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HOMENS E DEUSES

Vós sois deuses / Todavia morrereis como homens (salmo 82: 6-8)



Os fatos que antecederam a execução de oito monges católicos franceses de um mosteiro na Argélia por rebeldes argelinos em 1996.

A Argélia é a eterna vergonha francesa. Volta e meia há a produção de um novo filme que, se não trata diretamente da guerra civil que culminou no sangrento processo de independência argelina, trata indiretamente desse processo, como a tentativa de integração à “França Livre” dos habitantes da ex-colônia.

Em Homens e Deuses, o tema é a execução de monges franceses por rebeldes fundamentalistas muçulmanos após a recusa do governo de Argel em libertar líderes rebeldes aprisionados, mas não é sobre como se deu a execução, é sobre aqueles oito seres humanos abnegados que abriram mão da própria vida para não quebrarem os votos que fizeram ao aceitarem a missão de servir a Deus naquela região. Para tanto, grande parte do filme trata de humanizar aqueles “deuses” que trazem conforto a um região desolada. Antes de serem padres, eles são pessoas de carne e osso e como tais têm as suas limitações e, volta e meia, têm sua fé (seja ela qual for) testada.

Inicialmente, é mostrada a rotina do mosteiro. A aragem da pequena horta, o atendimento médico precário, as orações, as refeições. Quando o conflito surge, o governo oferece proteção armada ao mosteiro, que é negada pelo líder não declarado, Christian. Os demais monges não concordam com essa decisão e, quando lhes é dada a escolha de ficar ou serem transferidos, uns querem ficar, outros querem sair. Os que desejam ficar fazem suas escolhas pelos mais diversos motivos. Os que querem sair, não têm a certeza de estarem tomando a decisão correta.

Agora vem o aviso de Spoiler! que pode estragar (ou não) sua visão posterior do filme (caso ainda não o tenha visto). Siga por sua conta e risco.

O clímax se dá numa cena montada para emular A Última Ceia (é a foto acima). Com a trilha sonora de “O Lago dos Cisnes” de Tchaikovsky, os monges são mostrados individualmente. A aura de deuses não existe mais. São apenas homens que transparecem a paz interna pela certeza de terem tomado a decisão correta. Nessa madrugada, o mosteiro é invadido. O que se segue é apenas história.


B+
Des Hommes et des Dieux (Xavier Beauvois, FRA, 2010)
Quando: Junho/11 (Cinema da Fundação)
Sítio Oficialsonyclassics.com/ofgodsandmen

MILK

Documento verdade



O mais perturbador em Milk é saber que, apesar de estarmos 30 anos “a frente” de seu tempo, quase nada mudou em relação ao modo como a sociedade encara os homossexuais. No tempo do politicamente correto (e o medo de ser “incorreto”), o mantra é ”temos que respeitá-los”, sem se dar conta que a frase em si já diz tudo com a parte implícita do “apesar deles serem homossexuais”.

Harvey Milk era um simples contador quando chegou aos 40 e se deu conta que não tinha realizado nada até então. Pediu demissão, virou hippie e viajou o país com o seu namorado até se estabelecer na Rua Castro, em São Francisco. De repente, ele se viu como uma espécie de líder entre os homossexuais da região e, naturalmente, acabou se candidatando a uma vaga de conselheiro da cidade (acho que deve ser uma espécie de vereador). Perdeu 3 ou 4 eleições até que, em 1978, ele conseguiu se eleger. Antes do ano terminar, foi morto a tiros por um de seus colegas conselheiros.

É uma cine-biografia clássica, sem muitos sobressaldos, com o tempo praticamente linear dos fatos, exceção feita ao “testamento” gravado que é intercalado nos momentos de elipses. Está longe de ser um estupendo Gus Van Sant, mas o seu tom panfletário é no ponto certo, te instando a tirar a bunda da cadeira para tentar fazer alguma coisa para mudar a mentalidade tacanha do mundo.

Outro fato interessante são as imagens reais da época, principalmente daquela Miss-cantora-evangélica-etc do EUA e sua campanha contra os homossexuais. Na década de 1970 eles queriam que os professores homossexuais fossem demitidos. Felizmente, essa proposta não foi aprovada, porém, ano passado, os mesmos californianos disseram não ao casamento de homossexuais.


A
Milk (Gus Van Saint, EUA, 2008)
Quando: Fevereiro/09 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: ficha imdb

OPERAÇÃO VALQUÍRIA

Um filme “competente”.



Saí da sessão com uma sensação agri-doce. O filme foi bem feito, há um nítido cuidado em se retratar fielmente a época em que ele se desenrola, mas fora isso, ele não me passou nada além de um documentário com grande orçamento, bons atores e um diretor “competente”.


Depois do fiasco de Superman, O Retorno (05) -- onde se preocupou mais em render homenagens do que trabalhar numa renovação do super-herói -- Bryan Singer resolveu filmar uma das 15 tentativas de assassinar Hitler, a que ficou conhecida como “Operação Valkíria”, e, novamente, ficou “preso”, desta vez a uma narrativa linear e, em vários momentos, enfadonha. Há muitos personagens e muitos detalhes que fazem com que os mais desatentos (eu, por exemplo) se percam facilmente. Talvez se eu tivesse prestado mais atenção, minha impressão final do filme tivesse sido diferente.

Para não dizer que o filme é inútil, sua “razão de existir” pode ser explicada pelo novo ângulo sobre Hitler, a Segunda Guerra Mundial e as conspirações internas na própria Alemanha contra o Füher. Se esse último ponto tivesse sido mais bem explorado, talvez ele tivesse até um valor histórico.


C
Valkyre (Bryan Singer, EUA/ALE, 2008)
Quando: Fevereiro/09 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: operacaovalquiria.com.br

BOBBY

Quem foi Robert F. Kennedy?



06/06/68. Esse foi o dia em que o irmão de John Kennedy, Bob, foi morto. Nesse dia, várias pessoas com seus próprios sonhos e ideais estavam presentes no Ambassador Hotel, local do atentado.

Bobby procura retratar 22 dessas pessoas, da artista alcólica e decadente à cabeleireira traída; do gerente do hotel ao seu subordinado racista; da amiga de infância que aceita se casar com o amigo para que ele não fosse enviado ao Vietnã ao casal em sua segunda lua de mel; do traficante aos dois cabos eleitorais que desejam "viajar"; da telefonista aos dois ex-porteiros do hotel que, mesmo aposentados, continuam freqüentando-o; do chefe da cozinha aos garçons mexicanos; dos assessores à jornalista tcheca que deseja uma entrevista de 5 minutos com o candidato. Enfim, 22 histórias que se entrelaçam (ou não) que ocorreram naquele mesmo dia em que Bob Kennedy foi morto na cozinha do Ambassador Hotel por um extremista palestino.

Um filme panfletário, com diálogos um pouco melodramáticos demais em alguns momentos, um pouco "lugar comum" em outros, mas que funcionam no conjunto, entrecortando-se entre si e com várias imagens reais do candidato discursando. Funcionam para mostrar quem foi Robert F. Kennedy, quais eram suas propostas e que nos faz pensar o que seria do mundo hoje se naquele dia, aquela tragédia não tivesse acontecido.


B+
Bobby (Emilio Estevez, EUA, 2006)
Quando: Outubro/07 (Cine Rosa e Silva)
Site Oficial: bobby-the-movie.com

A FESTA NUNCA TERMINA

A cena musical de Manchester do final dos ano 70 a início dos anos 90.


O filme começa com o primeiro show dos Sex Pistols em Manchester. A esse evento histórico, compareceram apenas 40 testemunhas e, entre esses poucos privilegiados, havia os que tempos depois formaria o Joy Division, o Simply Red e o Duritti Collum. Havia também Tony Wilson, um apresentador da TV britânica que montaria um selo musical juntamente com seus amigos, a Factory Records.

O Joy Division se torna a primeira e mais rentável aquisição da Factory Records. O sucesso é tão grande que o seu vocalista e líder, Ian Curtis, se suicida. Os integrantes formam um novo grupo, o New Order. Surge Blue Monday. Novos grupos são lançados: Happy Mondays e James. Tony Wilson abre a Hacienda, o primeiro nightclub onde se toca a música eletrônica. Infelizmente, as pessoas se drogam tanto na Hacienda que não consomem, o que a leva à falência.

Mas a vida continua e a festa nunca termina. ;-)

Um dos melhores filmes (senão for "o" filme) sobre o Punk e Britpop. Altamente recomendado.


A
24 Hour Party People (Michael Winterbottom, ING/FRA, 2002)
Quando: Junho/07
Site Oficial: partypeoplemovie.com

VIDA DE SOLTEIRO

All my life / I'm waiting for somebody / Ah-ha-ha / come and take my hand


O filme tem início e Paul Westerberg já está cantando os versos acima, da belíssima "Waiting for Somebody", enquanto os créditos correm soltos pontuados por imagens de Seatle. Logo mais, o filme não terá nem mesmo 5 minutos e outra música entrará em cena. Pronto: estamos em mais um filme de Cameron Crowe.

Mas não é um filme qualquer. É um filme ambientado em Seatle, no início dos 90's. O que isso quer dizer? É o ápice de "Era Grunge": Screaming Trees, Soundgarden, Pearl Jam, Alice in Chains & Cia. Todas essas bandas estavam em seu auge nessa época e todas estão na trilha sonora do filme, que ainda conta ainda com Smashing Pumpkins e sofre a ausência lastimável da mais famosa banda dessa época, o Nirvana.

Dizem as más línguas que Kurt Colbain não gostou do filme, que conta basicamente a história de Janet e Steve. Eles já foram namorados, mas agora são apenas bons amigos e moram no mesmo pequeno condomínio. Steve, engenheiro de tráfego, acaba conhecendo Linda, que é uma politicamente correta em ecologia, numa boate e Janet, que trancou o curso e arquitetura e agora trabalha num bar, está saindo com Cliff, que mora no mesmo condomínio e tem quatro empregos diferentes, além de ser um rockstar wannabe (e tem como integrantes da sua banda, Eddie Veder, Stone Gossar e Jeff Ament, mais conhecidos quando estão tocando junto como uma tal banda chamada "Pearl Jam").

O enredo básico pode parecer bobinho, e é, mas lá encima eu já disse que esse era um filme de Cameron Crowe, ou seja, esses quatro personagens serão tão bem construídos e críveis que você vai se sentir como se eles fossem seus melhores amigos de infância antes da metade do filme e assim, você vai torcer por eles. Isso também se chama identificação. Seja com os personagens, seja com o tema, ao mesmo tempo particular e ao mesmo tempo universal: a busca de sua alma gêmea.

Caso ainda não tenha se convencido, basta dar uma olhada em quem eram essas quatro pessoas: Bridget Fonda (Janet), Campbell Scott (Steve), Kyra Sedgwick (Linda) e Matt Dillon (Cliff) no início de suas carreiras. Outro motivo é Tim Burton, que faz uma participação especialíssima como um videomaker que, dizem no filme, seria o próximo Scorcese.

Pode-se não gostar do filme, assim como Kurt Colbain, mas uma coisa é certa: quer saber o que foi a cena grunge? Assista a Singles e saberá. E também ficará na sua memória Linda visitando o apartamento de Steve pela primeira vez e passando os olhos no painel de fotos ao som de "Radio Song" (entre vários outros momentos, é claro).


A
Singles (Cameron Crowe, EUA, 1992)
Quando: Junho/07 (TV)
Site Oficial: ficha imdb

CARTAS DE IWO JIMA

Sobre a estupidez de uma guerra


Em A Conquista da Honra, Clint Eastwood apresentou a discussão sobre o significado da palavra "herói" ao mesmo tempo em que desconstruía um mito atribuído à ela, a célebre foto do hasteamento da bandeira estadunidense na ilha japonesa de Iwo Jima. Essa contraparte da história mostra "o outro lado". Ao humanizá-lo, desconstrói o mito de que todo japonês era uma espécie de robô que cumpria calado todas as ordens que lhe impunham e que estava pronto para cometer suicídio em nome de seu imperador. O melodrama que faltou na primeira metade do projeto veio com força nessa segunda parte.

Apesar de apresentar vários personagens, Cartas de Iwo Jima é baseado principalmente no general Kuribayashi, que chega para defender a ilha do iminente ataque estadunidense e em Saigo, um simples padeiro, que só queria voltar para casa, para poder conhecer sua filha que havia nascido enquanto ele estava servindo no exército. Há também o "típico soldado japonês", que prefere se suicidar a se render e também superiores que preferem decapitar soldados que deixaram seus postos a utilizá-los na resistência contra o inimigo.

O general Kuribayashi esteve um tempo nos EUA e ao chegar na ilha, implementa novas idéias de defesa e trata seus subordinados com excessiva delicadeza, o que traz desconfiança e inveja aos comandantes mais antigos, acusando-o de "americanizado". Ao mesmo tempo, ele não nega suas origens e na "hora do vamos ver", ele sabe ser bem tirânico, ou utilizando o jargão da área, ele impõe a força da hierarquia aos seus comandados.

A Conquista da Honra, ao mesmo tempo que desconstrói o mito da fotografia, faz uma apologia à guerra. Já Cartas de Iwo Jima mostra como toda e qualquer guerra é estúpida, um verdadeiro desperdício de vidas humanas. Todos na ilha sabiam que eles não venceriam, pois eles estavam em menor número e não tiveram direito nem a aviões, nem a tropas adicionais. A morte era tão certa que um ex-campeão olímpico japonês de equitação que estava na ilha, o barão Nishi, dizia que a única chance de vitória que eles tinham era afundar a ilha. Mesmo assim, ele estava disposto a morrer por seu imperador.

O único ponto negativo, talvez utilizado como forma de reproduzir o "tempo real" da batalha, é a excessiva duração do filme, que causa muito desconforto ora com o bombardeio incessante, ora com o barulho das armas que parece que nunca terminará. Mesmo assim, um filme que fecha brilhantemente a história iniciada em A Conquista da Honra. Brilhantemente pois aqui, "os outros" (os estadunidenses) são tratados como vultos/sombras, que não falam e que mesmo após a rendição do inimigo, são capazes de matar a sangue frio os seus prisioneiros de guerra.


B
Letters from Iwo Jima (Clint Eastwood, EUA, 2006)
Quando: Abril/07 (DivX)
Site Oficial: br.warnerbros.com/lettersfromiwojima

VELVET GOLDMINE

Um filme purpurinado


Brian Slade teve a premonição de que seria assassinado em uma de suas apresentações. A "visão" se concretiza e, anos mais tarde, descobre-se que foi tudo uma encenação, um puro golpe de marketing de uma carreira que estava em declínio.

Sou über-fã de David Bowie e do glam rock (apesar de nunca ter usado vestidos, maquiagem, purpurina no rosto, perucas ou brincos escandalosos) mas só agora é que eu consegui ver o filme que se passa na época em que Ziggy Stardust reinava absoluto nos palcos e nas vendagens de discos.

A reconstituição da época e o desenvolvimento da história são os pontos positivos do filme, que conta basicamente o redescobrimento da velha paixão de juventude de um repórter na casa dos seus 30 anos, designado para cobrir justamente a história da "morte" de Brian Slade pois ele era inglês e havia migrado para os EUA. Através de entrevistas com o ex-empresário que o descobriu, a ex-esposa (Toni Collette) e um ex-ídolo do rock (Mick Jagger? Iggy Pop?) que teve um "caso" com Brian (David?), ele vai montando o quebra-cabeças da ascenção, queda e "morte" de Brian (Ziggy Stardust?). Ao mesmo tempo, ele se lembra que esteve no show "fatídico", que era fã de Brian, das piadinhas que tinha que ouvir por "ser" daquele jeito e das brigas que tinha com o seu pai, que dizia que ele envergonhava a família se comportando daquele jeito.

Apesar de só ter visto esse filme agora, há males que vêm para o bem, pois tudo o que eu sabia sobre os atores é que eu pensava que o tal ídolo do glam rock era Ewan MacGregor, mas não, ele é o roqueiro, Brian Slade é Jonathan Rhys-Meyers e fechando a trinca, o repórter é o atual Batman, Christian Bale. Ah, tem também Toni Collette!


B
Velvet Goldmine (Todd Haynes, EUA, 1998)
Quando: Março/07 (DivX)
Site Oficial: ficha imdb

MARIA ANTONIETA

Uma Maria Antonieta cool, humana e simpática.


Sim, esse foi o filme que foi vaiado no último Festival de Cannes e sim, Sofia Coppola tinha uma baita duma responsabilidade nas costas após o estupendo Lost in Translation (03). Eu, particularmente, não estava muito empolgado em conferí-lo...

... até que eu vi um de seus trailers no Youtube com "Ceremony" do New Order de trilha sonora. Pronto! A obsessão se entranhou no meu ser e fiquei louco de vontade de vê-lo. O medo de uma possível decepção (ora, ele foi vaiado em Cannes e a imensa maioria das críticas foi negativa) não me dominou e eu saí do cinema realizado.

Primeiro, por rever Versailles. Segundo, por ter a oportunidade de novamente ficar encantado pela interpretação da gracinha da Kirsten Dunst. Terceiro porque, afinal de contas, era um filme da mesma diretora de Lost in Translation (03)!

Há pontas soltas, claro, mas compreensíveis, pois o filme resume aproximadamente vinte anos da última rainha francesa antes da Revolução. Achei estranho, a mudança "repentina" do comportamento de Maria e seu marido, Luis XVI. De distantes no dia do casamento aos 7 anos sem a "consumação" do enlace matrimonial, "de repente" eles eram pombinhos apaixonados. No começo, essas elipses narrativas eram legais, mas no final, você fica um pouco perdido (se bem que a forma dela contar o nascimento de dois dos quatro filhos da rainha é fabulosa, mas só entendi aquele enterro quando li a respeito e soube que dois dos seus filhos morreram ainda crianças).

Não espere uma olhar crítico e impessoal de um historiador. Esse é um filme autoral e, acima de tudo, humanizador da rainha que contribuiu efetivamente para a Revolução Francesa. Também achei isso estranho, pois os livros de história pintam a dupla Luis XVI e Maria Antoineta como os demônios na Terra de Danton e Robespierre (tanto que eles perderam a cabeça, bem como seus algozes), mas eles são tão humanos no filme, tão... gente como a gente... Ele gosta de fechaduras e de caçadas, enquanto que ela gosta de colecionar sapatos, vestidos e, depois de virar rainha, passa a ter como hobbie dar festas de arromba até o amanhecer.

A trilha sonora é um deleite à parte e vem se tornando uma marca registrada de Sofia. O que muitos criticaram como sacrilégio, eu achei fantástico um baile de máscaras na Paris do século XVIII ao som de Siouxsie and The Banshees e várias festas da nobreza tendo como trilha sonora o punk-rock inglês da década de 80. Vamos deixar aquelas músicas "da época" para aqueles filmes "caretas", certo?

E falando sobre música, eu não poderia deixar de comentar sobre aquela voz rouca e inconfundível da D.E.U.S.A. alcunhada de Marianne Faithfull. Ela é Maria Tereza, mãe de Antonieta. É com essa voz rouca que a projeção se inicia e, de tempos em tempos, reaparece lendo as cartas que ela enviava à sua filha, se mostrando preocupada com a não consumação de seu casamento, pois de acordo com o código de conduta da época, até ela parir um herdeiro, ela não seria ninguém.

As críticas são compreensíveis, pois o roteiro não proporciona nenhum clímax, seguindo a mesma cadência do começo, quando ela viaja da Áustria para a França (sob a narração da D.E.U.S.A.) até o momento final, quando ela vê Versailles pela última vez, expulsa pelos revolucionários. Entretanto, Kirsten Dunst e A D.E.U.S.A. estão presentes e é impossível não se apaixonar por um filme que conta com suas presenças, assim como é impossível não se apaixonar por um filme de Sofia Coppola.


A
Marie Antoinette (Sofia Coppola, EUA/JAP/FRA, 2005)
Quando: Março/07 (UCI Recife)
Site Oficial: www.marieantoinette-movie.com

A CONQUISTA DA HONRA

O que é "ser herói"?



Antes de ser considerado como sendo um filme de guerra, A Conquista da Honra se preocupa com a desconstrução de um mito. Enquanto que a foto do hasteamento de uma bandeira enche de esperanças um país desencantado com uma guerra que parecia longe do fim, descobrimos aos poucos que essa foto não marcou a conquista definitiva da ilha de Iwo Jima, essencial para o bombardeamento do Japão e, conseqüentemente, para o fim da guerra. A foto foi tirada no momento do hasteamento de uma segunda bandeira, pois a primeira foi retirada para ser entregue como souvenir a um general. Não bastasse isso, os combates na ilha ainda prosseguiriam por mais um mês (pesquisando na Wikipédia, descobri que aquele pedaço de terra custou a vida estimada de 6.000 americanos e de 20.000 japoneses).

Mas ninguém se importou com isso, os marketeiros da guerra sentiram a força da fotografia no inconsciente coletivo e chamaram os seis "heróis" presentes na foto para se transformarem em garotos-propaganda da venda de bônus para o financiamento da guerra. Acontece que desses seis soldados, três haviam morrido em combate. Dos sobreviventes, um se encanta com o frisson, outro fica com sentimento de culpa por ter deixado um companheiro de Q.I. não muito elevado ser capturado pelos inimigos e o terceiro não consegue se ver como herói. Para esse último, os verdadeiros heróis eram aqueles que permaneciam no campo de batalha. E para aqueles que estavam no front, pouco importava a "defesa da honra de seu país", eles estavam apenas preocupados em não serem mortos.

O filme corta momentos dos três soldados nos EUA com flashes da batalha, mas ele se desenrola com uma certa monotonia, se debruçando principalmente na desconstrução do mito do "heroísmo" em detrimento das cenas de batalhas. Dizem que a "outra metade" da história, o ponto de vista japonês para a mesma batalha em Cartas de Iwo Jima, se concentra mais no conflito sangrento, mas como eu perdi sua exibição nos cinemas, infelizmente vou demorar para poder completar minha impressão sobre esse grande projeto do sr. Eastwood.


B
Flags of Our Fathers (Clint Eastwood, EUA, 2006)
Quando: Março/07 (UCI Recife)
Site Oficial: www.aconquistadahonra.com.br

A RAINHA

God save The Queen


Assim como todo mundo deve se lembrar o que estava fazendo quando soube dos ataques terroristas às Torres Gêmeas, acho que todos lembram aonde estavam quando tiveram conhecimento de que a princesa Diana havia morrido. Eu, por exemplo, estava fazendo um curso aos finais de semana quando uma menina chegou dizendo que ela tinha sofrido um acidente. Ainda não se sabia se ela estava morta ou não.

A Rainha trata exatamente dos acontecimentos posteriores à sua morte e da reação da rainha Elizabeth II ao fato. Inicialmente, ela preferiu o silêncio e tratar o assunto como algo que dizia respeito apenas à família da princesa (da qual, ela sempre frisava, não fazia parte). Entretanto, a comoção nacional que se seguiu cercou a rainha de tal forma que ela não teve alternativas a não ser capitular e "se modernizar", rendendo-se aos apelos do recém-empossado primeiro ministro Tony Blair por uma declaração pública. Uma declaração ao vivo pela televisão.

Inicialmente, me incomodou um pouco o estilo da filmagem, em tom de documentário que bem poderia ser um Linha Direta. Entretanto, com o desenrolar da história, fui me acostumandocom ele e comecei a ver o embate entre o antigo/as tradições representado pela rainha e o "moderno" representado por Tony Blair, antigo crítico da monarquia, mas que após passar a conviver de perto com a "instituição", mudou de opinião e fez de tudo para que a monarquia não fosse "engolida" pelos editoriais dos tablóides sensasionalistas.

O embate entre o novo e o antigo permeam todo o filme (assim como o conflito Elizabeth II e Tony Blair). Nesse ponto, é interessantíssima a conversa que a rainha tem com a sua mãe, Elizabeth I, procurando conselhos que lhe tirassem a dúvida que sentia sobre seus atos. Pensava que não conseguia mais se comunicar com seus súditos e confirmava o quão pesada era a coroa que carregava. Pensou que era hora de um novo soberano para a nova Inglaterra, mas sua mãe lembrou que ela fez um juramento no dia de sua coroação, o de reinar até a sua morte.

O filme também é bem sucedido em mostrar uma rainha que, embora ligada às tradições, dirige o seu próprio Land Rover pelas trilhas de sua propriedade rural, sabe exatamente qual é o cabo da transmissão e qual é o cabo do freio de um veículo e que usa o telefone celular.

De fato, fui "capturado" pelo filme no momento em que a rainha chorou, sentindo todo o peso da coroa. Sim, rainhas choram. Eu chorei também, mas até aí, nada de novo. Chorei porque comecei a delirar sobre o que estaria acontecendo hoje em dia se a princesa ainda estivesse viva. Ela não merecia morrer daquele jeito.

Eu adoro Stephen Frears e sim, esse é *o* filme de Hellen Mirren, A Rainha. Apesar de haver críticas aqui e ali, ele é uma apologia de uma instituição que, embora não seja muito adequada aos tempos modernos, é uma verdadeira "marca registrada" britânica. O filme mostra um momento histórico, a inflexão no comportamento de uma linhagem real que está no trono há mais de 1000 anos. Antes admirada pela sua reserva, agora a rainha é "obrigada" a se expor, a tornar público o luto por alguém que desprezava, fazendo exatamente o que criticava em Diana, tento até que engolir Elton John cantando na Abadia de Westminter.


B+
The Queen (Stephen Frears, ING/FRA/ITA, 2006)
Quando: Fevereiro/07 (UCI Recife)
Site Oficial: www.thequeen-movie.com

VÔO 93

Exasperante.


Desde que esse filme chegou às salas de cinema brasileiras, eu esperava ansiosamente o dia em que ele estrearia aqui em Recife. Por uma infeliz coincidência, foi no mesmo dia em que um vôo da Gol caiu em Mato Grosso. Eu fiquei muito abalado e isso me fez querer dar um tempo antes de ir vê-lo, mesmo com o medo dele sair de cartaz em uma semana, ou ficar escondido numa sala de cinema num horário ingrato, como geralmente acontece com esse tipo de filme nessas bandas de cá. No domingo da eleição em primeiro turno, tinha me programado para assistir a O Diabo Veste Prada, mas como eu levei mais tempo preenchendo o comprovante de justificativa do meu voto do que esperando, cheguei mais cedo do que o planejado ao cinema. Dúvida cruel, pois esse filme começava em 10 minutos e o outro ainda demoraria 1h20.

No começo, um típico filme de catástrofe com cenas da vida ordinária e o seu rumo "normal", numa tomada panorâmica das ruas iluminadas de Nova York. O dia amanhece e conhecemos o centro de controle do tráfego aéreo dos EUA. Pensava que o filme se tratava exclusivamente do vôo da United Airlines, mas ele faz uma reconstituição não apenas desse vôo, mas sim de todo o stress que percorreu a sala de controle de tráfego, as informações desencontradas entre eles e o exército, as dúvidas sobre o que estava acontecendo quando eles perderam a comunicação com o primeiro avião e sobre quais vôos teriam sido seqüestrados ou não, a falta de comunicação com o presidente deles e a decisão de pousar todas as 4.200 aeronaves que sobrevoavam os EUA naquele momento.

O desconforto toma conta depois que você vê o rosto daquelas pessoas. Antes, as imagens do inconsciente coletivo eram "apenas" de um avião se chocando contra uma das torres do WTC, a posterior queda das duas torres, o incêndio no Pentágono e os destroços do único vôo que não atingiu o seu alvo: o vôo 93 da United Airlines.

O filme é claustrofóbico. Primeiro, porque você sabe que ele não vai terminar com um final feliz. Segundo, porque você aguarda ansiosamente o próximo passo da cadeia de eventos, que você já conhece a priori. Terceiro, porque assim que o vôo decola, um dos terroristas olha pela janela e vê as duas torres, ainda intactas. No meio de tudo isso, você percebe o caos que se instalou na sala de controle de tráfego e você fica tão perdido quanto eles devem ter ficado.

Não há heróis nesse filme. Não há bandidos. Não há tentativa de explicar o inexplicável. Há apenas a história de como tudo aconteceu, sem que um se sobressaia a outro, há apenas rostos e histórias pessoais. De 96 passageiros, de 6 comissárias de bordo, de 1 piloto e de 1 co-piloto.

O filme se desenrola de tal maneira que você sente vontade de estar lá dentro, de querer participar, de querer mudar a história.

Mas você sabe que não pode.


A
United 93 (Paul Greengras, EUA, 2006)
Quando: outubro/06 (UCI Recife)
Site Oficial: www.united93movie.com

ZUZU ANGEL

Quem é essa mulher / que canta sempre esse estribilho? / Só queria embalar meu filho / que mora na escuridão do mar.


Ser crítico de cinema não deve ser fácil. Deve ser difícil se deixar envolver por um filme quando se está mais preocupado com o timming do roteiro e da direção ou então com a iluminação, com o som etc. Talvez por causa disso, os especialistas não teceram muitas críticas favoráveis ao filme.

O meu intuito aqui será fazer algo diferente, pois a história me tocou e eu vi o filme num único fôlego. Quando dei por mim, já estava escutando a canção de Chico Buarque no toca-fitas do carro semi-destruído de Zuzu.

Para quem não conhece a história, Zuleika Angel Jones (1921-76), a Zuzu Angel, era uma famosa estilista de carreira internacional que teve a sua vida virada pelo avesso quando o filho, Stuart Angel, foi preso, torturado, morto e teve o seu corpo jogado ao mar. Antes uma alienada estilista e dona de boutique que costurava vestidos coloridos para as esposas dos generais, Zuzu se transforma com o desaparecimento do filho e o filme é bem sucedido ao retratar a diferença entre a alienação anterior e o engajamento posterior, com suas coleções de tons sombrios, com pássaros enjaulados e anjos feridos.

Ponto para o diretor e para os atores, pois os globais de plantão não parecem estar atuando nas novelas televisivas. Você até consegue esquecer seus rostos e seus trejeitos, especialmente Luana Piovani, que interpreta a compridona e tresloucada Elke Maravilha e está presente numa cena interessantíssima aonde traduz para a protagonista, Patrícia Pilar, a canção que a verdadeira Elke e seus figurinos espalhafatosos canta em russo.

Zuzu não deu sossego aos milicos, tanto que foi silenciada em um "acidente" automobilístico. Infelizmente, a ditadura militar acabou somente 9 anos após a sua morte, depois de uma abertura "lenta, gradual e constante" implementada a partir de 1975 pelo "presidente" Geisel.

Eu me lembro de ter ficado chocado quando vi, ainda pré-adolescente, Pra Frente Brasil (83). Me perguntava se era possível que "eles" tivessem feito tudo aquilo com o personagem de Reginaldo Farias só porque ele dividiu um taxi com um "comunista".

Hoje, eu sei que sim, "eles" fizeram tudo aquilo e muito mais. Agora, basta torcer para que esse filme se torne um blockbuster tupiniquim para que as novas gerações saibam o que fizeram nesse país com várias e várias pessoas.

E que um dia a gente ainda consiga escorraçar os nomes dessa corja de nossas pontes e nossas avenidas.


B-
Zuzu Angel (Sérgio Rezende, BRA, 2006)
Quando: Ago/06 (UCI Recife)
Site Oficial: wwws.br.warnerbros.com/zuzuangel

BOA NOITE E BOA SORTE

Nos dias da paranóia anti-terror, um filme sobre a paranóia anti-comunista.


Numa época em que um presidente de um importante país disse "ou estão do nosso lado, ou estão do lado deles", esse filme resgata uma outra época, do mesmo país, onde "ou você delatava um comunista, ou você era um deles".

Nos anos 50s, no auge da paranóia anti-comunista nos EUA, um jovem senador de um pequeno Estado, Joseph McCarthy, começou uma verdadeira caça às bruxas contra todos que tivessem o mínimo vínculo com práticas comunistas, instigando o medo na nação (pois é, Bush Jr. não foi o primeiro). Edward Morrow, que encerrava o seu programa com o Boa Noite e Boa Sorte do título começou uma verdadeira guerra pública contra o senador e contra a censura na impressa. Ele acabou vencendo o senador, mas não  sem sofrer algumas baixas.

O roteiro é muito bem feito e a fotografia, também. O filme consegue passar bem a mensagem de liberdade de expressão que o jornalismo deveria ter, sem pressões dos patrocinadores e dos donos dos canais, que são concessões públicas e, portanto, passíveis de serem cassadas pelos políticos, quando "interesses" são contrariados.


B+
Good Night and Good Luck (George Clooney, EUA, 2005)
Quando: Mar/06 (Cinema da Fundação)
Site Oficial: www.goodnightandgoodluck.com

MUNIQUE

Don't fuck with the jews!


Eu não sou fã de Spielberg. Apesar de ter adorado Guerra dos Mundos (05), estava apreensivo em relação a esse filme, que conta a história dos desdobramentos (= vingança) ocorridos após o seqüestro e a morte da equipe olímpica israelita por terroristas palestinos durante a olimpíada de Munique, em 1972.

O ponto alto de filme é a (ótima) caracterização da época. A fotografia cinzenta, dá o tom certo dos anos 70 e do "clima" inerente ao que estava acontecendo. O mesmo se pode dizer das cores desbotadas. Apesar de ser um filme-pipoca, a história não é nada colorida.

Aí chegamos à grande polêmica do filme. Num filme-pipoca, pressupõe-se o conflito mocinhos X bandidos, certo? Mas não há nenhuma menção explícita aqui. Será que os bonzinhos são os israelitas que caçam e matam impiedosamente (às vezes, com toques sádicos) aqueles que ousaram desafiá-los? Talvez. Será que os malvados são os terroristas palestinos, que têm rostos, famílias e motivações? Mas os bandidos não são aqueles que fazem "o mal" pelo mal? Foram eles que começaram essa guerra, diz a primeira-ministra Golda Meir. Ok, entendido.

Apenas nos últimos 30 minutos (das quase 3hs), começa a ser discutivo o porquê de toda aquela violência, sendo deixado de lado o sacrifício dos (anti-)heróis, que precisam viver como clandestinos nos países europeus, abrir mão de suas famílas e explodir seus inimigos para mostrar a todos o que acontece com os inimigos de Israel. Os protagonistas começam a se questionar se estão fazendo a coisa certa, pois para cada homem que eles explodem, outros 20 surgem.

Eu já tinha notado paralelos entre esse filme e Gangues de Nova York (02) ao logo da projeção, seja no conflito entre idéias rivais de povos diferentes, seja na violência sádica, bruta e impiedosa. A cena final parece que está ali para provar o mesmo ponto de vista de Scorsese. A física nos diz que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo. Munique prova que dois povos não podem habitar um mesmo território. Culpa da religião? Talvez. Culpa da natureza humana? Certamente.


B-
Munich (Steven Spilberg, EUA, 2005)
Onde: Box Manaíra Shopping (Fev/06)
Site Oficial: www.munichmovie.com

SOLDADO ANÔNIMO

Um filme de guerra... sem um único tiroteiro.



Impossível não fazer a associação imediata desse filme com Nascido Para Matar (87). Porém, Sam Mendes não é Stanley Kubrick e a Guerra do Golfo não é a Guerra do Vietnã. Dito isto, vamos às impressões.

O filme, também dividido em duas partes, começa com o "herói" acima contando a sua história durante o treinamento a lavagem cerebral. Concebido durante a Guerra do Vietnã, num quarto de um hotel em Hanói, logo descobrimos que já que ele não conseguiu chegar à universidade, não lhe restou opção a não ser o exército.

Transcorre o treinamento, com cenas engraçadinhas e temos o corte para a cena antológica dos helicópteros cavalgando com as valquírias de Apocalipse Now (79). Logo depois descobrimos que o filme dentro do filme era visto pelos mariners num momento de folga dos treinamentos de forma orgásmica. Fim dessa primeira parte. Agora eles finalmente teriam o que queriam: guerra.

Porém, havia algo errado. Eles foram "treinados" para atirar, já carregavam no sangue a sanha de matar, mas ao chegarem no golfo, tiveram como missão... guardar poços de petróleo da Arábia Saudita. Quando a guerra finalmente começa, eles são obrigados a aguardar, pois os aviões da guerra de videogame tinham prioridade.

Lembro-me da época da guerra em questão (1991), em que discutíamos (ou melhor, os professores monologavam e nós, em processo de lobotomização pré-vestibular, absorvíamos, nem que fosse por osmose) sobre o belicismo intrínseco nos genes dos estadunidentes, já que seu país, criado após uma guerra civil [onde o filme O Patriota (00) é um bom exemplo], contava, até então, com 6 guerras em seu currículo (contra o México, onde anexaram o Texas e a Califórnia, contra a Espanha, onde anexaram a Flórida, Porto Rico, Havaí e as Filipinas, as duas guerras mundiais, a da Coréia e a do Vietnam). Depois, vieram duas invasões: Afeganistão (2002) e Iraque (2003).

Sam Mendes já foi bem mais ácido ao criticar a classe média estadunidense em Beleza Americana (99), mas esse filme serve ao seu propósito: o de criticar o país do belicismo genético numa era onde as guerras são decididas em salas com ar condicionado e executadas com "precisão cirúrgica" (se bem que, "às vezes", a precisão não é tão cirúrgica assim) por pilotos em seus jatos supersônicos.


B
Jarhead (Sam Mendes, EUA, 2005)
Quando: Jan/06 (Box Manaíra)
Site Oficial: www.jarheadmovie.com
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