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INCONTROLÁVEL

Luzes, câmeras nervosas e ação, muita ação.


"Baseado em fatos reais" (um trem desgovernado que atravessou 4 estados nos EUA), Incontrolável narra a história de uma locomotiva sem maquinista que carrega uma carga altamente tóxica e ameaça despejá-la numa área altamente populosa. Entre a máquina e a tragédia há um maquinista veterano (e metódico), um novato em seu primeiro dia de trabalho e a controladora de tráfego que chega ao trabalho e encontra esse "pepino" em sua mesa.

Tony Scott faz o que mais gosta: câmera nervosa e edição picotada. A câmera nervosa chega a incomodar em alguns momentos com closes desnecessários, mas a edição merece aplausos. A história é mínima, o oposto da ação, exponeciada pelo picote.

Porém, a ação não é contínua. Há picos de adrenalina e picos de sonolência. Nesses momentos, somos obrigados a uma visão superficial dos dramas pessoais (e clichês) dos dois heróis que a circunstância criará. Frank, viúvo e com uma relação conturbada com as filhas, trabalha há 28 anos como maquinista e vê em Will a resposta da empresa a empregados veteranos como ele. Will, por sua vez, é um perdido que já teve diversos empregos e carrega uma ordem judicial que o impede de ver a esposa (que ele ainda ama) e o filho.

Agora é a hora de gritar Spoiler! e você decidir se quer continuar a ler ou não. Não direi nada demais, pois o final é previsível. É óbvio que o trem será parado e é óbvio que todos os envolvidos ganharão medalhas de honra ao mérito, assim como o executivo que impediu a ordem para o descarrilamento do trem será demitido e a controladora de tráfego que teve a atitude pró-ativa tomará o seu lugar. A esposa de Will verá que o seu marido é um herói e perdoará o momento de ciúme que a fez entrar na justiça para impedí-lo de chegar perto dela e do filho dos dois. As filhas de Frank verão que o pai ausente não é tão "mal" assim.

Colocando na balança os prós e os contras, Incontrolável é um filme correto, para ser visto sem grandes expectativas e que, certamente, não ficará muito tempo na sua memória.


B-
Unstoppable (Tony Scott, EUA, 2010)
Quando: Fevereiro/11 (Divx)
Sítio Oficial: incontrolavelfilme.com.br.

O GÂNGSTER

Algo como The American Way of Life em seu estado puro


Reza a lenda que os EUA é a terra das oportunidades. Basta ter uma idéia na cabeça que, se ela for realmente boa, você tem capacidade de se tornar milionário. Frank Lucas é um cara assim. Nascido em uma numerosa família negra na Carolina do Norte, passou de simples motorista a chefão do narcotráfico de Nova Jersey. Sua idéia: importar cocaína diretamente do Vietnã nos mesmos aviões que traziam os corpos dos soldades estadunidenses mortos e vendê-la nas ruas de NY sem diminuir sua pureza e pela metade do preço.

Denzel Washington é o mal. Mas é um homem-família e se veste bem. Russel Crowe é o bem. Entretanto, ele tem uma vida desregrada, é negligente com o filho e se veste muito mal. Ele se considera bom, pois é um dos poucos policiais da corrupta polícia dos anos 70 que não aceitam suborno. Evetualmente os dois se cruzam e Denzel Washigton é o que se dá mal e acaba na cadeia, condenado. Todavia, delatou o esquema dos chefões da máfia que nunca o aceitaram como um deles e ganhou alguns anos a menos.

O filme é longo, chega a ser cansativo em alguns momentos, mas é algo que vale muito a pena ver, já que veio da cabeça de Ridley Scott e conta com esses dois grandes atores, além de retratar fielmente a psicodélica década de 1970.


B+
American Gangster (Ridley Scott, EUA, 2007) [150ª resenha]
Quando: Fevereiro/08 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: americangangster.net

PLANO PERFEITO

Um filme (apenas?) sobre um assalto a banco.


No último filme de Spike Lee, o roteiro sobre um assalto a banco perfeito faz juz ao assalto: é perfeito. Mirabolante, mas "justinho" e crível.

Mas esse filme não é "apenas" sobre um assalto a um banco. Já tentaram fazer o mesmo para o grande público em Crash (05), mas Paul Haggis não é nenhum Spike Lee, que dá o tapa na cara dos racistas com luva de pelica e consegue passar o seu recado (ou passar totalmente despercebido, cabe ao espectador decidir).

Sim, a história é sobre um assalto a banco "que não acontece" (desculpe, mas vai ter que assistir ao filme para descobrir porque eu escrevi isso), mas temos o policial que chama um bandido de "chicano" num dado momento e um garoto que joga um pocket-game chamado "kill tha' nigga", aonde ganha mais pontos aquele que comete mais crimes (roubar bancos vale muitos pontos), com um gasgsta rap como trilha sonora. Há o bilhardário que fez fortuna de maneira nada convencional e os favores que políticos devem para pessoas influentes. Há o mise-en-scene de pessoas que aparentemente são aéticas, mas que têm seus motivos "nobres" e pessoas aparentemente éticas, que fazem algo "por baixo do pano" para que algo do seu passado suma.

Ah, já ia até me esquecendo da cena aonde os assaltantes começam a libertar alguns reféns, que estão vestidos com os mesmos macacões que eles. Um desses, antes que possa abrir a boca já recebe um "Merda! É um árabe" dos policias que não pensam duas vezes: é um deles. Outra cena engraçada é quando eles têm dificuldade de decifrar a língua que os assaltantes falam e, na dúvida, perguntam para os curiosos além do cordão de isolamento, se alguém conhece. Alguém na multidão grita que é "100% albanês". Vááárias outras pequenas cenas hilárias ocorrem.

Tá, admito que adorei os diálogos de palavras com duplo sentido do Detetive Frazier e sua namorada. A personagem de Jodie Foster fecha em toda cena que aparece e ela parece a Bia Falcão. É tão perfeita, mede tão bem as palavras, o cabelo tá sempre bem arrumado, os tailleurs estão sempre bem alinhados, é tão "clean" que parece que não peida! Adoro!! Já Danton Russell, é um assaltante de bancos, mas não é "apenas" um assaltante de bancos. Ele está lá pelo dinheiro... e por um certo envelope que ele sabe perfeitamente o que contém.

A música de abertura, a mesma que fecha o filme também é perfeita. Preciso dela para mim o quanto antes!


A
Inside Man (Spike Lee, EUA, 2005)
Quando: Abr/06 (UCI Recife)
Site Oficial: theinsideman.net
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