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MORTE NO FUNERAL

Laços de família.


Trata-se de uma comédia de humor negro que se passa no dia do funeral do patriarca da família, sendo que a mera reunião familiar é o mote para o afloramento das excentricidades de cada um. Do famoso filho caçula que é escritos, do ofuscado primogênito que sonha em escrever, do sobrinho que colocou alucinógenos num frasco de lexotan, da prima que vai apresentar o futuro noivo à família, e que por sua vez tomou os comprimidos de "lexotan". Há também o tio velho e esquecido num asilo que vive reclamando de tudo e de todos, de um sobrinho meio lerdo que vira babá forçado desse tio, do ex da prima que vai apresentar o noivo para a família e que só quer saber de reconquistá-la. Será que esqueci de alguém? Provavelmente...

Ah, tem também "o anão", sua mera presença já é sinônimo de risada, mas o "segredo" que ele está disposto a revelar sobre o patriarca é ainda mais cômico, assim como a forma que os irmãos decidem "resolver" a questão.

No mais, uma comédia "ok", que fica efadonha em alguns momentos, mas que é garantia certa de risos de tempos em tempos, o que assegura o bom divertimento.

B
Death at a Funeral (Frank Oz, ING, 2007)
Quando: Outubro/07 (Box Guararapes)
Site Oficial: deathatafuneral-themovie.com

O CHEIRO DO RALO

Humor negro, ácido, políticamente incorreto e depravado.


Lourenço compra e vende objetos usados e faz questão de avisar a todo mundo que entra em seu escritório que o fedor que eles sentem vem do ralo do banheiro. Lourenço é solitário, amargo e depravado. Solitário porque resolve romper o seu noivado "com os convites do casamento na gráfica" e não obstante não demonstrar nenhum arrependimento, diz que nunca amou a noiva. Amargo porque o show de tipos bizarros que desfila na frente de sua mesa é apenas uma desculpa para ele soltar a sua verborragia, esculaxando pessoas desesperadas por dinheiro pelo simples fato dele possuir dinheiro, tendo a certeza de que pode comprar tudo e todos. A depravação vem do fato de que tudo o que lhe interessa é A BUNDA. Bunda, essa, que pertence a uma garçonete de um botequim xinfrim qualquer, que vende uma comida horrível, mas onde ele bate ponto somente para poder observar o objeto de sua depravação, quando ela se abaixa para pegar o refrigerante.

No meio da história há um olho de vidro que um desavisado lhe vende, mas eu não entendi direito qual a relação entre Lourenço e o olho. "O olho que tudo vê", talvez? Sei lá. No meio também há uma cena engraçada da ex-Tiazinha como instrutora de ginástica de um programa televisivo do qual Lourenço apenas se limita a babar e a repetir as últimas palavras das frases que sua musa pronuncia. Fetichismo puro.

Achei O Cheiro do Ralo um filme "diferente" e, por isso mesmo, interessante. Não há limites para a depravação de Lourenço e, apesar do "truque" fácil de cativar a audiência através do desfile de "gente bizarra" que lhe vende todo tipo de tranqueira, de caixas de música, passando por gramofones e pernas mecânicas japonesas, o filme diverte com o seu humor ácido, negro, escatológico etc. Não conheço o trabalho de Lourenço Mutarelli (de onde esse filme é baseado). Por isso, achei o filme bem original e fora dos padrões atuais do cinema brasileiro.

B+
O Cheiro do Ralo (Heitor Dhalia, BRA, 2007)
Quando: Maio/07 (UCI Recife)
Site Oficial: ocheirodoralo.com.br
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