.
.
Mostrando postagens com marcador En France. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador En France. Mostrar todas as postagens

BABY LOVE

Como ser gay e tentar ser pai em Paris.


Manu quer ser pai. Phelippe, não. Quando Manu insiste na questão, chega ao fim a relação estável entre os dois. O plano inicial de Manu era adotar uma criança como um heterossexual solteiro, mas uma foto põe tudo a perder. Fina entra na história após um acidente de carro entre os três. Como Fina é uma argentina ilegal na França, depois que a estratégia da adoção dá errado, Manu propõe se casar com ela em troca de sua barriga para gerar seu filho. Leva um copo de vinho na cara. Mais tarde, Fina acaba cedendo, mas por outros motivos e não em troca do visto.

Claro que haverá muitas confusões até o nascimento da pequena Zélie nessa comédia "bobinha", típica de uma Sessão da Tarde e que me fez sair do cinema pensativo e emocionado em certos momentos. De certa forma, a história da adoção/criação de uma criança por homossexuais é apenas o pano de fundo da história, que é centrada no mais batido dos argumentos: o amor em suas mais diversas formas.


B+
Comme les Autres (Vincent Garenq, FRA, 2008)
Quando: Fevereiro/09 (Cine Rosa e Silva)
Sítio Oficial: marsdistribution.com/film/comme_les_autres

O PRAZER É TODO MEU

Somente para as mulheres.


Louise é a típica mulher moderna surgida após a queima dos sutiãs em praça pública: independente, colunista numa rádio, sexy e realizada sexualmente. Um belo dia, sai com a irmã mais velha para fazer compras e descobre que ela finge seus orgasmos para o marido. Depois desse "belo dia", ela perde o seu "mojo": não sente mais prazer. Briga com o namorado, procura especialistas, perde o emprego, tenta desesperadamente recuperá-lo com mulheres etc. Nada adianta até o final, claro, quando se reconcilia com o namorado, leva a sobrinha para passear num carrocel e, não mais do que de repente, recupera o seu mojo montada no cavalinho.

Se a diretora quis passar outra mensagem além da óbvia "mulheres merecem gozar e não deveria fingir seus orgasmos", eu não captei.


D
Tout Le Plaisir Est Pour Moi (Isabelle Broué , FRA, 2004)
Quando: Setembro/07 (DVD)
Site Oficial: ficha imdb

UM LUGAR NA PLATÉIA

Várias histórias. E Paris.


Não tem jeito. Paris sempre será Paris e eu sempre ficarei embasbacado com todo e qualquer filme em que ela figurar como cenário. Nem precisa ser o cenário principal, eu me contento até mesmo que a ação se desenrole em apenas uma de suas avenidas.

Justine foi criada pela avó na pequena cidade de Mâcon. A anciã sempre gostou do luxo, mas como não tinha condições de viver nele, se contentou com um trabalho como faxineira do Ritz. Ela lavava bidês e privadas, mas pelo menos vivia rodeada pelo luxo.

A neta vai para Paris e inicialmente tenta trabalhar no mesmo hotel, mas só consegue um emprego de garçonete. Nesse trabalho, com sua ingenuidade, seu carisma e sua simpatia, ela vai interligar as demais histórias do filme: a de um colecionador de arte que se casou com uma mulher arrogante bem mais jovem do que ele e que foi amante de seu filho, com o qual não tem uma boa relação; a de uma famosa estrela da televisão que ensaia uma peça, mas que quer mesmo é protagonizar um filme sobre Simone de Beauvoir; e a de um famoso pianista, que já não agüenta mais o seu ritmo de vida e que quer viver numa pequena casa no campo, ao lado da mulher, que abdicou de sua carreira como violonista para administrar a do marido e que não concorda com essa idéia.


Filme simpático, despretensioso, surpreendente e que me capturou, principalmente a história do pianista. Ele queria apenas tocar para crianças em hospitais e dar aulas de piano ao lado da mulher que ele ainda ama. A cena do concerto, com ele a encarando é de cortar. E é claro que eu chorei nesse momento.


B+
Fauteuils d'Orchestre (Danièle Thompson, FRA, 2006)
Quando: Setembro/07 (Cinema da Fundação)
Site Oficial: ficha imdb

AS BONECAS RUSSAS

Não é "O Albergue Espanhol 2".



Saí decepcionado na primeira vez que vi esse filme, no 14 Juillet de 2005, em plena Champs Elysées. Esperava algo do tipo "Albergue Espanhol 2" e veio um filme completamente diferente.

Cinco anos após conhecer aqueles personagens peculiares de todos os cantos da Europa em Barcelona, Xavier não é mais um estudante de economia, desistiu de trabalhar na sua área de formação e luta para se firmar na carreira que sempre sonhou, a de escritor. Paralelamente, ele busca uma relação estável, pois ele não tem nada além de casos fortuitos e passageiros desde que se separou de sua namoradinha do primeiro filme (Audrey Tatou, que também está nesse filme, com um filho de outra pessoa e igualmente perdida no campo amoroso).

Wendy, que era a certinha metódica e C.D.F. no "moquifo" espanhol, agora também é escritora, mora em Londres e é designada para trabalhar com Xavier no desenvolvimento de um programa de televisão. Até o final do filme, eles terão um relacionamento cheio de idas e vindas e é dela a frase do filme (que esqueci agora), ao admitir que tem plena consciência de que sempre se apaixona pelas pessoas erradas, ela sabe que o cara não presta, mas mesmo assim, sempre acaba se apaixonando. A belga Cécile (a lésbica) mora em Paris, trabalha com artes plásticas, tem um relacionamento estável e aceita se colocar no papel de noiva de Xavier para que esse pudesse apresentá-la ao seu avô (para que ele pudesse morrer em paz sabendo que o neto estava prestes a se casar). O que une todos os demais ex-residentes numa curtíssima participação é o casamento de Willian, irmão de Wendy, que era contra-regra num teatro londrino quando se apaixonou por uma bailarina russa. Depois de passar um ano aprendendo russo para que pudesse se declarar ao seu amor, ele vai se casar em São Petersburgo e estão todos convidados.

Se em O Albergue Espanhol (02) a identificação está no fato de haver estudantes de vinte e poucos anos se conhecendo e tomando consciência de culturas diferentes num país estranho, a seqüência procura seu público-alvo entre aqueles quase ou já balzaquianos que ainda não se encontraram. Aqueles que tiveram vários sonhos na juventude, mas que descobriram a duras penas que ir atrás do sonho não é fácil. A porralouquice e a falta de preocupação com o futuro em terras hispânicas dá lugar ao comedimento e ao amadurecimento de todos na gelada São Petersburgo, além da "luta contra o relógio" para conseguir um relacionamento estável.


B
Les Poupées Russes (Cédric Klapisch, FRA/ING, 2005)
Quando: Maio/07 (DVD)
Site Oficial: ficha imdb

PINTAR OU FAZER AMOR

Swing à la mode française.


Eu tenho minhas obsessões e uma delas é assistir a todos os filmes de Daniel Auteil entre 2005 e 2006. Explico: durante minha época parisiense, ao lado de casa, um belo dia, acordo com um verdadeiro exército de contra-regras, cabos, refletores, geradores & etc. Eles levaram a manhã inteira para armarem o circo e a cena durou menos de 5 minutos. Não consigo me lembrar do nome do filme, mas a cena em questão era ambientada em Londres, pois ela tinha uma cabine telefônica vermelha e um típico taxi preto londrino.

Cheio de esperanças, fui ao cinema inicialmente assistir a Caché (05) esperando que fosse esse o filme em questão, mas não era. Essa era a minha segunda tentativa e novamente errei de filme. O personagem de Daniel Auteil é um meteorologista aposentado, casado com uma pintora e cuja filha vai estudar na Itália. Num belo dia, sua esposa vai para o campo pintar uma paisagem e acaba conhecendo o prefeito do vilarejo, um cego, que acaba convencendo-a a conhecer uma casa que estava à venda lá perto. Ela se encanta pela casa, convence seu marido a comprá-la e ambos se mudam para o campo. Conversa vai, conversa vem, o prefeito e sua esposa acabam se tornando amigos do casal. Mais conversa que vai e mais conversa que vem, eles acabam fazendo um swing entre si.

O roteiro básico é esse, porém não é nenhum típico filme francês existencialista repleto de diálogos reflexivos e pausas intermináveis. É um filme sobre o que fazer quando se está aposentado e sobre a mudança de rumo de um casal já "acostumado" com a rotina que está apenas esperando a época dos netos chegarem.

Bem, um roteiro assim pode até empolgar alguém que deseja ver os simbolismos (Adão e Eva soltos na natureza para apenas fazer amor, por exemplo), os conflitos (sim, o título do filme não é por acaso) e a transição do casal da "caretisse monogâmica" para o "modernidade" que agora gosta de fazer swing com outros, mas para mim, que já estava frustrado por não ser esse o filme que eu estava procurando, fiquei ainda mais aborrecido com a história que se desenrolava sem um único clímax.


C
Peindre ou Faire l'Amour (Arnaud Larrieu e Jean-Marie Larrieu, FRA, 2005)
Quando: Fevereiro/07 (Cinema da Fundação)
Site Oficial: ficha imdb

A MARCHA DOS PINGÜINS

A natureza dizendo o quanto nós, homo sapiens, somos insignificantes.


Basta dar uma olhada para esse filme para que possamos perceber o quanto as famigeradas "conveções burguesas" tiraram de nossa natureza. Muito antes de criarem a máxima "casai-vos e multiplicai-vos", os pingüins imperadores viajam de todos os cantos do mundo para um certo ponto na Antártica para praticá-la. Eles não fazem isso porque a "sociedade" assim o disse. Eles fazem isso porque os seus antepassados fizeram isso, há séculos e porque seus instintos dizem que é isso que deve ser feito.

Todos os anos, eles enfrentam uma viagem marítima para um determinado local, numa época específica. Não entendi direito o que acontece com os retardatários, se eles morrem ou se voltam para o local de onde vieram, mas se eles tivessem sido pontuais, ainda enfrentariam 20 dias de marcha, um atrás do outro, até um outro ponto específico, aonde ainda teriam que enfrentar um inverno rigorosíssimo, a fome, outra(s) caminhada(s) em busca de alimento, outra(s) caminhada(s) de volta e assim sucessivamente até que os filhotes se fortalecessem, para poderem participar da mesma marcha três anos depois.

Eu só tenho a lamentar não poder ter visto esse filme num cinema, pois a fotografia parece ser espetacular. Tivesse ido ao cinema assistí-lo, talvez eu não teria ficado "constrangido" com a qualidade das falas, que são de uma pieguice ímpar. Achei brilhante a idéia de narrar a saga através de um macho, de uma fêmea e de um filhote ao invés daqueles offs comuns em documentários do gênero, mas ao fazer isso, me lembrei que o diretor é um humano, sujeito às mesmas convenções burguesas do tipo "macho fecunda a fêmea e assim nasce um filhote, que se for macho, vai fecundar uma fêmea e se for fêmea, vai ser fecundada por um macho no futuro". Bem, os pingüins "se casaram" e houve "a multiplicação da espécie", mesmo sem terem noção de céu, inferno, pecado, adultério, divórcio & etc.

B
La Marche de l'Empereur (Luc Jaquet, FRA, 2005)
Quando: Janeiro/07 (DVD)
Site Oficial: www.marchofthepenguins.com

PARIS, EU TE AMO

18 curtas sobre "a cidade do amor"



É realmente complicado analisar um filme composto por diversos curtas, pois geralmente se tem problemas na transição entre eles e, o que é pior, há desnível entre um(ns) e outro(s). Em Paris, Eu te Amo, não senti muito a transição, só fiquei com "gostinho de quero mais" naqueles que eu adorei. Já com relação à qualidade dos curtas, só não gostei de dois, mas se eu consegui abstrair a pipoca murcha e fria, isso não foi nada. Fiquei realizado só por ter conseguido vê-lo nas telonas.

Montmartre (Bruno Podalydès)
É o bairro de Amélie Poulain. Ao pé da Sacré-Coeur, um homem procurar uma vaga para estacionar. Quando finalmente a encontra, ele começa a pensar sobre a sua procura por uma alma gêmea. Ao sair do carro, uma mulher desmaia perto dele. Será que ele encontrou a tão almejada alma gêmea? Muito simples e muito simpático

Quais de Seine (Gurinder Chadha)
O "domingo de praia" dos parisienses é ao longo do Sena, nos quais. Três adolescentes da banlieu (periferia) ficam paquerando de forma nada sutil qualquer ser humano de saia que passa por eles. Um deles é mais comedido, pois seu olhar de canto de olho é em direção à jovem muçulmana que está sentada perto deles. Eles acabam se conhecendo e tudo indica que é namoro e não amizade. É o mais fofinho de todos e os dois jovens (e o avô dela) ilustram essa resenha.

Les Marais (Gus Van Sant)
Os Marais (pântanos) é o bairro dos judeus e da vida gay de Paris. Ao lado de vários restaurantes, livrarias e lojas judaicas, a vida GLS ferve pelas suas ruelas estreitas abarrotadas de palacetes (muitos deles, transformados em museus). Quando escutei aquela voz grave de quem fuma três maços de cigarro por dia, quase tive uma síncope. Era ela: Marianne Faithfull! Mas a diva só aparece por menos de 1 minutos e de costas (!!!) pois esse curta é sobre um monólogo a respeito de almas gêmeas, astrologia & etc entre dois rapazes. O final é muito engraçado.

Tuileries (Joel e Ethan Coen)
Construído por Maria Antonieta (aquela que perdeu a cabeça na guilhotina), o Jardin des Tuileries fica entre o Louvre e a Place de la Concorde, que por sua vez, leva à Avenue des Champs Elysées. Esse curta é o único "não romântico" do filme e é um típico episódio nonsense dos irmãos Coen aonde um turista americano aprende, na estação de metrô, que o seu guia de bolso é realmente útil em certas ocasiões.

Loin du 16e (Walter Salles e Daniela Thomas)
Paris é dividida administrativamente em 20 bairros, os arrondisements que não têm nomes e sim, números. Esse é o primeiro curta da categoria "crítica social" que mostra o fosso entre a imigrante hispânica que precisa deixar seu bebê em uma creche para pegar vários metrôs, trens e ônibus para chegar ao seu trabalho como babá de um bebê num apartamento luxuoso. Sem muitos diálogos, mas muito bonito.

Porte de Choisy (Christopher Doyle)
É o pior de todos. Assim como São Paulo, Paris também tem os seus "bairros estrangeiros". Nesse curta, um vendedor de produtos de beleza precisa convencer uma chinesa dona de um salão de beleza na Chinatown parisiense que seus produtos são bons. Do meio para o fim o curta toma um ar meio "bizarro" e a partir de então, não entendi mais nada. Nem tive vontade.

Bastille (Isabel Coixet)
É onde se localizava o famoso castelo que deu início à Revolução Francesa. Um homem na crise de meia idade resolve deixar sua esposa para viver com a amante, mas ele muda de planos, pois no dia em que tomou essa decisão, sua mulher (Miranda Richardson) revela que está com câncer. Ele larga a amante e reaprende a amar a mulher. A diretora é a mesma de Minha Vida sem Mim (03) e esse curta, como o filme, é maravilhoso.

Place des Victoires (Nobuhiro Suwa)
Essa é mais uma praça em homenagem à uma das inúmeras guerras francesas ao longo da história. Ela é redonda e tem um cavaleiro erguendo sua espada com o cavalo empinado. Talvez tenha sido por isso que Willem Dafoe aparece como um típico caubói americano, no delírio de Juliette Binoche dando um último adeus ao seu filho, que morreu há pouco. É meio lynchiano. Gostei.

Tour Eiffel (Sylvain Chomet)
Uma das características mais marcantes de Paris são os mímicos. Eles estão por todos os lugares e já que a espera média para subir na Torre Eiffel é superior a uma hora, eles ajudam a distrair a patuléia. Nesse curta, um garotinho conta como o seu pai, um solitário mímico encontrou sua mãe, também mímica. É bem simpatico. Principalmente o garotinho.

Parc Monceau (Alfonso Cuarón)
É um dos parques mais belos de Paris, criado por um milionário, mas que atualmente é público. Só que o curta se passa à noite e num único plano seqüência ao longo da rua (provavelmente a rua ao lado do parque) em que Nick Nolte e uma jovem "discutem a relação". Mas as aparências enganam, o final é "surpreendente" e entrou na conta daqueles que eu não gostei.

Quartier des Enfants Rouges (Olivier Assayas)
"Enfants Rouges" era um antigo orfanato que dá o nome ao bairro (quartier) ao lado da Place de la République. Maggie Gyllenhaal é uma atriz norte-americana que acaba se apaixonando por aquele que lhe vendeu drogas durante uma festa, antes de filmar uma cena. Não está entre os melhores, mas também, não decepciona.

Place des Fêtes (Olivier Schmitz)
Essa praça fica em Belleville (aonde há um parque maravilhoso com uma vista não menos estupenda de Paris). Belleville e Gambetta ficam no 20e, a "parte" de Paris reservada aos imigrantes das ex-colônias francesas na África. O curta é o mais triste de todos, sobre uma paramédica que atende a um imigrante nigeriano que foi roubado e esfaqueado. Apesar de triste, é ao mesmo tempo alegre, pois os dois já tinham se visto antes, mas ela não se lembrava dele (acho que no final, ela lembra). Entra na cota "crítica social" ao abordar o tema dos imigrantes das ex-colônias africanas que fazem os trabalhos que os franceses não querem fazer, sobrevivem em condições sub-humanas e, depois, os "bárbaros" somos nós.

Pigalle (Richard LaGravenese)
Pigalle é o bairro boêmio de Paris com suas casas de espetáculos e cabarés. É onde fica o Moulin Rouge. Ele fica ao pé do Montmatre e numa única avenida, há dezenas de sex-shops e peep-shows, além do Museu do Sexo. Esse curta narra a história de um casal de meia-idade (Bob Hoskins e Fanny Ardant) em busca de uma pequena apimentada em sua vida sexual. Mediano.

Quartier de la Madeleine (Vincenzo Natali)
Madeleine é uma igreja imponente em estilo romano erguida em devoção à Maria Madalena. Durante o curta, me lembrei bastante de Sin City (04) pelo clima, já que a única cor mostrada é o vermelho. A história é sobre um mochileiro (Elijah Wood) que se apaixona por uma vampira. Quando Elijah vê a vampira, ela está chupando o pescoço de Wes Craven. Legal.

Père-Lachaise (Wes Craven)
Pode parecer morbido fazer turismo em um cemitério, mas uma vez lá dentro, você acaba "entrando no clima" e a curiosidade em saber qual a forma dos túmulos dos famosos te instiga a adentrar em seus caminhos. Nesse curta, um casal britânico em lua de mel antecipada enfrenta dificuldades em seu relacionamento, pois ele não consegue mais fazê-la rir e ele não entende porque ela quer tanto ver o túmulo de Oscar Wilde. No final, o próprio Oscar (na verdade, Alexander Payne na pele do escritor) dá uma "forcinha" ao rapaz para que ele reconquiste sua noiva.

Fauborg Saint-Denis (Tom Tykwer)
É o bairro que mantém a única "porta" (entrada da cidade da época medieval, quando ela era murada) ainda intacta. É o bairro do teatro Saint-Denis, um dos mais antigos de Paris e o curta conta a história do romance entre uma aspirante a atriz americana (Natalie Portman) e um jovem francês cego e estudante de línguas. A narrativa é meio "estranha", mas mesmo assim eu gostei, afinal de contas, eu revi o interior da Gare de l'Est.

Quartier Latin (Frédéric Auburtin e Gérard Depardieu)
É o bairro mais heterogêneo de Paris, com restaurantes de todos as especialidades. Também é onde se encontra a Sorbonne. No curta, um casal de divorciados na terceira idade (Ben Gazzarra e Gena Rowlands) discutem como andam suas novas conquistas amorosas. Gérard Depardieu é o dono do café aonde eles se encontram e eu achei mediano.

14th Arrondissement (Alexander Payne)
Era o curta que eu mais esperava, pois foi nesse bairro que eu morei durante um ano. É um típico filme de Alexander Payne sobre uma loser americana em Paris em busca de melhorar o seu francês. Rivaliza com "Quais de Sena" como o melhor da trilogia e é perfeito para fechar o filme, pois ele inicia com a turista fazendo em Paris exatamente o que fazia nos EUA, mesmo dizendo estar aberta a novas culturas, e termina com ela percebendo porque ela ama Paris, quando estava sentada em um banco do Parc de Montsouris, ao lado de onde morei. Quando estive lá, foi apenas no quarto dia que "caiu a ficha": eu estava em Paris. Fui trocar meus travelers checks nos "Grands Boulevards", subi as escadarias do metrô e fui obrigado a ficar uns cinco minutos parado, babando ao olhar para toda aquela arquitetura portentosa e totalmente estranha a minha volta. O amor por ela veio com o tempo, tanto que hoje, ele é incondicional.


B+
Paris Je t'Aime (vários, FRA/SUI/LIE, 2006)
Quando: Dezembro/06 (Cine-Teatro Apolo)
Site Oficial: ficha imdb

O TEMPO QUE RESTA

Você recebe a notícia que vai morrer em três meses. E aí? O que você faria com o tempo que te restasse?


Romain é um jovem fotógrafo de moda bonito, gay, arrogante e drogado que desmaia no meio de uma sessão de fotos. Após os exames, ele recebe a notícia que, aos 31 anos, tem um câncer generalizado em vários órgãos do seu corpo e a change de um tratamento bem sucedido é inferior a 5%. O médico lhe dá 3 meses de vida, mas isso é uma estimativa: tanto pode ser 1 mês como 1 ano.

Aí está o ponto de partida para o filme que te faz refletir sobre o que você faria se a você fosse dada tal notícia. Romain procura "seguir o instinto" como confidencia à sua avó (Jeane Moureau, a "moça" da foto acima), a única a quem ele conta sobre a o tumor. Por que? "Porque você também vai morrer em breve", ele responde.

E esse é o Romain "normal". Não espere uma redenção ou algo do tipo, com ele fazendo "o bem" e "consertando" tudo de ruim que ele possa ter feito. No jantar em que ele pretendia contar aos pais e à irmã, depois de cheirar cocaína no banheiro, ele perde a coragem de contar o que está acontecendo e briga mais uma vez com a irmã. Você sente vontade de ter pena do personagem, mas ele não deixa. Mesmo em seus "últimos momentos", ele continua o mesmo.

Mas ele ensaia uma rendenção. Um dia, depois de receber uma carta da irmã perguntando porque eles se separaram, porque ele não lhe dava nenhum tipo de abertura e dizendo que ela sente saudades da época em que eles tinham uma cumplicidade, ele a espiona num parque com seus dois filhos. É a primeira foto que o tio tira de um de seus sobrinhos.

Ele deixa bem claro que era terminantemente contra crianças, no dia do jantar acima, numa conversa com uma garçonete que lhe faz uma "proposta indecente": seu marido é estéril e ambos concordam que, por ele ser bonito, ele daria um ótimo "doador de esperma". Inicialmente ele não aceita a proposta, mas volta atrás, contanto que o marido participasse. [Acho que entendi agora porque os cineastas fazem essas cenas "incômodas" durarem: eu me contorcia na poltrona durante a "proposta" e durante a "concretização do ato", que duraram uma eternidade cada uma]

O fim, bem melancólico, se dá na praia. Uma cena forte com ele estendido na areia (definitivamente, a moda-praia francesa é um horror). Ao entardecer, todos indo embora e ele, ficando....


A
Le Temps Qui Reste (François Ozon, FRA, 2005)
Quando: novembro/06 (UCI Recife)
Site Oficial: ficha imdb
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...