith Paltrow, que estão ótimos em cena.

De repente, as mais de duas horas de filme acabam e você fica com aquele gostinho de quero mais na cabeça, o que comprova que esse é um ótimo entretenimento.


A
Iron Man (Jon Favreau, EUA, 2008)
Quando: Maio/08 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: ironmanmovie.com

LIGA DA JUSTIÇA: A NOVA FRONTEIRA

Os super-herois da DC Comics salvando a Terra, para variar


Eu gosto de super-heróis. Já gostei mais de gibis, mas apesar de não mais colecioná-los, ainda possuo uma quantidade considerável de histórias memoráveis. Uma delas é A Nova Fronteira, uma minissérie que aqui no Brasil saiu encardernada em dois volumes de luxo. Ambientada na "Era de Prata" dos quadrinhos, a história é sobre a paranóia estadunidense dos anos 50 contra os comunistas e os "vigilantes mascarados", que são perseguidos e desaparecem. Porém, um ser conhecido como "O Centro", cansou de ver o homem destruir o planeta Terra e agora quer exterminá-lo. Cabe aos antigos/novos "fora-da-lei" voltarem às ruas para salvar o dia (e a Terra).

Um filme ágil, envolvente, que foca nas diferentes personalidades dos diferentes super-heróis, especialmente Hal Jordan/Lanterna Verde, Barry Allen/Flash e o Caçador de Marte (Ajax para os mais antigos). A "Santíssima Trindade" (Super-Homem, Batman e Mulher-Maravilha) e suas similaridades e contradições estão presentes, mas eles são meros coadjuvantes.

Tirando a derrapada final que é de uma patriotada pró-EUA irritante ("hoje não há democratas e republicanos, somo todos América, blah, blah, blah"), o filme proporciona um ótimo entretenimento (e o desejo de um "A Nova Fronteira 2" o mais breve possível).


B+
Justice League: The New Frontier (Dave Bullock, EUA, 2008)
Quando: Março/08 (DivX)
Site Oficial: warnervideo.com/jlnewfrontier

30 DIAS DE NOITE

Mais uma história de vampiros?


Os vampiros ganharam fama mundial graças a Bram Stoker. Em seu livro, o Condre Drácula vai à Inglaterra com um único propósito: beber sangue. Aquela história do filme de Coppola (Drácula, 92) de que ele tinha ido atrás de seu grande amor é pura lorota.

Esse filme, adaptado de uma história em quadrinhos, parte do mesmo princípio: para eles, nós somos apenas comida. Há um desprezo desses nosferatus pela raça humana que é bem exteriorizado pelo seu líder, que ilustra essa resenha. Quando um deles é ferido, aparentemente a amante do líder, ele não pensa duas vezes em matá-la, pois, segundo suas palavras, "o que pode ser ferido não merece viver".


A mesma "sorte" terá boa parte dos poucos habitantes que decidiram ficar em Barrow, no extremo norte do Alasca, que fica um mês sem ver a luz do sol no ápice do inverno. No dia anterior à longa noite, estranhas sabotagens ocorrem: telefones via-satélite, o único helicóptero e todos os cachorros que puxam trenós são colocados fora de operação. A esses infelizes que ficaram, resta apenas se esconderem para não terem suas jugulares degustadas por essas criaturas. Aos que não sobreviveram, tome gore em suas mortes, com sangue jorrando para todo o lado, inclusive ficando impregnado nas criaturas do além-túmulo (que, aparentemente, não se limpam....).


B+
30 Days of Night (David Slade, EUA, 2007)
Quando: Dezembro/07 (UCI Tacaruna)
Sítio Oficial: 30diasdenoite.com.br

QUARTETO FANTÁSTICO E O SURFISTA PRATEADO

Felizmente, é bem melhor do que o primeiro.


Eu não estava muito afim de gastar o dinheiro do ingresso com uma nova porcaria protagonizada pela "primeira família" do Universo Marvel. Apesar de gostar de algumas de suas histórias em quadrinhos, eu nunca fui fã do estilo "heróis como eu ou você". Se é para ser super-herói, tem que ser um semi-deus à la Super-Homem ou Mulher-Maravilha.

No primeiro filme da franquia, o fraquíssimo Quarteto Fantástico (05), era necessário uma apresentação prévia dos personagens e fora a cena do bombardeamento cósmico que deu os poderes ao quarteto, a seqüência final e algumas tiradas cômicas do Tocha Humana (além do próprio, é claro), absolutamente nada se salvava no filme.

Já nesse segundo, o chamariz veio a ser justamente a aparição d'O Surfista Prateado. Exceto os X-Men (nos anos 80s, diga-se de passagem), a Tropa Alpha e o Thor, ele é o único personagem dessa editora que eu gosto. A curiosidade foi ainda mais atiçada pelos trailers que foram sendo lançados, que mostravam um surfista espetacular e sua prancha.

Nesse filme, Sue Storn está prestes a se casar com Reed Richards e ela não gosta nada da idéia de ter a sua vida pessoal devastada pelos tablóides sensacionalistas. O Coisa parece se resignar com o fato de ter um coração, literalmente, de pedra e Johnny Storm, ou melhor, "John" (pois Johnny é infantil demais, conforme as pesquisas marketeiras) é o único confortável com os papparazzi e a favor idéia de "marketing institucional" nos uniformes do quarteto para "levantar uma graninha".

Longe de mim ser um nerd que quer uma adaptação fiel dos quadrinhos para as telonas, mas a canastrice explícita dos atores e o timming errado das piadinhas no primeiro filme filme fizeram com que eu o classificasse como "fraquíssimo". Esses erros foram corrigidos e agora, tudo converge. Tanto a "química" entre os protagonistas como as piadinhas, mesmo aquelas numa suposta cena "dramática" estão no ponto certo.

A história é rasa, não espere algo muito profundo ou "denso". É um filme pipoca para a família, inclusive para a família com integrantes com menos de 10 anos, um público que os gibis abandonaram há tempos e que precisam reconquistar para a sua própria salvação.


B+
Fantastic Four:Rise of the Silver Surfer (Tim Story, EUA, 2007)
Quando: Julho/07 (Box Guararapes)
Site Oficial: fantasticfourmovie.com

HOMEM-ARANHA 3

A chegada à maioridade.


No primeiro filme, há o descobrimento, aquele aonde "grandes poderes trazem grandes responsabilidades". A infância. Na seqüência, os limites desses grandes poderes são testados e várias dúvidas e dificuldades atormentam o pobre (financeiramente falando) Peter Parker. A adolescência. Nesse terceiro filme, Peter já conhece seus poderes e seus limites e o Homem-Aranha, apesar da campanha contrária de J.J. Jameson, é o "amiguinho da vizinhança" adorado por todos (exceto, claro, J.J. Jameson, que, inexplicavelmente, protagoniza apenas duas míseras cenas). O deslumbramento.

Quando veste a máscara, o Homem-Aranha esbanja auto-confiança, mas em sua "vida comum", Peter Parker continua o mesmo nerd abobalhado, cantando sozinho no teatro enquanto a sua amada desafina no palco. A diferença é que agora esse nerd está namorando a mulher de sua vida, Mary Jane, que sabe sobre a sua vida dupla.

A primeira seqüência de ação entre o Aranha e o Duende Macabro é espetacular. A seqüência de "criação" do Homem-Areia é fenomenal. Dá até para engolir o Peter Parker emo e se você esquecer aquela babaquice toda do "lado negro do mal", você consegue ver que, na mesma situação, você deixaria que aquela gosma negra nojenta tomasse conta de você, para poder dar uma de gostosão(ona), ter todas(os) aos seus pés e poder dançar à la John Travolta back to the 70's. Ainda na parte "Peter Parker emo", ele foi um completo escroto com Mary Jane. Gwen Stacy saiu com uma lady ao pedir desculpas quando notou que havia sido usada para uma vingancinha idiota (e o seu papel no filme foi justamente essa ponta figurativa).

Vingança. Esta é a palavra-chave do filme. Vingança é um sentimento que corrói, mas que assim que você consegue atingir o seu objetivo, você fica oco. Sem propósito.

Perdão. Todos temos escolhas, mas às vezes fazemos coisas terríveis com as melhores intensões possíveis. Saber perdoar essas falhas te traz um sentimento bem mais nobre e intenso do que a concretização de uma vingança.

Redenção. Você pode ter feito coisas horríveis, mas basta se arrepender verdadeiramente para conseguir a sua redenção.

Há outras inúmera metáforas espalhadas pelo filme, muitas delas difíceis de serem captadas. Fique tranqüilo, não serei eu que as contará, pois assim como toda metáfora, ela pode ter inúmeros significados, dependendo das crenças pessoas de que a interpreta.

Nunca fui muito chegado ao Homem-Aranha, mas admito que todos os filmes de sua franquia são bons entretenimentos. Nos dois primeiros, havia paciência para o desenvolvimento das ações e motivações. Nesse último, como há três vilões (quatro se considerarmos o Peter emo), as brigas se suscedem sem uma conclusão plausível (com um período de hibernação entre um vilão e outro) e apesar de haver uma motivação clara para cada um dos vilões, elas não são profundamente detalhadas (Harry está magoado, Flint quer pagar o tratamento médico da filha, Eddie se sente humilhado e Peter-emo quer vingança). Há uma visível preguiça, nem tanto quanto no horrendo X-Men 3, mas há. Tem a idiotice da bandeira estaduninense, mas você só a critica quando ela aparece, pois logo em seguida começa a torcida para tentar adivinhar quando Harry aparecerá para ajudar o seu amigo Peter a salvar Mary Jane.

Não sou crítico de cinema, então, não sou chato a ponto de ficar pegando detalhes técnicos. No momento da projeção, as falhas do roteiro me incomodavam profundamente, mas os efeitos especiais cumpriam o seu papel e me anestesiavam completamente. Se até eu que critico esse gênero de "super-heróis tão humanos e propensos a falhas como eu ou você" saí da sala de cinema extasiado, é bem capaz de você nem ligar para esses detalhes e ficar apenas babando pelos efeitos especiais do filme mais caro da história do cinema.


B-
Spiderman 3 (Sam Raimi, EUA, 2007)
Quando: Maio/07 (Multiplex Boa Vista)
Site Oficial: spiderman.sonypictures.com

BARBARELLA

Love and Peace ao ritmo do iê-iê-iê.



Barbarella é uma astronauta terrestre do futuro longínquo. Um futuro aonde não há mais guerras em todo o universo, apenas paz e amor. Homens e mulheres têm direitos iguais e esse equilíbrio é ameaçado com o desaparecimento do Dr. Duran Duran, que acabara de inventar o raio positrônico que, em mãos erradas, poderia ser utilizado para o mal e acabar com a paz reinante no universo.

Um problema na hora da entrada na atmosfera ocorre e a sua nave cai no 16o planeta do sistema Tau Ceti, aonde o Dr. Duran Duran foi visto pela última vez. Na sua busca, ela vai cruzando com vários tipos exóticos: crianças banidas e seus brinquedos malévolos, um caçador dessas crianças (que a ensina a fazer amor "à moda antiga"), um anjo cego, a tirana local [oh, pretty, pretty! Do you wanna play? Pretty, pretty, pretty...], um grupo de subversivos dispostos a destroná-la e finalmente o Dr. Duran Duran, que enlouqueceu e quer dominar o universo.

O que cativa no filme é o sucesso em transpor para as telas toda a ebulição hippie e, sobretudo, política que estavam acontecendo no mundo no final dos anos 60 com os temas de paz e amor no universo. Outro ponto positivo é Jane Fonda, belíssima, que apesar de sua ingenuidade (afinal de contas, ela só sabe o que é paz e amor), vai passando por vários obstáculos impostos pelo "mundo cruel" ao ritmo do iê-iê-iê como trilha sonora e conservando essa ingenuidade até o final. É mais ou menos algo do tipo "por mais que os adeptos da guerra tentem destruir a paz e o amor, eles nunca serão bem sucedidos". Uma mensagem bem positiva para ser passada adiante.

Dino deLaurentis é o produtor do filme, que pode ser considerado como "irmão mais velho" de Flash Gordon (80), dirigido por ele, com quem compartilha a fotografia, os figurinos e os "efeitos especiais". Por incrível que possa parecer, Barbarella foi criada originalmente para as histórias em quadrinhos. Infelizmente, eu não as conheço.


A
Barbarella (Roger Vadim, EUA, 1968)
Quando: Abril/07 (DVD)
Site Oficial: ficha imdb

300

Muito barulho (muito mesmo) por muito pouco.


Há méritos em 300, a graphic novel. A graphic novel original tem um visual apuradíssimo. E só. O filme também tem visuais bem elaborados. E só. 300, o filme, é "simplesmente" um filme exagerado. Exagerado no hype em torno dele e exagerado no não desenvolvimento dos personagens (eles são assim e pronto, aceite-os). O exagero dos grunhidos de Leonidas no campo de batalha é acompanhado pela exagero da trilha sonora bizonha e ruidosa. Na falta de um roteiro, exagere-se na utilização de "frases-feitas de efeito": This is not madness. This is.... Spartaaaaaaaaaa!. Exagere-se também no recurso da câmera lenta, nas coreografias e na "macheza" dos soldados espartanos. "Ele não disse adeus, porque isso significaria um sinal de fraqueza". Cadê o meu saco de vômito?

300, o filme, é também um filme contraditório. Homoerótico ao extremo, é igualmente homofóbico ao extreno. Se os "pederastas filósofos de Atenas", "ousaram" não se curvarem diante de persas, é óbvio que os "machos" de Esparta não poderia fazer diferente. Os espartanos lutam contra a "tirania" do persa Xerxes, mas eles não são nem um pouco tirânicos ao se dizerem melhores do que todos os demais povos, ao descartarem os "defeituosos", ao serem aversos a tudo o que não é "espartano" e ao terem um rei, ao invés dos pederastas atenieneses que tinham uma democracia na época.

Claro que eu não poderia deixar de falar sobre Rodrigo Santoro. Ele não apenas encarna uma drag queen num carro alegórico como ele também está exagerado no papel "passivona lôka para dar o edi". Eu já estava me segurando para não rir quando ele apareceu pela primeira vez e não agüentei quando chegou a hora em que ele coloca as mãos atrás de Leônidas e diz que não era o seu chicote que seus súditos temiam. Como eu disse anteriormente, homoerótico e homofóbico ao extremo. Verdade seja dita, sua atuação é a melhor do filme, "fechando" todas as cenas em que aparece (acho que são apenas 4 ou 5). Pena que o roteiro que lhe foi entregue é tão tosco e limitado.

Como 300, a graphic novel, é do mesmo autor de Sin City, Frank Miller, acho que posso comparar as duas adaptações cinematográficas. Só há uma coisa a dizer: Jack Snyder vai ter que comer muito feijão com arroz para chegar a ser comparado ao dedo mindinho de Robert Rodriguez.

O que foi aquela cena final do rei Leônidas à la Jesus Cristo? É muita merda num filme só. Como diria Shakespeare, much ado about nothing.


C
300
(Jack Snyder, EUA, 2007)
Quando: Março/07 (UCI Recife)
Site Oficial: 300themovie.warnerbros.com

MOTOQUEIRO FANTASMA

Mais uma adaptação dos gibis para o cinema... que derrapa feio.


Deveria ter seguido os meus instintos e ficado em casa, esperando uma cópia em DVD ou um torrent, mas como eu estava muito afim de ir ao cinema naquele dia, resolvi experimentar a última adaptação dos quadrinhos para a tela grande.

Praticamente nada se salva nesse filme. Piadinhas infames (chamar a moto com um assovio? Por favor...), caracterização quase inexistente dos personagens, "efeitos especiais" risíveis, um Nicolas Cage bizonho com aquela peruca, um "par romântico" que se resume aos closes nos peitos da "atriz", enfim, um "herói" que não sabe bem o que está acontecendo até que encontra uma espécie de tutor (um Ghost Rider da época do velho oeste que ousou desafiar o belzebú) que lhe mostra o caminho da luz.

A história até que é relativamente fiel aos quadrinhos, com Johnny Blaze como um rapaz que faz um pacto com o demônio para salvar a vida do seu pai e, anos depois, quando o "coisa ruim" volta para cobrar a sua dívida, se transforma em seu arauto, o Motoqueiro Fantasma. Nos quadrinhos, essa passagem é mais macabra, mas para "o grande público", Johnny é apenas ludibriado e num momento de fraqueza. Nos quadrinhos não há um "objetivo pré-definido". No filme, ele deve combater Satanás Jr., que quer tomar o trono do seu querido papai.

E tome enrolação do começo ao fim. Como eu disse acima que quase nada presta nesse filme, pelo menos as míseras aparições do Motoqueiro Fantasma (são apenas três seqüências!, a primeira delas somente depois de dois terços do filme) são legais. Fora isso, são apenas clichês batidos na veia (casal se despede na mesma árvora aonde entalharam seus nomes quando eram adolecentes? Socorro!). Realizado pelo diretor de O Demolidor (03), outra grande decepção, não poderia ser diferente. Ele é apenas mais um filme caça-níqueis que não acrescenta nada, aposta no certo, se dirige a um público alvo que se contenta com um visual cool e uma atriz peituda e que no final, vai ficar perdido numa prateleira qualquer das locadoras de vídeo.


D
Ghost Rider (Mark Steven Johnson, EUA, 2007)
Quando: Março/07 (Multiplex Boa Vista)
Site Oficial: www.motoqueirofantasma.com.br

SUPERMAN - O RETORNO

Ele voltou.



A expectativa valeu a pena. Após uma novela de dez anos, o Super-Homem voltou às telonas de forma magistral. Tive que passar por cima de três aborrecentes que insistiam em não calar a boca e que, infelizmente estavam ao meu lado. Depois de as mandarem, educadamente, mas com a minha delicadeza ímpar, se comportarem, já tinha perdido todo o letreiro inicial. Até aí, nada demais, pois eu já estou cansado de saber que Kal-El é o único sobrevivente do falecido planeta Kripton e que foi enviado à Terra pelo seu pai, Jor-El, sendo criado no coração do Kansas por Jonathan e Martha Kent.

Após uma jornada de 5 anos em busca de suas origens, o Super-Homem volta à Terra e percebe que o mundo não parou. Lois Lane se tornou mãe, está num "longo noivado" e ganhou o prêmio Pulitzer por artigo em que mostrava porque o mundo não precisava de um Super-Homem.

Sua volta à ativa se dá de forma magistral, com a cena da queda do avião. Não tem a dramaticidade como aquela aonde ele segurava Lois Lane num braço e um helicóptero no outro como no filme de Richard Donner (Superman: The Movie, 78), mas ela te faz prender o fôlego tanto quanto. O único porém é que eu percebi claramente que o Super-Homem era um boneco digital. Quando ele se tornou de carne e osso, ele continuou parecendo um boneco, pois carregaram tanto em sua maquiagem que parecia que ele havia passado por uma sessão de aplicação de botox, tamanha a falta de qualquer marca de expressão em seus rosto.

Isso me incomodou, mas logo abstraí por causa do mesmo diálogo sobre estatísticas de acidentes aéreos e do desmaio de Lois Lane (que me remeteram diretamente ao filme de 78). Entretanto, a impressionante semelhança física entre o Clark Kent de Brandon Routh e o de Christopher Reeve, o timbre de voz dele como Super-Homem e diversas outras cenas, como por exemplo, os dois presos na porta giratória do Planeta Diário, fizeram com que eu voltasse a me incomodar na poltrona. Eu simplesmente não sabia se estava num filme novo ou num remake mais elaborado do antigo. Até mesmo a hesitação da companheira de Lex Luthor me remeteu à Srta. Teschmacher. Criar um novo continente e inundar os EUA? Lex Luthor já tentou afundar a Califórnia anteriormente.

Mas esqueci disso tudo rapidamente quando vi Clark Kent olhando os arquivos com o nome de Lois Lane e quando ele a observava subir pelo elevador com sua visão de raio-x. Foi aí que eu entendi qual era a essência do filme: a história do amor platônico de Clark Kent por Lois Lane, que ama o Super-Homem. Nos gibis, os dois estão casados, mas há apenas 10 anos, depois de 58 anos desse triângulo amoroso. É realmente angustiante ver o deslocamento de Clark com a nova situação de Lois. A sua amada está num longo relacionamento... e tem um filho! Nesse contexto, qual seria o papel dele?

Eu admiro a coragem do diretor por focar o filme nesse drama, afugentando o grosso da audiência dos cinemas que busca a violência gratuita, corpos retalhados e a escatologia, mas Super-Homem não é um justiceiro obcecado como o Batman e muito menos um carniceiro como o Wolverine, os dois mais populares personagens dos quadrinhos de hoje. Super-Homem é, acima de tudo, um "bom moço". Super-Homem não teria o escrúpulo necessário para explodir um planeta inteiro para que o vilão não vencesse e não retalharia alguém com suas garras só porque esse lhe olhou torto. O Super-Homem é considerado hoje em dia pela massa consumidora dos quadrinhos como um sujeito meio "bobo" pela pureza de seus caráter e de seus valores morais. Ele é "certinho demais". Mas o Super-Homem representa tudo que está acima do bem e do mal. Ele representa alguém em quem você deve confiar, alguém que dá o exemplo.

Se esse filme desagrada os ávidos por sangue, acerta em cheio aos apreciadores de um bom cinema, com cenas de plasticidade contagiante como a sede do Planeta Diário em estilo Art Déco, ou o encontro do Super-Homem com o Sol para "recarregar as baterias", ou nas outras três que eu não agüentei e comecei a chorar (não vou falar para não estragar a surpresa de quem ainda não viu).

O filme alterna bem as cenas de romance platônico entre os protagonistas, as maquinações de um Lex Luthor interpretado irrepreensivelmente por um Kevin Spacey que parecia estar se divertindo e as proezas que somente um Super-Homem seria capaz de fazer como pulverizar cacos de vidro com sua visão de calor ou parar um incêndio na tubulação de gas com o seu super-sopro. Poderia falar também sobre segurar um avião em queda livre, mas aí já seria repetitivo com o começo dessa resenha.

Você até mesmo já se esqueceu de respirar quando o Super-Homem está levantando o continente criado por Lex Luthor e dando um exemplo de superação já que ele está repleto de kriptonita.

Não há uma cena como o Super-Homem de Christopher Reeve voando e gritando feito um louco depois que Lois Lane morre, mas a penúltima cena desse filme, quando ele contracena com o filho de Lois teve o mesmo efeito sobre os meus olhos.

E aí acabou. Ele voa com a Terra ao fundo e não nos resta o que fazer, a não ser esperar ansiosamente pela seqüência.



Se bem que há a sempre válida opção de "bisar" a sessão de cinema...


A
Superman Returns (Bryan Singer, EUA, 2006)
Quando: Jul/06 (UCI Recife)
Site Oficial: wwws.br.warnerbros.com/supermanreturns

X-MEN 3

Mais uma prova de como um diretor (e/ou um roteirista) consegue(m) cagar numa boa idéia.


Minha relação com os X-Men tem mais de 20 anos e desde sempre eu sonhava com sua adaptação para o cinema. Minhas preces foram ouvidas com X-Men (00), cujo maior pecado foi a grande quantidade de atores com interpretações pífias, impossibilitando qualquer tentativa de melhor desenvolvimento de seus personagens no tempo proposto pelo filme. Quando X-Men 2 (03) foi lançado, não havia mais essa preocupação de apresentá-los ao público e houve um certo amadurecimento de alguns atores. Resultado: um filme maravilhoso com toda a essência dos X-Men, que pode muito bem ser transposto para outros "grupos" discriminados por serem "diferentes".

Logo no começo desse, já comecei a ter calafrios com a visão de um professor Xavier andando ao lado de Magneto, mas respirei fundo, afinal de contas, A Fênix Negra é, ao lado de Dias de Um Futuro Esquecido (que é reproduzido na seqüência seguinte do filme), uma das melhores sagas que ocorreram no universo quadrinístico mutante.

Um dos maiores pedidos dos fãs é que seu mutante favorito esteja na telona e eles foram mais do que agraciados nessa seqüência, pois há mutantes para todos os gostos. Na verdade, há uma verdadeira superpopulação deles, agora mais aceitos na sociedade do que nos filmes anteriores. O porém é que justamente essa superpopulação não deixa espaço para um maior aprofundamento individual e vários mutantes entram e saem de cena na mesma velocidade que um clipe da MTV. Não bastasse essa confusão, o roteiro, ao decidir seguir dois temas principais, não consegue se aprofundar em nenhum deles.

A grata surpresa foi Famke Jansen/Fênix, que apesar de ter sido uma das mais fracas atrizes nos dois anteriores, ela está aqui em seu melhor momento (e convencendo!). Por outro lado, sir Ian McKellen/Magneto e Patrick Stewart/Professor Xavier devem ter feito as piores atuações de suas carreiras, algo pelo qual se envergonharão pelo resto de suas vidas. Halle Berry/Tempestade ganha "desenvolvimento", mas ainda não foi dessa vez que ela provou porque ganhou o Oscar. Wolverine nunca foi dos meus personagens preferidos e aqui seu intérprete faz uso de seus bíceps avantajados e torso seminu. Se a mesma "técnica de interpretação" já não tinha dado certo em Van Helsing (04), aqui não seria diferente.

Mas nem tudo está perdido, pois a cena final, aonde a Fênix surge em toda a sua plenitude, vale o ingresso, o que não vale é a frase que o personagem de sir Ian McKellen é obrigado a dizer: um "What have I done?" tão tosco que ele bem que poderia ter sido poupado de tanta humilhação.

Nós também.

B-
X-Men: The Last Stand (Brett Ratner, EUA, 2006)
Quando: mai/06 (UCI Recife)
Site Oficial: www.xmen-oconfrontofinal.com.br

V DE VINGANÇA

Não é o homem que conta a história que importa. O que importa é a idéia dessa história.


Duas das histórias que eu mais gosto são Moby Dick e O Conde de Monte Cristo. Em comum, ambas têm como tema básico a vingança: a do Capitão Arab contra a baleia que amputou-lhe a perna e a de Edmond Dantes contra todos os que arruinaram sua vida.

Após as (sofrível e horripilante, respectivamente) adaptações de Do Inferno (01) e A Liga Extraordinária (03), para o meu total espanto, V de Vingança conserva toda a verborragia (dada as devidas concessões, claro) e todo o clima "anárquico" (idem) dos quadrinhos de Alan Moore, publicados no início da já distante década de 1980, numa época em que o punk ainda dava sinais de vida, a Inglaterra (terra natal do autor) estava sob o comando da Dama de Ferro e a Guerra Fria continuava não declarada.

Na essência, a história corresponde a um "grito" contra "tudo o que aí estava", de forma bem maldita, bem "underground", mas agora, o filme é lançado por um grande estúdio, com o objetivo de alcançar um grande público. "Pelos mesmos criadores de Matrix", é o lema da campanha de marketing.

Apesar de reconhecer momentos chaves dos quadrinhos no filme, algumas cenas são difíceis de acreditar que tenham saído da cabeça de Moore (faz tempo que eu li a minissérie pela última vez). Tudo isso para dizer que, apesar de certos "truques", o core da idéia original está lá na telona: numa Inglaterra tomada pelo fascimo, V é um terrorista que, antes de querer se vingar daqueles que o deixaram em sua atual situação, quer derrubar o regime totalitário que mentiu para seus eleitores e destruiu tantas vidas, a dele no meio. Um regime que instigou o medo na população para tomar o poder e se perpetuar nele.

Confesso que fiquei constrangido por estar ao lado do terrorista, mas é impossível você não ser desmontado por seus argumentos. Felizmente Evey diz o que estava engasgado na minha garganta. "Sim, eles são monstros. E você? Você não é muito diferente deles", diz para V, que fica sem resposta.

Entre uma citação de Fausto e outra de McBeth, há espaço para um "filme dentro do filme", com trechos de uma das adaptações do livro de Alexandre Dumas para as telonas. Destaque para o momento de êxtase ao qual o diretor nos submete com Anthony and The Johnsons durante a valsa de V e Evey, o "momento de inflexão" do personagem de Stephen Rea, ao tomar uma decisão que ele sabia que era a mais correta, mas que era contra seus superiores. "E se você descobrisse que o seu governo mentiu para você?", diz um determinado momento.

Citar todos os "pequenos momentos" aonde Alan Moore dá o seu recado, como por exemplo, no "amor proibido" de duas personagens, que servirá de inspiração para Evey num dado momento estragaria a surpresa de que ainda não viu o filme. Basta ficar bem atento e prestar atenção quando ele critica aqueles que acham que o "diferente" é errado e deve ser proscrito.

O destaque negativo é Hugo Weaving, que parece reencorporar seu Agente Smith em alguns momentos, mas nada que comprometa seu V, que solta o verbo de forma maestral. Natalie Portman está bem e John Hurt está excelente. Falar de Stephen Rea seria inútil, pois sou seu fã desde The Crying Game (93) e, desde então, ele não me decepcionou.

V de Vingança não é a história de um homem, que é mortal e um dia morrerá. É sobre uma idéia, que pode ser passada de geração à geração e, assim, se tornar imortal. Antes de ser uma história cujo protagonista é um terrorista assassino, ele nos conta como deve ser o governo para o povo, de como um povo pode se mobilizar. Algo meio em baixa num certo país tropical.


Não é o povo que deve temer seu governo, e sim o governo que deve temer seu povo.


A
V for Vendeta (James McTeigue, ING/ALE, 2006)
Quando: Abr/06 (UCI Recife)
Site Oficial: www.vforvendetta.warnerbros.com
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