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A METADE NEGRA

Take a walk on the wild side


Thad Beaumont é um jovem e talentoso escritor livros de ficção. Seus livros são sucesso de crítica, mas fracasso de público. Para sustentar sua família, também escreve livros extremamente violentos sob o pseudônimo de George Stark até ser descoberto e chantageado. Para não ceder à chantagem, Thad decide "matar" seu alter-ego. O problema é que Stark não quer morrer...

O ABOMINÁVEL DR. PHIBES / A CÂMARA DE HORRORES DO DR. PHIBES

Where can we find two better hemispheres, without sharp north, without declining west? My face in thine eye, thine in mine appears, and true plain hearts do in thee faces rest. Within twenty-four hours, my work will be finished, and then, my precious jewel, I will join you in your setting. We shall be reunited forever in a secluded corner of the great elysian field of the beautiful beyond!


Em O Abominável Dr. Phibes, Anton Phibes, outrora músico, médico e teólogo, jura vingança contra os nove integrantes da equipe médica que, segundo ele, mataram sua amada esposa Victoria. Desfigurado por um acidente de carro e dado como morto, ele planeja as mais ardilosas mortes para cada um dos envolvidos baseadas nas 10 pragas do Egito. Satisfeito em sua sede de vingança, “hiberna” durante três anos e, em A Câmara de Horrores do Dr. Phibes, acorda no momento ideal para levar sua amada para o Egito, onde a ressuscitará ao atravessar um rio oculto sob as pirâmides que surgirá naquele exato momento.


REC²

Não é só nos EUA que a ganância faz com que se cague numa ideia originalíssima.


[rec] (2008) foi um dos melhores filmes de suspense que eu vi. A ideia, originalíssima, confinava os personagens num prédio isolado na companhia de "zumbis" raivosos. [rec²] traz a mesma ideia. Novos personagens são isolados no mesmo prédio pouquíssimos minutos antes do final do primeiro filme e é dada uma explicação para a origem da "doença".



E a explicação é bem tosca: não é um vírus. É uma possessão demoníaca transmitida (acredite) pela saliva!  Não grite Spoiler!, pois a explicação ocorre antes dos 15 minutos além de ser explicitada no título em português (Rec - Os Possuídos). Só não é uma completa perda de tempo pois há mais de uma câmera desta vez e outro ponto de vista, pois além do padre e sua equipe, há um grupo de adolescentes que fazem o que adolescentes mais fazem ao tentar afirmar suas masculinidades: merda. Eles entram para "ver o que acontece" (lógico que com uma câmera na mão) e acabam presos lá.

É um filme dispensável. Enquanto o via, não conseguia parar de pensar que eu já tinha visto aquilo tudo antes. Na dúvida entre os dois, assista só ao primeiro e esqueça a existência desse, apesar dele conter o gancho para o terceiro filme.


D
[rec²] (Jaume Balagueró & Paco Plaza, ESP, 2009)
Quando: Setembro/2010 Multiplex Boa Vista
Sítio Oficial: rec2lapelicula.com

A ÚLTIMA CASA

A vingança é um prato que se serve com sangue


Mary vai passar o final de semana com os pais na casa do lago da família, mas pede para ir à cidade para se encontrar com a amiga. As duas acabam nas mãos de uma família de degenerados e sofrem horrores até a morte. Anoitece, eles se veem presos no meio do nada e, ironia do destino, encontram refúgio junto onde? Na casa dos pais da jovem que eles tinham acabado de estuprar. Eventualmente, a mãe descobre o que aconteceu e aí parte para a vingança com a ajuda do marido.


A Última Casa é mais uma refilmagem do século XXI de um clássico do horror dos anos 1970/80, no caso em questão, de Aniversário Macabro (72), originalmente escrito e dirigido por Wes Craven, que aqui atua na produção. A notícia boa é que esse é um dos poucos casos em que a refilmagem suplanta o original. Com tensão nos momentos certos e gore não gratuito e em doses comedidas, o ponto forte do filme está na ironia do roteiro e não no choque de ver cabeças explodindo espirrando sangue e miolos pela tela. Bem... há uma cabeça que explode -- de uma forma até original, devo dizer --, mas está "dentro do contexto".

O filme peca exclusivamente por não desenvolver bem as personalidades do casal protagonista, pois achei meio forçado esses típicos pais-classe-média-burguesa de repente virarem assassinos vingativos, mas nada disso desabona essa boa diversão. O filme original é facilmente encontrado no youtube caso haja algum interessado na comparação.


B
The Last House on the Left (Dennis Iliadis, EUA, 2009)
Quando: Agosto/2010 (Divx)
Sítio Oficial: universalstudiosentertainment.com/last-house-on-the-left

MIDNIGHT MEAT TRAIN

Slash movie overload.


Se você gosta de gore, esse é o seu filme. Há olhos saltantes, intestinos, víceras e sangue, muito sangue.

Um fotógrafo freelance é aconselhado por uma marchant a se aprofundar no lado negro da cidade caso queira ter alguma de suas fotografias expostas. De madrugada, como não consegue dormir, resolve sair pela cidade e consegue sua foto, ao presenciar uma gangue quase estuprando uma modelo. Ela foi salva da gangue, mas pega o mesmo trem desse senhor aí encima.

No dia seguinte, ao ler a notícia do desaparecimento da modelo, começa a obsessão do fotógrafo em desvendar o mistério. Ele acaba descobrindo que pessoas desaparecem há mais de um século no metrô de Nova York e há toda uma "rede de apoio" (na falta de um adjetivo melhor) para encobrir os rastros dos desaparecimentos.

O que me chamou a atenção foi a chancela "by Clive Barker", autor do conto que deu origem ao roteiro e produtor do filme. Porém, assistí-lo foi uma sessão de tortura, pois para se tornar um filme, precisou-se criar todo um elenco de apoio e motivá-los durante os 100 minutos de sua duração. Enquanto não está "desenvolvendo personagens" de forma rasa, há abuso de gore. Inclusive uma "bala em primeira pessoa" que é vista desde o cano do revólver, passando pela cabeça da pessoa até sair por seu globo ocular, com o olho direito saltando, claro.

Aí, incorremos na minha maior crítica aos filmes de terror atuais, que deixam de criar um clima de tensão para se concentrarem em cenas de gore explícito. Esse aqui não é diferente.


D
Midnight Meat Train (Ryuhei Kitamura, EUA, 2008)
Quando: Agosto/2010 (Divx)

A EPIDEMIA

Não é impressão sua, você já viu esse filme antes.


A ideia original é de George Romero (The Crazies, 1973) e foi reclicada várias e várias vezes: numa pacata cidade perdida no tempo e do tamanho de um ovo, de repente, os habitantes começam a enlouquecer e a matar uns aos outros. Dias depois, chega o exército e você fica na dúvida entre quem são os mais loucos: os habitantes infectados ou o exército truculento.


A premissa é interessantíssima: do nada, a vida daquelas 1.200 e poucas pessoas é virada pelo avesso sem motivo aparente. Depois, que o primeiro habitante aparece ensandencido com uma arma na mão no meio de um jogo de basebol, descobrimos que um avião com um vírus de laboratório cai no rio que abastece a cidade com água potável. A cidade é isolada do mundo e chegam o exército, truculento, e um time de pessoas (cientistas? médicos?) com roupas antirradiação para separar os que têm febre (infectados) dos saudáveis. Os infectados são isolados e os saudáveis são transportados em caminhões como gado. Tudo sem a menor explicação.

O filme não é de todo ruim, há boas cenas, como a do lava-jato (claustrofóbica) e a que a doutora volta à sua casa e "surta", recolhendo as toalhas do varal e visitando o quarto do futuro bebê (sempre tem que ter um futuro bebê). Também é interessante a cena onde o grilo falante (aquele que vai explicar tu-di-nho para quem ainda não entendeu as inúmeras pistas que já tinham sido expostas) é introduzido e descartado.

Mas esse é um típico filme com foco no "público médio" que não está lá para discutir políticas não ortodoxas do governo. Você não está lá para refletir e sim para ver partes de corpos, corpos empilhados, "zumbis", sangue jorrando e ser assustado (mesmo que da forma mais previsível possível com os sustos-relâmpagos e o "suspense" de que tudo vai dar errado até serem salvos no último segundo). Nesse sentido, eu garanto: você não vai ter do que se queixar.

Só não é a minha praia.


D
The Crazies (Breck Eisner, EUA, 2010)
Quando: Agosto/2010 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: thecrazies-movie.com

CONTATOS IMEDIATOS DE 4º GRAU

Quando se peca pelo excesso.


Só consegui ter minha atenção capturada no meio do filme, quando aquela irritante câmera trêmula deu um tempo, assim como aquela janela dupla “realidade”/ficção.

Antes de mais nada, saiba (e eu não estarei estragando nada, apenas te avisando): a história “real” do filme é mentira. Uma mentira que tentam te enfiar goela abaixo de forma tão forçada que estraga o filme, que tem uma premissa interessante. Numa cidade do Alasca, várias pessoas com problemas de insônia se queixam a uma psiquiatra de que são acordados por uma “coruja”. Através de hipnose, descobre-se que não é uma coruja que os acordam.


Tivessem se concentrado apenas em contar a história do ocorrido, o filme seria melhor, mas a atual onda dos filmes de terror estadunidenses ou é fazer um remake de filmes estrangeiros ou forçar uma história como sendo baseada em fatos reais. Esse filme se encaixa na segunda categoria. Assim, há uma infinidade de janelas duplas entre a “realidade” (com a “real” Dra. Abigail Tyler sendo entrevistada num programa de TV e filmando as sessões com seus pacientes) e a ficção (a “recriação” da história “real”, com Milla Jovovich no papel da Dra. e outros personagens com “nomes fictícios”).

Claro que há furos no roteiro. O maior deles é o fato de “esconder” porque o xerife tem tanta “raiva” da Dra. Abigail. Ele que, teoricamente, deveria ser equilibrado a ponto de manter a lei e a ordem, mesmo com o relato de um guarda, não acredita na versão da Dra. para um fato que, por si só, já é um furo. O que ele faz? Começa a gritar com ela e quebra uma cadeira na casa dela. Sutil, não? Aí recomeça a forçação de barra para tornar a história real e o roteiro descarrilha de vez. Até onde eu sei, hipnose serve para você se lembrar de algo que esteja escondido dentro do seu cérebro e não para contactar alienígenas.

Eu acredito em discos voadores e, de certa forma, acredito em abduções alienígenas e repito: a história é interessante. Mas toda história interessante nas mãos de produtores, roteiristas e diretores medíocres acabam se perdendo e não deixam uma única marca.











C
The Fourth Kind (Olatunde Osunsanmi, EUA, 2009)
Quando: Janeiro/2010 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: thefourthkind.net




ARQUIVO X: EU QUERO ACREDITAR

Mulder e Scully, 6 anos depois.



É complicado fazer uma crítica imparcial de um filme derivado de uma das melhores séries que eu acompanhei na TV. Mas como essa imparcialidade está longe de ser o objetivo desse blogue, vou em frente, já deixando qualquer desavisado devidamente informado do que está por vir.

Apesar de ser fã da série, não sou desses xiitas que querem ver algo novo exatamente como era antes. Eu acompanhei quase que religiosamente toda a série até sua “morte morrida” com a saída de David Duchovny. Depois de dois anos desfigurada, onde não passava de uma série policial qualquer, ela finalmente sofreu sua "morte matada" em 2002, ao final de sua 9ª temporada.

No filme, ambos saíram do FBI e, enquanto Dana Scully tem uma vida aparentemente normal voltando à pratica da medicina, Fox Mulder continua preso ao passado, passando a vida praticamente trancado dentro de um quarto, barbudo e recortando reportagens de fenômenos “não-identificados”. Ermitão completo, sua única ligação com o mundo exterior é Scully.

Tudo muda quando uma agente do FBI é raptada e, sem pistas, o escritório apela a um padre “ex-pedófilo” e vidente. Apela sem acreditar muito, tanto que depois procuram Mulder para que ele possa, de alguma forma, explicar o que está acontecendo, sem dar muito crédito a ele também.

Mulder, então, tira a barba e parte do ceticismo inicial à fé cega. Interessante vê-lo “feliz como pinto no lixo” com o caso. Scully, ao contrário, resiste o quanto pode aos apelos do parceiro e tem os seus próprios problemas com um paciente que possui uma doença sem cura e que precisa de um milagre. Um milagre que  a católica Dana Scully não pede, pois ela perdeu a sua fé.

Não é um filme do qual se pode esperar muito. Sua razão de existir é apenas mostrar um possível futuro para os dois, agora, ex-agentes do FBI, no que ele é muito bem sucedido. O roteiro é previsível e alguns diálogos são forçados (inclusive o grande spoiler do parágrafo abaixo), mas para quem é fã não-xiita da série, foi uma ótima diversão.

Agora vem o grande spoiler do filme. Não diga que eu não avisei. Ei-lo: Mulder e Scully são amantes. Chegam até a compartilhar a cama e dar selinho um no outro.


B+
The X-Files: I Want To Believe (Chris Carter, EUA, 2008)
Quando: Agosto/08 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: arquivox2.com.br

AS RUÍNAS

Sangue com tequila



Eu realmente não consigo entender a fissura de uma certa parcela de cinéfilos pelo gore puro e simples. A história até pode ser interessante, com a maldição de uma pirâmide perdida nas selvas mexicanas que possuí plantas “inteligentes” e “carnívoras” (pelo menos, foi isso que eu acho que entendi).

Um grupo feliz formado por dois casais estadunidenses está de férias nas playas mexicanas até que conhecem um alemão que estava por lá acompanhado da irmã, arqueóloga, que havia feito uma expedição à tal pirâmide e não havia voltado. Eles, então, combinam de ir visitar o tal sítio com a desculpa de ver o que aconteceu com a alemã.

Nas redondezas, eles ainda são avisado pelos moradores locais a não entrarem, mas como nenhum deles fala espanhol, eles entram mesmo assim. Pronto. Estão fudidos e vão morrer um a um das formas mais bizarras possíveis com direito até mesmo à uma amputação com pedras e canivete. Simplesmente passável.


E
The Ruins
(Carter Smith, EUA, 2008)
Quando:
Agosto/08 (DivX)
Sítio Oficial: ruinsmovie.com

FIM DOS TEMPOS

A narrativa de um “acontecimento” que pode marcar o fim da humanidade


Central Park, NY (sempre Nova York). De repente, um grito. Num segundo momento, uma mulher enfia o prendedor de cabelos em sua própria garganta. Perto dali, numa obra, um operário “cai”. Pouco tempo depois, vários operários se jogam para a morte. Inicialmente, culpa-se “os terroristas” (sempre eles). Depois, a ordem é fugir. Fugir não se sabe do quê, não se sabe para onde.

Mais um filme de M. Night Shyamalan que causa amor e ódio. No meu caso, foi pura indiferença. Não consegui ver um objetivo. Saí da sessão com a sensação de “e daí?”. Depois, com o tempo, fui lendo o que o pessoal foi escrevendo e fui vendo um outro filme, algo muito além do “ataque das plantas” feito por um “ecoterrorista”.

Shyamalan precisa resolver seus problemas como roteirista. Como diretor, ele já provou o que tinha que provar, mas como roteirista, ainda precisa aprender a dialogar melhor. Não precisa ser explícito, voltar-se para o público médio estadunidense que não sabe fazer uma simples soma (aquela explicação final, no programa de entrevistas, por exemplo), mas ele precisa fazer com que não-cinéfilos, ou aqueles que não o idolatram cegamente possam entender o que ele quer dizer.

Fica a dica de uma revisão caso você tenha saído da sessão decepcionado ou indiferente. É o que vou fazer tão logo o filme esteja disponível em DVD. Caso ainda vá ver o filme, assista-o com atenção e não acredite na primeira conclusão a que você chegar.


B-

The Happening (M. Night Shyamalan, EUA, 2008)
Quando: Junho/08
Sítio Oficial: thehappeningmovie.com

UMA CHAMADA PERDIDA

Mais uma refilmagem sem sal de um terror oriental


Confesso que os motivos que me fizeram assistir a esse filme não eram nem um pouco nobres. Embuído de coragem, lá fui eu tentar chegar até o final do filme que conta a história de misteriosos telefonemas que as pessoas recebem indicando como, o dia e a hora (futura) de suas mortes. Logo no começo, o que seria padrão até o final do filme: uma mulher sozinha, no quintal de sua casa, com um laguinho japonês e um gato que, de repente, some. Sons estranhos. Ela saí da varanda e vai à procura do seu gatinho. O gatinho aparece de repente num susto-clichê. Novos sons estranhos, agora vindos do laguinho. Ela se aproxima. Pronto, uma mão branca surge e a puxa para o lago.

Ah, como todo filme de terror oriental ultimamente, há também a menina de longos cabelos pretos sobre o rosto, o culpado que não é culpado e o final que não é o final.

E
One Missed Call (Eric Valette, EUA/ALE/JAP, 2008)
Quando: Maio/08(DivX)
Sítio Oficial: umachamadaperdida.com.br

DIÁRIO DOS MORTOS

Zumbis, ao estilo [Rec], Cloverfield, A Bruxa de Blair....


George A. Romero é uma lenda. Ele é o pai dos zumbis, criados no final dos anos 60 com A Noite dos Mortos Vivos (68).

A despeito das inúmeras refilmagens, Romero voltou ao tema em outras oportunidades, onde havia uma lógica de disseminação constante do caos: no primeiro [Madrugada dos Mortos (78)], os zumbis tinham saído de um cemitério e atormentavam um grupo de estranhos que tinham que sobreviver em uma casa, no campo e no último [Terra dos Mortos (05)], a história se passava num mundo apocalíptico, onde havia uma clara distinção entre os ricos, que viviam numa torre envidraçada e, aparentemente, “bem”, e a ralé, devidamente esquecida nas ruas imundas. Os zumbis estavam devidamente “confinados” para além das cercas dessa ilha da fantasia.

Agora, Romero retoma ao conceito de zumbis, mas num mundo “real”, onde um grupo de cineastas rodava um filme sobre... zumbis, quando escutam pela TV que “havia algo de estranho” acontecendo. Com duas câmeras nas mãos, eles vão cruzando os EUA e “documentando” o que acontecia no trajeto. O filme que nós assistimos, então, é um documentário editado e com trilha sonora feito por uma das sobreviventes e posto na internet para que o mundo saiba o que realmente estava acontecendo naqueles dias.

O grande problema desse filme é o aparente estilo não-Romero de ser. Na sua filmografia anterior, as críticas sócio-políticas estavam espalhadas em cada cena de forma dicreta, bastava ter senso crítico para descobri-las. Agora, não. Filmado ao estilo MTV de ser, para um novo público sem qualquer senso crítico, deve-se martelar nas mesmas idéias para ver se elas entram a fórceps. A principal: não acredite em tudo que a mídia transmite. A secundária: estamos vivendo na era onde é mais importante filmar, novamente sem qualquer senso crítico, do que entender o que está acontecendo.

É triste ver um mestre perder a mão tão feio assim.


B-
Diary Of The Dead (George Romero, EUA, 2007)
Quando: Maio/08 (DivX)
Sítio Oficial: myspace.com/diaryofthedead

REC

Uma câmera na mão, um prédio em quarentena, “zumbis”...


Era para ser uma noite tranqüila, uma reportagem burocrática sobre a rotina de trabalho do corpo de bombeiros de Madri até que a repórter e seu cinegrafista seguem dois bombeiros em um chamado sobre ruídos estranhos saindo de um apartamento num prédio no centro da cidade.

No apartamento, os repórteres, os bombeiros e dois policiais perceberem que há algo de errado no comportamento da dona do apartamento. Eles tentam sair do prédio, mas ele foi isolado e posto em quarentena sem que eles saibam o motivo.

Daí é um pulo para descobrirmos que o prédio foi isolado porque as autoridades sanitárias desconfiam que ele é o foco de um vírus que causa um comportamento raivoso em seu portador e, um a um, os moradores acabam sendo expostos ao vírus e viram “zumbis” (na verdade, eles adquirem um tipo de raiva que os tornam agressivos e assassinos e não mortos-vivos).

Um filme com sustos eficazes que alia a claustrofobia do confinamento num único ambiente (o prédio) com o medo do desconhecido (que diabos está acontecendo com todo mundo?). Eu tenho minhas restrições com o final (assustador), mas nada que desabone esse suspense com S maiúsculo.


B
Rec (Jaume Balagueró e Paco Plaza, ESP, 2007)
Quando: Abril/08 (DivX)
Sítio Oficial: ficha imdb

O ORFANATO

Um bom filme de terror.


Laura se muda com o marido e o filho adotivo, Simon, para uma casa onde antigamente havia sido um orfanato com o intuito de reabrí-lo. Porém, seu filho começa a ter um comportamento "estranho", passando a conversar com "amiguinhos imaginários". Na festa de inauguração, o pequeno Simon some.

A partir daí, tem-se a combinação perfeita para filmes de terror: uma casa assustadora e mal iluminada, amigos imaginários (= fantasmas), crianças com ar inocente demais para ser verdade, um filho desaparecido, a dor de uma mãe que não desiste de procurá-lo, uma médium, um jogo infantil...

Um filme mais do que eficiente para quem deseja ficar grudado e não perder um detalhe. E não pode perder mesmo, pois de acordo com o jogo infantil (primeiro, jogado pelo pequeno Simon, depois, pela mãe dele), uma pista leva a outra e se você conseguir achar o tesouro final, você tem direito a um desejo. Simon conseguiu ter seu desejo atendido. A mãe... bem... assista ao filme e descubra.


B
El Orfanato (Juan Antonio Bayona, MEX/ESP, 2007)
Quando: Março/08 (DivX)
Sítio Oficial: theorphanagemovie.com

SENHORES DO CRIME

Mesmo um Cronemberg mediano está acima da média do resto.


O maior "pecado" de Senhores do Crime foi ter sido lançado depois de Marcas da Violência (05). O fato dos dois filmes terem o mesmo protagonista não ajuda, mas enquanto que naquele filme, Viggo Mortensen era o lobo se esforçando para ser um cordeiro, nesse aqui ele encarna com perfeição um dos personagens mais dúbios do cinema. Dúbio no sentido de que você só pensa ter chegado à uma conclusão sobre o verdadeiro caráter dele perto do final do filme, mas mesmo assim você não colocaria a sua mão no fogo por ele. Ou colocaria?

Esqueça o bebê, esqueça Naomi Watts totalmente apagada e se você acha que esse filme é apenas "aquele da luta na sauna", então você não entendeu nada mesmo. Reveja e comprove: o filme é Nikolai e o resto.


AEastern Promises (David Cronemberg, EUA/UK/CAN, 2007)
Quando: Fevereiro/07 (UCI Recife)
Sítio Oficial: focusfeatures.com/easternpromises

30 DIAS DE NOITE

Mais uma história de vampiros?


Os vampiros ganharam fama mundial graças a Bram Stoker. Em seu livro, o Condre Drácula vai à Inglaterra com um único propósito: beber sangue. Aquela história do filme de Coppola (Drácula, 92) de que ele tinha ido atrás de seu grande amor é pura lorota.

Esse filme, adaptado de uma história em quadrinhos, parte do mesmo princípio: para eles, nós somos apenas comida. Há um desprezo desses nosferatus pela raça humana que é bem exteriorizado pelo seu líder, que ilustra essa resenha. Quando um deles é ferido, aparentemente a amante do líder, ele não pensa duas vezes em matá-la, pois, segundo suas palavras, "o que pode ser ferido não merece viver".


A mesma "sorte" terá boa parte dos poucos habitantes que decidiram ficar em Barrow, no extremo norte do Alasca, que fica um mês sem ver a luz do sol no ápice do inverno. No dia anterior à longa noite, estranhas sabotagens ocorrem: telefones via-satélite, o único helicóptero e todos os cachorros que puxam trenós são colocados fora de operação. A esses infelizes que ficaram, resta apenas se esconderem para não terem suas jugulares degustadas por essas criaturas. Aos que não sobreviveram, tome gore em suas mortes, com sangue jorrando para todo o lado, inclusive ficando impregnado nas criaturas do além-túmulo (que, aparentemente, não se limpam....).


B+
30 Days of Night (David Slade, EUA, 2007)
Quando: Dezembro/07 (UCI Tacaruna)
Sítio Oficial: 30diasdenoite.com.br

JOGOS MORTAIS 4

Jigsaw está morto, mas a franquia continua...


Apesar desse ser o quarto filme da franquia, é apenas o primeiro ao qual eu assisto no cinema. Exceto o primeiro, que realmente trouxe algo de novo, esse aqui pode perfeitamente ser enquadrado como os outros dois exemplares imediatamente anteriores a ele: caça-níquel em seu estado mais puro. Cortes video-clípticos, trama cheia de reviravolta só para fazer o espectador de palhaço, pois ficaria mal zombá-lo somento com o final óbvio.

Mas apenas valeu por ter sido o primeiro filme da franquia a ser visto no cinema e por ir, também pela primeira vez, a um cinema do interior pernambucano.


D
Saw IV (Darren Lynn Bousman, EUA, 2007)
Quando: Novembro/07 (Cine Eldorado - Garanhuns)
Site Oficial: saw4.com

1408

Mais uma história de Stephen King adaptada para o cinema


Stephen King é um ótimo contador de histórias de suspense e seu maior mérito é trazer o "desconhecido" para o dia-a-dia "comum". Infelizmente, essa qualidade nem sempre é transposta para a tv ou para o cinema no momento em que seus livros e contos são adaptados.

Nesse caso específico, Mike Eslin, embora incrédulo, é um escritor que procura desvendar os mistérios que cercam lugares considerados assombrados e recebe um cartão postal de um hotel com um histórico de vários suicídios em um mesmo quarto, o 1408. Não há um fato catalizador tipo uma morte violenta ou um suicídio que desencadeia o mal. O quarto é apenas mal-assombrado e ninguém "dura" mais de 1h dentro de suas paredes.

Será que Mike sobreviverá? Eu não conseguiria, pois embora o filme esteja refleto de clichês típidos do gênero, em alguns momentos eu comecei a pensar em sair do cinema por não agüentar mais tanto susto.


B-
1408 (Mikael Hafströn, EUA, 2007)
Quando: Outubro/07 (UCI Tacaruna)
Sítio Oficial: 1408-themovie.com

POSSUÍDOS

A loucura é contagiante.


Agnes é uma perdida na vida. Teve o seu filho seqüestrado, mora num quarto de um fétido motel, tem medo de seu ex-marido, que está prestes a sair em condicional da cadeia, e dos telefonemas insistentes que começaram há pouco e ela não sabe de quem são, pois assim que ela os atende, ela não escuta nada do outro lado da linha. Nas horas vagas, Agnes se droga pesadamente para esquecer de tudo isso.

Peter é um igualmente perdido. Veterano da Guerra do Golfo, passou um tempo internado num hospital psiquiátrico para, segundo ele, se tratar de uma droga experimental que injetaram nele durante a guerra e atualmente não consegue encontrar emprego.

Os dois se encontram graças à única amiga de Agnes, a lésbica R.C., durante uma orgia narcótica. Inicialmente, ela o afasta, mas com o tempo, acaba se envolvendo com o "estranho", ao mesmo tempo em que ele começa a se sentir perseguido por insetos (o "bug" do título original). Daí para frente é um pulo para ela se tornar dependente dele e igualmente paranóica, numa tensão crescente até o final catártico, que obviamente eu não contarei aqui.


B+
Bug (Willian Friedkin, EUA, 2006)
Quando: Setembro/07 (Cinema da Fundação)
Site Oficial: bugthemovie.com

ABISMO DO MEDO

Não apenas um filme de terror, mas um dos melhores filmes de terror já feitos.


O filme parte de uma premissa bem simples: seis amigas vão explorar uma caverna para animar uma delas, que tinha perdido o marido e a filha num terrível acidente havia seis meses. Nessa caverna, um desmoronamento as prende e faz com que elas precisem achar uma saída.

A partir de então, a simplicidade do roteiro e a "camaradagem" entre as mulheres vão pro espaço. Nesse segundo ato, as "mulheres-macho-que-não-precisam-de-homens" começam a lutar contra a insanidade que toma conta de algumas delas por estarem metros abaixo da superfície e sem qualquer luz natural. No terceiro e último ato, o encontro com as criaturas que habitam a caverna faz com que as seis despiroquem de vez o cabeção com umas lutando sozinhas pela sobrevivência e outras ainda preservando alguma noção de "grupo".

Traições, amizades não tão fortes assim, loucura, tensão. Há tudo isso e um pouco mais, pois o filme toca num ponto nevrálgico: o medo pelo desconhecido, pelo que não se pode ver, pelo que não se pode compreender. Metros abaixo do solo, no escuro, com criaturas estranhas e com tomadas claustrofóbicas. Se eu consegui ficar desesperado mesmo assistindo a um DVD, nem gosto de imaginar o que perdi ao não vê-lo no cinema (já que, se não me falha a memória, só ficou em cartaz uma única semana aqui no Recife).


B+
The Descent (Neil Marshal, ING, 2005)
Quando: Setembro/07 (DVD)
Site Oficial: thedescentfilm.com
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