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SUNSHINE - ALERTA SOLAR

O mundo está acabando e não é por ação do homem. É o Sol que está perdendo a sua força..


Cinqüenta anos no futuro, o sol está enfraquecido. Para reacendê-lo, a última esperança da Terra é a nave Ícaro II, enviada rumo ao sol com todo o material de fissão existente na Terra. O objetivo é lançar uma bomba nuclear para criar uma estrela dentro da estrela e, com a reação em cadeia, reacender o astro-rei. A viagem é longa e o stress é potencializado pelo fato dos 8 tripulantes não saberem o que vão encontrar pela frente, pois a missão anterior, a Ícaro I, não atingiu o seu objetivo. Para complicar ainda mais, trata-se de uma missão praticamente suicida, pois há apenas uma pequena chance deles sobreviverem à explosão.

Eu passei por uma verdadeira via-crúcis para poder ver esse filme no cinema. Praticamente um mês e meio depois de sua estréia nacional, ele estreou nas salas recifenses em horários pouco convidativos (sendo que um deles, o menos ruim de todos, estava errado nos guias de programação e só fui descobrir na boca do caixa). Na segunda semana, ele já estava confinado a apenas duas sessões de um único cinema lá na putaquepariu de Jaboatão dos Guararapes (para onde tive que me deslocar). Entretanto, o resultado final mais do que compensou o calvário. O filme pode chupar todo e qualquer enredo dos filmes de ficção científica anteriores (me lembrei até mesmo de Blade Runner em vários momentos, basicamente pela trilha sonora), mas o apuro visual é embasbacante. O personagem principal, o Sol, quando aparece, toma a sala de cinema de tal forma que 99% de sua grandiosidade estaria totalmente perdida na televisão. O elenco está afinadíssimo, cada um com a sua personalidade própria, uns mais dispostos a escolhas racionais do tipo "uma vida na nave por bilhões na Terra" do que outros e foi uma pena que apenas um deles sobreviveria para poder "entregar o presente" ao Sol.

Eu gosto de Danny Boyle e exceto A Praia (00), vi todos os seus filmes no cinema e não me decepcionei com nenhum deles. Apesar da saraivada de críticas extremamente negativas que o filme levou, tê-lo visto no cinema foi uma experiência única. O enredo tem problemas, claro. O "quinto elemento" perto do final é totalmente desnecessário, mas o subtexto filosófico por trás de todas aquelas imagens me botou para pensar. Me senti num Estado Alfa do início ao fim (ou melhor, quase no fim, pois Danny cagou ao colocar o desnecessário "quinto elemento").

Para quem viu um imitador barato, as críticas que o filme levou faz sentido. Para mim, que prefiro acreditar sempre nas boas intenções de quem realiza um filme, eu aceito essas chupadas como algo do tipo "tomar emprestado" conceitos já utilizados.



Assisti ao filme na semana passada e agora, relembrando-o, estou com um gostinho de "quero vê-lo de novo", mas, infelizmente, vou ter que controlar meu desejo, pois na terceira semana, ele já saiu de cartaz em Recife. Um verdadeiro crime.


A
Sunshine (Danny Boyle, ING, 2007)
Quando: Maio/07 (Box Guararapes)
Site Oficial: sunshinedna.com

CAFÉ DA MANHÃ EM PLUTÃO

Tudo sobre a minha mãe, versão irlandesa.


Não, esse filme não tem nada a ver com Tudo Sobre Minha Mãe (Todo Sobre mi Madre, 99), é apenas um jogo de palavras para definir a obsessão de Patrick "Kitten" Braden, o/a protagonista da história.

Patrick foi deixado pela sua mãe na porta da sacristia de uma pequena cidade do interior da Irlanda. Adotado por uma família que mais tarde se arrependeu de tê-lo feito pela constante vontade de Patrick em vestir roupas femininas e em não fazer "o que meninos deveriam fazer", ele acaba criando um mundo particular para fugir dessa realidade. Nesse mundo imaginário, sua mãe se torna a "Dama Fantasma", que foi para Londres, a cidade que nunca pára, e foi engolida por ela.

Um dia, cansado de sua vida, decide sair de casa e ir procurar sua mãe. Na estrada, pede carona à uma banda de rock e se torna uma groopie, com direito a um affair com o vocalista da banda. As coisas não dão muito certo para os dois e então, ele decide ir atrás de sua mãe em Londres.

Na "cidade que nunca pára", ele se encontra com vários personagens pitorescos. Um deles é Bertie, interpretado por Stephen Rea. Bertie é um ilusionista chinfrim e o convida para participar de seus shows. Num dado momento, num pear, Bertie começa a se declarar a Patrick, que o interrompe. Ele precisa revelar um "segredo". Todo constrangido, ele diz que não era uma mulher. Recebe como resposta "I know that". Fui imediatamente lançado para Traídos Pelo Desejo, numa cena com o mesmo tipo de "revelação". Só que naquele filme, Stephen Rea não sabia...

Até então, eu achava o filme confuso, uma sucessão de idas e vindas, gente entrando, gente saindo... Estava começando a ficar entediado. Tudo mudou depois que Patrick foi à uma boate apinhada de soldados britânicos. Como eram os anos 70, o IRA explode a boate e a culpa recai sobre o transexual irlandês. Depois de uma semana apanhando para que confessasse sua participação no atentado, ele é solto por falta de provas. Mas ele não quer ir. Foi aí que eu percebi qual era a essência do filme: Patrick não buscava a mãe, Patrick buscava algum sentido para a sua vida. Ele buscava algo a que pertencer, um grupo, um amor, qualquer coisa.

E chega. Se eu contar o que acontece depois, estragarei a festa de quem ainda não viu o filme. Uma outra cena fundamental, magistralmente realizada, tem Patrick a balançar candidamente numa cabine de peep show dialogando com a pessoa por trás da parede. A partir dessa cena, Patrick, que chegou a se prostituir antes de conhecer essa "cooperativa de garotas" do peep-show, decide dar a volta por cima, rumo ao happy end.

Caso ainda não tenha se decidido se vale a pena ver o filme ou não, tem também a trilha sonora e sobre ela eu tenho um único comentário: tem uma música de Marianne Faithfull (Madame George).

B+Breakfast on Pluto (Neil Jordan, ING/IRL, 2005)
Quando: Outubro/06 (Cinema da Fundação)
Site Oficial: www.sonyclassics.com/breakfastonpluto
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