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THE MAN FROM EARTH

“Who do you think I am?”


John está de mudança e quer ir sem se despedir de ninguém. Entretanto, seus colegas, professores universitários das mais diversas ciências (da filosofia à biologia, passando pela literatura sacra, psicologia, antropologia e arqueologia), resolvem fazer uma festa de despedida em sua casa.

Lá pelas tantas, John resolve propor uma discussão sobre a possibilidade de um ser humano viver por 14.000 anos. No início, seus colegas pensam que é um jogo, mas depois, John revela que não sabe porque ele parou de envelhecer por volta dos 35 anos, aproximadamente 140 séculos atrás. Nesse período, ele andou pelos quatro cantos do mundo. Conheceu o Buda, esteve na palestina na época de Jesus Cristo, viajou com Cristóvão Colombo, sobreviveu à peste bubônica, ganhou um quadro de presente de um tal de Van Gogh...

É preciso muita concentração para “comprar” a idéia desse filme, pois ele é num tom mais lento, introspectivo, limitado a uma sala de estar com um sofá e algumas cadeiras, com perguntas e respostas e muita especulação entre esses amigos/cientistas, que ficam entre os mais céticos e os mais empolgados com a possibilidade da história de John ser verdade.

Ou não...

Há canastrões entre os atores, a maioria atuante na tv (de onde dá para reconhecer um rosto ou outro), mas o roteiro é envolvente, apesar da pequena derrapada que poderia ter sido evitada ao cortar os últimos 2 ou 3 minutos do filme. Entretanto, nada disso tira o seu mérito, que faz valer a pena sua conferência.


B
The Man From Earth (Richard Schenkman, EUA, 2007)
Quando: Julho/08 (DivX)
Sítio Oficial: manfromearth.com

CLOVERFIELD

Quando Godzilla se encontra com A Bruxa de Blair e tem Tropas Estelares como filhotinhos.


O marketing viral de Cloverfield foi competente. Atiçou-se a curiosidade do pessoal ao vender um filme de monstro sem mostrar o astro principal. Fiquei sabendo de sua existência no final do ano passado e bastou ver o trailer uma única vez para me deixar louco da bixiga para sair correndo atrás de mais informações. Infelizmente, na época, eu não encontrei nada a respeito. Felizmente, já vi o filme e posso atestar: ele funciona muito melhor quanto menos você souber dele. Por isso, um aviso: pare por aqui, pois até o final dessa resenha, vou ter estragado a sua surpresa caso você ainda não o tenha visto.

Lembre-se: a partir de agora, é por sua conta e risco, certo? Depois não diga que eu não avisei.

Como disse lá em cima, o trailer do filme o vendia sem o seu astro principal que todos pensam ser o monstro. Bom, estávamos todos errados, pois o astro principal do filme é Rob e sua turma, que estavam festejando sua despedida rumo ao Japão até que um estrondo e um blecaute interrompe a festa. "É um outro ataque terrorista?" Todos pensam. Eles procuram por notícias na TV e nada. Resolvem subir no telhado do prédio e é aí que a aventura começa. A partir de então, você não terá descanso até os créditos finais.

Você realmente se sente um dos protagonistas. É claro que você sabe que existe um monstro, mas você nunca o vê por completo (nunca). Você vê a cauda, você vê a pata, você vê uma parte do dorso com uma coisas caindo dele... Mas em nenhum momento do filme há um a tomada dele por inteiro. Você nunca é capaz de formá-lo completamente.

A parte dramática do filme está na missão de resgate de Rob e mais três amigos de uma amiga deles, amiga desde sempre do astro principal, mas que há menos de um mês se tornou "alguém muito especial". Para piorar, ela mora no epicentro da crise. No local onde "a coisa" está detonando NY e dando um banho nos militares. Não importa o que eles façam, o monstro continua de pé.

Na dúvida, Rob e sua turma corria, corria e corria. De repente se viam no meio de um campo de batalha com os militares disparando sem parar contra o monstro (e nem o arranhando), se escondiam no metrô, eram capturados pelos militares, subiam mais de 50 andares pelas escadas e quando você pensava (como eles) que finalmente estavam salvos pois estavam dentro do helicóptero, eis que levam uma "mordida" do monstro, sobrevivem à queda, se vêem embaixo do "dito cujo" e terminam se refugiando debaixo de uma ponte do "local anteriormente denominado como Central Park", onde os militares encontraram a câmera.


Os únicos pontos fracos do filme são os "filhotinhos dos bugs de Tropas Estelares (97)", que vêm junto com o monstrego e não dizem a que vieram, e o final, que não podia ser diferente, mas que me deixou com um gosto amargo na boca com a sensação de que algo estava faltando, de que tudo aquilo tinha sido gratuito. Mesmo assim, rememoro o filme e continuo com vontade de revê-lo, mesmo depois de 3 dias, com vontade especial para rever a cena da cabeça da Estátua da Liberdade, infinitamente melhor do que a mostrada no trailer.


B+
Cloverfield (Matt Reeves, EUA, 2008)
Quando: Fevereiro/08 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: cloverfieldmonstro.com.br

EU SOU A LENDA

O fim da humanidade e a "involução" do homem à uma nova "era das trevas".


Num futuro não tão distante, a cura do câncer foi descoberta. Infelizmente, essa descoberta significou o fim da humanidade de acordo com o doutor Robert Neville, que se auto-intitula "o último homem da Terra". A manipulação genética resultou em um vírus que matou quase toda a população terrestre. Outra boa parte foi infectada e virou uma espécie de zumbi/vampiro, que desenvolveu super-força, sensibilidade à luz solar e se alimentou da pequena parte da população que era naturalmente imune ao vírus.

As idéias contidas no filme são interessantíssimas (derivadas de um livro, escrito em pleno apogeu armamentista da guerra fria, na década de 50), mas que, como sempre em um blockbuster, são esmagadas, trituradas e depois, esquecidas. A dramaticidade de botequim exige que o cara esteja confinado em Manhatan (originalmente, era Los Angeles). A explicação é que como ali foi o início da epidemia, então eles explodiram as pontes e os túneis para confinar a população em "quarentena". Will Smith permaneceu porque era dever dele estar no "marco zero". Ok, faz de conta que eu acredito. Assim como faz de conta que eu acredito que, depois de três anos confinado na ilha, ele ainda tenha bacon e ovos frescos para poder comer no café da manhã e consiga legumes sei lá como.

Há outras merdas ao longo do filme difíceis de engolir, como por exemplo os mesmos três anos em que ele ficou sitiado e nunca cruzou com a personagem de Alice Braga, que de simples missionária da cruz vermelha vira uma espécie de "ramba" e o salva da morte certa pelos zumbis. Ela disse que estava num navio que veio de São Paulo (é... agora São Paulo tem porto...) e que parneceu por lá... por três ano!

O final fica ainda pior -- mais piegas para ser exato -- quando misturam Deus (ou a sua não-existência segundo o Dr. Neville) e misticismo ("eu precisava estar lá, para renovar a sua fé e você me dar algo"). Dizem que há um outro final gravado, mais "filosófico". Resta esperar para uma reedição à la Blade Runner (82, relançado da forma "correta" em 93).

Verdade seja dita, com todo o preconceito que eu tenho com relação a Will Smith, ele "segura o rojão" surpreendentemente bem, contracenando apenas com uma cadela em 80% do filme. Pena que no 20% restante, o roteiro tenha descarrilhado. E não só pela péssima interpretação de Alice Braga.


C
I am Legend (Francis Lawrence, EUA, 2007)
Quando: Janeiro/08 (UCI Recife)
Sítio Oficial: br.warnerbros.com/iamlegend

O HOSPEDEIRO

Um tapa com luva de pelica ao imperialismo americano (entre outras críticas).


O início do filme já mostra muito do que se pode esperar até o seu final, com um pesquisador estadunidense ordenando que o seu subalterno jogue dezenas de frascos de um líqüido extremamente tóxico no ralo da pia. O subalterno tenta convencê-lo do contrário, pois isso levaria o líqüido para o rio Han, que corta Seul, e causaria um desastre ecológico. Mesmo assim, o líqüido é despejado.

Na segunda cena, temos a primeira menção ao aparecimento de um "bicho estranho", com várias caudas, quando ele é capturado ainda como um pequeno lambari pela caneca de um pescador, mas é devolvido ao rio.

Na terceira cena, somos apresentados aos protagonistas da história e ao seu herói/anti-herói, um dorminhoco e meio abobalhado, ou seja, se esse fosse um filme indie, ele seria o perfeito looser. Ele, sua filha e seu pai moram e trabalham num trailer às margens do rio Han. Nesse belo dia ensolarado já temos, de sopetão, o primeiro ataque do monstro, que faz uma verdadeira carnificina no parque, levando consigo, Hyun-seo, a filha de Kang-du Park, o nosso herói/anti-herói.

Todos que estavam no parque são isolados em quarentena, pois acredita-se que ele seja o hospedeiro de um vírus que havia matado um "bravo soldado estadunidense em férias". Nesse tipo de hospital, Kang-du recebe uma ligação de Hyun-seo, dizendo que ela estava numa espécie de esgoto. Como ninguém quer escutar o que um "louco em estado de choque" tem a dizer, Kang-du, seu pai, seu irmão, um universitário desempregado que havia participado de protestos contra o governo no passado e sua irmã, uma bem-sucedida arqueira olímpica, resolvem escapar desse confinamento para salvarem a menina.

É um filme político, com pesadasíssimas críticas aos Estados Unidos. É um filme-família, mesmo sendo de uma família meio "capenga", mas que se une para salvar a mais indefesa entre eles. É um filme cômico, com diversas "tiradas" engraçadas para quebrar a tensão. E é um filme de monstro, com um monstro simplesmente espetacular, bem concebido e bem feito, que protagoniza cenas angustiantes.


A
Gwoemul (Joo-ho Bong, Coréia do Sul, 2006)
Quando: Julho/07 (Cinema da Fundação)
Site Oficial: hostmovie.com

O HOMEM DUPLO

Drogas? Tô fora!


O homem duplo do título é Bob Arctor, um agente especial infiltrado num grupo de traficantes da "Substância D" com o objetivo de prender os grandes traficantes numa história que se passa "daqui a sete anos".

Gostaria de ter ido ao cinema mais preparado para ver esse filme, pois fui completamente às cegas, de olho apenas no nome do diretor, e já estava de saco cheio lá pela metade do filme. "Como é que Richard Linklater pôde fazer um filme tão ruim como esse?", eu pensava, enquanto olhava incansantemente para o relógio e via as pessoas não tão corajosas quanto eu saindo da sala, uma a uma.

Minha capacidade de concentração já era nula e piorou ainda mais com a minha incapacidade de detectar um objetivo para o filme, nada que pudesse ser resumido em uma frase, como eu normalmente inicio minhas resenhas. Então, eu passei a prestar atenção quase que exclusivamente na "animação" (na verdade, na "pintura" que fizeram em cima da filmagem real), voltando para a história de tempos em tempos.

Quando o tormento finalmente terminou, a primeira frase que apareceu nos letreiros finais é "este filme é dedicado a todos aqueles que pagaram mais do que deviam por seus atos". Em seguida, uma lista de pessoas que só quiseram "se divertir" e acabaram morrendo, tendo AVCs e coisas ainda piores.

Foi aí que eu finalmente entendi o objetivo do filme e através de um método que em economês é chamado de "backward induction" (depois que o resultado final do sistema ocorre, você volta no tempo para descobrir como ele chegou a esse ponto), comecei a rebobinar a fita e vi os pontos chaves.

Bob é um policial infiltrado, mas os dois hemisférios do seu cérebro entram em conflito em função do uso excessivo da "Substância D", sua "namorada" tem aversão ao toque humano, um efeito colateral da droga, um de seus amigos junkies morre de overdose numa alucinação aonde seus pecados serão lidos incessantemente por toda a eternidade e os outros já estão com os seus cérebros fritados há tempos, não sendo capazes de elaborar sentenças que tenham algum sentido. Bob também acaba com o seu cérebro fritado e num estado no qual é "recrutado" para trabalhar numa fazenda aonde se planta as flores de onde se extraem a "Substância D". The End.

Há certos diretores que colocam suas impressões digitais em seus filmes e eu não estou falando de algo tão explícito como um Hitchcock cruzando uma faixa de pedestres, estou me referindo à uma "aura" que envolve todos os seus filmes, toda uma pessoalidade que faz você ser capaz de "sentir" que o filme é desse ou daquele diretor. Richard Linklater é um desses diretores e apesar de A Escola do Rock, Antes do Entardecer e O Homem Duplo serem filmes tão dispares entre si, você "vê" o seu dedo em cada um deles.


B+
A Scanner Darkly (Richard Linklater, EUA, 2006)
Quando: Abril/07 (Cinema da Fundação)
Site Oficial: wip.warnerbros.com/ascannerdarkly
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