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O ABOMINÁVEL DR. PHIBES / A CÂMARA DE HORRORES DO DR. PHIBES

Where can we find two better hemispheres, without sharp north, without declining west? My face in thine eye, thine in mine appears, and true plain hearts do in thee faces rest. Within twenty-four hours, my work will be finished, and then, my precious jewel, I will join you in your setting. We shall be reunited forever in a secluded corner of the great elysian field of the beautiful beyond!


Em O Abominável Dr. Phibes, Anton Phibes, outrora músico, médico e teólogo, jura vingança contra os nove integrantes da equipe médica que, segundo ele, mataram sua amada esposa Victoria. Desfigurado por um acidente de carro e dado como morto, ele planeja as mais ardilosas mortes para cada um dos envolvidos baseadas nas 10 pragas do Egito. Satisfeito em sua sede de vingança, “hiberna” durante três anos e, em A Câmara de Horrores do Dr. Phibes, acorda no momento ideal para levar sua amada para o Egito, onde a ressuscitará ao atravessar um rio oculto sob as pirâmides que surgirá naquele exato momento.


INCONTROLÁVEL

Luzes, câmeras nervosas e ação, muita ação.


"Baseado em fatos reais" (um trem desgovernado que atravessou 4 estados nos EUA), Incontrolável narra a história de uma locomotiva sem maquinista que carrega uma carga altamente tóxica e ameaça despejá-la numa área altamente populosa. Entre a máquina e a tragédia há um maquinista veterano (e metódico), um novato em seu primeiro dia de trabalho e a controladora de tráfego que chega ao trabalho e encontra esse "pepino" em sua mesa.

Tony Scott faz o que mais gosta: câmera nervosa e edição picotada. A câmera nervosa chega a incomodar em alguns momentos com closes desnecessários, mas a edição merece aplausos. A história é mínima, o oposto da ação, exponeciada pelo picote.

Porém, a ação não é contínua. Há picos de adrenalina e picos de sonolência. Nesses momentos, somos obrigados a uma visão superficial dos dramas pessoais (e clichês) dos dois heróis que a circunstância criará. Frank, viúvo e com uma relação conturbada com as filhas, trabalha há 28 anos como maquinista e vê em Will a resposta da empresa a empregados veteranos como ele. Will, por sua vez, é um perdido que já teve diversos empregos e carrega uma ordem judicial que o impede de ver a esposa (que ele ainda ama) e o filho.

Agora é a hora de gritar Spoiler! e você decidir se quer continuar a ler ou não. Não direi nada demais, pois o final é previsível. É óbvio que o trem será parado e é óbvio que todos os envolvidos ganharão medalhas de honra ao mérito, assim como o executivo que impediu a ordem para o descarrilamento do trem será demitido e a controladora de tráfego que teve a atitude pró-ativa tomará o seu lugar. A esposa de Will verá que o seu marido é um herói e perdoará o momento de ciúme que a fez entrar na justiça para impedí-lo de chegar perto dela e do filho dos dois. As filhas de Frank verão que o pai ausente não é tão "mal" assim.

Colocando na balança os prós e os contras, Incontrolável é um filme correto, para ser visto sem grandes expectativas e que, certamente, não ficará muito tempo na sua memória.


B-
Unstoppable (Tony Scott, EUA, 2010)
Quando: Fevereiro/11 (Divx)
Sítio Oficial: incontrolavelfilme.com.br.

TRON - O LEGADO

Caprichado visualmente, porém, pobre em sua substância.


Sam Flynn é um típico rebelde sem causa. Herdeiro de um grande império eletrônico, ainda se recente do sumiço de seu pai, Kevin Flynn, há 20 anos. Inteligente e sem propósito claro (exceto a anarquia contra as grandes corporações), ele acaba achando seu pai, ao ser "escaneado" e "baixado" no mundo virtual da Grade, agora sob o comando de C.L.U.

C.L.U. foi o programa criado por Kevin Flynn a sua imagem e semelhança para buscar a perfeição no mundo digital enquanto ele saía por aí com o seu buddy Tron. Nessas andanças, eles descobrem uma nova categoria de programas. Eventualmente, C.L.U. chega à conclusão de que a perfeição só será alcançada após a eliminação de Flynn e dessa nova categoria de programas. Flynn é banido e tem início "o genocídio" desses novos programas na Grade. A história continua e o objetivo final de C.L.U. é transferir a perfeição da Grade para outro sistema: o mundo real.

Visualmente impecável, com uma trilha sonora bárbara, esse filme é uma afronta ao original de 1982. Apesar do Jeff Bridges digital, não há uma única inovação revolucionária, há apenas updates dos objetos criados há 29 anos. Aquele truque zen de atração no final foi a cereja do bolo.


B-
Tron: Legacy (Joseph Kosinski, EUA, 2010)
Quando: Janeiro/11 (Box Guararapes)
Sítio Oficialdisney.com.br/tron

A ORIGEM

"Por que tão rocambolesco?"


Em O Cavaleiro das Trevas (08), a pergunta que se fazia para Christopher Nolan é: "por que tão sério?" Por que um filme sobre um homem que se veste de morcego e sai à noite para combater o crime tinha que ser tão verossímil?

Agora, a pergunta que eu faço é: por que você teve que fazer um roteiro tão grandioso? Porque o sonho é um labirinto? Me poupe. Isso para mim tem outra explicação. Aquela que é senso comum: se algo é pequeno, deve-se contrabalanceá-lo com algo "grandioso".


O visual é estupendo, reconheço. A originalidade da história sobre um crime perfeito também é muito boa (sim, essa é uma história sobre um crime perfeito!). Mas... para quê tudo isso? Sonho no sonho no sonho no sonho de alguém? O roteiro tem começo meio e fim, reconheço isso também. Mas é impossível filmá-lo no tempo proposto (e olha que são intermináveis 2h30). Solução: acelerador lá embaixo. Se piscar, fudeu.

Não pisquei. E mesmo que o tivesse feito, os grilos falantes estavam lá de tempos em tempos para nos situar na história e nos preparar para o próximo passo. Se mesmo assim, Morpheus me chamasse, a trilha sonora onipresente, onisciente e onipotente fazia questão de me preparar para o próximo clímax (um atrás do outro e do outro e do outro e ..... ). 

Mas saí do cinema decepcionado. Havia potencial na premissa. Muito, eu diria. O ego do diretor/roteirista não a deixou fluir. Sobre a cena final? Não se preocupe, não há nenhum spoiler. Há duas possibilidades, ambas igualmente possíveis. Há argumentos para corroborá-las e para desacreditá-las, depende de cada um e no seu sistema individual de crenças. Isso eu achei genial: a ideia foi plantada com sucesso.

Estou falando da discussão pós-filme e da vontade de muito em retornar às salas para "esclarecimentos".


B-
Inception (Christopher Nolan, EUA, 2010)
Quando: Agosto/2010 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: br.warnerbros.com/inception

À PROVA DE MORTE

Um Tarantino que não desceu


Finalmente o Projeto Grindhouse foi finalizado, após a primeira parte da double feature, Planeta Terror (07), ter estreado há mais de 3 anos no Brasil.

Não que eu estivesse ansioso a ponto de fazer um julgamento viesado do filme. A expectativa não era grande e fui relaxado à sala de cinema. No entanto, saí intrigado. É um típico filme de Tarantino. O DNA dele está em cada cena, mas não desceu bem. Achei uma verdadeira m.e.r.d.a. aquela girlie talk infinita. Sim, há as referências pop, há toda a atmosfera de tributo aos filmes grindhouses (apesar de ter visto poucos), mas é muita baboseira junta para pouca ação. E muitos closes em pés femininos.


A história é claramente dividida em duas. O Lado A é sobre um grupo de garotas texanas que saem para farrear e o Lado B foca em garotas que estão afim de soltar adrenalina acumulada (e tome acúmulo de adrenalina). A unir as duas histórias, temos  Stuntman Mike, outrora dublê e que se tornou o psicopata de plantão. O tesão dele é... bem... veja o filme e descubra. Não é tão difícil assim de adivinhar.

Os dois clímax do filmes são catárticos, principalmente o segundo, uma bela perseguição de carros com final totalmente inusitado. É a liberação da catarse acumulada ao longo da sessão que todos dentro da sala de cinema não puderam resistir e torceram por ele.

Mas aqueles diálogos pareciam que não iam mais ter fim. Não desceu. Infelizmente.


B-
Death Proof (Quentin Tarantino, EUA, 2007)
Quando: Agosto/2010 (Cinema da Fundação)
Sítio Oficial: grindhousemovie.net

SALT

Quem é Evelyn Salt?


Essa é a pergunta que você se faz durante boa parte do filme. Salt é realmente uma espiã russa infiltrada ou é uma agente da CIA injustamente acusada? O roteiro é dúbio na medida certa e por isso é tão interessante, pois mesmo quando a resposta para a pergunta se torna evidente, você não tem plena certeza que é a resposta correta.

A trilogia Bourne trouxe consigo um novo estilo para os filmes de espionagem, o do "realismo real" de superespiões que, apesar de fazerem coisas aparentemente impossíveis, elas são, ao menos, factíveis. Os novos filmes do James Bond que o digam.

Salt, fica no meio termo. Às vezes, flerta com o "realismo real", mas tem uma queda mesmo é com o James Bond à la Roger Moore ou Pierce Brosnan. Dá para relevar e pensar que alguém supertreinado realmente conseguiria pular de caminhão em caminhão numa autoestrada, mas ou você acha factível alguém descer de um metrô em alta velocidade e não sofrer um único arranhão?

No mais, é um filme que sumirá da sua cabeça no dia seguinte, mas que cumprirá com competência aquilo para o qual foi feito: diversão despretensiosa.


B-
Salt (Phillip Noyce, EUA, 2010)
Quando: Agosto/2010 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: sonypictures.com/movies/salt

FIM DOS TEMPOS

A narrativa de um “acontecimento” que pode marcar o fim da humanidade


Central Park, NY (sempre Nova York). De repente, um grito. Num segundo momento, uma mulher enfia o prendedor de cabelos em sua própria garganta. Perto dali, numa obra, um operário “cai”. Pouco tempo depois, vários operários se jogam para a morte. Inicialmente, culpa-se “os terroristas” (sempre eles). Depois, a ordem é fugir. Fugir não se sabe do quê, não se sabe para onde.

Mais um filme de M. Night Shyamalan que causa amor e ódio. No meu caso, foi pura indiferença. Não consegui ver um objetivo. Saí da sessão com a sensação de “e daí?”. Depois, com o tempo, fui lendo o que o pessoal foi escrevendo e fui vendo um outro filme, algo muito além do “ataque das plantas” feito por um “ecoterrorista”.

Shyamalan precisa resolver seus problemas como roteirista. Como diretor, ele já provou o que tinha que provar, mas como roteirista, ainda precisa aprender a dialogar melhor. Não precisa ser explícito, voltar-se para o público médio estadunidense que não sabe fazer uma simples soma (aquela explicação final, no programa de entrevistas, por exemplo), mas ele precisa fazer com que não-cinéfilos, ou aqueles que não o idolatram cegamente possam entender o que ele quer dizer.

Fica a dica de uma revisão caso você tenha saído da sessão decepcionado ou indiferente. É o que vou fazer tão logo o filme esteja disponível em DVD. Caso ainda vá ver o filme, assista-o com atenção e não acredite na primeira conclusão a que você chegar.


B-

The Happening (M. Night Shyamalan, EUA, 2008)
Quando: Junho/08
Sítio Oficial: thehappeningmovie.com

DIÁRIO DOS MORTOS

Zumbis, ao estilo [Rec], Cloverfield, A Bruxa de Blair....


George A. Romero é uma lenda. Ele é o pai dos zumbis, criados no final dos anos 60 com A Noite dos Mortos Vivos (68).

A despeito das inúmeras refilmagens, Romero voltou ao tema em outras oportunidades, onde havia uma lógica de disseminação constante do caos: no primeiro [Madrugada dos Mortos (78)], os zumbis tinham saído de um cemitério e atormentavam um grupo de estranhos que tinham que sobreviver em uma casa, no campo e no último [Terra dos Mortos (05)], a história se passava num mundo apocalíptico, onde havia uma clara distinção entre os ricos, que viviam numa torre envidraçada e, aparentemente, “bem”, e a ralé, devidamente esquecida nas ruas imundas. Os zumbis estavam devidamente “confinados” para além das cercas dessa ilha da fantasia.

Agora, Romero retoma ao conceito de zumbis, mas num mundo “real”, onde um grupo de cineastas rodava um filme sobre... zumbis, quando escutam pela TV que “havia algo de estranho” acontecendo. Com duas câmeras nas mãos, eles vão cruzando os EUA e “documentando” o que acontecia no trajeto. O filme que nós assistimos, então, é um documentário editado e com trilha sonora feito por uma das sobreviventes e posto na internet para que o mundo saiba o que realmente estava acontecendo naqueles dias.

O grande problema desse filme é o aparente estilo não-Romero de ser. Na sua filmografia anterior, as críticas sócio-políticas estavam espalhadas em cada cena de forma dicreta, bastava ter senso crítico para descobri-las. Agora, não. Filmado ao estilo MTV de ser, para um novo público sem qualquer senso crítico, deve-se martelar nas mesmas idéias para ver se elas entram a fórceps. A principal: não acredite em tudo que a mídia transmite. A secundária: estamos vivendo na era onde é mais importante filmar, novamente sem qualquer senso crítico, do que entender o que está acontecendo.

É triste ver um mestre perder a mão tão feio assim.


B-
Diary Of The Dead (George Romero, EUA, 2007)
Quando: Maio/08 (DivX)
Sítio Oficial: myspace.com/diaryofthedead

1408

Mais uma história de Stephen King adaptada para o cinema


Stephen King é um ótimo contador de histórias de suspense e seu maior mérito é trazer o "desconhecido" para o dia-a-dia "comum". Infelizmente, essa qualidade nem sempre é transposta para a tv ou para o cinema no momento em que seus livros e contos são adaptados.

Nesse caso específico, Mike Eslin, embora incrédulo, é um escritor que procura desvendar os mistérios que cercam lugares considerados assombrados e recebe um cartão postal de um hotel com um histórico de vários suicídios em um mesmo quarto, o 1408. Não há um fato catalizador tipo uma morte violenta ou um suicídio que desencadeia o mal. O quarto é apenas mal-assombrado e ninguém "dura" mais de 1h dentro de suas paredes.

Será que Mike sobreviverá? Eu não conseguiria, pois embora o filme esteja refleto de clichês típidos do gênero, em alguns momentos eu comecei a pensar em sair do cinema por não agüentar mais tanto susto.


B-
1408 (Mikael Hafströn, EUA, 2007)
Quando: Outubro/07 (UCI Tacaruna)
Sítio Oficial: 1408-themovie.com

SANEAMENTO BÁSICO, O FILME

Nada como "o jeitinho brasileiro".


A história é simples: num povoado de uma cidade do interior do Rio Grande do Sul, o mal cheiro de um arroio incomoda seus habitantes. Formada uma comissão para levar a reivindicação da construção de uma fossa às autoridades, descobre-se que não há mais dinheiro disponível para saneamento básico no orçamento da prefeitura. Porém, há uma verba já liberada para a filmagem de um curta-metragem que, se não for realizado, será devolvida para Brasília.

Moral da história: os protagonistas resolvem fazer um filme para que, com o dinheiro restante, eles possam construir uma fossa. É o "jeitinho brasileiro" sendo utilizado, nesse caso, "para o bem", pois conforme a burocrata da prefeitura diz mais de uma vez, "pecado é devolver dinheiro para Brasília".

Esperava mais. Me disseram que esse filme era muito engraçado, mas fora uma meia dúzia de piadas óbvias, fiquei mais impressionado pela história de amor entre os personagens de Fernanda Torres e Wagner Moura (ele chega a vender a moto para ajudá-la na realização do curta) do que pela história principal, em si. Ah, o processo de filmagem de "O Monstro do Fosso" (o filme dentro do filme) é super-engraçado. E só.


B-
Saneamento Básico, O Filme (Jorge Furtado, BRA, 2007)
Quando: Setembro/07 (Multiplex Boa Vista)
Site Oficial: saneamento básico, o filme

RAINHAS

Mais um diretor espanhol pensando que é Almodóvar.


Espanha, 2004. O governo recém-eleito legaliza o casamento entre pares do mesmo sexo. Um filme político-simpatizante? Não... apenas uma "comédia de costumes" centrado nas mães dos jovens "noivos" que porventura são gays. Há uma ou outra crítica contra a parte da sociedade conservadora espanhola que os abomina, mas ela é acessória. A linha-mestra do roteiro é centrado nas "Rainhas". O filme é feito por e para elas.

É um bom entretenimento e não chega a decepcionar muito. Eu, particularmente, só fiquei decepcionado porque esperava algo mais militante. Até que ri bastante da "falta de noção" de algumas das rainhas, algo bem à la Almodóvar, mas havia um gosto de que algo estava errado. O efeito final é o mesmo que sinto todas as vezes que assisto a um filme de algum diretor espanhol que tenta fazer uma comédia kitsch e "fora do convencional". Eles tentam, mas dificilmente chegarão a ser, verdadeiramente, "um novo Almodóvar".


B-
Reinas (Manuel Gomez Pereira, ESP, 2005)
Quando: Agosto/07 (DVD)
Site Oficial: warnerbros.es/movies/reinas

HOMEM-ARANHA 3

A chegada à maioridade.


No primeiro filme, há o descobrimento, aquele aonde "grandes poderes trazem grandes responsabilidades". A infância. Na seqüência, os limites desses grandes poderes são testados e várias dúvidas e dificuldades atormentam o pobre (financeiramente falando) Peter Parker. A adolescência. Nesse terceiro filme, Peter já conhece seus poderes e seus limites e o Homem-Aranha, apesar da campanha contrária de J.J. Jameson, é o "amiguinho da vizinhança" adorado por todos (exceto, claro, J.J. Jameson, que, inexplicavelmente, protagoniza apenas duas míseras cenas). O deslumbramento.

Quando veste a máscara, o Homem-Aranha esbanja auto-confiança, mas em sua "vida comum", Peter Parker continua o mesmo nerd abobalhado, cantando sozinho no teatro enquanto a sua amada desafina no palco. A diferença é que agora esse nerd está namorando a mulher de sua vida, Mary Jane, que sabe sobre a sua vida dupla.

A primeira seqüência de ação entre o Aranha e o Duende Macabro é espetacular. A seqüência de "criação" do Homem-Areia é fenomenal. Dá até para engolir o Peter Parker emo e se você esquecer aquela babaquice toda do "lado negro do mal", você consegue ver que, na mesma situação, você deixaria que aquela gosma negra nojenta tomasse conta de você, para poder dar uma de gostosão(ona), ter todas(os) aos seus pés e poder dançar à la John Travolta back to the 70's. Ainda na parte "Peter Parker emo", ele foi um completo escroto com Mary Jane. Gwen Stacy saiu com uma lady ao pedir desculpas quando notou que havia sido usada para uma vingancinha idiota (e o seu papel no filme foi justamente essa ponta figurativa).

Vingança. Esta é a palavra-chave do filme. Vingança é um sentimento que corrói, mas que assim que você consegue atingir o seu objetivo, você fica oco. Sem propósito.

Perdão. Todos temos escolhas, mas às vezes fazemos coisas terríveis com as melhores intensões possíveis. Saber perdoar essas falhas te traz um sentimento bem mais nobre e intenso do que a concretização de uma vingança.

Redenção. Você pode ter feito coisas horríveis, mas basta se arrepender verdadeiramente para conseguir a sua redenção.

Há outras inúmera metáforas espalhadas pelo filme, muitas delas difíceis de serem captadas. Fique tranqüilo, não serei eu que as contará, pois assim como toda metáfora, ela pode ter inúmeros significados, dependendo das crenças pessoas de que a interpreta.

Nunca fui muito chegado ao Homem-Aranha, mas admito que todos os filmes de sua franquia são bons entretenimentos. Nos dois primeiros, havia paciência para o desenvolvimento das ações e motivações. Nesse último, como há três vilões (quatro se considerarmos o Peter emo), as brigas se suscedem sem uma conclusão plausível (com um período de hibernação entre um vilão e outro) e apesar de haver uma motivação clara para cada um dos vilões, elas não são profundamente detalhadas (Harry está magoado, Flint quer pagar o tratamento médico da filha, Eddie se sente humilhado e Peter-emo quer vingança). Há uma visível preguiça, nem tanto quanto no horrendo X-Men 3, mas há. Tem a idiotice da bandeira estaduninense, mas você só a critica quando ela aparece, pois logo em seguida começa a torcida para tentar adivinhar quando Harry aparecerá para ajudar o seu amigo Peter a salvar Mary Jane.

Não sou crítico de cinema, então, não sou chato a ponto de ficar pegando detalhes técnicos. No momento da projeção, as falhas do roteiro me incomodavam profundamente, mas os efeitos especiais cumpriam o seu papel e me anestesiavam completamente. Se até eu que critico esse gênero de "super-heróis tão humanos e propensos a falhas como eu ou você" saí da sala de cinema extasiado, é bem capaz de você nem ligar para esses detalhes e ficar apenas babando pelos efeitos especiais do filme mais caro da história do cinema.


B-
Spiderman 3 (Sam Raimi, EUA, 2007)
Quando: Maio/07 (Multiplex Boa Vista)
Site Oficial: spiderman.sonypictures.com

FILHOS DA ESPERANÇA

O futuro no presente?


Tecnicamente, não bastando o filme ser perfeito, tem dois planos-seqüência de tirar o fôlego. O primeiro, numa emboscada na estrada e o segundo, numa rebelião, com tiros de canhão, explosões, prédios destruídos, escombros e uma correria desenfreada. Já com relação ao roteiro...

O enredo se situa no futuro próximo, 2027. Na Inglaterra desse futuro, problemas do presente são potencializados, com os imigrantes ilegais sendo caçados feito ratos e o governo em guerra com rebeldes-terroristas. Para piorar o caldeirão, não nasce um único bebê no mundo todo há 18 anos e o antigo habitante mais jovem da terra, um argentino, é morto após se recusar a dar um autógrafo. Num mundo globalizado, essa morte é sentida por todos como se fosse a morte de um ente querido, menos para Theo. Theo, um antigo rebelde, "se vendeu ao sistema", tem um trabalho burocrático e vive a sua vida mais-ou-menos até que Julianne Moore, que teve um passado junto com ele no terrorismo, retorna para lhe pedir um favor.

Não fique muito excitado pela presença de Julianne, pois ela morre em menos de 30 minutos, na emboscada na estrada. Ela é morta por seus próprios companheiros pois ela era pacifista demais. Ela queria que o bebê que está prestes a nascer (sim, haverá um nascimento, mas chegarei lá) tivesse uma vida tranqüila, mas seus companheiros belicistas querem utilizá-lo politicamente.

O nascimento desse bebê, além da proteção à mãe, faz com que Theo deixe aflorar o rebelde que sempre existiu nele. O personagem de Michael Caine, um "toxicólatra" sempre disposto a esperimentar novas ervas é ótimo, mas parece que o roteiro conspira contra os personagens, pois ele não mostra quais as motivações por trás dos atos. A humanidade está infértil? Tudo bem, mas você tem que acreditar que ela é assim. Há conflitos entre o governo e rebeldes defensores dos imigrantes? Sim, mas o conflito existe e ponto. Há vacas calcinadas na estrada. Uns dizem que foram os rebeldes, mas o personagem de Michael Caine tem certeza que foi o governo. O que isso significa? Não tenho a menor idéia.


B-
Children of Men (Alfonso Cuarón, EUA/ING, 2006)
Quando: Maio/07 (DVD)
Site Oficial: childrenofmen.net

DÁLIA NEGRA

Brian de Palma fazendo o que Brian de Palma sabe fazer melhor.


A história do filme, para quem ainda não conhece, é sobre o assassinato de uma jovem aspirante a atriz em Hollywood nos anos 1940. Na verdade, ela se debruça mais sobre os detetives desse caso, dois ex-pugilistas, e as conseqüências para os dois: um se tornando cada vez mais obcecado na busca pelo assassino e o outro, cada vez mais apaixonado pela mulher de seu companheiro.

Ou talvez a história não seja nada disso, porque não tinha dado nem meia hora de filme e eu já estava totalmente entediado, querendo desligar ou simplesmete ir direto até o final. Eu estava de saco cheio mesmo porque a história não decolava, não apresentava a que veio e Scarlett Johansson estava totalmente apática.

Mas depois, vi que não tinha mais nada o que fazer a não ser relaxar e aproveitar para ver Brian de Palma em sua melhor forma, nos enquadramentos, no "clima" (a fotografia em tons de sépia estava muito interessante), nos detalhes e nas "homenagens" a outros filmes. Dá para se ver que é um filme noir não só pela narração em off por um dos protagonistas (no caso do detetive bom, em contraste com o seu companheiro, que é o detetive corrupto), mas porque não há uma única cena em que os atores não estejam com um cigarro aceso.


B-
The Black Dahlia (Brian de Palma, EUA, 2006)
Quando: Abril/07 (DivX)
Site Oficial: theblackdahliamovie.net

BABEL

As conseqüências de se viver em um mundo globalizado?



Como economista, eu vejo todos os sistemas como um conjunto de relações interligadas. Caso o sistema esteja em equilíbrio, qualquer mudança em uma das variáveis pode trazer conseqüências para todos os outros. Alguns poderão absorver o solavanco, outros não. Em Apocalypto, de certa forma, tem início a globalização, com a chegada dos espanhóis no "Novo Mundo".

Em Babel, a globalização já está estabelecida e tudo se desencadeia com um caçador japonês que entrega o seu rifle de presente a um guia marroquino. Por sua vez, esse guia marroquino vende essa arma para um pastor de cabras. Os filhos desse pastor, inocentemente, testam o alcance do rifle num ônibus de turismo. No ônibus de turismo, há um casal estadunidense de férias tentando reaviver seu casamento após a morte de um dos seus filhos. A esposa leva o tiro do rifle. Eles terão que ficar mais tempo no Marrocos e não poderão voltar para a sua casa antes do casamento do filho da babá de seus filhos. A babá decide, então, levá-los consigo para o México.

O primeiro filme de Iñárritu que eu vi foi 21 Gramas e achei-o interessantíssimo pela forma de narrativa de três histórias, aparentemente desconexas e de forma não-linear, mas que estão totalmente correlacionadas. Depois que eu fui assistir a Amores Brutos é que descobri que esse era o original e o seu "irmão" estadunidense era, na verdade, uma "cópia melhorada". A fórmula já dá sinais de desgaste, pois Babel segue a mesma linha e não traz nada de novo com relação aos dois anteriores, apenas cenários diferentes e mais grandiosos, que ao invés de se passarem em um bairro/uma cidade, se dá em três continentes diferentes. Entretanto, há detalhes interessantíssimos ao longo do filme e há a história ambientada no Japão, que valem o ingresso e nem me fizeram perceber que havia se passado quase 2h30.

Nunca mais verei as luzes de Tóquio da mesma forma depois de Lost in Translation e me senti levado de volta à sua atmosfera quando a adolescente nipônica, que rouba o filme, sai com seus amigos depois de uma "viajada" proporcionada por um comprimido e umas doses de uísque pela noite de Tóquio.

Na parte marroquina, destaco a atuação da polícia do país, que bate até receber as respostas que gostaria, se beneficiando da falta de instrução de seus agredidos. Ela também prefere atirar antes de prender. Algo tão corriqueiro numa grande cidade ao sul do Equador também é prática no Marrocos.

Na parte mexicana, destaque para a tensão na fronteira entre os EUA e o México e a humilhação sofrida por algum chicano que deseja entrar na "terra das oportunidades". Sair é fácil, agora entrar...

Na parte japonesa, destaque para a adolescente, que procura o seu lugar no mundo testando seus limites. Ela só queria ser amada e a cena final, belíssima, encerra de forma legal um filme que, despido de todas as pretensões (ou alegadas pretensões apontadas pela crítica) é um bom entretenimento.

As simplificações "turista estadunidense leva tiro no Marrocos, logo, é um ato terrorista", "pais perdem um filho e depois, a mãe é baleada longe da tecnologia estadunidense e corre risco de vida", "mexicano tenta entrar nos EUA, logo, está trazendo imigrantes ilegais", "mexicana ilegalmente nos EUA há 16 anos faz uma única besteira e é expulsa" e "jovem japonesa surda vê a mãe morta com um tiro, logo, ela é problemática" podem ter gerado polêmica, mas como eu não vivo num mundo tão preto-ou-branco, elas não me soaram pretensiosas. Apenas fiquei indiferente ao carregadíssimo melodrama e as sucessões de tragédias.

Também não vou analisar a "falta de comunicação", o "fatalismo", a "inocência", a "incompreensão" ou o possível paralelismo entre esse filme de Crash. Deixo isso para os mais chatos e detalhistas. Agora, se o diretor quis discutir as diferenças culturais, chocando-as umas contra as outras, posso afirmar que ele errou feio. Assim como errou ao entrelaçar as histórias. Isoladamente, e sem analisar as simplifações, eu daria "A" para a história japonesa (tanto que é a única que não tem a sucessão infinita de tragédias) e "B" para a mexicana e a marroquina.


B-
Babel (Alejandro González Iñárritu, EUA, 2006)
Quando: Janeiro/07 (UCI Recife)
Site Oficial: www.paramountvantage.com/babel

A DAMA NA ÁGUA

Um filme que eu gostaria de poder defender com unhas e dentes, mas não consigo.


Não sou muito bom em decifrar metáforas, principalmente as mais sutis. Entretanto, algumas são tão óbvias, que de tão inverossíveis, são de difícil concordância. Os filmes de M. Night Shamaylan são abarrotados delas e eu concordo com várias (por isso, minha certa obsessão em assistir a esse aqui), mas dessa vez, prefiro abstrair a do personagem crítico de arte ranheta que prevê que vai escapar, mas no final, morre (ou seja, nenhum crítico sabe merda nenhuma sobre arte) e a arrogância do diretor ao encarnar (literalmente, já que é ele que o interpreta) no personagem responsável pela escrita de um livro que vai inspirar um líder (estadunidense, claro) que vai liderar o mundo (a partir das idéias dele, frise-se). Também vou abstrair o personagem que exercita apenas um lado do corpo que é meramente uma peça decorativa até os 5 minutos finais. Melhor sorte tem o menininho e o seu dom de ler messagens em caixas de sucrilos, que é peça decorativa somente até os 10 minutos finais e o cara que vive no banheiro, peça decorativa até os 9 minutos antes do fim. "Todos temos um papel na história (da Story)". Mesmo que seja para segurar um rodo numa noite de chuva para espantar o cachorro de grama malvado.

Fora isso, eu sou como o personagem que é figura decorativa até uns 15 minutos antes do final, "eu quero muito acreditar, mas tá difícil". Confesso: eu acreditei. Usando o clichê da maioria dos críticos, eu "comprei a idéia". Mas não comprei por completo, já que muitas "reviravoltas" são feitas de tal modo que a gente tem que engolí-las a seco mesmo, sem a menor explicação. Continuando no clichê-crítico, esse é "um filme irregular", pois a história se desenvolve aos trancos e barrancos e, apesar de algumas cenas muito bonitas, chega a ser patético o protagonista ter que pedir, como um cachorrinho adestrado, que a coreana lhe diga quais serão os próximos passos.

Missão cumprida: apesar de perdê-lo em tela grande, eu vi A Dama na Água em DVD mesmo. Apesar de achar os outros filmes de M. Night Shamayalan bons, esse aqui tem os mesmos defeitos de seus irmãos: "as coisas são assim porque elas são", exceção feita a O Sexto Sentido (99), que é bem construído.

Terminei o filme em estado de êxtase, pois fiquei tocado com todo o exército reunido para "fazer o que tem de ser feito", sem questionamento, porque "é isso que se deve fazer". Mais uma vez, meu engajamento no mundo colorido dos super-heróis de colants e cuecas para fora da calça que fazem o bem porque deve-se fazer o bem sem questionamentos, me faz ver esse filme com outros olhos, mas que é difícil acreditar nele totalmente, ah, isso é.

B-
Lady in The Water (M. Night Shamayalan, EUA, 2006)
Quando: Janeiro/07 (DVD)
Site Oficial: wwws.br.warnerbros.com/ladyinthewater

VOLVER

O "velho" Almodóvar está de volta?


Impossível começar essa resenha sem deixar claro que eu sou um órfão do "antigo" Almodóvar, aquele entre Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos (88) e Carne Trêmula (97). Não que eu não tenha gostado de seus filmes anteriores (que não vi) e posteriores, mas eu gostava do Almodóvar debochado, brega, de filmes com cores berrantes e histórias bizarras.

Bem, a história desse filme bem "almodóvariana": Raimunda (Penélope Cruz quase que irreconhecível pela bela atuação e com seus fartos seios obcessivamente destacados) tem que lidar com o assassinato de seu marido pela própria filha depois que ele tentou violentá-la. Ao mesmo tempo, sua mãe, com a qual nunca teve uma convivência tranqüila, "volta" depois de ser dada como morta há quatro anos. Há ainda outros elementos surreais que serão apresentados até o final da projeção, mas se disser, estrago a surpresa de quem não viu.

Sim, há risadas, o filme é bem cuidado, é bem filmado, as atrizes estão boas, mas não conseguiu me empolgar, ficou apenas num "feijão com arroz" básico. Resta torcer para que o próximo Almodóvar ressucite aquele que eu tanto gosto. Aquele da época de Bandeiras, Victoria Abril e Rossy de Palma.


B-
Volver (Pedro Almodóvar, ESP, 2006)
Quando: Novembro/06 (UCI Recife)
Site Oficial: www.sonyclassics.com/volver

OS PRODUTORES

Refilmagem do clássico de Mel Brooks.


Eu já assisti a Primavera Para Hitler (68), o The Producers original, mas não me lembro de nada. Ótimo, pois assim eu não precisei comparar esse filme com aquele.

De uma forma geral o filme é legal, mas não consegui ver conexão dos números musicais com a história sobre a produção d"o maior fracasso da Broadway" com o intuito de embolsar a grana dos investidores. Investidores que são, nesse caso, viúvas de mais de 80 anos.

Leo Bloom é um contador e Max Bialystok é um produtor da Broadway. Quando o primeiro diz ao segundo, numa situação hipotética, que se conseguissem arrecadar mais dinheiro do que o necessário para a montagem uma peça e ela fosse um fracasso completo, eles poderiam embolsar a diferença que ninguém reclamaria os "possíveis" prejuízos.

Só que o plano não dá certo e o fracasso se torna um sucesso estrondoso. A farsa é descoberta, Max vai preso e Leo consegue fugir para o Brasil com o dinheiro e Ulla, a esguia estudante sueca e aspirante à atriz magistralmente interpretada por Uma Thurman. De longe, é ela a protagonista das melhores cenas do filme.

Só não consegui entender se, na cena no Brasil, os tocadores de rumba ao fundo eram uma gozação ou eles realmente pensam que há esse ritmo musical por aqui.


B-
The Producers (Susan Stroman, EUA, 2005)
Quando: Ago/06 (baixado da internet)
Site Oficial: www.theproducersmovie.com

ZUZU ANGEL

Quem é essa mulher / que canta sempre esse estribilho? / Só queria embalar meu filho / que mora na escuridão do mar.


Ser crítico de cinema não deve ser fácil. Deve ser difícil se deixar envolver por um filme quando se está mais preocupado com o timming do roteiro e da direção ou então com a iluminação, com o som etc. Talvez por causa disso, os especialistas não teceram muitas críticas favoráveis ao filme.

O meu intuito aqui será fazer algo diferente, pois a história me tocou e eu vi o filme num único fôlego. Quando dei por mim, já estava escutando a canção de Chico Buarque no toca-fitas do carro semi-destruído de Zuzu.

Para quem não conhece a história, Zuleika Angel Jones (1921-76), a Zuzu Angel, era uma famosa estilista de carreira internacional que teve a sua vida virada pelo avesso quando o filho, Stuart Angel, foi preso, torturado, morto e teve o seu corpo jogado ao mar. Antes uma alienada estilista e dona de boutique que costurava vestidos coloridos para as esposas dos generais, Zuzu se transforma com o desaparecimento do filho e o filme é bem sucedido ao retratar a diferença entre a alienação anterior e o engajamento posterior, com suas coleções de tons sombrios, com pássaros enjaulados e anjos feridos.

Ponto para o diretor e para os atores, pois os globais de plantão não parecem estar atuando nas novelas televisivas. Você até consegue esquecer seus rostos e seus trejeitos, especialmente Luana Piovani, que interpreta a compridona e tresloucada Elke Maravilha e está presente numa cena interessantíssima aonde traduz para a protagonista, Patrícia Pilar, a canção que a verdadeira Elke e seus figurinos espalhafatosos canta em russo.

Zuzu não deu sossego aos milicos, tanto que foi silenciada em um "acidente" automobilístico. Infelizmente, a ditadura militar acabou somente 9 anos após a sua morte, depois de uma abertura "lenta, gradual e constante" implementada a partir de 1975 pelo "presidente" Geisel.

Eu me lembro de ter ficado chocado quando vi, ainda pré-adolescente, Pra Frente Brasil (83). Me perguntava se era possível que "eles" tivessem feito tudo aquilo com o personagem de Reginaldo Farias só porque ele dividiu um taxi com um "comunista".

Hoje, eu sei que sim, "eles" fizeram tudo aquilo e muito mais. Agora, basta torcer para que esse filme se torne um blockbuster tupiniquim para que as novas gerações saibam o que fizeram nesse país com várias e várias pessoas.

E que um dia a gente ainda consiga escorraçar os nomes dessa corja de nossas pontes e nossas avenidas.


B-
Zuzu Angel (Sérgio Rezende, BRA, 2006)
Quando: Ago/06 (UCI Recife)
Site Oficial: wwws.br.warnerbros.com/zuzuangel

X-MEN 3

Mais uma prova de como um diretor (e/ou um roteirista) consegue(m) cagar numa boa idéia.


Minha relação com os X-Men tem mais de 20 anos e desde sempre eu sonhava com sua adaptação para o cinema. Minhas preces foram ouvidas com X-Men (00), cujo maior pecado foi a grande quantidade de atores com interpretações pífias, impossibilitando qualquer tentativa de melhor desenvolvimento de seus personagens no tempo proposto pelo filme. Quando X-Men 2 (03) foi lançado, não havia mais essa preocupação de apresentá-los ao público e houve um certo amadurecimento de alguns atores. Resultado: um filme maravilhoso com toda a essência dos X-Men, que pode muito bem ser transposto para outros "grupos" discriminados por serem "diferentes".

Logo no começo desse, já comecei a ter calafrios com a visão de um professor Xavier andando ao lado de Magneto, mas respirei fundo, afinal de contas, A Fênix Negra é, ao lado de Dias de Um Futuro Esquecido (que é reproduzido na seqüência seguinte do filme), uma das melhores sagas que ocorreram no universo quadrinístico mutante.

Um dos maiores pedidos dos fãs é que seu mutante favorito esteja na telona e eles foram mais do que agraciados nessa seqüência, pois há mutantes para todos os gostos. Na verdade, há uma verdadeira superpopulação deles, agora mais aceitos na sociedade do que nos filmes anteriores. O porém é que justamente essa superpopulação não deixa espaço para um maior aprofundamento individual e vários mutantes entram e saem de cena na mesma velocidade que um clipe da MTV. Não bastasse essa confusão, o roteiro, ao decidir seguir dois temas principais, não consegue se aprofundar em nenhum deles.

A grata surpresa foi Famke Jansen/Fênix, que apesar de ter sido uma das mais fracas atrizes nos dois anteriores, ela está aqui em seu melhor momento (e convencendo!). Por outro lado, sir Ian McKellen/Magneto e Patrick Stewart/Professor Xavier devem ter feito as piores atuações de suas carreiras, algo pelo qual se envergonharão pelo resto de suas vidas. Halle Berry/Tempestade ganha "desenvolvimento", mas ainda não foi dessa vez que ela provou porque ganhou o Oscar. Wolverine nunca foi dos meus personagens preferidos e aqui seu intérprete faz uso de seus bíceps avantajados e torso seminu. Se a mesma "técnica de interpretação" já não tinha dado certo em Van Helsing (04), aqui não seria diferente.

Mas nem tudo está perdido, pois a cena final, aonde a Fênix surge em toda a sua plenitude, vale o ingresso, o que não vale é a frase que o personagem de sir Ian McKellen é obrigado a dizer: um "What have I done?" tão tosco que ele bem que poderia ter sido poupado de tanta humilhação.

Nós também.

B-
X-Men: The Last Stand (Brett Ratner, EUA, 2006)
Quando: mai/06 (UCI Recife)
Site Oficial: www.xmen-oconfrontofinal.com.br
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