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CÓPIA FIEL

A cópia pode ser tão boa quanto o original?


James Miller é um famoso escritor inglês que está na Itália para o lançamento de seu novo livro sobre originalidade e cópia em obras de arte onde ele aconselha que, na falta do original, fique com a cópia mesmo. Elle, por sua vez, é uma francesa dona de uma galeria de arte que há anos mora na Itália com seu filho “aborrecente”.

Antes de voltar para seu país de origem, James aceita o convite de Elle para conversarem sobre seu livro durante um café. No café, os dois são confundidos como marido e mulher pela garçonete. Elle entra na “brincadeira”, não corrigindo-a e seguindo sua conversa como se realmente fossem casados. Ao saírem do café, eles encarnam a brincadeira e viram “de verdade” um casal em crise. Ora a crise é causada por ela, ora causada por ele. Às vezes, a discussão se dá em inglês, às vezes, em francês. Numa cena, ele fala em inglês e ela responde em francês (!?).

É realmente complicado fazer uma interpretação "única" de Cópia Fiel, isso dependerá da bagagem individual de cada um. Reduzi-lo a uma espécie de Antes do Amanhecer (95) e Antes do Entardecer (04) da meia-idade é uma burrice sem tamanho. O que está em jogo não é a crise daquele casal e sim a discussão do que é original e do que é cópia. Do que é real e do que é ficção. Do meio para o fim, você já esqueceu que aqueles dois são estranhos que acabaram de se conhecer e passa a acreditar fielmente que eles são um casal em crise. Na verdade, você começa a duvidar da veracidade da primeira parte do filme. Eles são realmente dois estranhos que nunca se encontraram antes?

Cópia Fiel é um filme que te convida para uma revisão, depois de saber o ponto final para poder interpretar melhor as nuances, mas é algo que até agora não fiz, mas que espero poder fazer em breve.


A+
Copie Conforme (Abbas Kiorastami, FRA/BEL/ITA, 2010)
Quando: Agosto/11 (Cinema da Fundação)
Sítio Oficial: ficha imdb

UM LUGAR QUALQUER

Melancholie mode on.


Johnny Marco é um jovem ator de blockbusters de Hollywood no auge de sua fama que leva, fora das filmagens, uma vida totalmente desregrada e vazia, bebendo todos os dias até cair, participando de festas, transando com estranhas, assistindo performances particulares de pole dance com duas gêmeas e por aí vai. Um belo dia, ele acorda e vê sua filha Cleo, de 11 anos, ao seu lado. Enquanto sua mãe viaja, os dois passarão algum tempo junto.

Se ainda existia qualquer dúvida sobre o talento como diretora de Sofia Coppola, ela prova mais uma vez que é capaz de fazer mais um filme com sua marca autoral: visões intimistas de seus personagens descobrindo pequenas coisas da vida. De um ator decadente e uma “namorada de um fotógrafo” perdidos em Tóquio (Encontros e Desencontros, 03), passando por uma rainha arrancada de sua casa na adolescência (Maria Antonieta, 06), agora é a vez de um ator no auge de sua fama e sua filha, que o fará reavaliar o modo como encara sua própria vida.

Um Lugar Qualquer é um filme menor se comparado aos dois anteriores, mas mesmo assim você se deixa levar pelo lirismo e pelos detalhes, seja um simples desenho de uma filha no gesso do braço de seu pai, seja um “chá de panela” fictício em baixo d’água. Sofia não tem pressa em contar a sua história, em certa medida, pessoal, pois ela viveu um bom tempo naquele mesmo hotel, o Chateau Marmont, ao lado do pai, Francis Ford Coppola. Inclusive, o porteiro é o mesmo.

Destaque pelo “piti” de Cleo que, prestes a ser deixada no aeroporto pelo pai, não quer ir à colônia de férias, por se sentir rejeitada tanto pelo pai como pela mãe. As “férias” no acampamento, para ela, seria apenas um lugar onde seria despejada como um objeto qualquer para que ambos pudessem continuar vivendo suas vidas.

A cena final é subjetiva demais. Não dá para interpretá-la literalmente. Ninguém em sua sã consciência faria aquilo. Mas parece perfeito como um “final feliz” onde é apresentado o momento em que aquele astro que movimenta milhões e mexe com o imaginário de tanta gente, mas tem uma vida vazia e sem sentido, muda a forma de viver.


B+
Somewhere (Sofia Coppola, EUA, 2010)
Quando: agosto/11 (Cine São Luiz)
Sítio Oficial: somewherethemovie.com

HOMENS E DEUSES

Vós sois deuses / Todavia morrereis como homens (salmo 82: 6-8)



Os fatos que antecederam a execução de oito monges católicos franceses de um mosteiro na Argélia por rebeldes argelinos em 1996.

A Argélia é a eterna vergonha francesa. Volta e meia há a produção de um novo filme que, se não trata diretamente da guerra civil que culminou no sangrento processo de independência argelina, trata indiretamente desse processo, como a tentativa de integração à “França Livre” dos habitantes da ex-colônia.

Em Homens e Deuses, o tema é a execução de monges franceses por rebeldes fundamentalistas muçulmanos após a recusa do governo de Argel em libertar líderes rebeldes aprisionados, mas não é sobre como se deu a execução, é sobre aqueles oito seres humanos abnegados que abriram mão da própria vida para não quebrarem os votos que fizeram ao aceitarem a missão de servir a Deus naquela região. Para tanto, grande parte do filme trata de humanizar aqueles “deuses” que trazem conforto a um região desolada. Antes de serem padres, eles são pessoas de carne e osso e como tais têm as suas limitações e, volta e meia, têm sua fé (seja ela qual for) testada.

Inicialmente, é mostrada a rotina do mosteiro. A aragem da pequena horta, o atendimento médico precário, as orações, as refeições. Quando o conflito surge, o governo oferece proteção armada ao mosteiro, que é negada pelo líder não declarado, Christian. Os demais monges não concordam com essa decisão e, quando lhes é dada a escolha de ficar ou serem transferidos, uns querem ficar, outros querem sair. Os que desejam ficar fazem suas escolhas pelos mais diversos motivos. Os que querem sair, não têm a certeza de estarem tomando a decisão correta.

Agora vem o aviso de Spoiler! que pode estragar (ou não) sua visão posterior do filme (caso ainda não o tenha visto). Siga por sua conta e risco.

O clímax se dá numa cena montada para emular A Última Ceia (é a foto acima). Com a trilha sonora de “O Lago dos Cisnes” de Tchaikovsky, os monges são mostrados individualmente. A aura de deuses não existe mais. São apenas homens que transparecem a paz interna pela certeza de terem tomado a decisão correta. Nessa madrugada, o mosteiro é invadido. O que se segue é apenas história.


B+
Des Hommes et des Dieux (Xavier Beauvois, FRA, 2010)
Quando: Junho/11 (Cinema da Fundação)
Sítio Oficial: sonyclassics.com/ofgodsandmen

REENCONTRANDO A FELICIDADE

Um dia de cada vez.


Oito meses após o atropelamento de seu único filho, Becca e Howie procuram viver a vida da melhor maneira possível, com cada um lidando com a dor e a saudade à sua maneira. Howie gosta de frequentar um grupo de apoio formado por pais na mesma situação, mas Becca não. Ele procura afeto, que a esposa não consegue dar e, para suprir sua perda, ainda mantém a cadeira do filho no carro e sempre revê o último filme do filho em seu celular. Ela prefere se isolar e se livrar dos desenhos presos na geladeira, das roupas e até mesmo da casa, para evitar reviver o filho em cada cômodo.



POESIA

Tempero agridoce


Mija é uma avó sexagenária que trabalha como diarista para complementar sua pensão para sustentar seu neto adolescente. Um dia, ao descer do ônibus, vê o cartaz de um curso de poesia e decide se matricular, pois sempre teve vontade de escrever poesias, mas nunca conseguiu. Paralelamente, seu neto, juntamente com outros amigos, se envolve no estupro de uma colega de classe que acaba se suicidando.

Para escrever sua poesia, Mija precisa ver o mundo com outros olhos. Uma maçã não é apenas uma maçã. Há a cor, a tonalidade, a forma, o sabor... Ela precisará encontrar algum tipo de beleza no mundo que vive, apesar do neto participar de um estupro que motivou o suicídio de uma pessoa. Para piorar sua situação, ela precisa encontrar inspiração o mais rápido possível, pois foi diagnosticada com Alzheimer e já começa a se esquecer de palavras básicas. Logo, não poderá mais escrever nem mesmo a receita de um bolo.

Um fato curioso é mostrar uma igreja católica encravada no subúrbio de Seul (é onde ocorre a missa de sétimo dia da jovem que se suicidou). Uma instituição tão ocidental e tão diferente dos valores que nos são passados do oriente soa tão estranho...

No final, Mija descobre que poesia não é, necessariamente, sobre o belo. A descrição de um simples banco enferrujado de jardim pode conter muita poesia. Como trabalho de conclusão de curso, Mija entrega como ela acredita que deve ter sido os últimos dias daquela menina. Para fazer chorar o mais insensível ogro.

A poesia não precisa ser sobre o belo, mas o filme Poesia é um belo filme.  


B+
Shi (Lee Chang-dong, Coreia do Sul, 2010)
Quando: Maio/11 (Cinema da Fundação)
Sítio Oficial: ficha imdb

ENTER THE VOID

Uma viagem lisérgia e sem pé nem cabeça.


Oscar e Linda são dois irmãos de nacionalidade francesa que vivem em Tóquio. Oficialmente, ele é dj, mas para completar o orçamento, faz pequenos negócios como traficante. Ela, é stripper em uma boate. Em uma emboscada policial, Oscar é mortalmente ferido, mas seu espírito se recusa a deixar o mundo dos vivos por fidelidade à promessa que fez de nunca deixar a irmã. Começa, então, a viagem do espírito de Oscar pelo passado, presente e futuro conforme descrito em O Livro dos Mortos do budismo.

Gaspar Noé, mais uma vez, faz um filme com estrutura narrativa não-linear. Porém, diferentemente de Irreversível (Irreversible, 02), narrado de trás para frente, aqui ele começa de forma linear até a morte de Oscar. Daí para frente, as peças do quebra-cabeças a ser montado corresponderão às lembranças de quando Oscar era pequeno (que é quando descobrimos o que ocorreu com os seus pais, porque se separou da irmã e o que ele fez para que ambos se reencontrassem do outro lado do mundo); do logo após sua morte (como se comportam seus amigos, sua irmã, quem o denunciou para os policiais); e do futuro, quando passamos pelo constrangimento de ver a cabeça de um pênis entrando e saíndo de uma vagina. Tudo isso entrecortado pelas luzes hipnotizantes de Tóquio.

Enter the Void é uma experiência visualmente embasbacante, mas na qual eu não embarquei. O roteiro é simples e previsível, pois toma como base O Livro dos Mortos do budismo, mencionado logo no início do filme e explicado pouco antes da morte de Oscar, mas isso está longe de ser um problema. O que me causou desconforto foi a preferência do diretor pelo visual e pelos "truques" de filmagem que me remetiam a todo instante a Irreversível. Ponto para a câmera subjetiva que acompanha toda a ação pelo olhos de Oscar. Ela, inclusive, "pisca" enquanto ele ainda pode piscar seus olhos.

Não espere um tratado sobre o pós-morte. Essa não foi a intensão do diretor que também escreveu o roteiro (e que, dizem as más linguas, formatou o roteiro durante 15 anos a partir de suas próprias viagens alucinógenas). É tanta firula e durante tanto tempo (são inacabáveis 161 minutos) que no meio do caminho eu já estava cansado. Apesar de visualmente impecável, o que sobra uma casca vazia.


D
Enter the Void (Gaspar Noé, FRA, 2009)
Quando: Abril/11 (Divx)
Sítio Oficial: ficha imdb

127 HORAS

Nunca se esqueça do seu canivete suíço.



História verídica de Aaron Ralston, aventureiro solitário (e um tanto quanto misantropo), que ficou com o seu braço preso por uma rocha durante 127 horas, até que ele teve que amputá-lo para poder sobreviver.

Danny Boyle é um diretor bastante criticado por suas firulas e excessos na edição. Bem, antes de considerá-los como "defeitos", prefiro encará-los como características.

Apesar da trama linear [em contraponto, por exemplo, a Quem Quer ser Milionário? (09)], o drama das tentantivas fracassadas de Aaron de se libertar é entrecortado com cenas de sua infância, o desejo ardente pelo isotônico que deixou no carro quando sua água acaba, sua punição por ter esquecido seu canivete suíço, a ironia de ter sua mochila um canivete Made in China (que não corta nada) que ganhou da mãe e por aí vai. Da mesma forma, os "momentos mortos" de Aaron e a pedra são quebrados pela fúria, pelo medo e pelas alucinações.

Portanto, o filme não seria possível sem essas estripulias Dannyboyliana e, claro, a James Franco, o que fez valer sua indicação ao Oscar e prova (se é que ainda é preciso) que ele não é apenas o rostinho bonito que veio ao grande público após a trilogia do Homem-Aranha.

A trilha sonora também segue o padrão Danny Boyle e o excesso, novamente desnecessário [(assim como o "5º elemento" de Sunshine (07)], é o grafismo explícito da amputação (com direito à radiografia do osso do braço ao ser quebrado) e a posterior sangreira (o que deixa a boca de James Franco como a de um vampiro após um banquete). É o momento mais tenso do filme, sem dúvida, mas logo após, há a redenção (o que não pode faltar num filme de superação), com uma belíssima música de encerramento (melhor do que a que concorreu ao Oscar, que aparece nos créditos finais).


B
127 Hours (Danny Boyle, EUA, 2010)
Quando: Fevereiro/11 (UCI Recife)
Sítio Oficial: 127horas.com.br

TETRO

Laços de Família



Com a desculpa de viajar para passar um período sabático longe da família para escrever, Angie, na verdade, foge da opressão de seu pai e se refugia em Buenos Aires. Adota um novo nome -- Tetro -- e corta laços com sua família. Nove anos depois, Bennie, seu irmão mais novo, é camareiro de um navio que teve que fazer uma parada forçada na capital portenha. Aproveitando a escala, resolve se encontrar com o irmão que ele tanto idolatra, mas só recebe desprezo em retribuição.

Bennie, é Angie em sua idade. Sonhador e ingênio, também foge da opressão paterna e busca, no mínimo, uma explicação para a fuga de seu ídolo. Traz consigo a carta que Angie lhe deixou, prometendo voltar para pegá-lo. Tetro, por sua vez, não quer contato com o irmão. Ele não quer contato algum com sua família e, principalmente, não quer que a rivalidade entre seu pai e seu tio seja reproduzida entre eles, mas tudo caminha para que esse desfecho seja inevitável, pois Bennie encontra a peça inacabada de Tetro e dá um final a ela.

Se isso realmente acontece, não serei eu que te contarei. Apenas direi que, até os letreiros finais, Tetro será obrigado a confessar a Bennie um grande segredo de família.

A fotografia em preto e branco é maravilhosa e promove ótimos contrastes entre luz e sombra. O início do filme é bem arrastado, porém, do meio para o fim, ele só cresce. No terço final, ele abraça sem piedade o melodrama barato (a verdade sobre a morte da mãe de Tetro, a verdade sobre a mãe de Bennie, o grande segredo da família guardado por tanto tempo). Pena que nesses momentos cruciais, quando se exige capacidade dramática a Alden Ehrenreich, ele refuga. Porém, nem tudo está perdido, pois a peça criada por Tetro é autobiográfica. Nos momentos-chave, enquanto os personagens narram os acontecimentos da vida, você vê a peça sendo encenada. Metalinguagem pura. E primorosa.

No final, "Você não pode olhar para a luz", diz Tetro a Bennie.


B+
Tetro (Francis Ford Coppola, EUA/ITA/ESP/ARG, 2009)
Quando: Fevereiro/11 (Cinema da Fundação)
Sítio Oficial: tetrofilm.com

COMO ESQUECER

... e recomeçar a viver?


Quando é chegado o momento de voltar a se relacionar com alguém? Como cicatrizar a ferida e deixar a amargura para trás? Vale a pena voltar para quem te abandonou quando você mais precisou dele? E a "viuvez"? É mais fácil do que um rompimento?

Antônia decide, unilateralmente, terminar seu relacionamento de 10 anos com Julia, que entra numa espiral depressiva-psicótica e só não surta pois seu melhor amigo, Hugo, que também passou por um processo de separação recente (só que no caso, a causa foi a morte de seu companheiro), decide se mudar para o seu apartamento para ajudá-la a superar sua dor. Para complicar a situação, Carmem Lygia, sua orientanda de mestrado, não para de se insinuar.

Para apagar o passado, Hugo decide que Júlia deve-se me mudar com ele e Lisa para uma casa no subúrbio. Lisa também está passando por maus momentos, pois seu namorado não aguentou a pressão de uma gravidez indesejada. Para completar o caldo, ainda há Helena, prima de Lisa, que decidiu pedir demissão de seu emprego na embaixada brasileira em Paris para morar no Rio e viver como artista plástica.

O filme começa feliz, com Julia segundo o olhar de Antônia em imagens gravadas em Londres (terra de Virgínia Wolf, entre outras autoras que serão citadas ao longo do filme). Corte. Numa sala escura, Julia queima fotos antigas. A amargura faz com que Julia afaste todos que tentam ajudá-la. Sua dor é muito grande e o seu desejo de autodestruição é forte. Numa cena-chave, ela se dá de cara com sua consciência. É o fundo do poço. Tempos depois, a mudança, quando Júlia decide pegar para criar um gato que miava embaixo de sua janela (quando a atitude esperada era que ela jogasse um tijolo no bichano).

Mesmo depois de superar o desejo de autodestruição, Julia ainda experimentará alegrias e tristezas até se permitir parar de olhar para trás. Hugo e Lisa também têm suas histórias resolvidas. Quer dizer.... resolvidas até aquele momento, pois a ninguém é revelado seu futuro de antemão. Uns são de correr riscos, outros, nem tanto. Quem somos nós para julgá-los?

Para finalizar, dois aspectos "superpositivos" sobre o filme: (1º) é um filme brasileiro produzido no eixo Rio-SP com atores globais que não só consegue fugir do estereótipo amorfo de comédias televisivas da Globo Filmes como faz com que não nos lembremos, por exemplo, que Murilo Rosa é o protagonista da atual novela da 6; e (2º) apesar de contar com a quase totalidade de personagens homossexuais, trata o seu tema de forma universal. Afinal de contas, a dor da separação (e a superação dessa dor) é a mesma, não importa sua orientação sexual.


B+
Como Esquecer (Malu de Martino, BRA, 2010)
Quando: Fevereiro/11 (Cinema da Fundação)

CISNE NEGRO

Take a walk on the wild side.


Natalie Portman no limite. Nina faz parte de uma companhia de balé e, com a aposentadoria forçada da prima ballerina anterior (idade, sabe como é...), seu diretor decide selecionar sua substituta através da escolha da protagonista de sua nova peça, O Lago dos Cisnes, com um diferencial: as irmãs Odette (o Cisne Branco) e Odile (o Cisne Negro) serão interpretadas pela mesma bailarina. Nina é perfeita para o Cisne Branco (dedicada, perfeccionista, pueril), mas conseguirá segurar a pressão inerente ao mundo do balé e libertar a volúpia necessária para a performance do cisne negro?

Nina, apesar de aparentar ter uns 20 e poucos anos, é uma garotinha. Superprotegida pela mãe, provavelmente virgem, não sai, não bebe, não namora. Sua vida é o balé. Não basta treinar na companhia, quando ela chega em casa, ela treina ainda mais. Com transtorno obsessivo-compulsivo (coceira nas costas, bulimia e anorexia), não é a toa que, até o final, acompanharemos o esgarçamento de sua sanidade mental.

Cisne Negro, não é sobre bailarinas como estamos acostumados a ver. Todas as menininhas sonham em flutuar ao invés de dançar. Aqui, as bailarinas só são graciosas em seus paços após serem exaustivamente repetidos e após se autoflagelarem ao extremo. Que distendam seus músculos, que distorçam seus diafragmas, pois se alguém não conseguir, pode ter certeza que haverá outras 100 prontas para guerrear por esse posto.

No contexto do filme, nada mais exemplificativo do que a prima ballerina anterior, interpretada por Winona Ryder. Ela já foi a "queridinha da América", já esteve no auge quando tinha 20 e poucos anos. Agora, aos 40, é apenas uma sombra do seu passado de glórias. Só lhe resta a bebida e o desejo de autodestruição.

No entanto, sempre se deve dar o benefício da dúvida, pois o filme nos é apresentado segundo o ponto de vista de Nina, que logo aos 5 minutos se vê no metrô. No final desse dia, ela também se verá nos corredores do metrô. Em certo ponto, já não saberemos mais o que é real e o que é imaginário.

Não é nenhuma "obra prima" como insistem em hypá-lo, mas Cisne Negro sai do lugar comum. Há outros exemplos por aí de diretores que levaram suas atrizes ao extremo como Polanski/Catherine Deneuve em Repulsa ao Sexo (Repulsion, 65) e Truffaut/Isabele Adjani em A História de Adele H (L'histoire d'Adèle H, 75), para ficar em apenas dois exemplos, mas o ritmo crescente da destruição da mente de Nina culminando no clímax catártico durante a apresentação de balé não deixa nada a desejar aos grandes mestres.


A
Black Swan (Daren Aronofsky, EUA, 2010)
Quando: Fevereiro/11 (Box Cinema)
Sítio Oficial: foxsearchlight.com/blackswan

ALÉM DA VIDA

O que há "além daqui"?


Em Além da Vida, Mr. Eastwood procura responder à pergunta que mais intriga a humanidade desde que ela tomou consciência de sua mortalidade: o que acontece quando morremos? Dessa forma, somos apresentados a três personagens, um médium estadunidense que considera o seu "dom" uma maldição, uma jornalista francesa que sobreviveu à tsunami que atingiu a Indonésia em 2004 e um garoto inglês, que não suporta a vida após a morte de seu irmão gêmeo.


Como ocorre normalmente em um filme de histórias que ocorrem em locais dispersos, nem todas as três têm o mesmo ritmo. Pessoalmente, fiquei menos interessado pela história do menino, fiquei indiferente ao drama do médium e só queria saber sobre as descobertas da jornalista francesa. Identificação pura e simples. Infelizmente, é apenas na dor que encontramos a motivação suficiente para mudarmos. Uns partem para fé pura e simples, entram na "zona de conforto" e se esquecem. Como ela, eu saí pesquisando. Encontrei muitas das respostas que buscava, que trouxeram ainda mais perguntas (que estão longe de serem respondidas). Marie Lelay, recebeu o seu chamado para o despertar e por mais que ela tentasse levar a mesma vida que levava antes (e como ela tentou!), não conseguiu (é impossível voltar). Ela precisava descobrir o que tinha acontecido. Ela, conscientemente -- e racionalmente -- fez o seu tratado de fé. Uma fé consciente, que com o passar do tempo passa a ser verdade absoluta, que te leva a uma paz interior inexplicável.

Paz que George Lonegan nunca mais teve depois de sua doença no cérebro quando ainda era criança. Ele fez uma opção: ou tomava pílulas e vivia como um vegetal o resto da vida, ou tentava conviver com a conexão com "o além". Numa cena chave, ele diz tudo: "às vezes, é bom não saber toda a verdade sobre os outros". No mundo espiritual, fora desse envoltório grosseiro que temos, a consciência é o juiz que tudo sabe. Quando nos depararmos com ela em nosso juízo final, precisamos estar preparados para o arrependimento que, fatalmente, virá. Enquanto isso, George ainda precisa aprender a conviver com a sua (autodenominada) maldição, que lhe afasta das pessoas e o obriga a ter uma vida solitária e proletária. (Caso você se interesse em saber, pode ser sim considerada maldição, pois todos temos capacidade mediúnica, basta treinarmos; aqueles que tem uma mediunidade forte, têm uma dívida muito forte com a espiritualidade e ela vem para ajudá-los a saldarem essa dívida rapidamente).

Já Marcus, apesar de protagonizar o segmento mais dramático de todos, sai desesperadamente atrás de respostas. No meio do caminho, ele depara com todos os tipos de charlatães que exploram a fé alheia e só consegue paz quando, perto do fim (não se preocupe, não é spoiler), todos os três se reúnem numa feira de livros em Londres. Pode chamar de acaso/coincidência, mas, citando um outro inglês, há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia. Na minha modesta opinião, o que tiver que ser, é.

O saldo final é que Mr. Eastwood não deixa nada mastigado. Ele, no mínimo, planta a semente da dúvida ao trazer o tema ao debate. Cabe a você decidir o que fazer. E olha que ele nem precisou mencionar Deus em nenhum momento do filme.


A
Hereafter (Clint Eastwood, EUA, 2010)
Quando: Janeiro/11 (Box Guararapes)

AS NOITES DE CABIRIA

Inocência.


Só mesmo um diretor como Fellini e a colaboração de um Pasolini no roteiro para transformarem esse tratado sobre a tragédia humana em comédia. Cabiria é uma prostituta em Roma que só leva cacetada na vida. Uma após a outra, após a outra, após a outra... mas ela sempre recupera suas forças e se levanta. Pode demorar, mas ela sabe que, mais cedo ou mais tarde, ela vai voltar a sorrir, pois apesar de, fisicamente, aparentar quase 40 anos, ela ainda conserva dentro si aquela garotinha de 18 anos com cabelos negros e compridos que ia todo domingo à missa com a mãe.


Ela é atirada num rio por uns míseros trocados, é usada, é exposta ao ridículo num show de hipnotismo e é enganada por um charlatão que a conhece no show, mas mesmo assim, ela se recusa a aceitar a crueldade e a sordidez humana e volta a acreditar.

E aquela cena final? Não foi apenas Cabíria que chorou naquela cena final.


A
Le Notti di Cabiria (Frederico Fellini, ITA, 1957)
Quando: Agosto/2010 (Cine São Luiz)
Sítio Oficial: ficha imdb

O LUTADOR

Até o limite



Impossível dissociar Mickey Rourke de O Lutador. O filme é ele e o resto. Marisa Tomei e a filha de Randy “The Ham” Robinson existem apenas como escada. A primeira, como uma certa esperança de um futuro melhor ao lado de alguém e a última, a tentativa de reparar os erros do passado.

Apesar de populares tanto nos EUA como no Brasil (“Os Gigantes do Ringue” não me deixa mentir), as lutas livres não têm hoje o apelo que tinham nas duas últimas décadas do século passado. Como consequência, Randy está no ostracismo. Ainda consegue alguns trocados nos finais de semana fazendo o que mais gosta, mas também é obrigado a trabalhar como carregador em um supermercado durante a semana e a gastar regularmente uma quantia considerável com anabolizantes. Sobra pouco para o aluguel de seu trailer e ele vive sempre sob o fio da navalha.

Após anos maltratando o corpo, um dia a conta chega e Randy tem um ataque cardíaco. O diagnóstico: ou ele para de lutar e de tomar seus anabolizantes, ou morre.

O filme é devastador sobre os efeitos da decadência de ídolos de uma época que acabou. Como bem disse Randy num diálogo com Marisa Tomei: bom mesmo eram os 80’s... mas aí veio o Nirvana para acabar com tudo e tornar o mundo mais depressivo.

Malditos anos 1990's.


B+
The Wrestler (Daren Aronofsky, EUA, 2008)
Quando: Março/09 (Cinema da Fundação)
Sítio Oficial: thewrestlermovie.com

O ESCAFANDRO E A BORBOLETA

A liberdade, apesar da clausura.


O filme conta a história (verídica) de Jean-Dominique Bauby, editor da revista Elle francesa que tem um AVC e entra em coma. Quando acorda, consegue entender perfeitamente o mundo externo, mas só tem controle dos movimentos de um único olho.

O mais interessante é a forma como o filme se desenvolve, a partir da perspectiva de Jean-Do (como seu médico carinhosamente o chama, para o seu desgosto). Inicialmente, a imagem é desfocada, trêmula, errática, torta. Somente depois de meia hora é que começaremos a ter noção da imagem de Jean-Do, a partir do reflexo dos vidros de um corredor do hospital. Daí até finalmente darmos de “cara” com o seu rosto refletido pelo espelho acima também se levará um bom tempo.

Inicialmente, Jean-Do deseja morrer a continuar nessa situação, mas com o tempo ele decide não se entregar e, a partir de um método inusitado, escreverá um livro auto-biográfico ditando as palavras apenas com o piscar dos olhos. Esse filme é resultado desse livro. Uma história poderosa contada de uma forma consistente, longe de ser choroso como normalmente são os filmes sobre doenças baseados em fatos reais.

O filme/o livro/Jean-Dominique Bouby também podem ser encarados como uma mensagem para a humanidade. Foi preciso que Jean-Dominique passasse por tudo isso para poder transmitir sua mensagem de que não se pode desistir nunca. Uma vez cumprida a sua missão, Jean-Do pôde descansar.


B
Le Scaphandre et le Papillon (Julian Schnabel, EUA/FRA, 2007)
Quando: Julho/08 (Cinema da Fundação)
Sítio Oficial: lescaphandre-lefilm.com

GONE, BUT NOT FORGOTTEN

Um tipo de Brokeback Mountain.


A sinopse do filme até que prometia, com algo do tipo "ele esqueceu tudo, mas encontrou o seu verdadeiro eu (e o amor) nas montanhas e blah, blah, blah". No final, tem-se um filme ruim, em vídeo e com "atores" crentes que estão atuando, mas que têm um talento inferior àquelas crianças que brincam de fazer peças nas escolas.

Um cara tenta se matar (na verdade, agora não lembro se ele tenta se matar ou tenta simular sua morte, mas quem se importa?), perde a memória, é socorrido pelo guarda florestal gay da região e vai morar com ele "para acelerar a sua recuperação". O frio da montanha faz com que os dois fiquem "próximos" e blah, blah, blah. Eventualmente ele acaba recuperando a memória e, claro, eis que surge "algo" para separá-los. O final, bem, não serei eu que o contarei. Repito: a premissa era interessantíssima, mas o resultado final, na minha opinião, é sofrível.


E
Gone, but not Forgotten (Michael D. Akers, EUA, 2003)
Quando: Março/08 (DivX)
Sítio Oficial: ficha imdb

CONDUTA DE RISCO

Mais um filme de adevogados


Antes de começar essa resenha, quero deixar claro uma coisa: eu gosto de filmes de adevogados. Talvez porque, por um breve momento, pensei em prestar vestibular para direito lá nos idos de 1991. Mas passou, me inscrevi em economia mesmo e cá estou, economista.

Em Conduta de Risco, há o que se espera de um típico filme de adevogados: grande corporação estadunidense mata pobres agricultores com seus produtos, contrata uma super-firma de adevogados para defendê-la e vai protelando, protelando, protelando... até que surge um "memorando" em que um pesquisador atesta que o produto era perigoso. O adevogado encarregado de massacrar os pobres e indefesos surta, tem uma crise de consciência e, de posse desse documento, quer mudar de lado. No meio disso tudo, a super-firma de adevogados está na iminência de ser adquirida por uma ultra-super-duper multinacional de adevogados.

Nisso tudo, onde entra George Clooney? Ele é Michael Clayton, um "faxineiro", que não é adevogado, mas sim um consultor especial da firma. Ele é o melhor no que faz e não está nos seus melhores momentos, pois o seu hobby era um bar que faliu e está endividado até os tubos.

É um filme interessante pois o foco principal não é no processo e sim discutir questões como ética, tanto profissional quanto social. Até que ponto você, adevogado, pode se corromper para defender os interesses de seu cliente que, claramente, agiu de má-fé? Até quando vai a sua lealdade com seu amigo? Qual o seu preço?

Sobre essa tal de "ética", vale a pena prestar atenção no personagem de Tilda Swinton, conselheira e adevogada da UNorth, a mega-corporação que está sendo processada.


B+
Michael Clayton (Tony Gilroy, EUA, 2007)
Quando: Fevereiro/08 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: michaelclayton.warnerbros.com

EU SOU A LENDA

O fim da humanidade e a "involução" do homem à uma nova "era das trevas".


Num futuro não tão distante, a cura do câncer foi descoberta. Infelizmente, essa descoberta significou o fim da humanidade de acordo com o doutor Robert Neville, que se auto-intitula "o último homem da Terra". A manipulação genética resultou em um vírus que matou quase toda a população terrestre. Outra boa parte foi infectada e virou uma espécie de zumbi/vampiro, que desenvolveu super-força, sensibilidade à luz solar e se alimentou da pequena parte da população que era naturalmente imune ao vírus.

As idéias contidas no filme são interessantíssimas (derivadas de um livro, escrito em pleno apogeu armamentista da guerra fria, na década de 50), mas que, como sempre em um blockbuster, são esmagadas, trituradas e depois, esquecidas. A dramaticidade de botequim exige que o cara esteja confinado em Manhatan (originalmente, era Los Angeles). A explicação é que como ali foi o início da epidemia, então eles explodiram as pontes e os túneis para confinar a população em "quarentena". Will Smith permaneceu porque era dever dele estar no "marco zero". Ok, faz de conta que eu acredito. Assim como faz de conta que eu acredito que, depois de três anos confinado na ilha, ele ainda tenha bacon e ovos frescos para poder comer no café da manhã e consiga legumes sei lá como.

Há outras merdas ao longo do filme difíceis de engolir, como por exemplo os mesmos três anos em que ele ficou sitiado e nunca cruzou com a personagem de Alice Braga, que de simples missionária da cruz vermelha vira uma espécie de "ramba" e o salva da morte certa pelos zumbis. Ela disse que estava num navio que veio de São Paulo (é... agora São Paulo tem porto...) e que parneceu por lá... por três ano!

O final fica ainda pior -- mais piegas para ser exato -- quando misturam Deus (ou a sua não-existência segundo o Dr. Neville) e misticismo ("eu precisava estar lá, para renovar a sua fé e você me dar algo"). Dizem que há um outro final gravado, mais "filosófico". Resta esperar para uma reedição à la Blade Runner (82, relançado da forma "correta" em 93).

Verdade seja dita, com todo o preconceito que eu tenho com relação a Will Smith, ele "segura o rojão" surpreendentemente bem, contracenando apenas com uma cadela em 80% do filme. Pena que no 20% restante, o roteiro tenha descarrilhado. E não só pela péssima interpretação de Alice Braga.


C
I am Legend (Francis Lawrence, EUA, 2007)
Quando: Janeiro/08 (UCI Recife)
Sítio Oficial: br.warnerbros.com/iamlegend

COISAS QUE PERDEMOS PELO CAMINHO

Porque a vida continua...


David Duchovny é um "cara legal". Bom marido, bom pai de família, bom amigo. Num belo dia, ele sai para comprar sorvete e não volta. Ele tentou fazer o que sempre faz, ajudar os outros, e apartou a briga de um casal de namorados. Ele só não contava com o desequilíbrio do cara, que sacou uma arma e matou os três. Halle Berry é uma esposa amorosa, mas que "surta" com a morte do marido, a ponto de convidar para morar com ela e os dois filhos o amigo junkie do marido, Benício del Toro. Ex-advogado, droga-se há muito tempo e apenas David Duchovny lhe dava atenção. O "trauma" do filme é o motivo pelo qual ele resolve deixar de vez com as drogas.

Parece um típico dramalhão mexicano, não? Apenas parece, pois apesar de flertar com o melodrama barato, esse filme não passa de um "melodrama com atitude", que serve de redenção tanto para a personagem de Halle Berry (o que fazer quando o amor de sua vida morre?) como para o personagem de Benício del Toro (ele foi o único que não desistiu de mim... eu preciso me desintoxicar por ele).


B+
Things we Lost in The Fire (Suzanne Bier, EUA, 2007)
Quando: Janeiro/08 (Cinema da Fundação)
Sítio Oficial: thingswelostinthefire.com

MARIA

Sobre acreditar.


Para muitos, esse é aquele filme em que a atriz que interpreta Maria Madalena em um filme surta e passa a viver como ela em Jerusalém.

Errado.

Há vários temas dentro desse filme, mas aquele que captou minha atenção e me magnetizou até o final foi : Você sabe por que Jesus Cristo foi crucificado?

Era para eu ter visto esse filme antes, em setembro ou em outubro, quando ele entrou em cartaz aqui no Recife, mas não pude ir. Me penitenciei muito por isso. Agora, posso dizer que para o meu próprio bem, só pude vê-lo no último dia do ano, pouco antes da queima dos fogos e vi um filme que poucos viram. Poucos prestaram atenção no personagem de Forest Withaker, o entrevistador da tv que está fazendo uma série de programas sobre Jesus Cristo, dando voz a todas as religiões.

Seu personagem é o que podemos chamar de "pecador" (entre aspas porque eu não acredito em pecado). Trai a mulher, lhe dá pouca atenção às vésperas do nascimento do filho, faz acordos "escusos" para ter o que quer.... até que a sua mulher entra em trabalho de parto antes do previsto, entra em coma e o seu filho está entre a vida e a morte numa encubadora.

É nesse momento que ele presencia a queda. É após esse momento que ele finalmente entende o que significa a crucificação de Cristo. Sobre alguém abrir mão da sua própria vida em favor de outro. Chegamos ao clímax do filme. Theodore Younger, na busca de um milagre para seu filho e sua esposa, passa a acreditar.

E nisso, Marie, toda contente com sua nova espiritualidade, participa de um ritual judeu e quase nem se abala com um atentado palestino na hora de uma oração.

Se eu tivesse visto esse filme nos cinemas, tenho certeza que não teria captado nem a metade de tudo isso (e pode ter certeza, aqui eu não abordei nem 10% da discussão que o filme traz à tona).

Um filme que vale muito a pena ver para poder discutr internamente qual a sua fé.


AMaria (Abel Ferrara, ITA/FRA/EUA, 2006)
Quando: 31/12/07 (DVD)
Sítio Oficial: mary-lefilm.com

XXY

Um filme sobre identidade.


Alex não é uma adolescente comum. A "menina" na foto aí encima nasceu com os órgãos sexuais dos dois sexos. Seus pais resolveram ignorar os conselhos dos médicos que queriam castrá-la(0) ao nascer e se mudaram de Buenos Aires para uma vila de pescadores no Uruguai.

Aos 15 anos, Alex está na fase de descobrimentos e quer transar. Para complicar/solucionar seus problemas, um casal de amigos dos seus pais se hospedam em sua casa. Um deles é médico e tem como objetivo convencer os pais de Alex que a operação de castração deve ser feita e o quanto antes, melhor. O caldo entorna quando junto do casal de médicos vem o filho adolescente deles.

Apesar de os pais de Alex terem visões diferentes sobre o "problema" (o pai quer deixar como está e a mãe quer torná-la "igual às outras meninas"), ela não é complexada com a sua "situação", diferente do filho do casal de amigos de seus pais, que nunca faz nada suficientemente bom para que o pai o considere especial.

Um filme interessantíssimo, mas que, ao terminar de vê-lo, você se pergunta "e daí?". Muito provavelmente eu não entendi direito a mensagem, ou talvez tenha entendido perfeitamente bem e não tenha digerido-a. Mesmo assim, esse é um filme altamente recomedável, já que não é todo dia que se vê um filme de um hermafrodita sem dramalhões.


B
XXY (Lucía Puenzo, ARG, 2007)
Quando: Dezembro/07 (DivX)
Sítio Oficial: xxylapelicula.puenzo.com
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