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A ORIGEM

"Por que tão rocambolesco?"


Em O Cavaleiro das Trevas (08), a pergunta que se fazia para Christopher Nolan é: "por que tão sério?" Por que um filme sobre um homem que se veste de morcego e sai à noite para combater o crime tinha que ser tão verossímil?

Agora, a pergunta que eu faço é: por que você teve que fazer um roteiro tão grandioso? Porque o sonho é um labirinto? Me poupe. Isso para mim tem outra explicação. Aquela que é senso comum: se algo é pequeno, deve-se contrabalanceá-lo com algo "grandioso".


O visual é estupendo, reconheço. A originalidade da história sobre um crime perfeito também é muito boa (sim, essa é uma história sobre um crime perfeito!). Mas... para quê tudo isso? Sonho no sonho no sonho no sonho de alguém? O roteiro tem começo meio e fim, reconheço isso também. Mas é impossível filmá-lo no tempo proposto (e olha que são intermináveis 2h30). Solução: acelerador lá embaixo. Se piscar, fudeu.

Não pisquei. E mesmo que o tivesse feito, os grilos falantes estavam lá de tempos em tempos para nos situar na história e nos preparar para o próximo passo. Se mesmo assim, Morpheus me chamasse, a trilha sonora onipresente, onisciente e onipotente fazia questão de me preparar para o próximo clímax (um atrás do outro e do outro e do outro e ..... ). 

Mas saí do cinema decepcionado. Havia potencial na premissa. Muito, eu diria. O ego do diretor/roteirista não a deixou fluir. Sobre a cena final? Não se preocupe, não há nenhum spoiler. Há duas possibilidades, ambas igualmente possíveis. Há argumentos para corroborá-las e para desacreditá-las, depende de cada um e no seu sistema individual de crenças. Isso eu achei genial: a ideia foi plantada com sucesso.

Estou falando da discussão pós-filme e da vontade de muito em retornar às salas para "esclarecimentos".


B-
Inception (Christopher Nolan, EUA, 2010)
Quando: Agosto/2010 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: br.warnerbros.com/inception

O GRANDE TRUQUE

Rivalidade, inveja e obsessão.


Christian Bale e Hugh Jackman são dois assistentes de palco de um mago quando um truque dá errado e a esposa de um deles morre afogada dentro de um tanque. A partir de então, a rivalidade, a inveja e a obsessão de ambos move cada um de seus passos.

O ilusionismo nesse filme é visto através de engrenagens. Cada truque tem o seu método e cada método é um segredo guardado com a própria vida. Os engenheiros, principais responsáveis pela criação dos truques, são tão vitais para o espetáculo quanto o mágico nos palcos.

Vale tudo nessa rivalidade, sabotar, espionar e até mesmo matar, contanto que o outro nunca vença. Inicialmente, estava desconfortável, pois Christian Bale e sua cara de bom moço era totalmente inescrupuloso e Hugh Jackman, ao contrário, fazia o bom moço, o que não combina muito com o seu estigma de anti-herói adquirido como Wolverine, mesmo depois de um Kate & Leopold (02). Entretanto, lá pela metade do filme, Jackman resolve sujar as suas mãos enterrando vivo o engenheiro de Bale e aí o filme entra num "toma lá dá cá" desenfreado que só termina com a morte de um deles. Não, não estraguei a surpresa de ninguém, pois a morte de um deles é, na verdade, a primeira cena do filme e, assim como em Amnésia (00), deve-se prestar muita atenção em cada cena para não se perder completamente, especialmente perto do final, quando as reviravoltas levam o filme ao seu clímax.

A onipresente Scarlett Johanson e o seu bocão, para variar, estão divinos e David Bowie tem um papel interessante como o inventor de uma máquina revolucionária e maldita capaz de "fazer o homem se teletransportar". Outra participação especial é de Andy Sarkis, o Gollun de O Senhor dos Anéis, que aqui é o fiel escudeiro de Bowie. Precious....


B+
The Prestige (Christopher Nolan, EUA, 2006)
Quando: Abril/07 (DivX)
Site Oficial: warnerbros.com/theprestige
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