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O PRIMEIRO QUE DISSE

Seja o que você quiser ser, não o que esperam de você



A tradicionalíssima família Cantone possui uma fábrica de massas na cidade de Lecce, no sul da Itália. O patriarca da família, Vicenzo, decide passar o negócio ao filho mais velho, Antonio, durante um jantar, o que faz com que o mais novo, Tommaso, volte de Roma para a grande ocasião. Porém, Tommaso quer aproveitar a reunião familiar para contar a todos que é gay. Certo que será expulso de casa pelo pai homofóbico, não se importa, pois seu desejo é voltar a Roma para seguir seus planos como escritor e viver ao lado de seu namorado. Todo esse planejamento é frustrado por Antonio, que se revela gay antes, o que causa um infarto no pai e faz com que Tommaso seja obrigado a tomar o seu lugar na fábrica.


A excêntrica família Cantone ainda é formada pela matriarca, Stefania, mais preocupada com o que a cidade irá falar sobre a "condição" do filho do que tentar impedir que Vicenzo expulse Antonio de casa. Elena, a irmã, é uma dona de casa frustrada, mãe de duas crianças bem acima do peso e casada com um napolitano (para desgosto do patriarca). Luciana, é a "tia solteirona" alcoólatra que tem um amante misterioso (o qual sempre sai de seu quarto na calada da noite sob os gritos de "ladrão! ladrão!", só para manter as aparências). Para completar, há a avó, a única sem nome no roteiro, que assiste a tudo cansada da vida e sonhando acordada com o amor impossível que sentia pelo irmão de seu marido.

Como "agregados" há as duas empregadas da família, igualmente exóticas, a filha do sócio da fábrica, com a qual Tommaso se torna confidente e atraído num momento de carência e a amante de longa data do patriarca. É Fellini fazendo escola!

Infelizmente, há muitas falhas na condução do roteiro, que não se aprofunda em nada, deixa algumas histórias sem conclusão e não se decide se quer ser uma comédia ou um drama e da filmagem (os rodopios durante as cenas ao lado da mesa me deixaram tonto). Porém, não gosto de analisar um filme sobre a ótica do que ele podia ser. Particularmente, preferiria que a opção tivesse sido pelo drama, mas a intenção do roteirista/diretor é legítima e digna. Turco radicado na Itália e gay, é discriminado duplamente e, para quem quiser ver, ele deixa o seu recado para os homens, que esperam que seus filhos varões "comam" o maior número de mulheres possível para reafirmar as suas (dos pais) potências e para as mulheres, que julgam ser mais importante aparentar "normalidade" (você é bem sucedida na medida em que forma uma família "normal") do que se preocupar com a felicidade dos filhos.

Antonio sufocou sua sexualidade durante trinta anos para poder servir de exemplo para os pais. Tommaso, precisou fugir "para a cidade grande e cosmopolita" para se encontrar.

A todo momento, você pensa "é agora", Tommaso finalmente vai confrontar os seus pais e jogar merda no ventilador, mas fica sempre no quase. É a história de Antonio se repetindo, até que o seu namorado e mais três amigues extremamente caricatos chegam. Nessa hora, Tommaso precisa tomar a decisão, pois seus dois mundos (até então) excludentes estão em rota de colisão e boa coisa não deve sair daí. Nessa hora, enquanto todos da sala se acabavam de rir, eu ficava tenso, pois parecia que o jogo de aparências de Tommaso ruiria a qualquer momento. O filme, que costeava o alambrado do drama com alguns alívios cômicos aqui e ali descamba de vez para a comédia rasa. Mas os amigos vão embora e Tommaso decide finalmente confrontar os pais.

Apesar da superficialidade, O Primeiro que Disse é um filme panfletário. Ele toca na ferida da hipócrita sociedade latina (não só italiana, mas igualmente a brasileira, a hispânica, a francesa...). Acredito que "para atingir o grande público" o diretor/roteirista tenha feito muitas concessões, o que faz com que a maioria saia da sessão pensando que o filme é uma comédia. No entanto, lá no subconsciente, ele deixa plantado o seu recado.

E tem a cena final, belíssima, que analisarei na caixa de comentários, por conter spoilers.


B+
Mine Vaganti (Ferzan Ozpetek, ITA, 2010)
Quando: Abril/11 (Cine Rosa e Silva)
Sítio Oficial: minevaganti.net

UM PARTO DE VIAGEM

Apenas uma cópia descarada de Antes Só do que Mal Acompanhado?


Após uma viagem de trabalho em Atlanta, Peter Higman, arquiteto, precisa voltar para Los Angeles antes do nascimento de seu primeiro filho. Em seu caminho, aparece Ethan Tremblay, aspirante a ator, que faz com que ambos sejam expulsos do avião e colocados na lista negra das companhias aéreas. Sem documentos e dinheiro, não resta alternativa a Peter do que se juntar a Ethan e seu cachorro Sonny num clássico road movie rumo a Hollywood.

Confesso: tinha uma lista extensa de preconceitos contra esse filme. Em resumo, eu odiei Se Beber Não Case (The Hangover, 09) e tudo me cheirava a uma cópia descarada de Antes Só do que Mal Acompanhado (Planes, Trains and Automobiles, 87), "atualizando-o" para os dias atuais.

Não poderia estar mais engano. Este foi um dos guilty pleasures mais saborosos que tive nesses últimos tempos. Eu, todo chegado a um intelectualóide-wannabe, "fidalgo" como alguns me chamam, não posso negar: achei esse filme uma comédia deliciosa, engraçada e "inteligente" (=com conteúdo). Enquanto que Se Beber Não Case não passa de um amontoado de situações (mal) costuradas para resultar num filme, esse é um filme que te leva às situações engraçadas. Uma atrás da outra, sendo algumas incrivelmene hilárias como a que te remete imediatamente ao filme com Steve Martin e John Candy, quando ambos os "gordinhos" dormem ao volante. Outra, tem como trilha sonora "Hey You", do Pink Floyd. Uma viagem. Literalmente.

Não sei se o filme foi "inspirado" ou não em Antes Só do que Mal Acompanhado (impossível não ter sido). Só que, se for entendido como uma homenagem, o filme de John Hughes nunca foi tão bem reverenciado. Robert Downey Jr. e Zach Galifianakis são substitutos à altura do neurótico Neal Page e do "sem noção" Del Griffith. Quanto a Todd Phillips, pegarei leve com ele daqui para frente, pois ele merece todo o respeito por não se prender ao politicamente correto de hoje em dia.

C+
Due Date (Todd Phillips, EUA, 2010)
Quando: Fevereiro/11 (Divx)
Sítio Oficial: duedatemovie.warnerbros.com

YOUNG PEOPLE FUCKING

A velha história da diferença entre machos e fêmeas em relação ao sexo.



O tema é mais do que manjado: sexo e as diferença entre homens e mulheres classe-média. A inovação está na forma em que a história é contada. São cinco pontos de vista diferentes, representados por cinco casais (sendo um threesome) -- os melhores-amigos, os ex, os casados, o primeiro encontro e os colegas de quarto -- e a "discussão" (de botequim) está dividida em seis atos -- prelúdio, preliminares, sexo, interlúdio, orgasmo e final.

Cada casal tem a sua história particular e o filme é uma sucessão intercalada entre elas. Só duas se salvam: a dos colegas de quarto, que ilustra essa resenha, onde o gordinho latino e a namorada gostosona convidam o colega de quarto nerd e insonso para uma transa entre ele e a mulher, com o gordinho olhando e palpitando sobre o que eles devem fazer e a do primeiro encontro, principalmente por causa da "reviravolta" final.

A história entre os melhores amigos até que poderia ter sido legal, se não fosse tão lugar comum com final óbvio (e eles descobriram que foram feitos um para o outro). A dos ex eu sinceramente não entendi (e nem fiz questão de entender). A do casal é pior que horrível. Novamente, clichê: eles estão casados há algum tempo, têm uma vida metódica, sem sal e sem sexo.... até que descobrem uma nova forma de ativar o "fogo" entre eles.

É um filme independente, mas realmente não cola um filme sobre sexo em que as mulheres transam de camisola. Muito menos um casal, que por mais que não transem regularmente, o fazem com ele de camiseta.

E tome discussão "modernosa" no começo, no meio e no fim, que talvez até possa funcionar para alguns, principalmente se forem fãs de Fernanda Young.




C-
Young People Fucking (Martin Gero, CAN, 2007)
Quando: Agosto/08 (Divx)
Sítio Oficial: ypfthemovie.com

AGENTE 86

Smart, Maxwell Smart



Nunca fui fã incondicional da série da qual esse filme é derivado. Para falar a verdade, nunca fui muito fã de Mel Brooks, mas aí, é bem provável que eu nunca o tenha entendido. Sei lá. No entanto, como tenho mais de 30 anos, eu já brinquei que tinha um sapato-fone.

Tenho em mente que dificilmente se adapta um programa de uma mídia para outra sem que haja algumas modificações. Aqui, a principal modificação é a inexistência da Guerra Fria. Dessa foma, esse filme não se trata de um simples remake e sim uma espécie de continuação. Com direito a Chefe, 99, Sigfried e alguns novos elementos, como a dupla de nerds (Hiro Nakamura de Heroes entre eles), dois agentes idiotas que desprezam Max e, a principal modificação, a participação do “Agente Gostosão”, que faz tudo e é ótimo em tudo. Um verdadeiro James Bond.

A Guerra Fria não existe mais, mas a rivalidade entre (oficialmente) desmantelada a agência de espionagem estadunidense C.O.N.T.R.O.L.E. e os remanescentes russos da K.A.O.S. está em pleno vapor, tanto que essa última consegue uma lista de todos os agentes da primeira. Dessa forma, Maxwell Smart consegue finalmente a promoção a agente de campo e tem como parceira uma Agente 99 “remodelada” e rejuvenescida pela cirurgia plástica.

Há cenas escatológicas, há cenas de ação dignas de um blockbuster e o elenco, de forma geral, está muito bem entrosado. Alan Arkin como O Chefe está impagável e "The Rock" como o "Agente Gostosão" convence... O porém é o roteiro. Algumas pontas soltas realmente não dão “liga” e algumas soluções são pueris demais, mas nada que estrague a diversão.


B
Get Smart (Peter Segal, EUA, 2008)
Quando: Julho/08 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: getsmartmovie.warnerbros.com

JUNO

Nada como ser teen, indie e cool


Juno é uma teenager ultra-cool. Praticamente estupra seu colega de classe para ter sua primeira vez e, como shit happens, ela engravida. Mas não é só Juno que é ultra-cool. Sua família também, que aceita o "fato" tão bem que até fazem piada a respeito. Não bastasse a família de Juno ser ultra-cool, Juno decide dar seu filho para a adoção e procura o casal de pretendentes através de um anúncio de jornal. Über-cool, não?

Ah, mas a coolice do filme não termina por aí. A parte masculina dos futuros pais do futuro filho de Juno é tão cool, mas tão cool que tem até os mesmos gostos que a protagonista com relação à música e aos filmes de gore (divergindo apenas em quem é mais cool que quem). Awesome, don't you think?

Eu não acho. Apesar de ser um filme diferente, que aborda o tema da gravidez na adolescência de forma escrachada e sem grandes dramas, eu não o comprei. Detestei as piadas prontas da protagonista e ficava cada vez com mais raiva quando ela soltava uma daquelas merdas só para ser ter algo cool para dizer.

Meu koo pra isso.


C
Juno (Jason Reitman, EUA, 2007)
Quando: Fevereiro/08 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: foxsearchlight.com/juno

A LESTE DE BUCARESTE

Uma comédia, mas que serve para o diretor passar a sua mensagem.



Fui ver esse filme com uma única recomendação: prestar atenção na hora da "entrevista". A tal entrevista é um programa de televisão de uma rede de tv meio mambembe de uma cidadezinha ao leste da capital romena, Bucareste, que discute os 16 anos da derrubada do ditador Nicalae Ceausescu.

O mote do programa é: houve ou não houve uma revolução. Nesse caso, a hora de 12h08 é a hora-chave. Foi nesse momento que a TV estatal parou de transmitir um pronunciamento oficial em razão dos protestos que tomavam a praça em frente à sede do governo.

Inicialmente, o filme nos mostra seus três personagens principais: o produtor do programa, que se inspira num dicionário de filosofia grega para os seus pronunciamentos -- ditos -- filosóficos, o professor alcólatra que deve para meio mundo para poder continuar o seu vício e o velhinho simpático da esquerda, que foi escalado de última hora porque o outro entrevistado faltou.

No programa propriamente dito, podemos notar que o idioma romeno não só é parecido com o italiano como os costumes do povo romeno em nada diferem de um típico elenco felliniano. Com direito a xingamentos ao vivo pelo telefone, intromissão na vida alheia (nada mais... "latino") e xenofobia.

Nesse último ítem, interessante a participação do chinês, que foi o único a defender o professor (já que ele foi escorraçado por todos os demais). Quando ele se meteu a falar dos romenos, que deveriam prestar mais atenção às suas próprias vidas do que às vidas alheias, foi uníssona a saraivada de críticas que ele levou (inclusive do próprio professor que ele havia defendido).

No fim, a mensagem. Não foi uma revolução instantânea a que aconteceu naquele dia. Foi como o ascender das luzes de uma cidade. Uma de cada vez, pouco a pouco, até que toda a população foi chamada às ruas para pedir o fim do regime.


B
A Fost Sau N-a Fost? (Corneliu Porumboiu, Romênia, 2006)
Quando: Janeiro/08 (Cinema da Fundação)
Sítio Oficial: ficha imdb

ENCANTADA

Para quem acredita no "e viveram felizes para sempre".


Não estava interessado em ver esse filme, mas críticas favoráveis que começaram a apontar para um bom filme e que mereceu quatro estrelas e meia de um crítico que respeito me fizeram lhe dar uma chance (a alternativa era A Bússula de Ouro, que recebeu 2 estrelas pelo mesmo crítico e do qual eu quero passar reto!).

O início é em desenho animado 2D com o clichê básico da Disney: o príncipe encantado salva a princesa indefesa (que já tinha feito um número musical com seus amiguinhos, os bichinhos da floresta) de um ogro. Depois de fazerem um dueto musical, estão prestes a celebrar seu casamento quando a rainha má (e madrasta do príncipe), que não vê essa união com bons olhos, entra em cena. Transformando-se em uma velhinha indefesa, joga a princesa Giselle em um poço que a leva à Nova York "real". O príncipe Edward vem ao seu socorro, mas nesse meio tempo ela aprende um pouco como é a "realidade real" do "mundo real" com Robert e sua filhinha. Ele não acredita em finais felizes, já que é um advogado especializado em separações judiciais não-amigáveis, mas ela acredita cegamente em contos de fadas (crianças....).

A princípio, um conto de fadas tradicional com o final feliz do "e viveram felizes para sempre", mas o diferencial está no conteúdo com um subtexto é poderosíssimo: será que contos de fadas estão confinados aos desenhos animados ou eles podem existir na nossa realidade?

O filme é totalmente previsível, pois há o espelho mágico, a maçã envenenada, o beijo de amor verdadeiro, a madrasta má, a luta contra o dragão no "penhasco" (licença poética para descrever o edifício alto), o anão Zangado (bom... pelo menos era um anão irritado), animais ajudando nas tarefas domésticas e os intermináveis números musicais, que estão perfeitamente inseridos na trama. Porém, se você acredita ou acreditou um dia em contos de fadas, que se dane a previsibilidade. Vá com a mente aberta e se delicie com um filme pipoca realmente voltado para todas as idades.



Os personagens estão perfeitamente sintonizados com o filme. Você nem se lembra que Patrick Dempsey (Robert) já foi astro de comédias para adolescentes no final dos anos 80 e início dos 90, que James Marsden (o príncipe) um dia foi o insípido Ciclope dos X-Men e Susan Sarandon... bem... Susan Sarandon é Susan Sarandon, mesmo como uma Rainha Má, Espaçosa e Vingativa (palavras dela...). Por último, e o mais importante, Amy Adams realmente convence no papel da princesa ingênua que acredita em contos de fadas, vive cantarolando, saltitando e fazendo vestidos com as cortinas e os tapetes da casa de Robert.


A
Enchanted (Kevin Lima, EUA, 2007)
Quando:
Dezembro/07 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: enchantedmovie.com

VIAGEM A DARJEELING

Wes Anderson ataca novamente


Wes Anderson é um daqueles diretores autorais com seu estilo característico, o que no seu caso vem se aprofundando desde Os Excêntricos Tenembaus (01) e A Vida Marinha com Steve Zissou (04). Ame-o ou odeio-o, não há muitas surpresas em seu tema principal: uma família excêntrica.

A família, agora, é formada por três irmãos que não se vêem há um ano, exatamente após o funeral do patriarca. O mais velho propõe uma viagem espiritual de trem por lugares sagrados da Índia para que possam se encontrar espiritualmente e para que possam se entrosar novamente, mas ele mente. Na verdade, ele quer levar os outros dois irmãos para se encontrarem com a progenitora deles, que nem se deu ao luxo de ir ao funeral do marido e agora vive num mosteiro indiano.

Quando eles chegam ao mosteiro, logo me veio à cabeça o nome de Anjelica Houston como a matriarca e não é que é ela que aparece? Viu o que eu quis dizer com "sem surpresas"? Tem até Bill Murray numa cameo especialíssima nos 5 minutos iniciais e cenas que remetem aos seus dois últimos filmes.

Porém, mesmo se repetindo, Wes Anderson consegue fazer filmes diferentes e não apenas filma a mesma idéia com cenários e personagens diferentes. Felizmente.


B+The Darjeeling Limited (Wes Anderson, EUA, 2007)
Quando: Dezembro/07 (Box Guararapes)
Sítio Oficial: foxsearchlight.com/thedarjeelinglimited

PLANETA TERROR

A primeira parte do projeto Grindhouse


Grindhouse é o termo normalmente utilizado para designar sessões duplas em cinemas fuleiros com filmes igualmente fuleiros do gênero "exploitation", que é composto por vários sub-gêneros que podem ser vistos no site oficial do projeto capitaneado por Tarantino & Rodriguez. Eles quiseram prestar uma homenagem ao gênero e fizeram, cada um, um filme que originalmente seria apresentados na mesma sessão que teria 4 trailers falsos de supostos filmes de exploitation entre os dois. O fracasso em terras estadunidenses fez com que os filmes fossem separados e, enquanto aguardamos a chegada de À Prova de Morte (07), temos que nos contentar apenas com a primeira metade do projeto.

Planeta Terror presta homenagem especificamente aos filmes de zumbis e filmes b de ficção científica, contanto a história de uma cidadezinha perdida no interior dos EUA (muito provavelmente no Texas) que teve a infelicidade de ter uma base militar onde era estocado um perigoso gás tóxico por perto. Shit happens e esse gás acaba na atmosfera, fazendo com que os habitantes da cidade sejam transformados em zumbis com exceção de alguns, que possuem uma imunidade natural.

Uma dessas pessoas é Cherry, uma ex-go go girl que abre o filme numa dança para lá de sensual (a música também é contagiante...). Ela encontra com seu ex-namorado, El Wray, numa lanchonete de beira de estrada e os dois partem... até que atropelam uma "coisa". Outra "coisa" pega Cherry e come parte de sua perna e, levada ao hospital, tem o que resta da sua perna amputada. No auge da "crise", o hospital é tomado pelos zumbis e ela foge de lá com seu ex e a ajuda de uma perna de mesa. Daí é um passo para que ambos decidam colocar a metralhadora em sua perna.

Só por Cherry e sua perna-metralhadora, o filme valeria a pena, mas a galeria de personagens bizarros ainda conta com Dakota, uma médica que larga o marido, também médico e psicótico, por outra mulher; o Sayid (de Lost), que interpreta um cientista que busca achar a cura do gás e que coleciona as bolas de seus desafetos; o churrasqueiro J.T. e sua busca pelo molho perfeito e por aí vai. Até mesmo as babás são interessantes (os personagens!) além do próprio Tarantino, que faz uma ponta e que não sai inteiro do filme (veja e confira o que eu quis dizer).


A
Planet Terror (Robert Rodriguez, EUA, 2007)
Quando: Novembro/07 (Box Guararapes)
Site Oficial: planetaterror.com.br

HAIRSPRAY

A velha história de trazer um filme "obscuro/independente" ao mainstream hollywoodiano através de uma (bem-sucedida) refilmagem.


Vencido meu preconceito interno (mas muito bem fundamentado) aos embustes que essas refilmagens geralmente se tornam, fui conferir o filme que ficou marcado principalmente pela transformação (convincente) de John Travolta na obesa Edna Turnblad, mãe da protagonista. Ele está à vontade no papel, apesar de não ser nenhuma Divine, a travesti do filme original. O elenco está afinado, coeso e quem realmente surpreende, além da protagonista (Nikki Blonsky), é James Marsten. O apático Ciclope da trilogia dos X-Men já mostrou uma certa evolução em Superman - O Retorno (06) e parece ter se consolidado nesse filme.

Apesar de não ser a crítica ácida que John Waters transformou numa comédia e se parecer com aqueles comerciais pasteurizados de shampoos "voltados para todas as audiências", é uma comediazinha musical esforçada. Entre um número musical e outro, você consegue captar o subtexto do preconceito ao "diferente". Isso sem falar nas músicas que grudam na sua cabeça (nesse exato momento, estou cantarolando "The New Girl in Town", que gosto tanto quanto "The Nicest Kid in Town" e "Welcome to the 60s").


B+
Hairspray (Adam Shankman, EUA, 2007)
Quando: Novembro/07 (UCI Recife)
Site Oficial: hairspraymovie.com

SUPERBAD - É HOJE

Besteirol americano - por incrível que pareça - com qualidade.



Minha pré-adolescência, em meados da década de 80, foi marcada por filmes como a "trilogia" Porky's (81, 83 e 85) e Clube dos Cafagestes (78) com suas periódicas reprises no Corujão. Atualmente, pode-se facilmente ir ao cinema ver o mesmo estilo de filme, com meninos que "só pensam naquilo". Pensava que esse filme seria mais do mesmo, apesar de ter a "grife" Judd Apatow como produtor executivo. Uma viagem ao Rio de Janeiro, uma tarde inesperadamente livre, nenhuma outra opção de filme e lá estava eu, provavelmente o mais velho da sala de cinema...

A história? E isso é importante? O que importa é que eu me cagava de rir por causa dos policiais acima e de "Mclovin".


B+
Superbad (Greg Mottola, EUA, 2007)
Quando: Outubro/07 (Cinemark Botafogo - RJ)
Site Oficial: areyousuperbad.com

SANEAMENTO BÁSICO, O FILME

Nada como "o jeitinho brasileiro".


A história é simples: num povoado de uma cidade do interior do Rio Grande do Sul, o mal cheiro de um arroio incomoda seus habitantes. Formada uma comissão para levar a reivindicação da construção de uma fossa às autoridades, descobre-se que não há mais dinheiro disponível para saneamento básico no orçamento da prefeitura. Porém, há uma verba já liberada para a filmagem de um curta-metragem que, se não for realizado, será devolvida para Brasília.

Moral da história: os protagonistas resolvem fazer um filme para que, com o dinheiro restante, eles possam construir uma fossa. É o "jeitinho brasileiro" sendo utilizado, nesse caso, "para o bem", pois conforme a burocrata da prefeitura diz mais de uma vez, "pecado é devolver dinheiro para Brasília".

Esperava mais. Me disseram que esse filme era muito engraçado, mas fora uma meia dúzia de piadas óbvias, fiquei mais impressionado pela história de amor entre os personagens de Fernanda Torres e Wagner Moura (ele chega a vender a moto para ajudá-la na realização do curta) do que pela história principal, em si. Ah, o processo de filmagem de "O Monstro do Fosso" (o filme dentro do filme) é super-engraçado. E só.


B-
Saneamento Básico, O Filme (Jorge Furtado, BRA, 2007)
Quando: Setembro/07 (Multiplex Boa Vista)
Site Oficial: saneamento básico, o filme

RAINHAS

Mais um diretor espanhol pensando que é Almodóvar.


Espanha, 2004. O governo recém-eleito legaliza o casamento entre pares do mesmo sexo. Um filme político-simpatizante? Não... apenas uma "comédia de costumes" centrado nas mães dos jovens "noivos" que porventura são gays. Há uma ou outra crítica contra a parte da sociedade conservadora espanhola que os abomina, mas ela é acessória. A linha-mestra do roteiro é centrado nas "Rainhas". O filme é feito por e para elas.

É um bom entretenimento e não chega a decepcionar muito. Eu, particularmente, só fiquei decepcionado porque esperava algo mais militante. Até que ri bastante da "falta de noção" de algumas das rainhas, algo bem à la Almodóvar, mas havia um gosto de que algo estava errado. O efeito final é o mesmo que sinto todas as vezes que assisto a um filme de algum diretor espanhol que tenta fazer uma comédia kitsch e "fora do convencional". Eles tentam, mas dificilmente chegarão a ser, verdadeiramente, "um novo Almodóvar".


B-
Reinas (Manuel Gomez Pereira, ESP, 2005)
Quando: Agosto/07 (DVD)
Site Oficial: warnerbros.es/movies/reinas

DEU A LOUCA EM HOLLYWOOD

Mais um típico filme descerebrado feito para adolescentes.


Antes de continuar, quero deixar bem claro que eu só assisti a essa "bomba" porque eu, por acaso, acessei a cena aonde eles parodiam Jack Sparrow (que virou Jack "Swallows") e me caguei de rir. Achei o torrent do "filme", fiz o download, vi a também hilária cena onde Willy Wonka e A Fábrica de Chocolate (05) é parodiado e só. Isso foi tudo o que prestou do filme.

No mais, segue a mesma "receita" desses filmes que "parodiam" os blockbusters do verão anterior: uma história principal (nesse caso, As Crônicas de Nárnia) e um monte de retalhos (de Borat a 007, passando por X-Men 3, Serpentes a Bordo e Código daVinci, entre vários outros).

A White Bich (a "vilã" do filme) também é muito hilária, mas ela aparece pouco. Outro fato interessante do filme é que eu finalmente associei Crispin Glover, que fez aquele fetichista por cabelos na "duologia" de As Panteras a George McFly, o pai de Michael J. Fox em De Volta para o Futuro (85). Ele é o Willy Wonka e quando ele fecha a porta, prende os quatro "heróis" e fala "no, no, no, I can't do that", fui remetido intantaneamente à cena em que ele abre a porta do carro, mas ao invés de encontrar Michael J. Fox, ele encontra Biff, o vilão da história e diz algo que não me lembro.



D
Epic Movie (Jason Friedberg e Aaron Seltzer, EUA, 2007)
Quando: Julho/07 (DivX)
Site Oficial: deualoucaemhollywood.com.br

PIRATAS DO CARIBE 3

Se você pensava que o segundo era ruim...


... mal pode esperar para conferir a terceira parte da trilogia de Jack Sparrow & Cia. O primeiro filme foi legal. Engraçado na medida certa, efeitos especiais na medida certa. Apesar de haver Orlando Bloom no elenco, o fato de sermos apresentados ao pirata e drag queen wannabe de Johnny Depp mais do que contrabalanceava esse "deslize" dos produtores.

No segundo filme, a história rocambolesca contribui para a dispersão já na quinta "virada de mesa" e a extensa duração potencializou o roteiro meque-trefe, pois várias seqüências já se mostravam efadonhas ao não sairem do lugar após 20 minutos (a cena da "luta" entre os três pelo baú que contém o coração de Davy Jones que o diga).

Agora, Jack Sparrow está morto (engolido pelo Kraken de Davy Jones, juntamente com o Pérola Negra) e seus "amigos" vão até o fim do mundo para poder resgatá-los, já que o Pérola Negra é o único navio capaz de fazer frente ao Holandês Voador de Jones. Paralelamente, estão armando uma reunião com os nove "lords" piratas do mundo inteiro para decidirem o que fazer com uma ameaça em comum: Davy Jones e o seu Kraken está "limpando" os mares da presença dos piratas.

O subtexto até poderia ser interessante, o de um mundo em transição com o fim da pirataria e da "magia" para um mundo mais científico, globalizado e sem piratas, mas as 35.284 reviravoltas põem tudo a perder logo na quarta, quando você já se esqueceu de quem traiu quem primeiro. Há apenas duas coisas que se salvam nessa seqüência, assim como na segunda parte da trilogia: Jack Sparrow e Tia Dalma. A divindade presa no corpo de uma feiticeira "doida" com um sotaque prá lá de engraçado continua impagável e, apesar do visível cansaço de Jack Sparrow, ele ainda consegue segurar boa parte do filme nas costas. Um quarto filme certamente colocaria na vala comum esse que foi um dos melhores personagens que já surgiu no cinema.


D
Pirates of the Caribbean: At World's End (Gore Verbinski, EUA, 2007)
Quando: Maio/07 (UCI Recife)
Site Oficial: disney.com.br/cinema/piratas3

ALMOST NORMAL

O que é "ser normal"?



O filme tem uma proposta interessante, que é a de discutir o que é "ser normal" numa sociedade "normal" aonde a heterossexualidade é dominante por um gay que insiste em afirmar que é "diferente" pelo fato de ser gay. O protagonista, Brad, é um gay enrustido que queria apenas "ser normal" (palavras dele), algo que não consegue porque, simplesmente, é gay (novamente, palavras dele). Como não pode "ser normal", ele se enterra nos livros, vira doutor, dá aulas de literatura em uma importante universidade estadunidense e, aos 40 e alguma coisa, fica babando pelo físico sarado dos esportistas e vivendo a sua vida solitária...

... até que sofre um acidente de carro e acaba sendo transportado para um mundo aonde está vinte e poucos anos mais novo, o "normal" é ser gay e os heterossexuais são hostilizados por "fugirem do padrão", sendo chamados de "reprodutores" (pejorativamente, é claro).

Uma vez nesse "mundo ideal", Brad está novamente no colegial e finalmente tem a oportunidade de "viver" e de se relacionar com o jogador de futebol americano que era a sua paixão platônica no "mundo real". Ele acaba conquistando-o como namorado, mas somente até se apaixonar por sua melhor amiga no "mundo real". Dessa forma, ele é novamente hostilizado por "não ser normal", mas dessa vez por ter beijado alguém do sexo oposto, sendo obrigado a freqüentar guetos heterossexuais.

A história é interessante, mas a opção por ser uma comédia leve diluiu o debate que o filme se propôs a discutir (se é que ele tinha essa intenção) um tema bem polêmico, principalmente por partir de um gay. Longe de ser um chato panfletário e militante, me diverti com o filme, apenas comecei a torcer por algo mais "profundo", mas a repetição de clichês (invertidos, óbviamente) deixou-o banal e passável.


C+
Almost Normal (Marc Moody, EUA, 2005)
Quando: Maio/07 (DivX)
Site Oficial: ficha imdb

ANOTHER GAY MOVIE

American Pie ao estilo GLS.



Quatro jovens se formam e decidem fazer um pacto: todos perderão a virgindade até o final do verão. Esse é o mesmo enredo de American Pie? Sim, é. A diferença é que nesse caso, os quatro rapazes querem perder a virgindade com outros rapazes. Especificamente, os jovens em questão são: um nerd, um esportista, um bobalhão e uma bichinha-escândalo.

Situações cômica para lá, situações nem tão cômicas para cá, praticamente todas são chupadas diretamente de American Pie. Portanto, o balanço final da cria é o mesmo da criatura: situações de riso fácil e mecânico, com a imbecilidade sendo a única coisa palpável.

Só se salvam duas coisas: o professor que veio fazer intercâmbio, que é adepto de práticas sexuais nada ortodoxas (e que é objeto de desejo do bobalhão) e a sapatona-caminhoneira-machaprácaralho que "come" todas as minininhas e acho que é a única coisa original do filme.


C
Another Gay Movie (Todd Stephens, EUA, 2006)
Quando: Maio/07 (Divx)
Site Oficial: anothergaymovie.com

BORAT

Pânico na TV e/ou Casseta e Planeta, made in US and A.


Dá até para entender o sucesso de Borat no mercado estadunidense, já que eles não devem estar acostumados com esse tipo de "humor" e pelos lados de lá reina a máxima do "faça o que eu digo e não o que eu faço". Já ao sul do equador, num país onde reinam o Casseta e Planeta (em decadência há vários anos) e o Pânico na TV (interessante em algumas esquetes, mas com o mesmo humor chulo e descartável em sua imensa maioria), não há nenhuma novidade. Como eu não gosto do Casseta e Planeta e tenho pavor da imensa maioria do que passa do Pânico na TV, já adianto que me senti desconfortável na maior parte do filme.

Já passei da idade de idolatrar contraventores e aqueles com "culhões" de desafiar o stabilishment. Tirando isso de Borat, então talvez sobrasse as "sacadas" e boas tiradas de sarro do "americano médio" e seu sistema de valores. Eu caguei de rir em quase todas, mas na medida em que a escatologia aumentava, eu ficava cada vez mais entediado, rezando para que acabasse logo. A melhor de todas, sem dúvida é quando Borat pega o seu produtor batendo punheta com a revista de Pamela Anderson e os dois correm pelados pelos corredores do hotel.

O tom documental (ou pseudo-documental, já não se sabe o que é "verdade"/espontâneo e o que é "mentira"/ensaiado) não me incomodou, mas justamente por não saber o que é espontâneo e o que é ensaiado, fiquei com um pé atrás durante toda a projeção e o tom de "denúncia" se esvaziou.

O filme é basicamente isso, um riso quase que automático, mas que depois dos créditos finais, você fica pensando o que é que ele te trouxe de conteúdo e você fica triste em constatar que nada.


C-
Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan (Larry Charles, EUA, 2006)
Quando: Março/07 (UCI Recife)
Site Oficial: www.boratmovie.com

O DIABO VESTE PRADA

"Everybody wants to be us"


Será? Será que todo mundo gostaria mesmo de ser Miranda Pristley, a todo-poderosa editora da Runway? Não nego que se me fosse dada a oportunidade, eu bem que usaria uma calça Diesel ou um óculos Ray-Ban, mas eu tenho bom senso suficiente para me colocar no meu lugar.

Podemos dizer o mesmo sobre Andy? Andy, a caipirona. Andy, a brega. Andy, a nossa "Jeca Tatu" da hora. Caindo de pára-quedas na redação da Runway, ela ganha o emprego de segunda assistente de Miranda por causa de uma experiência. Já que todas as outras assistentes fashion, magras e burras tinham dado errado, ela se perguntou porque não tentar com uma totalmente diferente.

Pouco a pouco, ela vai conquistando a confiança a megera (o tal diabo que usa bolsas Prada do título). A cena-chave é quando ela ganha o direito de entregar "o livro" na casa da própria Miranda. Isso prova que ela, ao menos, não é nenhuma psicopata. Mas como ela, obviamente, faz merda, no dia seguinte ela precisa arranjar o manuscrito do mais novo livro ainda não publicado do Harry Potter para as filhas da megera ou não voltar mais ao trabalho. "Você acha que pode tudo, não?" Miranda pergunta a ela.

Ao mesmo tempo em que vai ganhando direito a algumas regalias, como, por exemplo, o direito de ser chamada pelo seu próprio nome pela poderosa chefona, ela vai se distanciando de seus amigos, de seu namorado, do seu antigo "eu". Ela deixa de usar o suéter da avó para usar um pretinho básico da Dior para comprar pão na padaria da esquina. Ela também aprende a soletrar "Gabbana" (eu, ainda não, porque não sei se escrevi certo, mas pelo menos já sei que não é "Cabana" como eu pensava há até pouco tempo).

Com isso, ela vai se esquecendo do que era antes, uma jornalista recém formada que queria estar na Runway apenas para "fazer contatos". Quando chega ao ápice, Andy, a nova assistente número 1 de Miranda, está na semana da moda em Paris.

Ah, Paris... La belle Paris. La toujours magnifique Paris. L'éternelle Paris. La Paris que me manque. Foram só 30 segundos. 1 minuto no máximo de imagens ainda muito caras para mim. Escutar "City of Blinding Lights" ajudou muito (ou piorou, dependendo do ponto de vista).

Em "Belíssima" (a novela), Rebeca, a personagem que dirigia a agência de modelos, tinha como sua música-tema "Suddenly I See". É a música de abertura desse filme, numa seqüência muito legal. "Vogue" (óbvio) e "Jump" de Madonna também estão na trilha sonora, bem como a versão de Alanis Morrissete para "Crazy". Músicas que valem a pena ver na telona. Até mesmo Jamiroquai e a bossa nova básica da festa exclusivérrima caem bem.

Na mesma Paris, ela finalmente se dá conta de quanto mudou. A desculpa padrão que ela sempre dava, "não tive escolha", não colava mais e assim ela jogou o celular na fonte da Place de la Concorde. O obelisco no meio da praça, a torre Eiffel ao fundo... [suspiros]

Aí começa o problema: para dar o "happy end", quando ela chega em NY, Andy está novamente à procura de emprego. Na rua, ela se encontra com a ex-chefe, que mantém a cara fechada, mas no interior do carro, finalmente vemos um sorriso no rosto de Miranda. Poderíamos passar sem isso, mas apesar do deslize, isso não é nada que desmereça as quase duas horas de um filme delicioso de se ver, mas cujos defeitos se tornar visíveis numa avaliação mais "técnica".

Dizem que Gisele Bünchen (cujo nome eu também não sei se escrevi certo) participou do filme, mas eu nem notei. Talvez seja porque sua participação realmente foi "marcante" (estou sendo irônico). E eu continuo com vontade de rever Prêt-à-Porter (94).


BThe Devil Wears Prada (David Frankel, EUA, 2006)
Quando: outubro/06 (Multiplex Boa Vista)
Site Oficial: www.devilwearspradamovie.com

TODO MUNDO EM PÂNICO 4

Mais do mesmo, pela quarta vez.


Primeiro, eu pensei se deveria escrever algo sobre esse filme. Depois de decidir favoravelmente pela sua postagem, o problema passou a ser sobre o que escrever a respeito dele.

O único conselho que posso dar para quem ainda se dignificará a ir vê-lo é que ele é totalmente recomendável para quem tem um senso de humor não muito exigente e está afim de ver algo que não seja necessário pensar muito, pois todas as tiradas, digo, "piadas", são perfeitamente compreendidas por aqueles que têm apenas dois neurônios.

Continuo achando o primeiro filme da franquia o melhor de todos, pois lá eles pegaram um único filme (Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado, 99) e fizeram as demais colagens em cima dessa linha mestra. Nos que se seguiram, os produtores/diretores fizeram verdadeiras colchas de retalhos que somente em pequenas exceções fizeram algum sentido. Sinceramente, não "dá liga" quando se tenta juntar Guerra dos Mundos (05) com A Vila (04), né?

Mas como nem tudo é merda barata nesse filme, caguei de rir perto do final, quando eles tiram sarro de Jogos Mortais (Regina Hall, a moça que ilustra esse post, é impagável!) e da entrevista de Tom Cruise para Oprah Winfrey. Fora essas duas cenas, o resto é totalmente descartável, mesmo que ele te faça rir torto aqui e ali...


C-
Scary Movie 4 (David Zuker, EUA, 2006)
Quando: jul/06 (UCI Recife)
Site Oficial: www.scarymovie.com/
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