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À PROVA DE MORTE

Um Tarantino que não desceu


Finalmente o Projeto Grindhouse foi finalizado, após a primeira parte da double feature, Planeta Terror (07), ter estreado há mais de 3 anos no Brasil.

Não que eu estivesse ansioso a ponto de fazer um julgamento viesado do filme. A expectativa não era grande e fui relaxado à sala de cinema. No entanto, saí intrigado. É um típico filme de Tarantino. O DNA dele está em cada cena, mas não desceu bem. Achei uma verdadeira m.e.r.d.a. aquela girlie talk infinita. Sim, há as referências pop, há toda a atmosfera de tributo aos filmes grindhouses (apesar de ter visto poucos), mas é muita baboseira junta para pouca ação. E muitos closes em pés femininos.


A história é claramente dividida em duas. O Lado A é sobre um grupo de garotas texanas que saem para farrear e o Lado B foca em garotas que estão afim de soltar adrenalina acumulada (e tome acúmulo de adrenalina). A unir as duas histórias, temos  Stuntman Mike, outrora dublê e que se tornou o psicopata de plantão. O tesão dele é... bem... veja o filme e descubra. Não é tão difícil assim de adivinhar.

Os dois clímax do filmes são catárticos, principalmente o segundo, uma bela perseguição de carros com final totalmente inusitado. É a liberação da catarse acumulada ao longo da sessão que todos dentro da sala de cinema não puderam resistir e torceram por ele.

Mas aqueles diálogos pareciam que não iam mais ter fim. Não desceu. Infelizmente.


B-
Death Proof (Quentin Tarantino, EUA, 2007)
Quando: Agosto/2010 (Cinema da Fundação)
Sítio Oficial: grindhousemovie.net

YOUNG PEOPLE FUCKING

A velha história da diferença entre machos e fêmeas em relação ao sexo.



O tema é mais do que manjado: sexo e as diferença entre homens e mulheres classe-média. A inovação está na forma em que a história é contada. São cinco pontos de vista diferentes, representados por cinco casais (sendo um threesome) -- os melhores-amigos, os ex, os casados, o primeiro encontro e os colegas de quarto -- e a "discussão" (de botequim) está dividida em seis atos -- prelúdio, preliminares, sexo, interlúdio, orgasmo e final.

Cada casal tem a sua história particular e o filme é uma sucessão intercalada entre elas. Só duas se salvam: a dos colegas de quarto, que ilustra essa resenha, onde o gordinho latino e a namorada gostosona convidam o colega de quarto nerd e insonso para uma transa entre ele e a mulher, com o gordinho olhando e palpitando sobre o que eles devem fazer e a do primeiro encontro, principalmente por causa da "reviravolta" final.

A história entre os melhores amigos até que poderia ter sido legal, se não fosse tão lugar comum com final óbvio (e eles descobriram que foram feitos um para o outro). A dos ex eu sinceramente não entendi (e nem fiz questão de entender). A do casal é pior que horrível. Novamente, clichê: eles estão casados há algum tempo, têm uma vida metódica, sem sal e sem sexo.... até que descobrem uma nova forma de ativar o "fogo" entre eles.

É um filme independente, mas realmente não cola um filme sobre sexo em que as mulheres transam de camisola. Muito menos um casal, que por mais que não transem regularmente, o fazem com ele de camiseta.

E tome discussão "modernosa" no começo, no meio e no fim, que talvez até possa funcionar para alguns, principalmente se forem fãs de Fernanda Young.




C-
Young People Fucking (Martin Gero, CAN, 2007)
Quando: Agosto/08 (Divx)
Sítio Oficial: ypfthemovie.com

CÃO SEM DONO

Pelo direito de ser feliz.




Infelizmente, perdi esse filme no cinema, o que é realmente uma pena, pois o mesmo filme pode ser completamente diferente dependendo da maneira como você o vê. No computador ou na TV você dificilmente consegue prestar atenção total a um filme, pois fica mais fácil ir ao banheiro, um telefonema facilmente te atrapalha, a fome parece que nunca acaba, enfim, na sala escura, você se preparou, saiu da sua casa, sentou num lugar estranho e, se deixarem, você ficará 100% ligado em cada imagem que aparecer na telona.

Mesmo querendo muito assistí-lo há quase um ano, não acreditava no que estava vendo. Estava morrendo de tédio! Os pontos-mortos e o filme, aparentemente sobre o nada, já tinham torrado minha paciência... até que num dado momento, não sei exatamente qual, fui capturado. A partir desse ponto, fiquei hipnotizado e num crescente estado de emoções conflitantes até o final, esperançoso e aparentemente feliz, mas não sem muita desgraça até ele.

Ciro é um cara que vive para dormir, comer, beber e transar sem qualquer plano para o futuro. É tradutor de russo, portanto, não tem dinheiro para porra nenhuma, dependendo, aos 32 anos, dos pais para comer, beber, pagar o aluguel, transar.... até que conhece Marcela, que fica pouco tempo em sua vida, pois ela descobre que tem câncer e se afasta dele. Num dado momento, há a mudança de atitude de Ciro para com a vida. A sucessão de cenas fortes te esbofeteia de tempos em tempos, para te jogar no chão e te fazer se sentir um lixo (caso você se identifique com o personagem principal, claro).

É complicado terminar essa resenha, pois até agora não digeri direito o filme, que me trouxe tanto sentimentos bons quanto ruins, de coisas que eu percebo estarem erradas na minha vida, mas que, assim como Ciro em boa parte do filme, sou incapaz de resolvê-los.


A+
Cão sem Dono
(Beto Brant e Renato Ciasca, BRA, 2007)
Quando: Agosto/08 (DVD)
Sítio Oficial:
dramafilmes.com.br/caosemdono

RESIDENT EVIL 3: A EXTINÇÃO

Mad Max transgênico.



O primeiro Resident Evil (02) foi legalzinho. Nada de espetacular, mas divertido e até tinha o subtexto interessante contra as grandes corporações sem qualquer ética que, na busca pelo lucro, eram capazes de fazer lavagem cerebral em pessoas sem a menor cerimônia.

A continuação, Resident Evil: Apocalipse (04) já não tinha razão de existir a não ser a única que mantém vivas franquias com a densidade de uma folha de papel: $$$. A infecção do primeiro filme, confinada ao laboratório subterrâneo da Umbrella Corp., agora se espalhou por uma cidade inteira. Sai a originalidade do primeiro para entrar uma cópia chupada de Fuga de Nova York (81) com a heroína passando a possuir poderes mutantes (por que será?).

Nessa terceira e (atualmente) última etapa, dá vergonha de pensar como é que tem gente com coragem de investir numa produção uerro como essa. Agora a infecção é generalizada no mundo inteiro (isto é, os EUA e o resto), o aquecimento global é uma realidade (tanto que a Terra é tomada por desertos gigantescos) e há apenas alguns grupos de “viajantes”, que buscam “a esperança” e alguns postos de gasolina no meio do caminho para poderem chegar lá. Onde será que eu vi isso antes? Dica: um filme da fase australiana de Mel Gibson.


E
Resident Evil: Extintion (Russell Mulcahy, EUA/ALE/FRA/ING/AUS, 2007)
Quando:
Agosto/08 (DVD)
Sítio Oficial:
residentevilaextincao.com.br

O ESCAFANDRO E A BORBOLETA

A liberdade, apesar da clausura.


O filme conta a história (verídica) de Jean-Dominique Bauby, editor da revista Elle francesa que tem um AVC e entra em coma. Quando acorda, consegue entender perfeitamente o mundo externo, mas só tem controle dos movimentos de um único olho.

O mais interessante é a forma como o filme se desenvolve, a partir da perspectiva de Jean-Do (como seu médico carinhosamente o chama, para o seu desgosto). Inicialmente, a imagem é desfocada, trêmula, errática, torta. Somente depois de meia hora é que começaremos a ter noção da imagem de Jean-Do, a partir do reflexo dos vidros de um corredor do hospital. Daí até finalmente darmos de “cara” com o seu rosto refletido pelo espelho acima também se levará um bom tempo.

Inicialmente, Jean-Do deseja morrer a continuar nessa situação, mas com o tempo ele decide não se entregar e, a partir de um método inusitado, escreverá um livro auto-biográfico ditando as palavras apenas com o piscar dos olhos. Esse filme é resultado desse livro. Uma história poderosa contada de uma forma consistente, longe de ser choroso como normalmente são os filmes sobre doenças baseados em fatos reais.

O filme/o livro/Jean-Dominique Bouby também podem ser encarados como uma mensagem para a humanidade. Foi preciso que Jean-Dominique passasse por tudo isso para poder transmitir sua mensagem de que não se pode desistir nunca. Uma vez cumprida a sua missão, Jean-Do pôde descansar.


B
Le Scaphandre et le Papillon (Julian Schnabel, EUA/FRA, 2007)
Quando: Julho/08 (Cinema da Fundação)
Sítio Oficial: lescaphandre-lefilm.com

THE MAN FROM EARTH

“Who do you think I am?”


John está de mudança e quer ir sem se despedir de ninguém. Entretanto, seus colegas, professores universitários das mais diversas ciências (da filosofia à biologia, passando pela literatura sacra, psicologia, antropologia e arqueologia), resolvem fazer uma festa de despedida em sua casa.

Lá pelas tantas, John resolve propor uma discussão sobre a possibilidade de um ser humano viver por 14.000 anos. No início, seus colegas pensam que é um jogo, mas depois, John revela que não sabe porque ele parou de envelhecer por volta dos 35 anos, aproximadamente 140 séculos atrás. Nesse período, ele andou pelos quatro cantos do mundo. Conheceu o Buda, esteve na palestina na época de Jesus Cristo, viajou com Cristóvão Colombo, sobreviveu à peste bubônica, ganhou um quadro de presente de um tal de Van Gogh...

É preciso muita concentração para “comprar” a idéia desse filme, pois ele é num tom mais lento, introspectivo, limitado a uma sala de estar com um sofá e algumas cadeiras, com perguntas e respostas e muita especulação entre esses amigos/cientistas, que ficam entre os mais céticos e os mais empolgados com a possibilidade da história de John ser verdade.

Ou não...

Há canastrões entre os atores, a maioria atuante na tv (de onde dá para reconhecer um rosto ou outro), mas o roteiro é envolvente, apesar da pequena derrapada que poderia ter sido evitada ao cortar os últimos 2 ou 3 minutos do filme. Entretanto, nada disso tira o seu mérito, que faz valer a pena sua conferência.


B
The Man From Earth (Richard Schenkman, EUA, 2007)
Quando: Julho/08 (DivX)
Sítio Oficial: manfromearth.com

DIÁRIO DOS MORTOS

Zumbis, ao estilo [Rec], Cloverfield, A Bruxa de Blair....


George A. Romero é uma lenda. Ele é o pai dos zumbis, criados no final dos anos 60 com A Noite dos Mortos Vivos (68).

A despeito das inúmeras refilmagens, Romero voltou ao tema em outras oportunidades, onde havia uma lógica de disseminação constante do caos: no primeiro [Madrugada dos Mortos (78)], os zumbis tinham saído de um cemitério e atormentavam um grupo de estranhos que tinham que sobreviver em uma casa, no campo e no último [Terra dos Mortos (05)], a história se passava num mundo apocalíptico, onde havia uma clara distinção entre os ricos, que viviam numa torre envidraçada e, aparentemente, “bem”, e a ralé, devidamente esquecida nas ruas imundas. Os zumbis estavam devidamente “confinados” para além das cercas dessa ilha da fantasia.

Agora, Romero retoma ao conceito de zumbis, mas num mundo “real”, onde um grupo de cineastas rodava um filme sobre... zumbis, quando escutam pela TV que “havia algo de estranho” acontecendo. Com duas câmeras nas mãos, eles vão cruzando os EUA e “documentando” o que acontecia no trajeto. O filme que nós assistimos, então, é um documentário editado e com trilha sonora feito por uma das sobreviventes e posto na internet para que o mundo saiba o que realmente estava acontecendo naqueles dias.

O grande problema desse filme é o aparente estilo não-Romero de ser. Na sua filmografia anterior, as críticas sócio-políticas estavam espalhadas em cada cena de forma dicreta, bastava ter senso crítico para descobri-las. Agora, não. Filmado ao estilo MTV de ser, para um novo público sem qualquer senso crítico, deve-se martelar nas mesmas idéias para ver se elas entram a fórceps. A principal: não acredite em tudo que a mídia transmite. A secundária: estamos vivendo na era onde é mais importante filmar, novamente sem qualquer senso crítico, do que entender o que está acontecendo.

É triste ver um mestre perder a mão tão feio assim.


B-
Diary Of The Dead (George Romero, EUA, 2007)
Quando: Maio/08 (DivX)
Sítio Oficial: myspace.com/diaryofthedead

REC

Uma câmera na mão, um prédio em quarentena, “zumbis”...


Era para ser uma noite tranqüila, uma reportagem burocrática sobre a rotina de trabalho do corpo de bombeiros de Madri até que a repórter e seu cinegrafista seguem dois bombeiros em um chamado sobre ruídos estranhos saindo de um apartamento num prédio no centro da cidade.

No apartamento, os repórteres, os bombeiros e dois policiais perceberem que há algo de errado no comportamento da dona do apartamento. Eles tentam sair do prédio, mas ele foi isolado e posto em quarentena sem que eles saibam o motivo.

Daí é um pulo para descobrirmos que o prédio foi isolado porque as autoridades sanitárias desconfiam que ele é o foco de um vírus que causa um comportamento raivoso em seu portador e, um a um, os moradores acabam sendo expostos ao vírus e viram “zumbis” (na verdade, eles adquirem um tipo de raiva que os tornam agressivos e assassinos e não mortos-vivos).

Um filme com sustos eficazes que alia a claustrofobia do confinamento num único ambiente (o prédio) com o medo do desconhecido (que diabos está acontecendo com todo mundo?). Eu tenho minhas restrições com o final (assustador), mas nada que desabone esse suspense com S maiúsculo.


B
Rec (Jaume Balagueró e Paco Plaza, ESP, 2007)
Quando: Abril/08 (DivX)
Sítio Oficial: ficha imdb

O ORFANATO

Um bom filme de terror.


Laura se muda com o marido e o filho adotivo, Simon, para uma casa onde antigamente havia sido um orfanato com o intuito de reabrí-lo. Porém, seu filho começa a ter um comportamento "estranho", passando a conversar com "amiguinhos imaginários". Na festa de inauguração, o pequeno Simon some.

A partir daí, tem-se a combinação perfeita para filmes de terror: uma casa assustadora e mal iluminada, amigos imaginários (= fantasmas), crianças com ar inocente demais para ser verdade, um filho desaparecido, a dor de uma mãe que não desiste de procurá-lo, uma médium, um jogo infantil...

Um filme mais do que eficiente para quem deseja ficar grudado e não perder um detalhe. E não pode perder mesmo, pois de acordo com o jogo infantil (primeiro, jogado pelo pequeno Simon, depois, pela mãe dele), uma pista leva a outra e se você conseguir achar o tesouro final, você tem direito a um desejo. Simon conseguiu ter seu desejo atendido. A mãe... bem... assista ao filme e descubra.


B
El Orfanato (Juan Antonio Bayona, MEX/ESP, 2007)
Quando: Março/08 (DivX)
Sítio Oficial: theorphanagemovie.com

JUNO

Nada como ser teen, indie e cool


Juno é uma teenager ultra-cool. Praticamente estupra seu colega de classe para ter sua primeira vez e, como shit happens, ela engravida. Mas não é só Juno que é ultra-cool. Sua família também, que aceita o "fato" tão bem que até fazem piada a respeito. Não bastasse a família de Juno ser ultra-cool, Juno decide dar seu filho para a adoção e procura o casal de pretendentes através de um anúncio de jornal. Über-cool, não?

Ah, mas a coolice do filme não termina por aí. A parte masculina dos futuros pais do futuro filho de Juno é tão cool, mas tão cool que tem até os mesmos gostos que a protagonista com relação à música e aos filmes de gore (divergindo apenas em quem é mais cool que quem). Awesome, don't you think?

Eu não acho. Apesar de ser um filme diferente, que aborda o tema da gravidez na adolescência de forma escrachada e sem grandes dramas, eu não o comprei. Detestei as piadas prontas da protagonista e ficava cada vez com mais raiva quando ela soltava uma daquelas merdas só para ser ter algo cool para dizer.

Meu koo pra isso.


C
Juno (Jason Reitman, EUA, 2007)
Quando: Fevereiro/08 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: foxsearchlight.com/juno

CONDUTA DE RISCO

Mais um filme de adevogados


Antes de começar essa resenha, quero deixar claro uma coisa: eu gosto de filmes de adevogados. Talvez porque, por um breve momento, pensei em prestar vestibular para direito lá nos idos de 1991. Mas passou, me inscrevi em economia mesmo e cá estou, economista.

Em Conduta de Risco, há o que se espera de um típico filme de adevogados: grande corporação estadunidense mata pobres agricultores com seus produtos, contrata uma super-firma de adevogados para defendê-la e vai protelando, protelando, protelando... até que surge um "memorando" em que um pesquisador atesta que o produto era perigoso. O adevogado encarregado de massacrar os pobres e indefesos surta, tem uma crise de consciência e, de posse desse documento, quer mudar de lado. No meio disso tudo, a super-firma de adevogados está na iminência de ser adquirida por uma ultra-super-duper multinacional de adevogados.

Nisso tudo, onde entra George Clooney? Ele é Michael Clayton, um "faxineiro", que não é adevogado, mas sim um consultor especial da firma. Ele é o melhor no que faz e não está nos seus melhores momentos, pois o seu hobby era um bar que faliu e está endividado até os tubos.

É um filme interessante pois o foco principal não é no processo e sim discutir questões como ética, tanto profissional quanto social. Até que ponto você, adevogado, pode se corromper para defender os interesses de seu cliente que, claramente, agiu de má-fé? Até quando vai a sua lealdade com seu amigo? Qual o seu preço?

Sobre essa tal de "ética", vale a pena prestar atenção no personagem de Tilda Swinton, conselheira e adevogada da UNorth, a mega-corporação que está sendo processada.


B+
Michael Clayton (Tony Gilroy, EUA, 2007)
Quando: Fevereiro/08 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: michaelclayton.warnerbros.com

O CAÇADOR DE PIPAS

Culpa e expiação.



Dizem que Marc Foster, é um manipulador. Disso, eu não tenho a menor dúvida. O problema é que eu deixo me levar e não fico com a menor dor na consciência por isso. Chorei copiosamente em Finding Neverland (04) e achei A Passagem (05) bastante intrigante, apesar de confuso. Já Mais Estranho que a Ficção (06), achei apenas "uma boa idéia".

Novamente, me deixei levar e chorei, ah... como chorei. Nem tanto quanto em Finding Neverland, que foi um verdadeiro dilúvio, mas lágrimas escorreram várias vezes dos meus olhos na história dos dois garotos afegãos, Amir e Hassan, que foram separados pelo ciúme do mais rico.

Amir tem tudo o que quer, mas é covarde até a alma. Hassan é filho do empregado e, portanto, também empregado na casa do pai de Amir, mas mesmo assim os dois brincam juntos e raramente se separam, até que um dia, num campeonato de "caçadores de pipas", Amir se sagra campeão e Hassan promete ir atrás da pipa do perdedor. No meio do caminho, ele encontra três meninos "do mal" que o curram pois ele se recusou a entregar a pipa que havia prometido ao seu patrão-amigo. A partir desse dia, Amir, que assistiu a tudo e não fez nada, faz de tudo para que Hassan vá embora de sua casa. Até que consegue.

Tempos depois, a então União Soviética invade o Afeganistão e Amir e seu pai fogem para os EUA. Mais algum tempo depois, os talibãs tomam o poder e Hassan morre. Porém, ele deixa um filho. Amir, então, volta ao Afeganistão para salvar o menino, que é mais do que "apenas" o filho de seu amigo.

Não li o livro e acho que nem quero ler. Se Marc Foster manipula imagens, Khaled Hosseini, o autor do best-seller homônimo, manipula o enredo de forma bem clichê. Não engoli facilmente as duas "viradas" que o enredo deu quando Amir voltou ao Afeganistão.


B+
The Kite Runner (Mark Foster, EUA, 2007)
Quando: Fevereiro/08 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: kiterunnermovie.com

O GÂNGSTER

Algo como The American Way of Life em seu estado puro


Reza a lenda que os EUA é a terra das oportunidades. Basta ter uma idéia na cabeça que, se ela for realmente boa, você tem capacidade de se tornar milionário. Frank Lucas é um cara assim. Nascido em uma numerosa família negra na Carolina do Norte, passou de simples motorista a chefão do narcotráfico de Nova Jersey. Sua idéia: importar cocaína diretamente do Vietnã nos mesmos aviões que traziam os corpos dos soldades estadunidenses mortos e vendê-la nas ruas de NY sem diminuir sua pureza e pela metade do preço.

Denzel Washington é o mal. Mas é um homem-família e se veste bem. Russel Crowe é o bem. Entretanto, ele tem uma vida desregrada, é negligente com o filho e se veste muito mal. Ele se considera bom, pois é um dos poucos policiais da corrupta polícia dos anos 70 que não aceitam suborno. Evetualmente os dois se cruzam e Denzel Washigton é o que se dá mal e acaba na cadeia, condenado. Todavia, delatou o esquema dos chefões da máfia que nunca o aceitaram como um deles e ganhou alguns anos a menos.

O filme é longo, chega a ser cansativo em alguns momentos, mas é algo que vale muito a pena ver, já que veio da cabeça de Ridley Scott e conta com esses dois grandes atores, além de retratar fielmente a psicodélica década de 1970.


B+
American Gangster (Ridley Scott, EUA, 2007) [150ª resenha]
Quando: Fevereiro/08 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: americangangster.net

A BÚSSOLA DE OURO

Um filme com potencial, mas que ficou apenas na intenção.


O visual do filme é um deleite. A fotografia é espetacular e o design dos objetos e dos interiores são fenomenais. Você realmente fica embasbacado pelo dirigível, pelo navio/balão do caubói e pelas salas no interior das costruções. O trabalho de se "rebuscar" uma simples luminária conquista qualquer um com o mínimo gosto pelo belo. O que falar dos ursos polares com armadura?

No entanto, parece que todo o esforço se concentrou nessas áreas, pois o roteiro é uma cagada do começo ao fim. O desenrolar da história é truncado ao extremo e as elipses, que teoricamente deveriam funcionar como pulos temporais, servem para você se perder ainda mais. De repente, a pequena Lyra é uma órfã que está sob os cuidados do Lord Asriel. De repente, ele vai para uma expedição e a deixa sob os cuidados de não sei quem. De repente, ela vai embora da universidade com a "vilã" do filme, a Sra. Coulter. De repente, ela foge. De repente, ela encontra egípcios-ciganos. De repente ela encontra um urso com armadura. De repente ela é seqüestrada no meio de uma batalha. De repente ela está no "reino dos ursos". De repente ela salva um dos amigos raptados (ou será que isso foi antes da batalha e do seqüestro? Não lembro). De repente ela está no covil dos vilões. De repente há uma nova batalha. De repente o filme acaba. Ou melhor, não acaba, pois termina com todos indo salvar o Lord Asriel, que sabe se lá como, foi capturado, subornou seus captores e está fazendo suas experiências. Fim. Ufa!

Baseado numa trilogia de livros, o filme conta a história da pequena Lyra, uma órfã aventureira que parte em busca de seu amigo que havia sido raptado. Nesse mundo, as pessoas têm uns tais de daemons, que são a manifestação física de suas almas em forma animal, e os vilões do filme, o "magistério", querem cortar a ligação entre esses daemons e as crianças para que elas sejam meros peões sem vontade própria para aceitarem cegamente "o que é certo", ou seja, o que o "magistério" quer.

Num certo momento, eu simplesmente deixei de prestar atenção na história, de tão truncada que ela estava, para prestar atenção somente no visual, até que uma mandíbula sai voando. Dei um pulo na cadeira. Perguntei à pessoa que estava do meu lado, também estupefada, se aquilo tinha sido uma mandíbula. Ele disse que sim.

O pior ainda estava para acontecer. Num filme pretensamente destinado às platéias infantis, há uma carnificina geral perto do final. Um verdadeiro genocídio bem pior do que aquele de As Crônicas de Nárnia (03) que não tinha razão de existir, principalmente num filme voltado a crianças. Felizmente, o filme acabou logo depois.


D
The Golden Compass (Chris Weitz, EUA/ING, 2007)
Quando: Fevereiro/08 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: goldencompassmovie.com

A LENDA DO TESOURO PERDIDO 2

Até que não é tão ruim assim... chega a ser divertido, mas também chega a ser muito irritante por causa da pieguice ufanista.


Sabe que eu não estou com a menor vontade de escrever sobre esse filme? Algumas partes são legais e ele seria melhor se não ufanizasse tanto os EUA. O trio acima deu uma aula de história aos franceses, entrou na sala de despacho da rainha Elizabeth como quem entra numa loja de doces e o pior, deu o maior baile no sistema de segurança britânico. Como contraponto, houve toda uma celeuma sobre "entrar na sala oval da Casa Branca", mas claro que conseguiram sem a menor cerimônia. Assim como simplesmente decidiram seqüestrar o presidente dos EUA e, no dia seguinte, o seqüestram. Simples assim.

E não é tudo não. Ainda há um "cidade" perdida de um tribo pré-colombiana "escondida" em pleno solo estadunidense, encontrada depois dos "heróis" molharem o Monte Rushmore com simples garrafinhas de meio litro. Faça-me o favor...

Pelo menos, fora essas merdas, eu gostei da diversão. Que é dispensável, mas que me rendeu alguns bons momentos no cinema (sublimando a pieguice ufanista, diga-se de passagem).


D
National Treasure 2: The Book of the Secrets (John Turteltaub, EUA, 2007)
Quando: Janeiro/08 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: disney.go.com/disneypictures/nationaltreasure

EU SOU A LENDA

O fim da humanidade e a "involução" do homem à uma nova "era das trevas".


Num futuro não tão distante, a cura do câncer foi descoberta. Infelizmente, essa descoberta significou o fim da humanidade de acordo com o doutor Robert Neville, que se auto-intitula "o último homem da Terra". A manipulação genética resultou em um vírus que matou quase toda a população terrestre. Outra boa parte foi infectada e virou uma espécie de zumbi/vampiro, que desenvolveu super-força, sensibilidade à luz solar e se alimentou da pequena parte da população que era naturalmente imune ao vírus.

As idéias contidas no filme são interessantíssimas (derivadas de um livro, escrito em pleno apogeu armamentista da guerra fria, na década de 50), mas que, como sempre em um blockbuster, são esmagadas, trituradas e depois, esquecidas. A dramaticidade de botequim exige que o cara esteja confinado em Manhatan (originalmente, era Los Angeles). A explicação é que como ali foi o início da epidemia, então eles explodiram as pontes e os túneis para confinar a população em "quarentena". Will Smith permaneceu porque era dever dele estar no "marco zero". Ok, faz de conta que eu acredito. Assim como faz de conta que eu acredito que, depois de três anos confinado na ilha, ele ainda tenha bacon e ovos frescos para poder comer no café da manhã e consiga legumes sei lá como.

Há outras merdas ao longo do filme difíceis de engolir, como por exemplo os mesmos três anos em que ele ficou sitiado e nunca cruzou com a personagem de Alice Braga, que de simples missionária da cruz vermelha vira uma espécie de "ramba" e o salva da morte certa pelos zumbis. Ela disse que estava num navio que veio de São Paulo (é... agora São Paulo tem porto...) e que parneceu por lá... por três ano!

O final fica ainda pior -- mais piegas para ser exato -- quando misturam Deus (ou a sua não-existência segundo o Dr. Neville) e misticismo ("eu precisava estar lá, para renovar a sua fé e você me dar algo"). Dizem que há um outro final gravado, mais "filosófico". Resta esperar para uma reedição à la Blade Runner (82, relançado da forma "correta" em 93).

Verdade seja dita, com todo o preconceito que eu tenho com relação a Will Smith, ele "segura o rojão" surpreendentemente bem, contracenando apenas com uma cadela em 80% do filme. Pena que no 20% restante, o roteiro tenha descarrilhado. E não só pela péssima interpretação de Alice Braga.


C
I am Legend (Francis Lawrence, EUA, 2007)
Quando: Janeiro/08 (UCI Recife)
Sítio Oficial: br.warnerbros.com/iamlegend

COISAS QUE PERDEMOS PELO CAMINHO

Porque a vida continua...


David Duchovny é um "cara legal". Bom marido, bom pai de família, bom amigo. Num belo dia, ele sai para comprar sorvete e não volta. Ele tentou fazer o que sempre faz, ajudar os outros, e apartou a briga de um casal de namorados. Ele só não contava com o desequilíbrio do cara, que sacou uma arma e matou os três. Halle Berry é uma esposa amorosa, mas que "surta" com a morte do marido, a ponto de convidar para morar com ela e os dois filhos o amigo junkie do marido, Benício del Toro. Ex-advogado, droga-se há muito tempo e apenas David Duchovny lhe dava atenção. O "trauma" do filme é o motivo pelo qual ele resolve deixar de vez com as drogas.

Parece um típico dramalhão mexicano, não? Apenas parece, pois apesar de flertar com o melodrama barato, esse filme não passa de um "melodrama com atitude", que serve de redenção tanto para a personagem de Halle Berry (o que fazer quando o amor de sua vida morre?) como para o personagem de Benício del Toro (ele foi o único que não desistiu de mim... eu preciso me desintoxicar por ele).


B+
Things we Lost in The Fire (Suzanne Bier, EUA, 2007)
Quando: Janeiro/08 (Cinema da Fundação)
Sítio Oficial: thingswelostinthefire.com

XXY

Um filme sobre identidade.


Alex não é uma adolescente comum. A "menina" na foto aí encima nasceu com os órgãos sexuais dos dois sexos. Seus pais resolveram ignorar os conselhos dos médicos que queriam castrá-la(0) ao nascer e se mudaram de Buenos Aires para uma vila de pescadores no Uruguai.

Aos 15 anos, Alex está na fase de descobrimentos e quer transar. Para complicar/solucionar seus problemas, um casal de amigos dos seus pais se hospedam em sua casa. Um deles é médico e tem como objetivo convencer os pais de Alex que a operação de castração deve ser feita e o quanto antes, melhor. O caldo entorna quando junto do casal de médicos vem o filho adolescente deles.

Apesar de os pais de Alex terem visões diferentes sobre o "problema" (o pai quer deixar como está e a mãe quer torná-la "igual às outras meninas"), ela não é complexada com a sua "situação", diferente do filho do casal de amigos de seus pais, que nunca faz nada suficientemente bom para que o pai o considere especial.

Um filme interessantíssimo, mas que, ao terminar de vê-lo, você se pergunta "e daí?". Muito provavelmente eu não entendi direito a mensagem, ou talvez tenha entendido perfeitamente bem e não tenha digerido-a. Mesmo assim, esse é um filme altamente recomedável, já que não é todo dia que se vê um filme de um hermafrodita sem dramalhões.


B
XXY (Lucía Puenzo, ARG, 2007)
Quando: Dezembro/07 (DivX)
Sítio Oficial: xxylapelicula.puenzo.com

ENCANTADA

Para quem acredita no "e viveram felizes para sempre".


Não estava interessado em ver esse filme, mas críticas favoráveis que começaram a apontar para um bom filme e que mereceu quatro estrelas e meia de um crítico que respeito me fizeram lhe dar uma chance (a alternativa era A Bússula de Ouro, que recebeu 2 estrelas pelo mesmo crítico e do qual eu quero passar reto!).

O início é em desenho animado 2D com o clichê básico da Disney: o príncipe encantado salva a princesa indefesa (que já tinha feito um número musical com seus amiguinhos, os bichinhos da floresta) de um ogro. Depois de fazerem um dueto musical, estão prestes a celebrar seu casamento quando a rainha má (e madrasta do príncipe), que não vê essa união com bons olhos, entra em cena. Transformando-se em uma velhinha indefesa, joga a princesa Giselle em um poço que a leva à Nova York "real". O príncipe Edward vem ao seu socorro, mas nesse meio tempo ela aprende um pouco como é a "realidade real" do "mundo real" com Robert e sua filhinha. Ele não acredita em finais felizes, já que é um advogado especializado em separações judiciais não-amigáveis, mas ela acredita cegamente em contos de fadas (crianças....).

A princípio, um conto de fadas tradicional com o final feliz do "e viveram felizes para sempre", mas o diferencial está no conteúdo com um subtexto é poderosíssimo: será que contos de fadas estão confinados aos desenhos animados ou eles podem existir na nossa realidade?

O filme é totalmente previsível, pois há o espelho mágico, a maçã envenenada, o beijo de amor verdadeiro, a madrasta má, a luta contra o dragão no "penhasco" (licença poética para descrever o edifício alto), o anão Zangado (bom... pelo menos era um anão irritado), animais ajudando nas tarefas domésticas e os intermináveis números musicais, que estão perfeitamente inseridos na trama. Porém, se você acredita ou acreditou um dia em contos de fadas, que se dane a previsibilidade. Vá com a mente aberta e se delicie com um filme pipoca realmente voltado para todas as idades.



Os personagens estão perfeitamente sintonizados com o filme. Você nem se lembra que Patrick Dempsey (Robert) já foi astro de comédias para adolescentes no final dos anos 80 e início dos 90, que James Marsden (o príncipe) um dia foi o insípido Ciclope dos X-Men e Susan Sarandon... bem... Susan Sarandon é Susan Sarandon, mesmo como uma Rainha Má, Espaçosa e Vingativa (palavras dela...). Por último, e o mais importante, Amy Adams realmente convence no papel da princesa ingênua que acredita em contos de fadas, vive cantarolando, saltitando e fazendo vestidos com as cortinas e os tapetes da casa de Robert.


A
Enchanted (Kevin Lima, EUA, 2007)
Quando:
Dezembro/07 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: enchantedmovie.com

VIAGEM A DARJEELING

Wes Anderson ataca novamente


Wes Anderson é um daqueles diretores autorais com seu estilo característico, o que no seu caso vem se aprofundando desde Os Excêntricos Tenembaus (01) e A Vida Marinha com Steve Zissou (04). Ame-o ou odeio-o, não há muitas surpresas em seu tema principal: uma família excêntrica.

A família, agora, é formada por três irmãos que não se vêem há um ano, exatamente após o funeral do patriarca. O mais velho propõe uma viagem espiritual de trem por lugares sagrados da Índia para que possam se encontrar espiritualmente e para que possam se entrosar novamente, mas ele mente. Na verdade, ele quer levar os outros dois irmãos para se encontrarem com a progenitora deles, que nem se deu ao luxo de ir ao funeral do marido e agora vive num mosteiro indiano.

Quando eles chegam ao mosteiro, logo me veio à cabeça o nome de Anjelica Houston como a matriarca e não é que é ela que aparece? Viu o que eu quis dizer com "sem surpresas"? Tem até Bill Murray numa cameo especialíssima nos 5 minutos iniciais e cenas que remetem aos seus dois últimos filmes.

Porém, mesmo se repetindo, Wes Anderson consegue fazer filmes diferentes e não apenas filma a mesma idéia com cenários e personagens diferentes. Felizmente.


B+The Darjeeling Limited (Wes Anderson, EUA, 2007)
Quando: Dezembro/07 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: foxsearchlight.com/thedarjeelinglimited
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