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127 HORAS

Nunca se esqueça do seu canivete suíço.



História verídica de Aaron Ralston, aventureiro solitário (e um tanto quanto misantropo), que ficou com o seu braço preso por uma rocha durante 127 horas, até que ele teve que amputá-lo para poder sobreviver.

Danny Boyle é um diretor bastante criticado por suas firulas e excessos na edição. Bem, antes de considerá-los como "defeitos", prefiro encará-los como características.

Apesar da trama linear [em contraponto, por exemplo, a Quem Quer ser Milionário? (09)], o drama das tentantivas fracassadas de Aaron de se libertar é entrecortado com cenas de sua infância, o desejo ardente pelo isotônico que deixou no carro quando sua água acaba, sua punição por ter esquecido seu canivete suíço, a ironia de ter sua mochila um canivete Made in China (que não corta nada) que ganhou da mãe e por aí vai. Da mesma forma, os "momentos mortos" de Aaron e a pedra são quebrados pela fúria, pelo medo e pelas alucinações.

Portanto, o filme não seria possível sem essas estripulias Dannyboyliana e, claro, a James Franco, o que fez valer sua indicação ao Oscar e prova (se é que ainda é preciso) que ele não é apenas o rostinho bonito que veio ao grande público após a trilogia do Homem-Aranha.

A trilha sonora também segue o padrão Danny Boyle e o excesso, novamente desnecessário [(assim como o "5º elemento" de Sunshine (07)], é o grafismo explícito da amputação (com direito à radiografia do osso do braço ao ser quebrado) e a posterior sangreira (o que deixa a boca de James Franco como a de um vampiro após um banquete). É o momento mais tenso do filme, sem dúvida, mas logo após, há a redenção (o que não pode faltar num filme de superação), com uma belíssima música de encerramento (melhor do que a que concorreu ao Oscar, que aparece nos créditos finais).


B
127 Hours (Danny Boyle, EUA, 2010)
Quando: Fevereiro/11 (UCI Recife)
Sítio Oficial127horas.com.br

SUNSHINE - ALERTA SOLAR

O mundo está acabando e não é por ação do homem. É o Sol que está perdendo a sua força..


Cinqüenta anos no futuro, o sol está enfraquecido. Para reacendê-lo, a última esperança da Terra é a nave Ícaro II, enviada rumo ao sol com todo o material de fissão existente na Terra. O objetivo é lançar uma bomba nuclear para criar uma estrela dentro da estrela e, com a reação em cadeia, reacender o astro-rei. A viagem é longa e o stress é potencializado pelo fato dos 8 tripulantes não saberem o que vão encontrar pela frente, pois a missão anterior, a Ícaro I, não atingiu o seu objetivo. Para complicar ainda mais, trata-se de uma missão praticamente suicida, pois há apenas uma pequena chance deles sobreviverem à explosão.

Eu passei por uma verdadeira via-crúcis para poder ver esse filme no cinema. Praticamente um mês e meio depois de sua estréia nacional, ele estreou nas salas recifenses em horários pouco convidativos (sendo que um deles, o menos ruim de todos, estava errado nos guias de programação e só fui descobrir na boca do caixa). Na segunda semana, ele já estava confinado a apenas duas sessões de um único cinema lá na putaquepariu de Jaboatão dos Guararapes (para onde tive que me deslocar). Entretanto, o resultado final mais do que compensou o calvário. O filme pode chupar todo e qualquer enredo dos filmes de ficção científica anteriores (me lembrei até mesmo de Blade Runner em vários momentos, basicamente pela trilha sonora), mas o apuro visual é embasbacante. O personagem principal, o Sol, quando aparece, toma a sala de cinema de tal forma que 99% de sua grandiosidade estaria totalmente perdida na televisão. O elenco está afinadíssimo, cada um com a sua personalidade própria, uns mais dispostos a escolhas racionais do tipo "uma vida na nave por bilhões na Terra" do que outros e foi uma pena que apenas um deles sobreviveria para poder "entregar o presente" ao Sol.

Eu gosto de Danny Boyle e exceto A Praia (00), vi todos os seus filmes no cinema e não me decepcionei com nenhum deles. Apesar da saraivada de críticas extremamente negativas que o filme levou, tê-lo visto no cinema foi uma experiência única. O enredo tem problemas, claro. O "quinto elemento" perto do final é totalmente desnecessário, mas o subtexto filosófico por trás de todas aquelas imagens me botou para pensar. Me senti num Estado Alfa do início ao fim (ou melhor, quase no fim, pois Danny cagou ao colocar o desnecessário "quinto elemento").

Para quem viu um imitador barato, as críticas que o filme levou faz sentido. Para mim, que prefiro acreditar sempre nas boas intenções de quem realiza um filme, eu aceito essas chupadas como algo do tipo "tomar emprestado" conceitos já utilizados.



Assisti ao filme na semana passada e agora, relembrando-o, estou com um gostinho de "quero vê-lo de novo", mas, infelizmente, vou ter que controlar meu desejo, pois na terceira semana, ele já saiu de cartaz em Recife. Um verdadeiro crime.


A
Sunshine (Danny Boyle, ING, 2007)
Quando: Maio/07 (Box Guararapes)
Site Oficial: sunshinedna.com
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