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SOB O SOL DA TOSCANA

Porque a água lava tudo.



Após um doloroso processo de divórcio de um marido infiel que fica com a sua casa, Frances passou a morar em um quarto-e-sala num prédio destinado a solteiros. Quando estava prestes a entrar em depressão, ganha de presente de suas amigas lésbicas uma excursão para gays para a Toscana, na Itália. Numa dessas cidadezinhas medievais, ela vê o anúncio de uma villa que estava à venda. No meio da estrada, a excursão passa em frente à villa e ela pede para descer. Ela decide, então, comprá-la e passa não só a reformar a casa, mas também a reformar a si mesma.

ALL OVER THE GUY

Why am I here? The truth is... Well, I met a guy. And I am all over this guy.


Comédias românticas têm sempre o seu público garantido. Se o casal de protagonistas é completamente diferente um do outro, está montado o jogo de gato e rato entre os dois até o final feliz, quando eles se resignarão e darão conta que foram feitos um para o outro, a despeito de seus defeitos e diferenças. Num mundo centralizado na heterossexualidade, é normal que esse tipo de comédia seja produzido "a rodo". Na marginal, porém progressista cinematografia GLS que eu estou descobrindo recentemente graças aos torrents, também há uma infinidade de comédias desse tipo entre dois homens e entre duas mulheres. Infelizmente, assim como no mainstream, a quantidade de porcaria atolada de clichês ainda é assustadoramente alta. Felizmente, sempre haverá exceções a qualquer regra e All Over the Guy é uma delas.

Logo no início vemos porque o relacionamento do casal protagonista está fadado ao fracasso: o apartamento de Tom é um verdadeiro bunker de guerra, com roupas, revistas e objetos não identificáveis espalhados por todos os cantos, enquanto que o de Eli parece um hospital, de tão asséptico. Pior: ao sair de casa, ele volta para arrumar o número de sua porta que está torto. Num segundo momento, Tom está numa reunião do A.A., grupo que ele decidiu freqüentar após "conhecer um cara". Eli está numa clínica esperando o resultado de seu exame anti-aids, pois ele começou a sair com "alguém" e gosta de se testar antes de embarcar em uma nova relação.

Eli é o certinho metódico que odeia fumantes e que tem uma intensa vida sexual... com a sua mão direita. Tom é uma chaminé ambulante que bebe martinis como se fossem água e tem uma intensa vida sexual... com outros. Eli quer comprometimento. Tom morre de medo de se ligar em alguém. Como é que eles vieram a se conhecer? Através de um encontro às escuras patrocinado por seus melhores amigos, Jackie e Gary, que se conheceram numa loja de móveis.

Com Jackie e Gary vai acontecer tudo direitinho: eles começam a namorar, ela fica grávida, eles ficam noivos e, no final do filme, se casam. Já com Tom e Eli, as coisas não vão funcionar tão direitinho assim. No primeiro encontro, tudo que poderia dar errado dá, mas quando Eli solta um "killer eyes" para Tom (algo com o qual eu concordo), esse se apavora e manda o outro embora. No segundo, num mercado de pulgas, Eli confessa que está atrás de um boneco do filme Planeta dos Macacos. Eles transam. No dia seguinte, Tom foge novamente. Eli projeta nos outros, o ideal de "perfeição" que ele acha que tem e como percebe que Tom não se encaixa nesse ideal, é a vez dele fugir. Porém, Tom já está apaixonado por Eli, apenas não o admite, pois continua com o seu medo de se apegar a alguém.


Tom procura um boneco do filme Planeta dos Macacos na internet e o entrega para Eli. Eli confessa que gostaria de conhecer a irmã de Tom, que nasceu com uma degeneração e vive numa clínica. No final... bom... o final é bem óbvio, mas não é um "e viveram felizes para sempre". É algo do tipo "e eles concordaram que vão tentar conviver com suas diferenças e ver aonde a relação vai dar".


A+
All Over The Guy (Julie Davis, EUA, 2001)
Quando: Maio/07 (DivX)
Site Oficial: ficha imdb

LATTER DAYS

Uma love story gay.


Chris é um típico gay hedonista que se preocupa bastante com a sua aparência. Vive em boates, tem vários casos fortuitos e anota em sua agenda todas as suas transas, que dificilmente (para não dizer "nunca") passam da primeira vez. Capaz até mesmo de seduzir "heterossexuais convictos", com "o melhor boquete" que eles já receberam, tudo muda quando um missionário mórmon se muda para o seu condomínio.

Aaron, o missionário, se torna objeto de aposta entre Chris e sua roommate Julie, que é uma garçonete e aspirante à cantora. Num certo dia, Aaron é seduzido e quase se entrega, mas após ter o seu tão escondido "segredo" revelado (sim, ele é mórmon e sim, ele é gay), joga na cara de Chris toda a sua futilidade, dizendo que ele é apenas uma casca. Tomado pela culpa, Chris começa a servir "quentinhas" como voluntário para um aidético, que o ajuda na "virada" de sua vida, quando ele se vê apaixonado por Aaron. A mudança também é percebida numa dessas transas fortuitas que ele arranja. Com a língua do trepê no seu edi, ele diz que "quer conversar", recebendo como resposta "é preciso intimidade para isso".

Uma sucessão de mal entendidos se suscedem e eu não posso revelar o final, sob pena de estragar o prazer de alguém que, se estiver disposto a abstrair os clichês e a canastrice de diversos "atores" do elenco, vai gostar do resultado final desse típico filme "arroz com feijão", mas legal.


B
Latter Days (C. Jay Cox, EUA, 2003)
Quando: Abril/07 (DivX)
Site Oficial: latterdaysmovie.com

CELESTE E ESTRELA

Uma interessante comédia romântica made in Brazil.


Há males que vêm para o bem. Com o horário de verão, a programação da televisão aqui no nordeste fica uma hora mais cedo. Apesar de ter a parte ruim como, por exemplo, o Jornal Nacional às 19h15, pelo menos pude conferir 24 Horas e Lost sem grandes sobressaltos. Numa dada segunda-feira, num dos intervalos de Lost, descubro o filme que ia passar logo após. Tomado por objetivos lascivos, libidonosos e nada nobres, fiquei grudado na telinha esperando seu início.

Enquanto babava pelo objeto do meu desejo, acompanhei a história de Celeste, uma curta-metragista premiada e cineasta iniciante que era a perfeita bicha-grila, adepta do amor livre, fumava maconha, adorava colocar simbolismo em seus curta-metragens e que tinha como objetivo de vida, a denúncia dos abusos da burguesia dominante. Para ela, os pobres de Brasília eram os intestinos da cidade. Seu contraponto era Paulo Estrela, o cinéfilo burocrata do Ministério da Cultura e careta que de repente se vê apaixonado por Celeste.

O "relacionamento" dos dois é apenas o pano de fundo para mostrar o caminho das pedras que um cineasta precisa percorrer para filmar no Brasil. Enquanto Celeste vive mudando de cidade, aceita ser a assistente da assistente da assistente da assistente de direção de um famoso cineasta, faz gato e sapato de Estrela com o seu jeito livre de ser. Esse último, como um perfeito cachorrinho, fica bolando mil e uma idéias sobre como viabilizar longa metragem de sua amada e, assim, conquistá-la. Inicialmente, o filme "Amores Impossíveis" contaria uma história de amor no passado, no presente e no futuro durante 15 gerações. No final, ela acaba focando apenas na época da escravidão. O filme, com 250 espectadores durante sua única semana de exibição só se torna sucesso no exterior, quando ganha um festival na Alemanha. Metaliguagem é pouca, inclusive com os personagens do filme dando pitacos durante todo o processo de filmagem do filme dentro do filme e de um professor de cinema explicando o que um roteiro deve ter e o que não deve ter para criar empatia com o público.



B
Celeste e Estrela (Betse de Paula, BRA, 2005)
Quando: Março/07 (TV)
Site Oficial: www.celesteeestrela.com.br

ETHAN GREEN

Uma comédia romântica onde gays procuram pelo amor verdadeiro, sem discursos panfletários ou diálogos de afirmação da orientação sexual.


Ethan Green não tem sorte no amor. Isso nos é dito logo nos créditos iniciais, quando somos apresentados a todos os personagens do filme. Também somos avisados para não sentirmos pena dele, pois ele é o único culpado por não conseguir um relacionamento estável.

Pois bem, na primeira cena, ele está lendo um livro de auto-ajuda, The Boyfriend Within, num parque, é atingido por uma bola de tênis, acaba se apaixonando por seu salvador e é correspondido. Ele acredita ter finalmente conhecido o amor de sua vida, mas sua roomate lésbica, que acabou de levar um pé na bunda, diz que não vai durar. Até que dura um tempo razoável, mas no dia em que o antigo jogador de basebol ultra-sarado e recém saído do armário propõe que eles morem juntos, Ethan decide terminar tudo, para espanto geral do restaurante. Nem mesmo o garotinho gordo acredita que ele fez o que fez.

No dia seguinte, bate o arrependimento, mas é tarde demais por uma questão bem simples: ele nem tenta conversar novamente com o, agora, ex-namorado para ver se a oferta ainda está de pé. Ele fica apenas se lamentando e chorando ao pé do ouvido de sua roomate.

Nisso, o que era ruim se torna mais complicado ainda porque a casa aonde ele e a roomate vivem é de um outro ex-namorado dele que decide vendê-la porque vai se casar com um gay simpatizante do partido republicano. Pensa que acabou? Outro ex, uma bichona latina afetadíssima, mora com a sua mãe, que tem um pequeno negócio de gerenciar casamentos homossexuais.

A galeria de personagens bizarros ainda conta com as "The Hat Sisters", as "tias" bigodudas de Ethan que adoram um chapéu, vivem num casamento estável há séculos, sabem tudo sobre hat style e, nas horas vagas, são terroristas contra políticos homofóbicos (a parte ruim do filme é que "elas" são muito mal aproveitadas). Há também o fuck budy que Ethan conhece numa festa e cuja vida se resume a transar. "The Punch" tem apenas 19 anos e se vangloria de um dia ter transado com um time inteiro de futebol americano quando estava no colegial. No desenrolar do filme, eles acabam se tornando namorados, mas Ethan leva um pé na bunda porque era "imaturo demais". "The Punch" também é o responsável pela apresentação de Sunny Deal a Ethan e sua roomate. Ela era a melhor agente imobiliária do país, mas se tornou depressiva após ter saído de casa um dia e esquecido o forno ligado, o que matou todos os seus gatos. Desde então, ela não vendeu uma única casa e ela é contratada porque Ethan e sua colega não querem que a casa seja vendida.

Agora há o Spoiler! Continua por sua conta e risco. Só não venha me trollar depois.

No final, Sunny Deal sai da depressão depois de encontrar o seu true love. A colega de Ethan também, assim como o próprio protagonista do filme. Onde? No lugar tão óbvio que ele nem procurou direito.

Os atores são canastrões? A maioria é. O roteiro tem algumas falhas? Tem. Os personagens não são bem desenvolvidos? Não, não são. O final é previsível? Sim, totalmente. O filme é divertido? É!


B
The Mostly Unfabulous Social Life of Ethan Green (George Bamber, EUA, 2005)
Quando: novembro/06 (DiVX)
Sítio Oficial: www.ethangreen-themovie.com

TERAPIA DO AMOR

Ela tem 37 e ele, 23. Mas eles têm algo em comum...


Sou apaixonado por Uma Thurman desde Ligações Perigosas (88), onde ela foi vítima das artimanhas do Visconde de Valmont e da Marquesa de Merteuil. Versátil, ela já participou da comédia "bobinha" (e ótima) Feito Cães e Gatos (96), já esteve in leather no horripilante Os Vingadores (98) e esteve muito afim de Kill Bill (03/04) em dois volumes.

Nesse filme, ela é uma recém divorciada que faz terapia há vários anos. Num dia desses, numa fila do cinema, ela conhece Dave, um jovem pintor que vem de uma família judia tradicionalíssima. Tudo muito "normal", se não fosse a pequena diferença de 14 anos entre os dois.

A comédia se desenrola, várias situações hilárias vão se sucedendo até que um "segredo" é revelado por alguém. Lembre-se, essa é uma comédia "bobinha" e o segredo não é nenhum drama pessoal, apenas "algo" que fará com que você morra de rir com as situações que virão a seguir.

Qual é o segredo? Vá e descubra por si próprio. Eu já falei até demais.


B
Prime (Ben Younger, EUA, 2005)
Quando: abr/06 (UCI Recife)
Site Oficial: www.primemovie.net

E SE FOSSE VERDADE?

Apenas mais uma comédia romântica.


A única diferença entre esse filme e os demais é um pequeno detalhe no casal-protagonista: ela está morta. No mais, vemos os mesmo clichês de sempre: no início, a antipatia entre os dois é mútua; depois há o entendimento; a paixão começa a tomar conta do coração dos dois; o vilão quer separá-los. A força do amor é mais forte, os dois vencem todas as batalhas e terminam felizes para sempre no final.


C
Just Like Heaven (Mark Waters, EUA, 2005)
Onde: Multiplex Mag Shopping (Fev/06)
Site Oficial: www.justlikeheaven-themovie.com
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